Disclaimer: Inuyasha não me pertence. Esse fanfic tem o único objetivo de divertir.

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Tudo Pela Herança

Por: Madam Spooky

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Capítulo 13 - Revelações

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- Dia difícil?

Inuyasha sorveu o restante do conteúdo do copo e olhou para o lado onde um homem sorridente o encarava. Sua visão estava turva por causa da bebida e ele não fazia idéia de quantos copos tinha pedido até então. Raios! Ele nem mesmo sabia mais o que estava bebendo.

Franziu a testa, tentando ver o rosto do estranho, mas tudo o que seus olhos puderam captar foram longos cabelos negros caindo-lhe sobre os ombros, emoldurando uma face pálida que parecia sorrir diante de sua condição. Pensou em dar uma resposta mal educada, mas acabou desistindo, não valeria a pena. Tinha entrado naquele lugar e gastado o pouco dinheiro que tinha em busca de um consolo que o fizesse esquecer as palavras duras de Kagome, mas sua atitude não tinha surtido nenhum resultado. Parecia que tinha esquecido o caminho de casa, como chegara ali, quantos anos tinha, o número de seu sapato, tudo menos a conversa que tiveram aquela noite. Naquele momento um bate boca com um desconhecido era tudo o que menos precisava.

- Ah, aposto que é uma mulher - o homem insistiu e acenou para que o barman viesse encher seu copo novamente. - É isso que você ganha com o amor, meu amigo. Mais cedo ou mais tarde, acaba terminando o dia em um lugar como esse.

Inuyasha acompanhou com os olhos quando o barman, elegantemente vestido, se aproximava no outro lado do balcão com uma garrafa e servia o homem a seu lado. Sentiu-se tentado a pedir mais uma dose, mas ainda estava sóbrio o bastante para não fazer isso. Beber não era de seu feitio, ele sempre considerara isso uma maneira idiota de fugir de um problema, mas estivera desesperado o suficiente para ignorar suas opiniões quando passara por ali.

Rescue me from the mire

Me resgate deste pântano

Whisper words of desire

Sussurre palavras de desejo

Rescue me, darling rescue me

Salve-me, salve-me querida

- Ora, veja só... Música! Eles nunca tocam nada por aqui, devem ter decidido em sua homenagem – o mesmo homem de antes disse e gargalhou das próprias palavras.

Ignora-lo estava se tornando cada vez mais difícil, mas Inuyasha tinha coisas mais importantes em que pensar. Sua mente parecia estar apenas semi-consciente do que acontecia a sua volta, só podia entender claramente as palavras de seu desagradável companheiro do balcão e a música que começara a tocar.

With your arms open wide

Com seus braços abertos

Want you here by my side

A quero aqui ao meu lado

Come to me, darling rescue me

Venha a mim, salve-me querida

Já tinha ouvido aquela música em algum lugar. Talvez Miroku costumasse ouvir, não tinha certeza. O irmão gostava de música, ele não. Elas tinham a desagradável capacidade de marcar certos momentos e trazer a tona lembranças sempre que fossem ouvidas.

When this world's closing in

Quando este mundo está fechando-se

There's no need to pretend

Não há necessidade de fingir

Set me free, darling rescue me

Liberte-me, querida, salve-me

Tentou se concentrar em alguma outra coisa, ignorar a música, evitar que ela enviasse seu espírito para lugares no tempo onde não queria estar, mas foi inútil. Sua visão continuava embaçada, a cabeça até já ensaiava um breve latejar e a imagem de Kagome, os olhos dela brilhando de uma forma que agora ele reconhecia como indignação, voltava a sua mente com a força de um flash luminoso.

Balançou a cabeça, tentando expulsar as lembranças que teimavam em voltar, mas logo se acalmou e resignou-se a elas. A recordação daquela noite e do desprezo dela era o preço que pagava pela maneira como a tratara no início. Jamais poderia odiá-la por isso. No momento em que saíra de encontro a noite, os sentimentos que predominavam eram confusão e uma grande sensação de perda. Não tinha entendido a atitude dela e as explicações que recebera não tinham sido suficientes. Pensara em voltar e pressiona-la, mas lembrou-se do que planejara dizer quando chegasse lá: confessar sobre o plano, mas redimir-se da culpa apontando Kouga como o principal culpado, pintando a si mesmo como apenas mais uma vítima. Como poderia olhar nos olhos dela e pedir que não o rejeitasse sabendo disso?

- Eu sou um desgraçado mesmo... – disse com uma voz sussurrada.

- E quem não é? – perguntou o homem a seu lado, repetindo a gargalhada de antes.

I don't wanna let you go

Não quero deixar você ir

So I'm standing in your way

Então, estou de pé (no meio) do seu caminho

I never needed anyone like I'm needin' you today

Eu nunca precisei de ninguém como estou precisando de você hoje

Esqueça se acha que vou desistir de você, ele tinha dito a ela antes de sair. Mas agora não tinha certeza se persistir era a atitude correta. Kagome dissera que não queria ter mais qualquer tipo de contato com ele e talvez insistir só fizesse com que ela sofresse. Seria egoísta de sua parte se mostrar inflexível em não se afastar dela. Achara que aquele sentimento que descobrira nutrir pela garota pudesse lhe dar uma nova chance, que ela poderia salva-lo de si mesmo, mas era pedir demais quando nem ela mesma parecia segura de seu próprio papel naquele espetáculo para o qual o destino os escalara juntos.

