Disclaimer: Inuyasha não me pertence. Esse fanfic tem o único objetivo de divertir.

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Tudo Pela Herança

Por: Madam Spooky.

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Capítulo 11 – Descontrole

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Ela já tinha passado muitas vezes por situações semelhantes; sempre tranqüila, rindo de como as coisas continuamente davam um jeito de dar errado. Quando alguém chega a um ponto da vida em que parece não haver nada mais a fazer sobre a própria desventura, ficar presa na estrada sob um céu coberto por nuvens escuras não parece tão ruim quanto realmente é. Poderia ser pior. Ela poderia estar a pé ao invés de dentro de um conversível confortável e quente, cercada por janelas que podia fechar ao mesmo tempo em que os olhos e fingir que aquilo era apenas um grande pesadelo. Quando os sons a sua volta parecessem mais razoáveis, ela acordaria em sua cama e encontraria o mundo normal de uma garota de vinte e um anos que ela abandonara exatamente quatro dias atrás.

Kagome seguiu fielmente a filosofia do 'nadar com a corrente' nos anos que se seguiram à morte de seu pai. Um dia ela simplesmente passou para o banco de passageiros deixando livre a direção de sua vida para quem estivesse perto e disposto a tomá-la. Foi sua mãe quem achou que deixar a faculdade por algum tempo era a decisão certa, foi Sango quem lhe arrumou aquele emprego enfadonho como temporária em serviço de bufê, foi seu avô quem lhe convencera que talvez sua salvação estivesse em um relacionamento duradouro – o que a fez, não intencionalmente, sabotar todos os que apareceram daquele instante em diante. Tinha sido assim até o minuto em que Inuyasha entrara em sua vida. Ela tinha tentado entregar a direção a ele, mas ele rira e se instalara confortavelmente no banco do carona sem ligar para a vida dela serpenteando pelas estradas do destino.

Então, Kagome, vai sair do esconderijo agora? Não acha que nós já brincamos demais? Ou está a fim de mais uma voltinha?

Era a voz de Inuyasha, soando alta, clara e não menos debochada em sua cabeça. Kagome passou as mãos pelo rosto, tentando se acalmar e livrar-se daqueles pensamentos inquietantes antes que ficasse maluca. Então colocou a cabeça para fora da janela do carro e suspirou cansadamente ao ver na expressão de Kouga que ele não fazia a menor idéia do que podia estar errado com o motor do automóvel de luxo.

Há quanto tempo estavam ali? Quarenta minutos desde que saíram de casa segundo o relógio, no entanto parecia pelo menos o dobro disso. Droga de sensação de impotência! O mundo a sua volta parecia estar girando ao contrário, mas tudo o que Kagome podia fazer era relaxar contra o banco de trás e tentar acalmar o amontoado de sentimentos que lutavam por liberação, todos de uma vez.

Havia a frustração por estar ali parada quando há muito já deveria estar no hospital, a preocupação com o que podia ter acontecido a seu irmão mais novo enquanto ela 'sem querer' se casava em um cassino na cidade, havia também curiosidade pelo que os outros, Miroku e Sango acenando na estrada, tentando pedir ajuda aos desinteressados veículos que passavam por eles, e Kouga, o advogado - maluco ou não - que não demonstrara uma ponta de estranheza mesmo depois que Inuyasha revelara tudo sobre aquela união que mais parecia uma enorme piada de mau gosto, estavam pensando sobre ela. E embora Kagome tentasse dizer para si mesma que a saúde de Shippo ocupava o primeiro plano de seus pensamentos, do aglomerado de sentimentos que a perturbavam, raiva era o mais intenso de todos.

- Não sei o que esse motor tem, vamos ter que chamar um mecânico pelo telefone. - gritou Kouga alto o bastante para que todos ouvissem. Ele parecera irritado, convenientemente ignorando que fora ele mesmo que descartara aquela mesma sugestão quando Sango a dera meia hora antes, declarando-se capaz de resolver o problema sozinho.

Kagome sentiu raiva de Kouga por isso. Ela não conseguia entender como ele podia ficar encostado no capô do carro, acendendo tranqüilamente um cigarro como se nada mais estivesse acontecendo. A raiva não a abandonou ao ver Miroku e Sango conversando baixinho, rindo um para o outro como cúmplices de longa data. Sobretudo se intensificou quando Inuyasha se moveu na outra extremidade do banco, chamando atenção para sua presença. Ele olhava o céu de início de tarde como se fosse a coisa mais fascinante que já tivera a chance de presenciar. Kagome sentiu-se grata por ele não ter tentado se desculpar depois do que fizera. Não havia justificativa para alguém quebrar a palavra tão descaradamente quanto ele naquela manhã e se ele tivesse tentado se explicar, provavelmente só teria piorado as coisas para o próprio lado.

