-- CAPÍTULO 3 --

VOLTA QUADRADA AIR

Os dias se passaram rápido, e logo o domingo chegou. O tempo estava aberto e uma brisa suave ecoava por toda casa, e Elvys passou o dia próximo da família.

E no dia seguinte a despedida de mãe e filho foi muito triste, mas o próprio Elvys conformava a mãe dizendo que ainda voltaria, e que ela não ficasse tão triste assim que ele mandaria notícias assim que pudesse.

Arrumou todas as suas coisas e pôs seu rato no bolso. Foram até a BR bem cedo, pois na mensagem não estava escrito a hora em que o caminhão iria passar. Demorou mais ou menos uns vinte minutos, e ele já estava ficando preocupado, pensando que o caminhão já tivera passado mais cedo, ou se ainda iria passar, ninguém sabe a hora. Mais olhou logo a diante um caminhão antigo, azul, com os dizeres logo acima no pára-brisa "Ferrarians".

O caminhão foi se aproximando e até parar um pouco antes de onde ele estava. Ele avistou um homem, aparentemente idoso e gordo descer do caminhão e dirigindo-se a um rapaz que estava com uma mala na beira da BR também. O rapaz balançava o dedo, dizendo que não, que ele tinha se enganado, que ele não era Euvi.

- Hei - gritou o garoto acenando para o homem.

O homem entrou novamente no caminhão e tentou ligá-lo, alguma coisa estava impedindo, ele desceu novamente do veículo, abriu o capô do caminhão e ficou olhando e olhando, mexeu em alguma coisa, depois voltou para o caminhão e ligou-o, acelerou até o ponto em que Elvys estava, com todas suas coisas, e um rato em seu bolso.

- Você deve ser Elvi - afirmou o homem que desceu do caminhão pegando uma das malas de Elvys.

- Não, na verdade, me chamo Elvys. - Corrigiu o garoto.

- Bem foi isso que eu quis dizer. Então vamos?

Aquele homem era realmente muito estranho, usava um chapéu, particularmente fora de moda, e umas vestes parecidas com pele de vaca.

Elvys o ficou olhando colocar suas malas numa parte à trás da cabine do caminhão, e o viu dando a volta e chegando ao banco do motorista, deu a ignição na chave e ligou-o com facilidade, acelerou em macha neutra, passou três segundos com um sorriso largo, olhando para uma senhora que atravessava a pista, voltou a olhar para o garoto e disse:

- Não vai entrar?

- Ca... Claro - falou assustadamente para o pneu careca do caminhão.

O garoto entrou, fechou a porta do caminhão ao seu lado, e só então começaram a sair daquela cidade. E naquele momento Elvys ficou muito pensativo, achou que estava enlouquecendo. As luzes dos recentes acontecimentos tinham deixado sem explicação e só umas palavras vinham em sua mente, "razão sem razão, querer sem querer, o vento me guiará" lia então as palavras que estavam escritas em seu livro de Pensamentos Abstratos, que tivera comprado com Nan no vilarejo de Groolers.

Depois deu uma olhada no livro de Feitiços vol. 1, que estava logo abaixo ao de pensamentos abstratos.

Abiciamm - feitiço para confundir os movimentos do alvo.

Accilibar - Feitiço para remoção de feitiços hostiços.

Accio - Ativa um objeto mágico, atrai o alvo bruscamente para o originário.

- E então, Euvi, fale-me de você - falou o homem que parecia já estar agonizado de ver o garoto caindo em leitura.

- Er... Elvys,

- Oh, desculpe.

- Bem até recentemente eu não sabia que era um bruxo, tive vários momentos estranhos e sonhos também, tive a visita de Ramos e de Nan.

- Ah, grande Nan - acrescentou o homem. - Sim, mas me conte mais.

Elvys contou toda a história para o homem até que estavam chegando a uma cidade.

- Porto Franco - falou o homem que estava olhando para a placa dos limites da cidade. - Cidade muito bela, já visitou a beira-rio daqui?

- Ah, não. - falou o garoto não muito interessado.

- Você quer que eu lhe leve lá, para visitar?

- Ah, prefiro que não, não quero perder o avião. - falou o menino olhando para seus joelhos.

- Ah, o avião, não se preocupe garoto, nosso tempo está com vantagem. - o homem falou em um sorriso meramente falso.

Na verdade aquele homem não era muito confiável a Elvys, ele tinha um sorriso de desinteressar qualquer um.