E ele já devia saber que Inuyasha Arada não era o tipo de personagem para o qual se podia esperar um final feliz.

Do I have to say the words?

Eu tenho que dizer as palavras?

Do I have to tell the truth?

Eu tenho que falar a verdade?

Do I have to shout it out?

Eu tenho que gritar?

Do I have to say a prayer?

Eu tenho que fazer uma oração?

Ah, o que ele faria daquela sucessão de desastres que tinha a ousadia de chamar de vida agora? Se ao menos Kagome nunca tivesse aparecido em seu apartamento naquele primeiro dia, tantas coisas teriam sido evitadas... Não, ele estava sendo egoísta novamente. Desde aquele dia – por algum motivo que ele custaria a entender – ela o tinha escolhido e aberto seu coração para ele e, se não soubera aproveitar a chance, ninguém era culpado senão ele mesmo. Nem mesmo Kouga com suas pressões, nem Kaede com seus preconceitos. Era hora de assumir as próprias responsabilidades e parar de ficar esperando que desse tudo certo da maneira mais fácil.

Talvez na manhã seguinte, quando o entorpecimento e a dor de cabeça tivessem passado, ele pudesse pensar mais claramente e tomar uma decisão acertada sobre tudo aquilo. Agora só podia pensar em uma solução: ver Kagome uma última vez, ser completamente sincero com ela, falar o que pensara palavra por palavra, de seus planos, de como planejara usá-la sem medir conseqüências nem ponderar por um instante que fosse se a machucaria no processo. Diria toda a verdade, sem enfeites, por mais duro que fosse para ela e por pior que se sentisse ao reviver tudo aquilo. E depois... Depois ela daria a palavra final. Certamente o desprezaria ainda mais, mas ele teria a consciência tranqüila e a certeza de que fizera o possível para redimir-se de seu erro.

E, embora agora mesmo estivesse tentando se convencer de que era exatamente isso o que aconteceria, no fundo sabia que manteria a esperança durante todo o tempo e que estaria acreditando do fundo do coração que ela o perdoaria e poderiam recomeçar do zero.

Must I prove to you how good we are together?

Preciso provar a você como somos bons juntos?

Do I have to say the words?

Eu tenho que dizer as palavras?

Não, eu jamais poderia desistir dela, isso seria como...

- Vai beber mais alguma coisa? – perguntou o barman, olhando para trás, onde pessoas esperavam por um lugar, e para o copo vazio de Inuyasha com certa hostilidade.

... seria como desistir de tudo novamente.

Este balançou a cabeça negativamente, vasculhou os bolsos até encontrar alguns trocados e os depositou sobre o balcão. A noite tinha acabado para ele. Agora só queria voltar para casa e dormir, apesar de ter certa desconfiança dos sonhos que teria durante toda a madrugada.

Levantou-se com a intenção de sair, mas calculou mal a condição na qual se encontrava e acabou tropeçando nos próprios pés e caindo para frente. Tentou se segurar em alguma coisa, mas encontrou apenas o ar a sua volta, então fechou os olhos com força, esperando sentir o chão ampara-lo a qualquer minuto. Quando estava mesmo prestes a bater com o queixo no piso duro do lugar, sentiu uma mão forte agarra-lo pelo antebraço e puxa-lo para cima com força o suficiente para que ficasse exatamente de pé.

Rescue me from despair

Me salve do desespero

Tell me you will be there

Fale para mim que você estará lá

Help me please - darlin' rescue me

Ajude-me, salve-me querida

- Você é fraco mesmo, heim, garoto? Não devia beber se corre o risco de ficar caindo pelas calçadas, não há classe na embriaguez, sabia disso?

O homem que antes estivera sentado no balcão agora estava de pé, ainda segurando-lhe pelo braço. Ele parecia alto e imponente do outro lado da névoa que lhe obstruía a visão. Inuyasha abriu a boca para agradecer, mas as palavras soaram ininteligíveis. O outro tinha razão. Ele estava patético agindo daquela maneira, achava que, agora sim, podia dizer que tinha chegado ao fundo do poço.

- Não se preocupe, eu estou acostumado – o estranho parecia ter entendido de alguma maneira o que ele quisera dizer. – Venha, vou colocá-lo em um táxi antes que caia e bata a cabeça por ai.

Inuyasha tentou falar mais uma vez, de modo a explicar que não tinha mais nenhum dinheiro, mas não conseguiu sequer abrir a boca. Já estava sendo arrastado para a porta e a dor de cabeça estava ficando cada vez mais forte, fazendo-o ver pequenas estrelas brilhantes para onde quer que olhasse.