Ela olhou de relance para o rapaz de cabelos compridos e imaginou no que ele poderia estar pensando. A expressão no rosto dele era tranqüila, exatamente a mesma que se poderia esperar de alguém sentado em um banco de praça em um dia de verão, observando o movimento nas ruas enquanto espera o tempo passar. Será que ela era a única ali que percebia que estava tudo errado? Ou os outros não se importavam se tudo acabasse naquele minuto desde que tivessem algo que os fizesse esquecer do mundo por aquele instante? Miroku e Sango estavam distraídos um com o outro, Kouga parecia que ainda demoraria a perder o interesse pelos seus cigarros, Inuyasha tinha o mundo inteiro para observar exatamente como fazia todos os dias, sentado em seu sofá, com os olhos grudados em seu maldito televisor. Quanto a ela... Ela só tinha o terreno inseguro dos próprios pensamentos.

- Você vai ficar ai fumando ou vai telefonar para o mecânico? - perguntou Sango a Kouga com impaciência. - Kagome precisa chegar ao hospital ainda hoje!

- E por que ela não pega um táxi? - perguntou Kouga completamente concentrado na atividade de acender um novo cigarro.

- Você vai pagar a viagem?

Kouga ergueu os olhos zombeteramente, olhando para Sango. Assim que a ponta do pequeno cone de tabaco começou a arder, ele guardou o isqueiro no bolso - aquele que sua mãe achava que não passava de um ornamento - e jogou o celular para ela.

- Você devia usar o seu. Acha que sou rico?

- Acho. - disse Sango enquanto analisava o aparelho. - Além disso, o carro é seu.

De dentro do auto, Kagome observou a discussão com os punhos cerrados. Queria gritar que deixassem de conversa, que ela queria sair dali o mais rápido possível e chegar ao hospital, mas não teve forças para isso. A necessidade de desviar sua linha de pensamento a estava cansando. Além disso, ela sabia que iniciar uma discussão a atrasaria ainda mais e isso não a deixou se mover.

Droga! Por que tinha aceitado quando Kouga ofereceu-se para levá-la ao hospital? Tudo bem que ele era o único com carro no apartamento e ela não podia adivinhar que as coisas acabariam assim, mas pelo menos devia ter imaginado que algo teria muita, mas muita chance mesmo de sair errado. O que dera certo em sua vida desde que Kaede morrera e ela se envolvera com aquelas pessoas? Kagome pensou no dia em que fora ao apartamento de Inuyasha pela primeira vez. Se não tivesse insistido naquela estúpida idéia de tentar cobrar dos sobrinhos da senhora morta o que ela deixara pendente, ela estaria segura e nada daquilo estaria acontecendo.

Ela não teria conhecido o suposto primo maluco. Ela não teria presenciado aquela briga de irmãos. Ela não teria tentado consolar Inuyasha depois disso e os dois nunca teriam se casado. Ela nunca teria sentido tudo o que sentira quando ele a beijara naquela noite e jamais continuaria pensando nele como o cara certo apesar dele ter quebrado a promessa que fizera apenas vinte minutos depois.

- Eu tenho certeza que ele está bem - disse Inuyasha de repente.

Surpreendida em seus pensamentos, Kagome deu um salto antes de voltar-se para o rapaz a seu lado com um olhar envergonhado. Ela demorou um minuto antes de perceber que era impossível que ele soubesse sobre o que ela divagava, então relaxou novamente, parte dela feliz em ouvir a voz dele outra vez, parte sentindo aquela raiva de antes voltar com força total. O que ele pensava que estava fazendo? Os dois não estavam oficialmente estranhados? Ela lembrou-se do tapa que deu nele mais cedo e ficou na defensiva. Talvez ele quisesse falar sobre o assunto... Talvez os dois acabassem discutindo e então ela poderia dizer tudo o que achava das atitudes dele nas últimas horas...

- Estou falando do seu irmão. Você parece preocupada, mas não precisa. Se fosse grave, sua mãe teria deixado transparecer e Sango não disse que ela parecia calma? Eu tenho certeza de que ele está bem.

Por um instante, a expressão zangada de Kagome suavizou-se, modificando-se para uma meio abobalhada. Ele estava realmente preocupado sobre o problema dela ou apenas tentando aliviar a imagem de traidor que ela formara naquela manhã?

Inuyasha desviou o olhar do rosto dela como se tivesse entendido o que ela estava pensando apenas pelos seus olhos.

- Aquele hospital até que é bem agradável. - ele continuou. - Estive lá uma vez. A única coisa ruim era aquele cheiro enjoativo que todos os hospitais têm. Me fazia passar mal a cada cinco minutos e nem era eu quem estava internado. – ele riu.

