Disclaimer: Inuyasha não me pertence. Esse fanfic tem o único objetivo de divertir.

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Tudo Pela Herança

Por: Madam Spooky.

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Capítulo 15 - Decepção

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"Você não precisa me explicar mais nada. Eu quero saber todos os detalhes do seu estúpido plano e quero saber agora".

Inuyasha piscou abobalhadamente uma e outra vez. Então fechou a boca ainda entreaberta e deixou escapar um suspiro de entendimento.

Ela sabia.

De alguma forma ela descobrira sobre o plano e fora essa a causa de toda a cena no dia anterior. Fosse lá como a história tinha lhe chegado aos ouvidos, pela expressão fria e olhar duro no rosto dela, certamente não tinha sido uma versão que o pintasse exatamente como uma vítima. Ele relaxou os braços ao lado do corpo e depois os cruzou, para em seguida descruza-los e cobrir as faces com as mãos. Diga alguma coisa, imbecil, explique para ela, repetiu mentalmente. Mas por mais que tentasse formar alguma frase coerente, as palavras simplesmente se recusavam a sair. O que poderia dizer afinal? Eu estava planejando fazer com que você se passasse pela minha prima confiando na sua falta de perspicácia, mas, oops, parece que você descobriu tudo... Claro, provavelmente pronunciaria metade da frase antes que ela começasse a lhe apertar o pescoço. E o pior de tudo é que ele não a pararia. Merecia isso e muito mais.

- Eu estou esperando – disse Kagome, despertando-o do choque inicial.

- De que plano exatamente você está falando? – Inuyasha perguntou com um sorriso pequeno.

O rosto de Kagome se fechou ainda mais.

Maldito orgulho idiota. Será que não podia simplesmente se desculpar de joelhos como qualquer bom vigarista arrependido? Quando foi que enfrentar a raiva de uma garota tinha se tornado tão difícil? Talvez se não fosse aquela garota...

- Exatamente aquele plano – Kagome continuou. A voz soando com uma tranqüilidade que contrastava com a carranca que agora marcava os traços delicados de seu rosto – em que eu deveria me passar pela sua prima Kikyou para roubar a herança da avó dela, Kaede. – a carranca mudou para uma falsa expressão confusa. - Sabe o que é que é... Desde que fiquei sabendo sobre tudo não consigo parar de imaginar como você pensava em me convencer a fazer isso. Hipnose? Não... Você não é suficientemente inteligente. Talvez tocando o meu bom coração com o argumento de que doaria todo o dinheiro arrecadado para o combate a fome no mundo... Não, acho que não pensaria em algo generoso nem mesmo para mentir descaradamente. Ou será que estava planejando algum tipo de chantagem, porque vindo de você...

- Tudo bem, eu já entendi! – Inuyasha gritou. A veia na testa dele praticamente saltou com o deboche que acompanhava as palavras. Que as desculpas fossem para o inferno! Arrependimento não era páreo para o seu gênio. – É isso ai – continuou -, eu esperava convence-la a se passar pela Kikyou e ficar com toda a herança da velha, satisfeita? E se quer saber, não ia precisar de hipnose ou nenhuma outra técnica idiota, eu ia apenas pedir e eu tenho certeza de que você teria feito se algum imbecil não tivesse dado com a língua nos dentes e estragado tudo!

No instante em que as palavras escaparam, Inuyasha arrependeu-se do que tinha dito. Esperou que Kagome gritasse, batesse nele ou saltasse em seu pescoço como pensara inicialmente. Cerrou os olhos e protegeu-se com os braços esperando a reação, mas tudo o que obteve foi silêncio. Lentamente abriu as pálpebras quando sentiu que a garota se sentava a seu lado sem nenhum movimento brusco. Os olhos dela estavam fixos no jardim, onde Shippo e Souta brincavam olhando de vez em quando na direção deles. Uma ruga de preocupação permanecia na testa dela, mas tudo o mais na expressão se tornara neutro.

- Eu queria bater em você – ela disse no mesmo tom de voz tranqüilo de antes. – Queria apertar seu pescoço até que você desfizesse seu costumeiro sorriso debochado, presunçoso e idiota e rir muito no processo, mas, infelizmente, tenho que reconhecer que tem razão. Apenas vinte e quatro horas atrás eu teria acreditado em qualquer estupidez que você me dissesse e acho que até poderia me tornar uma usurpadora sem perceber.

- Kagome... – Inuyasha começou, em tom de desculpa. Miroku tinha razão, ele era um idiota. Não importava quantas surras levasse da vida, tinha nascido idiota e morreria idiota. – Eu...

- Eu nunca vou perdoar você, Inuyasha – ela o interrompeu -, mas eu o ajudarei se você tiver um plano.

Quando os olhos de Inuyasha rapidamente encontraram os dela, Kagome quase não conteve um sorriso. Ele parecia realmente chocado agora, como se estivesse vendo um rinoceronte cor de rosa sobrevoando Tokyo ou algo igualmente bizarro. Por mais que aquela decisão lhe custasse, pelo menos aquele instante tinha valido a pena.