Every dream that we share

Todos os sonhos que nós compartilhamos

Every cross that we bear

Toda cruz que nós suportamos

Can't you see, darlin' rescue me

Você não pode ver, salve-me querida

A música ficou para trás e assim que pisaram na calçada, deixaram de ouvi-la. As palavras ainda se repetiram dentro de sua cabeça, mas não por muito tempo, a dor latejante não dava espaço para mais nada que não fosse o desejo por um comprimido e uma cama. Sentiu-se quase grato por isso, pelo menos poderia passar alguns minutos sem pensar em Kagome e em tudo que fizera a ela.

O táxi apareceu, o homem que o acompanhava o ajudou a entrar e entregou uma nota ao motorista dizendo que o levasse onde pedisse e ficasse com o troco. Mal Inuyasha balbuciou o endereço, caiu para o lado em um sono leve.

Parado na frente do bar, o homem de cabelos negros compridos, vestindo um terno escuro que contrastava enormemente com a palidez de seu rosto, sorriu levemente. Tinha sido um tremendo golpe de sorte encontrar com Inuyasha naquele lugar tão improvável, só não tinha certeza de sorte para quem. Duvidava muito que o rapaz fosse se lembrar dele como mais que um desconhecido sem rosto no dia seguinte.

- Tio!

Uma voz conhecida o fez se virar deparando-se com uma menina de uns dezesseis anos que corria em sua direção. Esperou que ela se aproximasse para só então reclamar:

- Kanna, eu não disse que esperasse no carro?

- Sinto muito. O senhor estava demorando tanto que eu decidi vim procura-lo – ela respondeu inexpressivamente.

- Esse lugar não é apropriado para crianças. Vamos para casa.

Os dois caminhavam lado a lado, na direção de uma luxuosa limusine preta parada há alguns metros, quando a garota voltou a falar:

- Quem era o rapaz que o senhor ajudou a entrar no táxi?

- Não era ninguém – respondeu Naraku autoritariamente, dando fim a conversa.

O resto do caminho até o veículo foi feito em silêncio.

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Havia muito tempo – anos – que Kouga não podia ser classificado como um homem de palavra. Ele mesmo não sabia quando seu caráter foi se modificando até fazê-lo se tornar aquela pessoa desinteressada e de gênio irritável que era hoje, mas uma coisa podia afirmar com certeza: cumprir promessas não fazia parte de seu feitio...

Mas era um pouco tarde agora para pensar a respeito disso.

Tirou um cigarro do bolso juntamente com um isqueiro e já ia acendê-lo quando o velho por trás do balcão lhe encarou de cara feia e apontou um enorme cartaz na parede que dizia: FUMANTES E AGITADORES NÃO SÃO BEM VINDOS. Kouga suspirou e voltou a guardar os objetos olhando a sua volta com um misto de diversão e desprezo. Só mesmo Sesshoumaru para marcar um encontro em uma biblioteca. Ia pagar para ver como conversariam ali com aquele bibliotecário e seus olhos de águia vigiando-os o tempo todo.

O relógio de parede marcava oito e quarenta e cinco. Chegara quinze minutos mais cedo que o combinado. Não que estivesse desocupado, mas era melhor que permanecer no escritório ouvindo Reyko enumerar todos os processos que estavam parados por culpa de sua negligência. Sem falar nos telefonemas indignados dos clientes e, ainda pior, das constantes ameaças de Naraku de que eles teriam que ter uma conversa particular se ele não começasse a se interessar mais pelo trabalho. Conversa particular, vindo daquele homem, não podia significar boa coisa. A maioria dos homens que procuravam seus serviços tinha um caráter duvidoso, mas nada comparado àqueles para os quais Naraku trabalhava. Segundo se comentava, até mesmo o chefe da máfia em Tokyo tinha negócios com ele.

Quando viu o relógio passar alguns segundos das nove, Kouga começou a ficar impaciente. Tinha tentado pegar um livro para se distrair logo que chegara, mas os pensamentos não o deixaram se concentrar. Ficava lembrando a todo o momento que não via Sesshoumaru desde que saíra da Toudai e que podia esperar qualquer coisa daquele encontro.

Pensando bem, ele não fazia idéia por que ao invés de simplesmente investigar o que Rin dissera e, no caso dela ter mentido, manda-la de volta para casa, fora prometer que a entregaria a Sesshoumaru como ela desejava. Talvez estivesse cansado demais de toda aquela confusão que Inuyasha armara e não estivesse pensando direito. Rever Sesshoumaru naquele momento em que tinha tantas coisas em que pensar não estava na lista de suas prioridades, mas tinha que confessar que a possibilidade de ter contato com alguma coisa de seu passado o deixara animado. Agora que tinha a oportunidade de meditar sobre as próprias atitudes, achava que a resposta era que ele estava tão cansado de ver tudo a sua volta dar errado que encontrar um amigo que fizera parte de sua vida naqueles anos de tantas alegrias e esperanças lhe soava como uma espécie de consolo.

Nove e quinze – ou quase isso. Sesshoumaru não costumava se atrasar. Em outra época ele estaria pensando o que poderia ter acontecido para fazer com que o Senhor Perfeito, carrasco da pontualidade, não estivesse ali, mas como poderia se dar ao luxo de achar que conhecia ainda os hábitos de alguém que não via nos últimos cinco anos e com quem não falava há quase metade disso?