- Pare com isso, Miroku! Eu disse que era apenas para Sango pedir ajuda! - a voz furiosa de Kouga desviou a atenção dos dois para a cena lá fora. O advogado perseguia Miroku tentando, sem sucesso, recuperar seu telefone celular como qual o rapaz aparentemente falava com alguém. Sango observava os dois com uma carranca, mas sem interferir.

- Esse Miroku às vezes me surpreende. - disse Inuyasha perdendo o interesse e olhando novamente para o painel do carro. - ele consegue ser tão prudente às vezes que chega a ser irritante, já em outras... Não passa de uma criança grande.

Kagome balançou a cabeça afirmativamente sem perceber. Quando deu por si, sacudiu o crânio freneticamente e olhou para Inuyasha com olhos desafiantes.

- O que você pensa que está fazendo?

- Conversando. - respondeu ele, inocentemente.

- Conversando com quem?

Inuyasha olhou por todo o carro como se estivesse tentando se certificar de que não havia mais alguém além deles ali antes de responder:

- Você sofre de algum tipo de paranóia? Está sempre fazendo esse tipo de pergunta quando está mais do que obvio que não ninguém além de nós dois aqui.

Kagome ignorou o comentário.

- E eu posso saber quem te deu permissão de iniciar uma conversa comigo?

- Eu só estou tentando ser um cara legal.

- Cara legal... Pois sim. Você é um idiota, Inuyasha! - Kagome gritou.

- Eu sei. Eu te disse que fez um péssimo casamento, mas você quis dar uma de otimista. - Inuyasha tocou a própria face com a mão e olhou novamente para ela com uma expressão completamente inexpressiva. - Você bate forte, aquele tapa doeu.

- Fico feliz. - ela respondeu cruzando os braços. Pensara que ele ia ao menos se mostrar arrependido, mas se aquilo era um pedido de desculpas, era o mais desastroso do qual já tivera notícia.

- Eu mereci.

- Claro que mereceu!

- Alguma chance de você me perdoar?

Kagome olhou com raiva nos olhos dele, mas eles pareciam tão sinceros que o sentimento não durou muito tempo. Ela estava seriamente inclinada a dizer que sim, apesar de sua parte racional gritar que se ele a tinha enganado uma vez, provavelmente aconteceria de novo. Mas, por um momento, a imagem de Sango, sua mãe e seu avô a condenando por aquele casamento descabido surgiu em sua mente e foi isso que a influenciou quando ela respondeu:

- Nunca! Provavelmente o odiarei para sempre pelo que você fez... - ela lançou um rápido olhar para o relógio de pulso - há exatamente uma hora e quarenta e cinco minutos.

- Você é sempre tão rancorosa assim? Está até contando os minutos...- surpreendeu-se Inuyasha.

- Só quando um idiota me deixa bêbada, se casa comigo, promete ficar calado e quebra a promessa menos de vinte minutos depois!

- Para sempre é muito tempo...

- O suficiente. Ou por acaso você não ouviu meus motivos?

- Ouvi! - interrompeu Inuyasha. - E a única coisa certa que consegui tirar da sua... afirmação, foi que você tem idéia fixa no tempo. Você sempre conta os minutos de tudo ou é só quando falamos das burradas que eu costumo fazer?

- Está reconhecendo que não devia ter feito o que fez? - ela perguntou se virando novamente para frente e cruzando os braços.

- O que eu falei sobre você ter se casado mal?

- Acredite, já tive chance de perceber e não preciso que você fique me lembrando esse detalhe a cada minuto.

Ela quase sorriu percebendo que estava mais em busca da última palavra naquela discussão que realmente com raiva. Será que era por isso que ele estava sempre rebatendo o que ela dizia com respostas debochadas? Ele queria mantê-la falando, sabendo que, apesar de ser uma maneira muito estranha de pedir desculpas, a faria perdoá-lo? E ela devia ser incrivelmente estúpida, ou manipulável, na melhor das hipóteses, porque se aquele fosse mesmo um plano de Inuyasha, ele estava tendo sucesso.

- Por que você fez aquilo? – ela buscou uma explicação. - Por que você me prometeu e depois...

- Não me pergunte isso agora, por favor.

Kagome quis desesperadamente que ele tivesse uma resposta convincente para aquilo. Ela se lembrava de Sango e os outros tentando fazer com que Inuyasha lhe contasse alguma coisa que ele enrolara o máximo possível para dizer até interromper-se, surpreendendo a todos com a revelação de que estavam casados. O que ele poderia ter para dizer e porque era tão importante que ela não soubesse, a ponto dele quebrar sua promessa por isso?

- E quando eu devo perguntar?

- Eu sei que não estou em posição de fazer promessas aqui - disse Inuyasha -, mas mesmo assim eu vou prometer que você saberá de tudo por mim e por mais ninguém.

- Inuyasha...

- Por favor, agora não é o melhor momento.