- Eu disse... – ela começou a repetir, mas foi interrompida dessa vez.

- Eu ouvi o que você disse! – exclamou Inuyasha. - Acho que toda aquela bebida no cassino causou algum tipo de efeito permanente no seu cérebro, ou talvez tenha sido no meu... – Ele levantou-se de um salto e encarou Kagome, estudando-a, como se estivesse em dúvida se realmente estava falando com a verdadeira. – Porque eu pensei ter ouvido que você vai me ajudar com o meu plano idiota. Isso, claro, depois do que falou sobre jamais me perdoar...

- Foi exatamente isso e não tem nada a ver com bebida. – Kagome lutou para manter a voz tranqüila quando tudo o que queria era mandar que Inuyasha desaparecesse dali e voltar para dentro de casa, para seu quarto e o conforto de sua cama, onde poderia esquecer que tudo aquilo tinha acontecido. O breve sentimento de júbilo por ter conseguido causar surpresa no rapaz tinha desaparecido completamente no instante em que imaginou o que provavelmente viria depois. Ele sorriria daquela maneira que ela gostara antes, mas odiava agora e a encararia com olhos que diriam: Então, Kagome, resolveu parar de dar uma de santinha? Você é exatamente igual a mim, ai está a prova...

- Você quer se passar pela minha prima Kikyou?

- Quero.

- Por sua livre vontade...

- Isso mesmo.

- Sem que eu precise fazer nada?

- Eu agradeço se puder falar sobre quanto vou ganhar com isso antes de começarmos.

Inuyasha abriu a boca para fazer outra pergunta, mas voltou a fechá-la. O que estava acontecendo com o mundo afinal? Será que todos tinham enlouquecido? Kagome não podia estar falando sério. Ela não podia simplesmente decidir participar do plano depois de tudo o que tinha dito a ele. Depois de dizer que nunca o perdoaria por envolvê-la naquela confusão.

Mas, por mais que a encarasse procurando uma sombra de deboche no rosto dela, tudo o que podia perceber era uma estranha resolução, quase forçada, como se estivesse custando a ela alguma coisa dizer aquilo. Não sabia o que estava acontecendo, mas do que conhecia sobre aquela garota, ela não estava para brincadeiras.

- Então? – insistiu Kagome.

- Você não pode fazer isso – disse Inuyasha. Estava tentando parecer impassível, mas não precisava de um espelho para saber que seu rosto ainda refletia o choque causado pelas palavras dela. – Você não esse é tipo de pessoa... Você não é como...

- Como você? – ela perguntou com um brilho de divertimento no olhar que se apagou ao ouvir a resposta dele.

- Como eu.

Kagome respirou fundo. Inuyasha não estava ajudando. Será que ele não podia agir como o vigarista que ele era e parar de tentar convence-la de que não queria que ela participasse do plano? Mais do que choque agora, podia ver a decepção tomando conta das feições dele e, mesmo lutando contra isso, não pode impedir de sentir o coração doer. Apenas vinte e quatro horas antes, achara que tinha sentimentos fortes por aquele rapaz. Se alguém tivesse perguntado se o amava, até mesmo teria dito que estava cada vez mais perto disso. Uma impressão forte como aquela não se apagava completamente de uma hora para outra. Ela podia tentar odiá-lo, mas não podia dizer que o odiava naquele momento. O queria longe e perto ao mesmo tempo... Um sentimento que a confundia e no qual talvez pensasse mais tarde, mas não agora. Naquele momento não podia deixar que nada atrapalhasse sua resolução. Ela participaria do plano, descobriria sobre a herança e, se fosse possível, a utilizaria para salvar sua família e devolveria tudo quando o avô conseguisse o empréstimo. Soava estúpido, mas não via outra solução. O único problema era como faria para impedir Kouga e Inuyasha de desaparecerem com a maior parte do dinheiro...

- Eu sinto muito, Inuyasha. Eu sou o que sou e não posso mudar isso. Estou me oferecendo para participar do seu plano de boa vontade, o que mais você quer? Que eu peça de joelhos?

Aquela maneira altiva com a qual ela falava agora... Inuyasha pensou que ela estava ainda mais parecida com Kikyou. Eu sou o que sou e não posso mudar isso. Era uma frase que a prima gostava de usar quando ele reclamava de suas maneiras frias durante a época em que ainda se falavam com freqüência. Talvez elas não fossem tão diferentes afinal e ele tivesse se enganado com Kagome. Mulheres... Sempre davam um jeito de decepcioná-lo. Por isso mesmo era Miroku o garanhão da família.

- Você tem certeza disso? – ele suspirou.

- Absoluta – Kagome respondeu.

- Muito bem, você pode vir a minha casa amanhã de manhã e nós conversaremos sobre o assunto – disse Inuyasha, já tratando de sair dali. O olhar seguro da garota estava começando a se tornar irritante e ele precisava de um tempo para digerir o que acabara de acontecer antes de decidir o que fazer depois.