Era certo que vivia no apartamento dele e que trocavam E-mails, embora não muito frequentemente, mas Sesshoumaru era reservado demais. Geralmente só falava no clima na Inglaterra, em tudo o que estava aprendendo e ocasionalmente em como sentia falta de Tenseiga e esperava logo poder tirar férias e fazer uma visita a seu pai, a nova esposa e a sua irmãzinha.

Se Rin soubesse que era assim que ele se referia a ela...

Kouga sorriu consigo mesmo pensando na garota e na sua adoração por Sesshoumaru. No dia anterior, enquanto ele enviava um E-mail explicando o que estava acontecendo e pedindo para que se encontrassem para conversar sobre o que fazer, Rin passara o tempo todo falando sobre o momento emocionante que seria quando finalmente reencontrasse o dono de seu coração. O advogado achara engraçada a maneira veemente com a qual ela enumerava as qualidades do filho de seu padrasto bem mais velho que ela e como parecia acreditar que eles tinham mesmo sido feitos um para o outro.

No passado, quantas garotas ouvira falar da mesma forma sobre o amigo? – algumas mais timidamente, algumas ainda mais excitadas. Mas Sesshoumaru nunca se interessara a sério por ninguém. Para ele só existia a faculdade, a carreira, seus preciosos livros e mais nada. Era tão apaixonado por investigar o passado que nada mais parecia valer a pena. Quanto a isso, Kouga podia dizer que o invejava. Ele mesmo não tivera nenhum relacionamento sério, mas por um motivo muito diferente: como fazer alguém feliz quando ele mesmo não era?

- Você parece entediado.

Kouga deu um salto arrastando a cadeira e chamando a atenção do bibliotecário que o fitou com a mesma expressão carrancuda de antes. Exibiu um sorriso de desculpas e se levantou lentamente, com cuidado para não fazer barulho, ao mesmo tempo em que não tirava os olhos de Sesshoumaru parado atrás dele. Este tinha o rosto completamente sério, mas um leve franzir de testa dava a impressão de que estava se divertindo com os cuidados do outro.

- Por sua culpa. Sabe muito bem que bibliotecas não fazem parte do meu habitat natural.

Sem pronunciar mais que essas palavras, trocaram um olhar e saíram para a rua onde Kouga pode respirar com alívio, profundamente agradecido por finalmente poder fumar e falar no tom de voz que bem entendesse.

- Está atrasado. E não sei por que marcou na biblioteca se não planejava permanecer lá.

- Tive coisas a fazer – Sesshoumaru respondeu. – E a biblioteca fica no meu caminho.

Kouga revirou os olhos diante da resposta simples. Depois tirou novamente o cigarro e o isqueiro do bolso, feliz como uma criança que esconde um doce no bolso e se vê finalmente sozinha para aproveitá-lo à vontade.

Sesshoumaru carranqueou.

- Você ainda tem esse hábito? Pensei que tivesse parado depois de todas aquelas discussões que tivemos sobre como o fumo pode ser mortal.

- Ah, e eu pensando que hoje me encontraria como um outro Sesshoumaru – sorriu Kouga. – Você continua o mesmo chato que acredita que um leão pode passar a comer verduras porque uma girafa diz que é mais saudável.

- Eu não entendo a relação entre uma coisa e outra, mas continuo achando que esse hábito ainda vai te matar.

Se ele soubesse o quanto ele vinha fumando ultimamente... A época da faculdade não era nada comparada aos últimos tempos. Naqueles anos sua maior preocupação era se suas notas seriam boas o bastante para fazer com que passasse no semestre, se a garota bonita da aula de direito penal aceitaria sair com ele ou se seus pais recusariam mandar um pouco mais de dinheiro porque todo o seu tinha ido embora em um joguinho amigável na noite anterior. Tudo isso parecia tão banal agora, tão sem significado... Anos inteiros que pareciam mais terem sido imaginados, feito parte de um sonho agradável do qual acordara na cadeira de seu escritório, com Reyko a chamar-lhe atenção e uma pilha de casos para revisar.

Sesshoumaru e Kouga caminhavam pela calçada lentamente, as mãos nos bolsos mais pelo embaraço de não saber exatamente o que falar que pelo frio. Eles pareciam exatamente os mesmos de antes, mas alguma coisa tinha se perdido pelo caminho. O prazer em viver, talvez. Ou quem sabe na verdade eles tivessem apenas aberto os olhos uma manhã e entendido que não havia motivos para sorrisos, que estiveram se enganando durante todo aquele tempo.

- Precisamos conversar sobre Rin – disse Sesshoumaru enquanto atravessavam uma rua.

Nenhum dos dois combinou nada, mas sabiam que estavam indo para o Shikon no Tama, o cassino para onde fugiam quando não tinham mais nada para fazer e onde provavelmente Kouga tinha perdido mais dinheiro aqueles anos do que tinha economizado em todos os que se seguiram.

- Ela está bem, esperando por você – respondeu Kouga. – Eu não sei se ela disse a verdade, mas a história que me contou foi que os pais viajaram e ela mentiu dizendo que ia estar com uma amiga quando na verdade veio procurar por você. Acredite, eu a teria mandado de volta se soubesse que os pais estão preocupados, ainda mais quando passa o dia inteiro falando o quanto você é maravilhoso e perfeito. Isso sim pode acabar me matando.