Ele não parecia disposto a falar e Kagome acrescentou uma nota mental para lembrar-se de perguntar a Sango se ela sabia de alguma coisa na primeira oportunidade que tivessem a sós. Intimamente estava feliz de não ter que descobrir nenhuma verdade terrível àquela manhã. O dia das revelações infelizes estava oficialmente encerrado se dependesse dela.

Quanto a Inuyasha... Era isso. Ela não dissera que o perdoava, mas a raiva tinha ido embora, deixando apenas uma grande rachadura na confiança que ela pudesse ter nele. Talvez eles pudessem voltara camaradagem daquela manhã, o tempo diria. No momento ela tinha que se concentrar era no estado de saúde de seu irmão, nada mais. Outro dia eles poderiam conversar melhor a respeito.

- Você está bem? - Inuyasha perguntou.

- Por que eu não estaria? - Kagome respondeu ironicamente. - Meu irmão está no hospital, eu estou sentada dentro de um carro quebrado a quilômetros de onde deveria estar, creio que não posso confiar na palavra do meu marido, é uma questão de tempo antes que eu tenha que explicar a Sango e, conseqüentemente, ao resto da família que me casei ontem à noite... Nunca estive melhor em toda a minha vida...

- Ok, não foi uma pergunta muito feliz... – ele deu um sorriso amarelo. – Mas veja pelo lado bom: você está viva, ainda não começou a chover, o que torna a nossa condição de perdidos na estrada um pouco mais confortável e você tem o seu emprego...

- Talvez não. Eu era temporária e a sua tia ter morrido devendo uma nota para o meu chefe provavelmente significará corte no pessoal. Adivinha quem vai ser a primeira na lista.

- Significa que você levou a pior nessa também por causa da minha tia?

- Indiretamente sim. Bom, porque eu não acho que ela tenha morrido de propósito, não é?

- E o que você vai fazer agora?

- Parece que vou ter que procurar um outro emprego ou quem sabe arrumar um marido rico. Oh desculpe, esqueci que já sou casada.

Inuyasha abriu a boca para responder, mas não houve tempo. Um caminhão de reboque havia chegado e Kouga se aproximava quase correndo, com o celular firmemente preso entre as mãos, e um sorriso de alívio no rosto.

* * *

De todas as reações que Sesshoumaru esperara de Kikyou quando ela finalmente descobrisse sobre sua avó, alegria era a única que não havia cogitado. Não que ele pudesse jurar sobre um banco de testemunhas que fora isso que ela sentiu, mas depois que chegaram na mansão e ela soubera da notícia pelo mordomo, ele pensava ter percebido um brilho de contentamento em seus olhos e um suspiro de alívio ter escapado de sua boca.

Quando ele perguntara o que havia acontecido e ela finalmente lhe dissera, isso depois de vários minutos de concentrada meditação, os dois partiram para a sala de estar e Kikyou se sentou silenciosamente em uma poltrona perto da lareira. Os olhos dela estavam vivos como não haviam estado desde que partiram para a ilha e Sesshoumaru estava começando a ter certeza de que alguma coisa estava acontecendo. Algo que ele não fazia a menor idéia do que se tratava.

- Então... – ele perguntou sem disfarçar a desconfiança. – Você precisa de alguma coisa?

Uma coisa em que nunca fora muito bom, era em confortar pessoas em momentos difíceis. Para ele se algo não podia ser remediado, devia ser esquecido sem perda de tempo. Kikyou também nunca fizera o gênero emotivo e talvez esse fora uma das razões dos dois se darem tão bem desde o início. Mas agora, vendo a reação da jovem diante da morte da mulher que cuidara dela desde criança e que, junto com aqueles dois primos de quem ela nunca falava, era a única família que tinha, estava começando a desconfiar que ela era muito mais fria do que jamais havia imaginado. Será que na verdade, Kikyou estava em uma espécie de choque? Ou a perda de Kaede significava mais alívio que infelicidade para ela?

- Não, eu só estou um pouco cansada.

Por um instante ele pensou em contar que já sabia há muito da morte de Kaede, mas a idéia se esvaiu tão rápido quanto surgiu. Naquele momento não parecia fazer diferença alguma.

- Sinto muito pela sua avó.

Kikyou balançou a cabeça afirmativamente, franziu a testa e depois respirou fundo. Parecia estar lutando entre sentir-se mal com aquilo ou simplesmente seguir sua vida como se não fosse grande coisa.

- Eu sinto também. – disse ela. – Acho que vou me deitar um pouco. Isso foi... Um tanto quanto repentino para mim.

- Acho uma boa idéia.

Sesshoumaru respondeu com um sorriso forçado. Ele a acompanhou com os olhos enquanto ela se afastava na direção das escadas e subia para o quarto. Quando a perdeu de vista, deu um soco no braço da cadeira e resmungou:

- Mas o que diabos se passa na cabeça dessa mulher?