- Inuyasha...? – Kagome chamou ao perceber que ele se afastava.

- Sim? – respondeu sem se virar.

- Você queria me dizer alguma coisa quando eu cheguei?

Por um instante ele pensou em gritar com ela, dizer que tinha vindo se desculpar, mas que estava muito feliz de ter percebido quem ela era realmente antes de fazer papel de palhaço, mas acabou desistindo. Não valia mais a pena.

- Não era nada – respondeu simplesmente. Então se afastou sem demora, desaparecendo entre as árvores do jardim.

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A sala era ampla e confortável como ela se lembrava. Apenas as cortinas vermelhas, que antes cobriam todas as janelas, haviam desaparecido dando lugar a um vidro opaco o bastante para não deixar passar nenhuma luz do sol. Substituindo a iluminação natural, lâmpadas florescentes tinham sido espalhadas pelo teto em lugares estratégicos, de maneira a iluminarem, mas não demais. O ambiente perfeito, Kikyou pensou. Ela não esperaria menos do famoso advogado Naraku.

- Ele a receberá dentro de quinze minutos – disse a secretária com um sorriso treinado. Era jovem e tinha os cabelos compridos, tingidos de um tom discreto de vermelho, puxados para trás em um coque. Kikyou forçou pela memória, mas não conseguiu se lembrar quem estava sentada naquela mesa quando ela estivera naquela sala anos antes. Na época era quase uma criança ainda e não dera importância aos detalhes. A única lembrança realmente clara que o lugar lhe trazia era dos sorrisos afetados da avó e do advogado ao se cumprimentarem. Os dois eram muito parecidos um com o outro, sempre escondendo seus pensamentos por trás de um sorriso, fingindo cordialidade ao mesmo tempo em que investigavam discreto e desconfiadamente cada detalhe dos lugares onde passavam e das pessoas com quem se encontravam.

Kaede jamais confiara em ninguém, o que segundo ela era um pequeno inconveniente que surgia com o dinheiro. Ela se referia a Naraku como uma aranha astuciosa, cuja teia era tecida pouco a pouco em volta dos clientes até que ele pudesse encontrar a chance perfeita de colocar suas patas no dinheiro dos mesmos. Talvez Kaede tivesse sido uma mulher mais esperta do que dava a entender, talvez houvesse algo mais entre ela e Naraku que a simples relação cliente/advogado porque ele certamente a respeitava. E ela não o teria tornado responsável por seu testamento se não estivesse absolutamente certa de que seus desejos seriam cumpridos a risca mesmo quando não tivesse mais a chance de se certificar que seriam.

Um olhar confuso da secretária fez com que Kikyou percebesse que ainda estava de pé, no meio da sala, olhando para nenhum lugar em especial. Ela sorriu timidamente e encaminhou-se para o sofá onde um homem muito absorto na leitura de alguns papéis e uma jovem que fitava nervosamente tudo a sua volta também esperavam. Sentou-se elegantemente, assumindo a postura altiva com a qual estava acostumada. Podia sentir os olhos das outras duas mulheres na sala a avaliarem com admiração, mas o que teria deixado-a orgulhosa em outra ocasião não lhe despertou o menor interesse agora. Estava se sentindo demasiado deslocada para dar importância a qualquer outra coisa. Aquele lugar, o homem que a esperava por trás da porta próxima a mesa da secretária, lhe traziam muitas lembranças e a sensação desagradável de que não deveria estar ali. Apesar de ter crescido como uma princesa e apreciar bastante os benefícios oferecidos pelo dinheiro, não tinha nenhuma afinidade com a parte burocrática da coisa. Kouga sempre tinha resolvido todos os seus problemas até então, mas agora...

Agora Kouga tinha resolvido que era uma boa hora para desaparecer.

Um suspiro quase inaudível escapou dos lábios da jovem mulher. Tinha passado os últimos dias tentando se comunicar com o advogado para saber o que deveria fazer com relação à herança da avó. No escritório a secretária sempre dava alguma desculpa pouco convincente e, pelo tom de voz que usava, Kikyou duvidava que ela mesma soubesse por onde o chefe andava. Com o telefone residencial não tivera melhor sorte. Deveria ter deixado o dobro de recados que a boa educação permitia, cada um mais urgente que o outro, e tampouco obtivera resposta.

Não sabia o que estava acontecendo com Kouga, mas no momento a última coisa a qual podia se dar ao luxo de fazer era esperar. Sesshoumaru continuava andando pela casa como um fantasma, esperando que ela se pronunciasse sobre o futuro dos dois. Durante a maior parte do dia conseguia evita-lo, mas durante as refeições, quando se sentavam juntos à mesa, tinha que suportar os olhares cheios de significado que ele lhe lançava. Cada vez que se encontravam ela tinha mais certeza de que ele não se mostraria aquele homem paciente enquanto ela quisesse. Mesmo para alguém da índole de Sesshoumaru, havia um limite para suportar toda a frieza com a qual ela o vinha tratando. Mais cedo ou mais tarde ele a encostaria na parede e pediria uma resposta imediata. O problema era que ela não tinha a menor idéia sobre o que deveria dizer a ele.