A sombra de um sorriso apareceu no rosto de Sesshoumaru. Rin sempre fora muito falante e o tinha como uma espécie de herói. O que o surpreendia era que gostasse tanto dele a ponto de sair de casa sozinha e ir procurá-lo em uma cidade onde não conhecia ninguém.

- Eu sei que ela está bem com você. E fico feliz de saber que reafirma todas as qualidades que você sempre negou que eu tivesse. E...

Sesshoumaru parou. O Shikon no Tama não estava longe, mas era algo que ele precisava dizer sem o barulho da música e o efeito da bebida que certamente consumiria aquela noite. O lugar em que estavam era uma rua cheia de lojas ainda abertas, mas onde pouca gente transitava. Kouga parou a seu lado, de costas para uma vitrine cheia de televisores sintonizados em um canal de esportes. O rapaz fitou a mulher que praticava ginástica nas telas por alguns segundos, tentando não olhar o velho amigo nos olhos. Esse era um costume que tinha: sempre achar que as pessoas podiam ver além de sua máscara de seriedade se as fitasse diretamente. A única a quem permitira livre acesso a seu coração fora Kikyou, mas ela aparentemente recusara de livre vontade. Agora estava confuso e com muito que pensar. O problema de Rin tinha aparecido no pior momento possível.

- Eu estou hospedado na casa de uma mulher – disse Sesshoumaru cuidadosamente. Ignorou a surpresa de Kouga e sua tentativa de começar um interrogatório e continuou: - Ela é uma mulher maravilhosa. Eu poderia dizer que a amo se as condições fossem outras, mas ela é estranha, fria, ainda mais distante do que eu consigo ser. – Silêncio por mais algum tempo. Agora, na televisão, um homem sorridente comentava entusiasmadamente sobre a garota que tinha se apresentado antes. Sesshoumaru olhava para as telas, mas não as via realmente. Seus pensamentos estavam em Kikyou e se seria certo comentar a situação deles com Kouga. Podia dizer que ele fora seu melhor amigo na época da Toudai, mas eles se reencontraram fazia menos de meia hora depois de anos separados por um oceano. – Eu não sei o que fazer com Rin agora – disse finalmente. – Eu vou investigar a história dela, prometo, mas... Seria pedir muito que ficasse com ela por mais um ou dois dias? Só até que eu encontre uma maneira de mandá-la de volta a Tenseiga.

Kouga recebeu a pergunta com tranqüilidade. Rin era uma menina tagarela, mas não era desagradável. Além disso, ele passava tanto tempo fora de casa que deixá-la no apartamento pelos próximos dois dias não seria nenhum problema. O que o preocupava eram os motivos que Sesshoumaru tinha para lhe pedir isso. Uma mulher? Mas que mulher poderia ter provocado no homem frio, até mesmo calculista, que conhecia uma reação insegura como aquela? Sesshoumaru sempre fora alguém que agia apenas após pensar muito bem e ouvi-lo praticamente confessar que estava confuso por causa dela o tinha desconcertado.

O mais correto seria dizer que estava tudo bem e esperar que ele falasse mais quando achasse que deveria, mas não pode deixar de converter seus pensamentos em palavras:

- Ela deve ser uma mulher extraordinária para deixar alguém como você confuso como está parecendo...

- Ah, acredite, ela é – disse Sesshoumaru. Kikyou era uma mulher inteligente, apesar de nunca ter se mostrado especialmente culta, mas o que mais o atraia nela era o mistério. Parecia estar sempre perdida dentro de si mesma, sempre guardando algum segredo...

- E eu posso saber o nome dessa fantástica criatura que conseguiu fazer com que Sesshoumaru, o homem mais frio e senhor de si mesmo que já conheci, ficasse completamente perdido?

Sesshoumaru ergueu as sobrancelhas e deitou a cabeça para o lado, como se dissesse "e por que não?".

- O nome dela é Kikyou Hayashibara.

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- Sango, está acordada?

Kagome sentou-se na cama e olhou de lado onde sua amiga dormia em um colchão perto da parede, mas não viu nem ouviu nada. O quarto estava completamente escuro com exceção de um fraco raio de luar que entrava pelas frestas da janela e iluminava o lugar onde naquela noite mesmo estivera o espelho da penteadeira. Inconscientemente ela tocou a mão ferida, envolta em um curativo, e suspirou longamente. Em meio ao silêncio, se prestasse atenção, poderia escutar o ressonar baixo, quase inaudível, de Sango dormindo profundamente. Depois de quase duas horas insistindo para saber o que ela pretendia fazer com relação a Inuyasha, fora vencida pelo sono e, se Kagome bem a conhecia, seria muito difícil acorda-la, mesmo que desse pulos sobre suas costas.

- Tudo bem...