* * *

Do outro lado da cidade, Rin estava largada no sofá do apartamento que procurara durante todo o dia anterior, segurando a chave extra que encontrara debaixo da porta com uma mão e um pacote de batatas fritas que encontrara na cozinha com a outra, comendo devagar enquanto assistia a um filme na TV.

De vez em quando ela olhava na direção da porta. Esperava que seu "irmão" não demorasse a chegar.

* * *

Kagome entrou correndo no hospital, acompanhada por Sango. Os três homens ficaram para trás. Quando Miroku viu as duas se afastarem dentro da sala de recepção o suficiente para não serem mais vistas, encarou pela primeira vez o irmão desde que tinham saído do apartamento. Inuyasha reconheceu aquele olhar que sempre via antes de seus ouvidos serem bombardeados com uma torrente de censura e se preparou encolhendo-se discretamente. Mas tudo que Miroku disse foi "meus parabéns".

- O que? – perguntou Inuyasha sem ter certeza de ter ouvido direito.

- Eu disse meus parabéns. – repetiu Miroku. Não havia nenhuma ponta de sarcasmo ou deboche naquelas palavras.

- Eu estou ficando maluco? Porque acho que hoje não é meu aniversário.

Miroku balançou a cabeça e sorriu.

- Não, a não ser que eu tenha ficado também. Estou dando os parabéns por causa da sua mudança.

- Mudança? – perguntou Inuyasha entendendo cada vez menos.

- Eu não vou perguntar sobre aquela história de casamento. Acho que você vai acabar me contando mais cedo ou mais tarde e que eu não vou gostar de saber... Mas eu estou feliz que você realmente goste dela. – o sorriso persistiu.

- Que eu...

- Não, não! – Miroku interrompeu. – Não estrague o pouco da imagem de boa pessoa que você recuperou enquanto eu observava suas reações hoje. É melhor deixar para negar isso quando Kagome souber que você mentiu e resolver te mandar para o espaço.

Inuyasha empalideceu. Se Miroku percebeu, não demonstrou. Apenas olhou para o relógio de pulso demoradamente antes de começar a caminhar na direção por onde tinham seguido as garotas.

- Aproveite um pouco do seu novo EU, Inuyasha. Eu espero que ele dure por um bom tempo – ele disse ainda, antes de desaparecer.

- É impressão minha ou ele está se divertindo, pensando que eu estou sendo castigado? – perguntou Inuyasha a Kouga tentando sorrir.

- Ele está falando a verdade? – perguntou o advogado.

- Isso importa?

- Se atrapalha minha vida e os meus negócios, sinto dizer que sim.

Inuyasha não respondeu, contrariado. Agora quando pensava naquele plano só conseguia se perguntar se estivera falando sério ou se em sua cabeça inconseqüente tinha parecido tudo uma grande brincadeira. O que ele conseguira fora um sócio irritado e uma cúmplice desavisada de quem gostava um pouco mais a cada minuto que se passava. Sendo assim, por que ele não podia mandar aquele plano para o espaço e agir como o homem que Miroku queria que ele fosse?

- Você vai entrar ou vai ficar parado ai com essa cara de enterro?

Kouga já estava à porta esperando por ele. Vendo aqueles olhos perscrutadores, Inuyasha teve a sensação de que talvez não conhecesse o advogado tão bem quanto pensava. Talvez se livrar dele não seria tão fácil, mesmo que ele se resolvesse a isso.

- Vamos. Eu preciso mesmo falar com você.

- Ele está bem? – foi a primeira coisa que Kagome perguntou ao entrar no quarto onde a mãe e Souta velavam pelo sono de Shippo.

Os dois levantaram as cabeças em sua direção, surpreendidos por seu aparecimento repentino. Kagome imaginou o que tinham pensado quando ela desaparecera na noite anterior e olhou para o chão, esperando que a mãe lhe perguntasse onde estivera. Quando segundos se passaram e ninguém disse nada, ela os encarou novamente só para ver os sorrisos de ambos ao cumprimentar Sango que estava parada bem atrás dela.

Mas o que estava acontecendo?

- Que bom que Sango conseguiu localizá-la, Kagome. – disse a senhora Higurashi. – Ela disse que você tinha ido ajudar sua amiga, eu só não entendi por que você não nos telefonou para avisar.

- Minha amiga...

Kagome olhou para Sango interrogativamente, depois novamente para a mãe. Pelo visto sua amiga tinha inventado uma desculpa e salvado sua pele mais uma vez.

- Claro, minha amiga! Shippo...

- Está bem. – respondeu a mãe dela, olhando ternamente o filho adormecido na cama. Kagome percebeu algumas faixas em volta do braço dele e um arranhão pequeno na testa. – Amanhã o levamos para casa e ele terá que escutar um enorme discurso sobre por que não deve subir em árvores.