Lembrou-se do último dia na ilha, quando ele dissera que a amava e ela simplesmente se retirara com um "boa noite" apressado. Estivera tão assustada com o que estava fazendo... Cedendo a própria covardia e a chantagem de Kagura. Do que adiantava estar realmente desfrutando da companhia dele quando na verdade só aceitara suas investidas porque uma velha amiga telefonara dizendo que deveria fazer isso se não quisesse que sua avó ficasse sabendo sobre o que ela andara fazendo todos aqueles anos na Europa? Ele jamais a perdoaria se soubesse e ela duvidava que pudesse se perdoar se continuasse com ele sem dizer a verdade.

- Senhorita Hayashibara?

A secretária chamou pelo que não parecia ser a primeira vez. Kikyou levantou os olhos na direção da mulher que a encarava interrogativamente e acenou com a cabeça, indicando que estava prestando atenção.

- O senhor Naraku a receberá agora – completou a mulher com o mesmo sorriso de antes, inclinando a cabeça levemente na direção da porta.

Kikyou agradeceu e levantou-se, caminhando firmemente para o escritório de Naraku. As suas costas, as duas pessoas que também esperavam suspiraram em protesto, mas ela fingiu não notar. Tinha coisas muito mais importantes para se preocupar. Manter a usual máscara de frieza diante do advogado, por exemplo. Girou a maçaneta da porta rapidamente e entrou, fechando-a em seguida para então caminhar até a mesa e parar de frente ao homem sentado, observando algo na tela do computador.

- Kikyou Hayashibara... – disse ele de repente, causando a ela um sobressalto. A voz de Naraku era baixa e levemente rouca, mas mesmo assim parecia ecoar por cada canto do escritório. Ela ainda se lembrava de como cada sílaba soava com um audível tom de ironia, mas ouvi-la assim de tão perto era completamente diferente. Intimidadora era a palavra.

- Eu imagino que já conheça o motivo da minha visita – ela disse, tentando ocultar o desconforto que sentia ali.

- Sim, sim... Qualquer coisa a ver com o testamento da sua avó, não é mesmo? – Naraku balançou a mão como se falasse de algo sem importância e então apontou para a cadeira a sua frente. – Você pode se sentar agora e nós falaremos sobre isso se quiser.

Kikyou obedeceu, controlando-se para não olhar em volta como uma criança curiosa. Naraku parecia causar um efeito repelente nos olhos dela. O rosto dele lhe dava a desagradável impressão de que se o encarasse diretamente, ele veria não a mulher altiva e segura de si que ela gostava de parecer, mas a mesma garotinha assustada que estivera ali anos antes e que viera em um surto de coragem sem fazer quase nenhuma idéia do que estava fazendo.

- Eu pensei que Kouga fosse seu advogado – disse Naraku. – Pelo que estou sabendo foi ele quem sempre resolveu suas questões financeiras.

- Sim... – Kikyou assentiu. Kouga era um funcionário daquela firma, trabalhando sob as ordens daquele homem. Ele deveria saber perfeitamente sobre o paradeiro do mesmo, então por que estava lhe fazendo aquela pergunta? Talvez quisesse testar sua confiança no advogado que escolhera, mas ela não lhe daria o prazer de responder que não conseguia localiza-lo. – Mas eu achei que deveria vir pessoalmente nesse caso. O destino da fortuna deixada pela minha avó é um assunto bastante delicado.

- Claro... Bastante delicado... – repetiu o advogado. Um sorriso acompanhado por um olhar distante apareceu no rosto pálido dele. – Você tem idéia do que consiste o testamento da sua avó, senhorita?

O conteúdo do testamento... Kikyou lembrava-se das muitas vezes que Kaede falara sobre ele, gabando-se de como sua solução fora simples e ao mesmo tempo segura. Ela tinha muito dinheiro, era verdade, mas a maioria dele tinha sido convertido em barras de ouro que eram guardadas em um cofre de banco junto aos títulos de propriedade. Só existiam duas cópias da chave: uma a própria Kaede guardava em casa, embora, apesar dela ter tentado encontrar mais de uma vez nos últimos dias, não conseguira nem mesmo uma pista de onde pudesse estar; a outra se mantinha em poder de Naraku e seria lhe entregue assim que o testamento fosse lido e sua condição de herdeira devidamente legalizada.

- Se está falando da chave, eu tenho uma perfeita idéia – ela respondeu.

Naraku sorriu.

- Quando todos os papéis estiverem em ordem, você pode levá-los ao banco, assinar o que tiver de assinar e todo aquele ouro será apenas seu. Mas espero que saiba também que isso leva tempo. Não posso garantir a leitura do testamento para amanhã ou semana que vem. Sua avó tinha algumas propriedades cuja situação ainda precisa ser avaliada.