Largou-se para trás, na cama desfeita, com raiva. Detestava perder o sono daquela maneira; as noites eram longas e tediosas e traziam todo tipo de pensamento indesejado. Antes era sobre seu pai e a época em que ele ainda estava vivo, um tempo que ela costumava se lembrar como os únicos anos em que fora realmente feliz. Nos últimos dias, porém, as antigas lembranças tinham dado lugar a perguntas de se Inuyasha seria uma nova chance de ter aquela felicidade de volta. Ele tinha sido um acontecimento tão súbito, e coisas assim não aconteciam com a garota cem por cento comum, Kagome Higurashi, sem que tivesse algum significado. Tinha tido tantas esperanças de que finalmente tinha encontrado alguma coisa boa no caminho cheio de espinhos que atravessava... Que aquele rapaz irônico que agia como se a tivesse conhecido a vida toda devolveria a ela a coragem que tinha perdido em algum lugar entre a morte do pai e aquela festa onde Kaede morrera. Que ele preencheria o vazio que tinha dentro dela, que era o que estivera procurando desde que se dera conta dele.

Mas ela realmente sabia o que estivera procurando?

Depois do que acontecera, não estava conseguindo sentir pena de si mesma como teve medo a principio. Tudo o que podia pensar era que, apesar de ter seguido a risca o que planejara para quando se encontrassem aquela noite, o Inuyasha que viera vê-la não era o mesmo que tinha imaginado encontrar. Ele parecia, a princípio, tão esperançoso, depois, quando ela se fechara para o que quer que ele tencionasse dizer, tão decepcionado... Como se fosse outra pessoa. Se estivesse observando tudo de fora, diria que ele tinha deixado a máscara de ironia de lado e vindo vê-la com as emoções completamente despidas. Por outro lado, por mais mudado que pudesse parecer, o Inuyasha com quem falara era o mesmo homem que planejara usa-la em seu estúpido plano para tomar a herança da prima e mesmo que ele se arrependesse de verdade e pedisse perdão de joelhos, as coisas entre eles jamais voltariam a ser as mesmas.

Era simples, não confiava mais nele. O conhecimento de suas pretensões tinha destruído todas aquelas esperanças que alimentara nos últimos dias e agora, deitada na cama, com a escuridão e o silêncio a sua volta, ela se sentia mais sozinha do que nunca.

Queria que a mãe e Shippo estivessem em casa. Jamais falaria de nada daquilo com ninguém de sua família, mas sabia que se sentiria melhor sabendo que as pessoas que amavam estavam a apenas alguns passos de distância.

E agora? O que aconteceria? Kagome deu um soco no colchão e sentiu os olhos arderem. Lágrimas deslizaram pelo rosto dela e, ali onde ninguém poderia vê-la, não se importou com elas. Mais do que sozinha, ela estava com medo. Não havia nada que a assustasse mais que não saber o que esperar do dia de amanhã e seu amanhã era uma completa incógnita.

- Inuyasha... – sussurrou cuidadosamente, alto o suficiente apenas para que ela mesma pudesse escutar. Ainda conseguia pronunciar o nome dele sem sentir ódio. A sensação de que ele não estava de passagem por sua vida continuava ali, insistindo em sobrepujar qualquer outro sentimento que ela tentasse desenvolver. Depois de tudo o que dissera, do beijo não correspondido, lembrava-se de ter encarado um ponto qualquer na parede e esperado ouvir os passos de Inuyasha atravessando a sala e então uma porta fechada com violência. Mas, pelo contrário, a voz dele, cheia de um sentimento que não pode reconhecer, encheu seus ouvidos.

Esqueça se acha que vou desistir de você.

Teria dito isso porque não aceitava que ela tivesse a última palavra em uma situação da qual ele tinha sido mestre até então ou seriam palavras sinceras? Ele realmente não queria que ela se afastasse definitivamente como tinha sugerido?

E para complicar toda a história ainda tinha aquele detalhezinho do casamento... Precisaria descobrir o quanto antes se estavam realmente casados ou era tudo um grande chiste. No caso de ter sido para valer, um novo encontro com Inuyasha seria inevitável, nem que fosse para puxá-lo pelos cabelos até o escritório de advogados mais próximo e obriga-lo a assinar o divórcio. Quase riu ao imaginar a cena, mas não era hora para fazer piadas. Tinha que pensar muito bem no que faria, não queria que a mãe e o avô tivessem aborrecimentos por causa das bobagens que andara fazendo.

Kagome ainda permaneceu acordada por quase uma hora, ocupando a mente com lembranças das músicas que gostava, de brincadeiras da infância e de coisas engraçadas que vira na televisão. Qualquer coisa agradável que mandasse os pensamentos angustiantes para longe.

O céu lá fora já estava ficando mais claro quando finalmente adormeceu e foi um sono leve, com toda sorte de sonhos sem sentido.

Acordou pouco tempo depois, sentindo a cabeça doer como sempre acontecia quando não dormia o suficiente. Os olhos ardiam diante do brilho da manhã e Kagome os apertou com força enquanto se sentava na cama e tateava o chão em busca das sandálias. Quando pode finalmente olhar em volta, percebeu que Sango ainda dormia virada para o outro lado, completamente imóvel. O pequeno despertador marcava quase nove horas. Era estranho... Vovô sempre aparecia no quarto para chamá-la mal passava das sete, às vezes até mesmo aos domingos. O velho senhor seguia fielmente a filosofia de que a manhã era o melhor período do dia e fazia com que os netos as aproveitassem ainda que fosse à força.