Souta bocejou na cadeira e a senhora Higurashi sorriu novamente para a filha e Sango antes de ir até ele e os dois começarem a discutir sobre se ela deveria ou não levá-lo em casa.

- Eu o levo quando for embora. – disse Kagome.

- Ah, isso seria ótimo – a mãe dela sorriu. – Souta ficou comigo o dia todo, mas seu avô está em casa tomando conta de tudo. Kagome, tem certeza de que está bem? Parece cansada.

- Nós pegamos carona com um amigo e o carro acabou quebrando na estrada... – Kagome respondeu. – Eu preciso de um copo de água... Só isso.

- Quer que eu vá buscar para você? – Sango ofereceu.

- Não. Eu mesma vou.

Kagome nem mesmo esperou resposta antes de sair do quarto. Ver sua família a fez se lembrar da noite anterior. Como poderia explicar para eles que se casara em um cassino com um homem que conhecera apenas quarenta e duas horas antes disso? Ela tinha certeza de que Sango não comentaria nada sem antes falar com ela e tentar convencê-la a ela mesma fazer isso, mas de todas as maneiras, seria uma questão de tempo até que todo mundo ficasse sabendo.

Os corredores do hospital estavam lotados àquela hora. Por um golpe de sorte, tinham chegado bem no meio do horário de visitas. Pelo menos ela poderia chegar à cantina sem chamar atenção. Enquanto andava, imaginou se Inuyasha ainda estaria lá fora e desejou que ele estivesse ali com ela. Ninguém entenderia melhor que ele seu medo do que aconteceria no futuro. Ele estivera lá e sabia que ela não era de todo culpada. Talvez até pudesse ajudá-la a pensar no que fazer dali em diante.

Sim, ela tinha que falar com ele. Foi até a janela do corredor e pode ver onde o reboque que os trouxera estava parado na rua, ainda puxando o carro de Kouga. O motorista estava muito entretido conversando com uma enfermeira que ria alto de qualquer coisa que ele estava contando. Não havia sinal de Inuyasha, Miroku ou mesmo Kouga, o que só podia significar que eles continuavam por ali.

Resolvida a procurá-los, Kagome começou a buscar pelos elevadores pelos quais subira. Aquele lugar parecia um labirinto de corredores e portas e ela não tinha prestado atenção no caminho. Andou pouco mais de cinco minutos antes de encontrar as escadas. Era melhor que nada. Sem pensar duas vezes, começou a descer na direção da recepção.

- Já que quer conversar, Inuyasha, eu apreciaria se começasse me explicando do que diabos você estava falando quando disse que se casou com aquela garota.

Kouga tomou uma das cadeiras da recepção lotada sem mesmo se preocupar com os olhares de censura que as pessoas que chegavam para serem atendidas lhe lançavam, uma vez que ocupava um lugar sem que houvesse nada de errado com ele. Inuyasha, entretanto, puxou-o de onde estava e o arrastou para perto da porta que levava as escadas. Não que se importasse com quem quer que fosse, mas não achava prudente os dois falarem quando havia tantos olhos e ouvidos por perto.

- Não fale tão alto, seu idiota, as paredes têm ouvidos. – disse o rapaz, e respirou fundo antes de retomar o assunto: - O casamento foi um acidente.

O advogado escorou-se na parede e já ia colocar a mão no bolso, em busca de um cigarro quando se lembrou de onde estava.

- Um acidente. Eu só não vou rir escandalosamente da sua cara porque não acho que haja outro motivo para uma mulher em pleno uso de suas faculdades se casar com você. – Kouga sorriu debochadamente. – Então, o que houve? Vocês foram assinar um livro de visitas no museu quando um juiz coincidentemente tinha esquecido um contrato de casamento exatamente no mesmo lugar? Ou quem sabe foram passando por uma igreja e um padre míope os confundiu com outras pessoas...?

- Quer deixar de dizer tanta bobagem e me deixar falar? – Inuyasha gritou chamando atenção das enfermeiras da recepção. Ele pediu desculpas com um gesto impaciente de mão e baixou a voz. – Nós fomos ao Shikon no Tama ontem à noite, bebemos demais e acabamos... acidentalmente... casados.

Kouga assobiou baixinho e balançou a cabeça reprovadoramente.

- Isso é exatamente o tipo de coisa que você faria, Inuyasha, não pense que estou surpreso. Quanto àquela garota... Você a fez ir até meu escritório e sem querer se passar pela sua prima Kikyou, não? Vocês fazem uma dupla de idiotas e tanto.

- Eu pensei que estava interessado nela! – novamente ele ouviu os pedidos de silêncio das enfermeiras, mas desta vez as ignorou. – Não foi você quem se referiu a ela como "minha mulher" há apenas – ele olhou para o relógio de pulso, mas em algum ponto do percurso do dia, ele tinha parado – ah, que importa.