Kikyou suspirou, decepcionada. Quanto tempo mais até que isso tudo se resolvesse? Ela queria se livrar de todo aquele problema burocrático e receber o que lhe pertencia o mais rápido possível para então decidir o que fazer de sua vida. Mas pelo que parecia não teria muita escolha além de esperar.

- Quanto tempo mais?

- Eu estou mexendo os pauzinhos... Diria seis semanas no máximo.

Naraku desviou os olhos da tela do computador pela primeira vez e seu sorriso alargou-se um pouco. Kikyou quase podia jurar que ele estava se divertindo, embora ela não pudesse ver um motivo para isso no momento. Seis semanas. Queria gritar que não tinha esse tempo todo, mas o que mais poderia fazer? Aquele advogado podia ser um homem bem estranho, mas incompetência não era um de seus defeitos, ainda mais quando muito dinheiro estava em jogo e ele tinha algo a ganhar.

- Duas semanas e receberá uma generosa gratificação – ofereceu.

O advogado deu de ombros.

- É uma proposta tentadora, mas a justiça tem seu próprio tempo, senhorita. Eu aconselho a voltar para sua mansão e esperar o meu telefonema.

Ele abaixou os olhos para a tela e Kikyou entendeu que a conversa tinha terminado. Uma onda de raiva a consumiu por dentro ao perceber que durante todo o tempo Naraku a tratara como nada mais que a pequena neta de Kaede. Ele ainda não a levava a sério. Mesmo sabendo que dentro de pouco tempo toda a fortuna dos Hayashibara lhe pertenceria.

- Tenha um bom dia e, por favor, me mantenha informada – disse secamente enquanto se levantava e atravessava a sala até sair pela porta. Apressou-se em sair também da sala de estar e do prédio, ansiosa por afastar-se daquele ambiente e seus desagradáveis advogados.

No instante em que se viu sozinho, Naraku sorriu para si mesmo e desligou o monitor que não exibia mais que um jogo de paciência quase perdido. Sem nenhuma pressa, abriu a gaveta a sua esquerda e retirou uma pequena caixa preta. Abriu a tampa e virou-a ao contrário, tirando de dentro uma chave dourada, pouco maior que uma chave de carro. A encarou por um instante e sorriu:

- Ora, ora, Kaede... Finalmente você terá a valiosa oportunidade de me ser útil.

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- Eu odeio as mulheres! São todas umas loucas! Hoje elas falam mal do que você faz, amanhã elas fazem tudo exatamente igual a você.

Inuyasha largou-se no sofá e jogou as almofadas no chão violentamente. Miroku o encarou confuso, sem saber se perguntava ou se seria mais seguro sair dali disfarçadamente. Não sabia por onde Inuyasha tinha ido dar sua volta, mas pelo visto alguma coisa tinha acontecido.

- Quer saber? O mundo seria muito melhor sem elas. E mais tranqüilo também! Eu poderia ver televisão sem essas malditas novelas atrapalhando a programação. Que tipo de pessoa consegue ver esse lixo, me diga?

Ele apontou para a televisão desligada e continuou reclamando sobre como todas as mulheres eram estranhas e adoravam fazer da vida dele impossível. Miroku mordeu o lábio inferior para não falar, mas o comentário estava forçando passagem pelos seus dentes. Ah, a vida era curta demais para deixar passar oportunidades como aquela.

- Se você continuar falando mal das mulheres, vou ter que assumir que mudou de time e andou percebendo que prefere o Kouga à senhorita Kagome.

Bom, pelo menos Inuyasha tinha calado a boca. O olhar assassino no rosto dele foi o que impeliu Miroku a voltar ao plano inicial de se afastar lentamente na direção da porta.

Mal tinha dado dois passos quando Inuyasha gritou:

- Não seja estúpido, Miroku! Você sabe muito bem que não era disso que eu estava falando! – a raiva desapareceu por um segundo dando lugar a um sorriso cruel. – Lembra como você me criticou por causa do meu plano maluco de roubar a herança da Kikyou? Quero ver o que tem a falar sobre a adorável e inocente Kagome me dizendo que aceita se passar pela nossa priminha por livre vontade. Ah, eu disse que ela aceita? Quis dizer que ela insiste!

Miroku encarou o irmão incredulamente.

- Do que exatamente você está falando? Eu pensei que tinha desistido desse plano idiota!

- Falou muito certo: tinha! – Inuyasha olhou na direção da parede. Era para lá que sempre olhava quando não queria encarar o irmão mais jovem. – Eu fui até a casa dela hoje. Nós tínhamos tido uma briga e ela disse que não queria mais me ver. Eu ia explicar tudo, pedir desculpas, eu sei lá...

- Você ia pedir desculpas? – Miroku perguntou ainda mais incredulamente que antes. – Digo, realmente pedir desculpas? Usando essas mesmas palavras: Kagome, eu sinto muito por tudo o que eu fiz?

Inuyasha bufou, irritado.

- Não, eu ia ensaiar para dizer isso em alemão, o que é que você acha? Às vezes penso que você foi adotado para ter saído tão estúpido...