Kagome levantou-se silenciosamente e abriu a porta do quarto, ainda passando a mão pelos olhos sonolentamente. A casa estava em silêncio, o que era bem incomum, e isso acendeu um alarme em sua cabeça. Voltou para o quarto, trocou rapidamente as roupas de dormir pelos primeiros jeans e camiseta que encontrou pela frente e saiu para o corredor ainda prendendo os cabelos. Sua intenção era checar se havia algum bilhete para ela no andar de baixo e só então, se fosse preciso, chamar Sango.

Desceu as escadas rapidamente e passou os olhos pela sala. Nada ali. Lembrou-se então que ocasionalmente o avô e a mãe deixavam recados presos à geladeira, então resolveu ir até à cozinha. Estava quase na porta quando ouviu vozes sussurrando lá dentro. Estancou no mesmo lugar, tentando reconhecer quem estava ali.

- Você tem certeza?

Era a voz da mãe. Ela falara que viria para casa com Shippo naquele dia, mas mesmo sendo manhã avançada, era cedo demais para já estarem ali. Deu um passo à frente de modo a perguntar o que estava acontecendo quando a voz exaltada do avô fez com que parasse novamente.

- Mas é claro que eu tenho certeza. Por acaso você esqueceu quantas vezes esses homens vieram nos incomodar quando ele ainda estava vivo?

A senhora Higurashi ficou em silêncio por algum tempo e quando respondeu, sua voz soou carregada de mágoa.

- Ele nos amava. O senhor pode duvidar, mas eu não duvido. O vício dele era uma doença, algo que ele não conseguia controlar...

- Uma doença que pode nos custar essa casa! – Vovô quase gritou.

Kagome não estava entendendo nada. A mãe dela não deveria estar ali, mas tinha vindo e estava discutindo com Vovô sobre alguma coisa relacionada a perder a casa. Continuou imóvel no mesmo lugar esperando que mais fosse dito.

- Eu não a culpo por pensar assim querida – disse o avô suavemente, um tom que contrastava enormemente com o anterior. – Você era casada com ele, o conhecia melhor do que ninguém. Sei que você o amava, ainda ama, e as crianças também, especialmente Kagome. A última coisa que eu quero é macular a imagem dele diante dos filhos, mas temos que ser realistas: as dívidas que ele deixou são grandes demais. Os homens do Shikon no Tama não estão brincando quando dizem que nos tomarão a propriedade e o prazo que nos deram é pequeno demais.

- O senhor acha...

- Eu acho que não vamos conseguir. Sinto muito ter que dizer isso, mas só um milagre faria com que tanto dinheiro nos caísse nas mãos de uma hora para outra.

- E justo agora que as coisas estavam melhorando...

As vozes silenciaram e Kagome não quis ouvir mais. Afastou-se na direção da escada e subiu os degraus de volta para o quarto com o coração disparado no peito. Aquilo tinha sido uma surpresa. Uma inesperada e terrível surpresa. Seu pai, aquele que julgava o mais correto dos homens, os deixara em uma situação tão terrível assim? Será que o mundo algum dia pararia de dar voltas e mais voltas a toda velocidade e ela poderia sair da cama sem medo de tropeçar e cair?

Não queria acreditar no que tinha ouvido, era cruel demais ter que jogar fora a última de suas certezas. Por que tudo em sua vida tinha que ser falso e por que tivera que descobrir todas as verdades ao mesmo tempo?

Atravessou o quarto em silêncio e voltou para a cama, puxando as cobertas até os olhos. Fechou as pálpebras e fingiu estar em outro lugar, em outra época, onde seu pai fosse indiscutivelmente um herói e onde Inuyasha simplesmente não existisse.

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Inuyasha acordou com o que parecia a mãe de todas as dores de cabeça. Tentou se levantar repetidas vezes, mas em todas elas a pontada de dor era tão forte que sempre acabava se deitando novamente.

Maldita ressaca e maldita hora em que passara na frente do bar e resolvera entrar. O que estava pensando? Sempre fora fraco com a bebida e tinha um histórico suficientemente grande para saber que geralmente fazia alguma bobagem quando ficava bêbado. Dessa vez, pelo contrário, lembrava-se de um estranho ajudando-o a sair do bar e entrar no carro. Sua visão tinha estado turva demais para ver o rosto dele, mas estava agradecido. Se não tivesse tido a sorte de uma boa pessoa estar ali, nem queria saber como teria terminado a noite. No mínimo adormecido em algum beco sujo e malcheiroso.

Fez uma nova tentativa de se levantar. Quase conseguia quando o telefone tocou estridentemente e ele caiu para trás, apertando a têmpora. Por que a campainha do aparelho tinha que ser tão estridente? Era como se houvesse um bom número de sinos de catedral badalando dentro de sua cabeça.

Quando soou o terceiro toque, Inuyasha decidiu que era mais prudente atender antes que acabasse apagando novamente. Saltou de onde estava de modo a não dar tempo de a dor lhe fazer desistir e correu para atender ao chamado.