- Acho melhor você falar mais baixo ou aquelas enfermeiras vão acabar mandando um segurança até aqui. E depois dessa, Inuyasha, eu não vou hesitar em dizer que você fugiu na ala psiquiátrica.

Inuyasha bufou, indignado, mas Kouga não o deixou interromper.

- Bom, eu estava mesmo interessado nela, mas agora... Nunca gostei de me meter com mulheres casadas.

- É o santo Kouga quem vos fala. Esse papel não fica bem em você.

-Inuyasha... – o advogado impacientou-se. – Você disse que queria falar comigo, mas até agora não disse nada útil. Se você não tem nada a dizer, eu tenho. Quero saber agora mesmo se Miroku estava falando sério quando disse que você gosta de Kagome Higurashi. Se isso for verdade, nosso plano para fazê-la se passar pela Kikyou e roubar a herança da sua tia fica seriamente comprometido. Ela era para ser um meio de chegarmos onde queríamos. Você não tinha nada que se casar com ela, mas sobre isso podemos dar um jeito, mas se está mesmo emocionalmente envolvido...

- Eu não estou envolvido nada. – o rapaz quase gritou novamente, mas dessa vez conseguiu se controlar. – Parece até que não me conhece... Nós conversamos, ela é uma garota agradável. O casamento foi uma bobagem impensada, não era para ter acontecido. É só.

- Sei... Então não aconteceu nada entre vocês?

Inuyasha pensou no beijo que tinha dado nela e no enorme branco que sucedia o casamento, mas achou que seria mais prudente que Kouga não ficasse sabendo daquilo.

- Estávamos bêbados demais.

Os dois se encararam por um minuto, Kouga desconfiado enquanto Inuyasha torcia para ter sido convincente o bastante.

- Vou acreditar em você. – disse finalmente o advogado. – Está disposto a seguir com o plano até o final?

- Sim...

Ele estava confuso. Por um lado tudo o que sempre quisera foi sair do subúrbio e levar a vida que achara que merecia e aquela era sua grande chance, mas por outro, usar Kagome como "um meio de chegar onde queria" como Kouga dissera fazia com que se sentisse a pior das criaturas. Gostava dela, não negaria para si mesmo, mas esconderia do resto do mundo enquanto fosse possível.

- Kikyou telefonou, Inuyasha, era isso que eu fui contar quando fui a seu apartamento ontem. Que surpresa a minha quando encontrei seu irmão e aquela garota sentados na sala, também esperando por você. Os dois me disseram que você tinha sumido com a Higurashi. Cheguei a pensar que você tinha resolvido fazer as coisas sem mim.

- Bobagem. Eu não entendo nada de leis, como ia fazer tudo sozinho?

- Assim espero. Sou eu quem sabe o que a garota deve fazer, você só tem que usar isso que você chama de charme e convencê-la a ir adiante, entendeu?

O estômago de Inuyasha embrulhou com aquelas palavras. Kouga não tinha o direito de falar como se fosse seu chefe e muito menos de falar sobre Kagome daquela maneira.

- Entendi muito bem. – ele respondeu. – Entendi que sem mim também não há possibilidade de seguir com isso e que se você não for mais educado não vai ver nem a cor do seu tão almejado dinheiro.

- Kikyou a essa altura já deve estar na cidade, Inuyasha. Sabe o que isso significa? – perguntou Kouga ignorando o aviso, e ele mesmo respondeu: - Significa que se não nos apressarmos, nenhum dos dois vai ver a cor do dinheiro. Nem eu, nem muito menos você.

Então Kikyou tinha resolvido voltar mais cedo, Inuyasha pensou. Aquilo era mesmo um problema. Ele ainda não estava certo do que queria fazer, mas agora teria muito menos tempo para decidir.

- O que sugere que eu faça?

- Faça a sua parte, eu farei a minha e estamos entendidos. – disse Kouga. – Amanhã cedo eu telefono para você com um plano decente. Eu espero que não me decepcione com alguma maldita crise de consciência.

Ao dizer isso ele se afastou na direção da saída deixando Inuyasha sozinho. Pela maneira que vasculhava os bolsos, sua vontade de fumar tinha ficado maior que a de continuar a discussão. Estranho, era a primeira vez que Inuyasha o via com aquela ânsia por cigarros, ele deveria estar mesmo nervoso.

- Malditos advogados. – resmungou enquanto também saia. Tinha que voltar para casa e pensar muito sobre aquilo. De qualquer maneira Kouga teria sua resposta cedo da manhã seguinte.

Assim que a frente da porta que dava nas escadas foi desocupada, uma enfermeira apareceu com uma bandeja de instrumentos e a abriu quase golpeando em cheio a cabeça da garota parada atrás da mesma.

- Desculpe, se machucou?

- Não... Está tudo bem.