- Inuyasha! – Miroku protestou, mas não o repreendeu. Sabia que a melhor maneira de ficar sabendo a história toda era esperando em silêncio até que o irmão mesmo se dispusesse a falar.

- Eu ia me desculpar com ela – continuou Inuyasha, dessa vez mais seriamente. – Esperei por ela sentado no batente da casa, até que a ouvi se aproximar e dizer que queria saber sobre o plano. Depois de todas as coisas que ela tinha me dito, ficou obvio para mim que alguém tinha contado a ela sobre a herança as minhas intenções. A propósito... – fitou o rapaz mais jovem ameaçadoramente. – Não foi você quem disse tudo a ela, foi?

Miroku balançou a cabeça em negativa.

- Se você não ia continuar com o plano, eu não tinha porque tomar nenhuma atitude.

Por um instante os dois ficaram apenas se encarando em silêncio. Miroku podia ser um bobo, mas não era mentiroso. Se ele dizia que não tinha falado com Kagome, Inuyasha acreditava nele.

- Não tem mais importância – o rapaz de cabelos compridos continuou. – Kagome sabe do plano, mas assim mesmo disse que queria participar dele.

- Está de brincadeira...

- Pior que não.

Miroku o estudou pacientemente, procurando no rosto de Inuyasha alguma prova de que ele estava mentindo, mas o rapaz parecia realmente transtornado com a situação.

- E o que você vai fazer?

- O que você espera?

- Você não pode estar falando sério. Pensei que já tivesse entendido que esse plano maluco nunca vai dar certo!

- Ah, droga! – Inuyasha levantou-se do sofá e foi para perto da janela. Lá fora já era noite e a rua estava começando a ficar mais e mais movimentada com os bêbados e transeuntes suspeitos de sempre. – O que você espera que eu faça, Miroku? Diga a ela que dessa vem fui eu quem mudou de idéia? Eu estava disposto a terminar com isso de uma vez por todas apenas para que ela me perdoasse, mas agora o que eu farei ou deixarei de fazer não tem mais nenhuma importância.

- Inuyasha...

- Você tem razão, eu sou mesmo um grande idiota.

Miroku não respondeu. Nunca tinha visto o irmão falar daquela maneira. Ele devia ter se decepcionado muito com a Kagome que encontrou. Ele mesmo estava confuso sobre os últimos acontecimentos. Por tudo o que soubera, Kagome não era o tipo de garota que roubaria dinheiro de uma velha senhora falecida apenas por interesses pessoais. Alguma coisa devia ter acontecido.

- Amanhã de manhã ela virá aqui – disse Inuyasha. – Eu vou telefonar para Kouga vir também. Explicarei o plano inteiro e se Kagome realmente estiver disposta a fazer isso...

- Inuyasha, não...

- Então nós a usaremos para tirar a herança da Kikyou.

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Sesshoumaru estava sentado no sofá da sala de estar da mansão. Seus olhos, fixos na porta, luziam inquietos. Como se sua situação não resolvida com Kikyou já não fosse problema suficiente, agora tinha que encontrar uma maneira de trazer Rin para aquela casa até que tivesse uma oportunidade de mandá-la de volta para Tenseiga. A irmã já tinha dezesseis anos, mas se bem lembrava, costumava ser tão ativa quanto uma criança pequena e sua anfitriã não era o tipo de mulher que apreciava esse tipo de agitação por perto.

De qualquer forma, o que não podia era deixá-la permanecer com Kouga mais do que um ou dois dias. Não queria submeter o velho amigo a esse incômodo, mas principalmente não queria expor Rin aos hábitos nada civilizados do advogado. Kouga tomando conta de uma menina... Se alguém tivesse sugerido isso a ele, provavelmente teria achando uma grande piada. No caso atual, porém, não era engraçado. Não quando a menina era sua própria irmã.

Se ao menos os pais estivessem em casa... Mas passara o dia inteiro telefonando e sequer obteve resposta de quaisquer dos criados. Provavelmente deveriam estar viajando e deixaram a filha com aquela babá... Como era mesmo o nome dela? Bem, não importava. Era bom que ela tivesse uma ótima explicação para o que estava fazendo quando deveria estar em casa, vigiando Rin.

A porta estalou pelo lado de fora sobressaltando Sesshoumaru. Barulho de chaves, maçaneta girando, então a figura de uma Kikyou pensativa surgindo. Era aquele o momento. Ele a estava esperando há horas para falar sobre o assunto e não podia ficar adiando. Se ela não permitisse, paciência, a casa era dela e ele teria que procurar outra solução. Não desejava ter que sair dali antes que eles tivessem aquela conversa sobre em que pé ia o relacionamento que estavam mantendo, mas o problema de Rin era mais urgente.

Kikyou deu meia dúzia de passos sala adentro antes de perceber a presença dele. Aparentemente estava preocupada com alguma outra coisa.