- Seja quem for, seja rápido.

- Ainda estava dormindo a essa hora da manhã? – perguntou a voz do outro lado da linha, sem dúvida alguma de Kouga, sarcasticamente. – Se eu não soubesse diria que andou farreando até tarde e agora está com uma tremenda ressaca.

- Ah, muito engraçado. O que está querendo, Kouga, telefonou só para ter o prazer de ouvir a minha voz? Olha que eu não jogo nesse time não...

O outro resmungou qualquer coisa ininteligível e quando falou, tinha no tom um toque de irritação:

- Como assim o que eu quero? Você anda muito folgado, Inuyasha. Esqueceu que ficou de me dar uma resposta sobre sua decisão de continuar ou não no plano hoje de manhã? Não que eu ache que tenha muita escolha...

Foi a vez de Inuyasha resmungar consigo mesmo.

- Eu esqueci sim, mas foi bom você ter ligado. Nós não podemos mais continuar com o plano. Kagome me chutou, não quer mais nada comigo, entendeu? Agora é melhor você pegar essa sua pompa de advogado e ir trabalhar se está precisando tanto de dinheiro.

- Mas olha só... Você é o último homem sobre a face da Terra que pode me dar lição de moral sobre trabalho. – disse Kouga quase rindo. – Estou surpreso em constatar minha teoria de que você nem ao menos serve para enrolar uma garota por uns tempos. Ainda mais uma tão tapada quanto aquela lá.

- Kouga... – Inuyasha apertou o telefone até o sangue fugir-lhe das palmas. Adoraria que estivesse fazendo isso com o pescoço daquele advogado imbecil. – Kagome pode ser um pouco crédula demais, mas não é tapada. E se você não parar de falar bobagem, eu vou te mostrar como esse inútil aqui tem talento em torcer o pescoço de almofadinhas que falam demais.

- Está me ameaçando?

- Estou com dor de cabeça, quero que você saia da maldita linha e me deixe em paz!

Kouga ficou em silêncio e quando Inuyasha já ia desligar, pensando que suas palavras tinham surtido algum efeito e feito com que ele desistisse, o ouviu dizer:

- Tudo bem, concerto as coisas com a garota, apenas tente se manter vivo enquanto isso.

E antes que ouvisse uma resposta mal educada, desligou deixando Inuyasha a ouvir o irritante sinal de ocupado do telefone.

Havia mesmo dias que não valia a pena sair da cama.

Recolocou o telefone no gancho, pensando no que Kouga tinha dito sobre concertar as coisas com a garota e quase sorrindo ao pensar no fora que ele levaria. Se houvesse a mínima esperança do advogado metido conseguir reconcilia-los, ele até se rebaixaria a aceitar seus telefonemas inoportunos sem ficar irritado, mas isso não seria possível. Kagome fora muito clara sobre não querer vê-lo novamente e não era um criminalista metido a dono do mundo que faria com que ela mudasse de idéia.

Já estava quase no sofá novamente quando o telefone voltou a tocar. Levantou-se irritado, com uma mão pressionando a testa, e novamente agarrou o aparelho.

- O que você quer agora, Kouga, eu não já disse que...

- Inuyasha?

Era a voz de uma mulher. Ele franziu a testa procurando na memória onde já a tinha ouvido antes e quando se deu conta de quem era, sua expressão irritada evoluiu para uma de quase ódio.

- O que você quer, Izayoi? – perguntou rispidamente.

Decididamente aquela era a semana... Aparentemente a maré de problemas estava bem longe de ter um fim.


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Eu sabia que esse capítulo sairia um dia!!

Gente, me desculpem pela demora. Depois do problema que tive com o computador fiquei toda atrapalhada com os rascunhos desse fic, por isso a demora e principalmente por isso o capítulo mais curto também.

Eu fiquei pensando se deveria acrescentar alguma coisa, mas como esse foi um daqueles capítulos chatos de coisas que têm que acontecer para a história andar, melhor ter sido curto mesmo. ;;;

Ah, esse também foi o último capítulo com personagens se martirizando. Daqui para a frente mais ação e menos tortura mental. Quando eu escrever o próximo já vou ter uma idéia de quanto falta para acabar - não muito, pelos meu cálculos. feliz

Muito obrigada pelos comentários à:

Kisamadesu (obrigada pela tradução da música), Bella-chan (obrigada pela idéia da cena inicial. Não é que deu mesmo certo?), Natsu, NaruL (você teve que me aturar revisando o capítulo de novo e nem tentou nada malvado. Será que está ficando bondosa? :-P), Koboshi, Chibis, Juliana, Alize Minamino, Darkness Hime, Tici-chan, Lana, Megawinsone, lilaclynx (estou esperando para ver o seu fic com o meu querido Sesshy), By Mandora, Paixao, darck angel e Hell's Angel-Heaven's Demon.

A música na primeira cena é Do I have to say the words, do Bryan Adams. Achei que a letra encaixava bem com os sentimentos do Inuyasha, aqueles por baixo da confusão pela qual ele estava passando.

Bom, por enquanto é só. Vou correr com o capítulo de Eclipse que já está começado.

Até o próximo!!

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Madam Spooky