A mulher sorriu e subiu depressa os degraus deixando para trás uma Kagome ainda completamente chocada pelo que acabara de escutar.

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CONTINUA

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Até que enfim!!!!!! Que alívio terminar esse capítulo. Andei segurando ele por mais tempo do que deveria, mil desculpas. O que aconteceu é que estava com ele quase pronto, ainda queria mudar umas coisas, mas acabei ficando doente e nem terminei, nem mudei nada... Ontem criei vergonha na cara para terminá-lo. Não ficou 100% como eu queria, mas 'disse' o que precisava dizer. Agora sim, acho que posso começar a fazer jus ao título... (quanta demora, não?)

Esse capítulo é especialmente dedicado - com um atraso histórico - a minha amiga Chibi Lani, de quem eu, vergonhosamente, esqueci o aniversário. Perdão!!!!!!!!!!!!! (você vai me perdoar e esquecer aqueles criativos métodos de tortura que me enumerou no outro dia, não é? ÓÒ)

E obrigada à Dai, que me deu a idéia da Kagome descobrir tudo assim e simplificou minha vida, e à Naru que eu fiquei enchendo desde ontem sobre como esse capítulo estava insatisfatório. Desculpa! ^_^;;;

Muito obrigada as pessoas que me deixaram reviews no último capítulo:

Kagome-chan: :K-chan: Verdade, acho que o Inu e a Kagome ainda vão brigar muito até o final, mas eu não sou tão má a ponto de separá-los, sou? ^_~

Juli-chan: Você apareceu!! É, meu MSN anda muito descontrolado ultimamente... Obrigada pelo comentário!

Shampoo Sakai: Er... As Estrelas? Eu estou tentando, mas bateu um daqueles bloqueios com esse fic... Vou continuar assim que terminar o segundo capítulo do outro fic de Inu... Obrigada.

dani: É, a sorte do Inuyasha não está melhorando, mas acho que vai daqui para frente, apesar do que a Kagome possa fazer... Obrigada por continuar lendo, eu sei que demoro demais a atualizar, mas vou tentar correr com o 12.

Nandinha Shinomori: Desculpe, acabei demorando... ^_^;;; Mas saiu, ufa. Obrigada pelo review, fico feliz que goste da história.

Kikyou Priestess: As reações da Kagome não estão melhorando... hahaha. Espero dar uma acelerada na história com o próximo capítulo. Obrigada!

Camis: Olá! Fico contente que considere essa história divertida. Obrigada!!

Hell's Angel-Heaven's Demon: Hahaha, você não perdoa a Kikyou de jeito nenhum, não é? Eu não canso de dizer que o Sesshoumaru estaria melhor comigo, mas como isso é ficção... hehehe.

Sayo Amakusa: O Inuyasha não é o cara mais corajoso quando o assunto é confessar alguma coisa. *suspiro* Hahahaha, adorei a 'novela mexicana', eu não tinha pensado nisso. Acho que a mulher misteriosa não vai demorar a dar as caras. Obrigada.

Kisamadesu: Daqui para frente quero ver o Inuyasha tentar confortar a Kagome... Que bom que gostou do último capítulo. Estou tentando não faltar as reuniões do D.A., mas está muito difícil. Ah, só para não deixar passar: continue com PN!!! ^___^ Até mais.

Naru-L: Hahaha, a rebelião do seu teclado já tomou conta do seu Explorer. Muito obrigada pelas tentativas. E desculpa pelo tanto que enchi sobre a causa direta do atraso de quatro horas da publicação deste capítulo hoje. Acho que você pagou todos os seus pecados...

Chibi-lua: A doideira dessa vez deve ter ficado por conta do Kouga... Agora que você falou, o Miroku deve ficar uma graça de sombrero. XD

Calerom: Olá! Puxa, fico muito grata pelo seu review, por me deixar saber que gosta tanto assim da minha história. Tenho algumas idéias para ela e espero continuar fazendo um bom trabalho no seu conceito. Muito obrigada mesmo. ^_^

Dai: Oi! Não esquenta com isso não, que eu sei que você estava com muito o que fazer. (Só eu que sou desocupada e não gosto. A vida é tão injusta, não?) Ainda não expliquei praticamente nada sobre a herança, mas eu terei uns dois ou três capítulos centrados nisso... Vamos ver se eu consigo me apressar dessa vez.

LP Vany-chan: Muito tempo mesmo, desculpe!! Vou tentar demorar menos com o próximo (onde será que eu já ouvi isso antes?) Espero te ver outras vezes no MSN. Até mais! ^_^

Amy: Olá! Obrigada pelo review. Espero que continue se divertindo com a história. Agora que me situei com ela, espero que ainda haja uns bons capítulos divertidos. ^_^

Obrigada por terem lido e, por favor, continuem comentando. Até o próximo!!!

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