- Sesshoumaru... – ela pronunciou o nome dele e parou, esperando que lhe dissesse algo. Tinha chagado ainda muito irritada com sua visita infrutífera ao advogado e nem mesmo tinha notado a presença dele até ser tarde demais para tomar outro caminho. Só esperava que ele não tivesse escolhido justamente aquele dia para pedir uma resposta. Ela não tinha uma desculpa para se esquivar e não saberia o que dizer.

- Kikyou... – Sesshoumaru se levantou, friccionando as palmas como sempre fazia quando estava se preparando para uma palestra. Teria que ser cuidadoso com as palavras. Pensou que se perguntasse diretamente se podia trazer Rin por uns dias, poderia parecer que estava abusando da hospitalidade dela e aquela não seria uma impressão bem vinda. Resolveu então preparar o terreno, talvez sondar quão aberta a jovem estaria a idéia... – O que você acha de crianças?

Kikyou gelou. Crianças? Do que ele estava falando afinal? Será que... Não, era muito cedo para isso. E Sesshoumaru não era o tipo que faria uma proposta tão importante na sala de estar, quando ela acabava de chegar do centro da cidade e assim, de repente.

- Se eu gosto...

- Crianças – interrompeu Sesshoumaru, sentindo-se nervoso ao ver o atordoamento no rosto dela. Aparentemente ela tinha entendido a pergunta como algum tipo de proposta e assusta-la era a última coisa que ele precisava agora. – Mas não estou falando de bebês, de jeito nenhum! Eu quis dizer crianças grandes, de dezesseis anos exatamente.

- Crianças grandes...? – Kikyou repetiu ainda mais confusa. – Sesshoumaru, pode me explicar exatamente do que você está falando?

Sesshoumaru empalideceu ao perceber que sua explicação tinha soado muito pior que a pergunta inicial. Crianças grandes... De onde ele tinha tirado essa? No mínimo ela estava pensando que ele era algum tipo de maníaco.

- Ela tem dezesseis anos, não é mais uma criança, só age como uma – ele disse rapidamente. – E não é nada do que você está pensando, eu só queria saber se ela podia ficar conosco por alguns dias... Não mais que três, eu garanto! Só até que eu encontre uma maneira de levá-la até os meus pais.

- E... Quem seria ela exatamente?

- Rin! – ele disse. Seria possível que um simples pedido pudesse deixá-lo tão estúpido de repente? Tinha que ser a mansão e sua atmosfera intimidadora. Kikyou nunca conversar claramente com ele também não ajudava. – Minha irmã. Ela está na cidade e eu pensei que talvez...

- Ah, sim, claro – Kikyou sorriu aliviada. Então era isso. Por um instante ela pensara que ele ia fazer algum tipo de proposta. No futuro tinha que pedir para abrirem mais portas naquela sala. As duas que a ligavam ao resto da casa eram insuficientes na hora de uma retirada estratégica. – Pode trazê-la quando você quiser.

Sesshoumaru sorriu e Kikyou suspirou satisfeita. Aquilo vinha bem a calhar. Talvez assim ele se distraísse com a irmã e esquecesse dela por um tempo. Só até que pensasse no que deveria fazer sobre ele. Contar a respeito de Kagura ou esquecer que aquilo aconteceu e começar tudo outra vez?

- Então telefonarei para Kouga dizendo que vou buscá-la – disse Sesshoumaru.

Kikyou virou-se para ele rapidamente.

- Você disse Kouga?

- Sim, um velho amigo de faculdade com quem ela está hospedada... É uma longa história.

- Kouga, o advogado?

- Você o conhece? – Sesshoumaru franziu a testa confuso. Tinha falado sobre Kikyou ao amigo e ele não dera nenhuma mostra de que a conhecia.

- Você disse que vai pedir para que ele traga a sua irmã? Não há necessidade, eu mesma vou buscá-la.

- Você não precisa se preocupar, eu posso...

Sesshoumaru começou a dizer, mas foi interrompido pela afirmação dela:

- Eu faço questão.

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- Eu não posso acreditar que você foi nocauteado por uma mulher.

Kouga carranqueou quando Rin gargalhou das próprias palavras. O que ele estava pensando quando resolveu contar a ela a verdade sobre o que tinha acontecido? Se ao menos ela tivesse acreditado na versão de que ele tinha sido sofrido um acidente de carro... Mas pelo visto ela tinha um ótimo senso investigativo porque declarou veemente que carros não teriam deixado marcas de dedo no rosto dele e muito menos o teria deixado com aquela expressão frustrada.

- E daí se foi uma mulher? – resmungou. – Eu estava distraído, tudo bem? Além disso, não é suposto que vão bater em você quando tenta fazer uma boa ação. Eu só queria ajudá-la a fazer as pazes com o meu amigo Inuyasha.

- Você ajudando alguém, claro que sim... Por que não tenta aquela do carro que quase atropelou um elefante de circo novamente? Eu acho que seria bem mais fácil de acreditar.

Kouga bufou e levou novamente a bolsa de gelo que segurava ao rosto. Kagome realmente tinha um senhor soco quando estava disposta a machucar.

- Até parece que você me conhece muito bem...

Rin deu uma risadinha e se sentou no sofá, pegando o controle da televisão e começando a passar os canais sem realmente prestar atenção.

- Eu sei que você é um advogado e a minha mãe sempre diz que não dá para confiar em advogados.

- Ela generaliza.

- E tem aquela tal de Kikyou que vive telefonando dizendo que é importante e você finge que não recebeu os recados.

- Eu tenho todo o direito de, na minha casa, falar apenas com quem eu quiser falar.

- Isso inclui a sua secretária?

- Ela é uma chata. O lar é sagrado, é um lugar para a gente esquecer os problemas do trabalho.

- Isso para quem trabalha...

Kouga encarou Rin largando a bolsa de gelo novamente. O rosto ainda estava dolorido, mas bem menos do que ele fazia parecer. Pelo menos seria uma boa desculpa para faltar ao trabalho novamente no dia seguinte.

Mas o que Rin estava querendo dizer com aquela alfinetada? Que ele não trabalhava? É claro que trabalhava! Como ela achava que ele pagava a conta da TV a cabo, os salgadinhos que ela estava sempre devorando no sofá, a limpeza dos resquícios que ela derrubava no processo... Em todo caso, quem tinha falado aquilo para ela?

- Você não tem atendido os telefonemas da bisbilhoteira da minha secretária, tem?

- Eu sou sua convidada, não é? – perguntou Rin.

- Bom... Sim – Kouga respondeu relutantemente.

- E os convidados devem se sentir em casa, não é? – ela sorriu.

- E...

- E então que eu tenho todo o direito de, na minha casa, falar com todos que eu quiser falar.

Oh, grande, ele tinha criado um monstro.

- Eu não quero você falando com a minha secretária, Rin! – disse irritado. – Está vendo aquele aparelho ali? – apontou para o telefone. – Fique longe dele, tudo bem? Se tocar, ignore, se não tocar, ignore também. A última coisa de que eu preciso é uma garota de dezesseis anos se metendo na minha vida. Você me entendeu? – ela não respondeu. – Rin?

- Fique quieto. Eu não quero falar com você agora, não vê que estou tentando assistir? – ela apontou para a tela, onde um programa cheio de homens com roupas de banho, nada decentes na opinião de Kouga, acenavam para a câmera. O advogado saltou de onde estava e desligou o botão da TV.

- Hei! – Rin protestou.

- Isso não é programa para você, mocinha. Se o seu irmão fica sabendo que anda assistindo essas coisas arranca meu couro, sabia?

Ela sorriu travessamente:

- Eu não sabia que o Sesshoumaru era ciumento.

Kouga revirou os olhos e fez menção de voltar ao que estava fazendo quando o telefone tocou. Ele lançou um olhar duro à Rin e esperou que a secretária eletrônica atendesse.

Aqui é Kouga falando. Estou ocupado no momento. Deixe o recado e eu retornarei a chamada.

- Você devia mudar essa mensagem – disse Rin. – Para algo como "espere sentado se acha que vou retornar a maldita chamada". Bem sua cara...

Kouga abriu a boca para responder, mas nesse instante uma voz soou do telefone:

- Atenda logo o telefone, Kouga, eu sei muito bem que você está ai!

- Você vai mesmo atender? – Rin ergueu uma sobrancelha, surpresa, ao vê-lo pegar o telefone.

Ela o observou dar respostas monossilábicas por menos de dois minutos até desligar. A essa altura, um grande sorriso enfeitava seu rosto e ele nem mesmo parecia lembrar-se do soco que levara mais cedo.

- Boa notícia?

- A melhor! – disse Kouga.

- Tipo...

Ele ia responder, mas o telefone tocou novamente, interrompendo-o. Automaticamente o tirou do gancho, levando-o ao ouvido.

- O que você quer agora, Inuyasha? – perguntou.

No entanto, em resposta foi a voz de Sesshoumaru que ouviu:

- Sou eu, Kouga. Estou ligando apenas para avisar que já resolvi tudo com a Kikyou. Ela está indo agora mesmo para buscar Rin. A propósito, eu gostaria muito de saber de onde vocês se conhecem.

-

-

CONTINUA


Mais três meses sem atualizar, que coisa... Eu não tenho mais cara para me desculpar, então vamos fingir que ninguém perceber e passar direto. ;;;

Foi outro daqueles capítulos que eu adoraria ter pulado, mas foi importante para o final. Acho que o papel do Naraku ainda não ficou muito claro, mas daqui a pouco ele começa a se revelar...

Bom, muito obrigada as pessoas que comentaram o último capítulo: darck angel, Kisamadesu, Bella Lamounier, Jenny-Ci, Chibi, Hell's Angel-Heaven's Demon, Juli-chan, Juliane.chan, Kikyou Priestess, InuLokinh e By Mandora, e também a todos que leram.

No próximo, o plano começa a ser colocado em prática. Vamos ver no que dá.

Até mais!!