Foram visitar a beira-rio daquela cidade, à beira do Rio Tocantins, vendo a vista da cidade de Tocantinópolis, E o homem lhe ofereceu um cachorro-quente. A vontade de Elvys, na verdade, era de cheirar a comida, para assegurar-se de que ela não estava envenenada, mas isso fugiu de sua cabeça, logo voltaram para estrada.

Depois disto não se falou mais nada no caminho. Elvys apenas estava lendo seu livro de Clarividência Natural, e o homem só olhava de relance para Elvys, mas percebendo que ele estava mergulhado na leitura abriu a boca e fechou não querendo incomodá-lo, prestando bastante atenção na movimentada BR-010.

- Seja Bem Vindo a Imperatriz, portal da Amazônia. - Leu o homem avisando a Elvys, que estava tão ocupado com seu livro. - O aeroporto fica logo ali garoto.

Elvys olhou de repente aquela cidade muito bonita.

O homem parou bem à frente a um cercado, onde Elvys pôde ver alguns aviões estacionados ao longe, e uma pista muito larga e longa.

- Bem garoto é aqui que vou deixá-lo, aqui você está seguro contra Ca... - o Homem fez um gesto de que tinha falado de mais.

- Contra quem? - falou o menino de relance.

- Nada, o importante é que você está prestes a ir para Volta Quadrada. Bem você está com o dinheiro de comprar sua passagem?

- Sim, estou.

- Bem você precisará entrar naquele portão escuro, está vendo? - falou o homem apontando para um portão escuro ao lado da entrado do aeroporto, e ao mesmo tempo vendo o garoto balançar a cabeça em concordância. - Bem é lá que você deverá comprar sua passagem. E eu já vou indo, foi um prazer conhecê-lo, Elvys.

- O prazer foi todo meu, Lerryans.

O homem acelerou e logo sumiu de vista. Elvys caminhou em direção ao portão escuro e então, ao chegar, bateu palmas. Saiu um rapaz de mais ou menos vinte anos, olhos azuis, e bem atraente.

- Em que posso ajudá-lo?

- Er, eu quero comprar uma passagem para Volta Quadrada. - falou o garoto.

- Como você se chama? - falou o homem tirando do bolso o que parecia ser um bloco de papel.

- Elvys - falou o menino levantando a cabeça para verificar seu nome sendo escrito pelo rapaz.

- Prazer Elvys, meu nome é Zadeniz. - o Homem falou entregando a Elvys a passagem. - São dois cavalos e quatro podas.

- Ah, claro. - falou o menino entregando para o homem as moedas prateadas e douradas.

- Sua passagem será carimbada, na saída de seu terminal, - Falou o homem colocando o bloco novamente em seu bolso e entrando.

Começou a entrar por uma parte do aeroporto, e então não sabia para onde ir, em sua passagem havia um, estampado, "Terminal 0,001".

"Este número não pode ser o de um terminal", pensou com sigo mesmo, olhou o quadro de vôos e via número de vários terminais, mas nenhum era o dele, pois eram formados por números completos, "terminal 02, terminal 05, etc.". Resolveu então pedir informação para um guarda, que estava em pé ao lado de um banco de concreto, na parede do salão principal do aeroporto, na qual estava sentada uma senhora, com uma capa de frio. Elvys achou estranho, pois na verdade estava fazendo calor, muito calor.

- Er, o senhor poderia me informar onde fica o terminal zero vírgula... - o menino começou a pedir informação ao guarda quando foi interrompido por aquela senhora que estava sentada logo ali.

- Elvys, querido, vamos o seu vôo já vai sair - falou a mulher empurrando Elvys para longe do guarda. - Ficou maluco garoto, Nan não te disse para não falar nada com ninguém?

- Ah... Desculpe, mas... Quem é a senhora?

- Não temos tempo para questionários. - falou a mulher puxando, fortemente o garoto para fora do aeroporto - Seu terminal não é nenhum que faça parte deste aeroporto. Leia sua passagem e talvez descubra aonde ir.

O garoto abaixou a cabeça, de modo a olhar para sua passagem onde estava:

Perdidos & Achados

Elvys

TERMINAL 0,001

Volta Quadrada Air

Imediatamente o garoto olhou para trás e, viu um galpão que estava ao lado da entrada do aeroporto onde se podia ler:

"PERDIDOS & ACHADOS"

O garoto virou para a senhora e disse incredulamente:

- Ah, então... - olhou para sua frente e aquela senhora não estava mais lá, e então olhou a sua volta, mas nenhum sinal do paradeiro daquela senhora.

Voltou para si, girou os calcanhares e foi em direção ao galpão a passos lentos, e então ao entrar lá viu uma moça, muito bela, atrás de um balcão com vários embrulhos.

- Sim querido, o que você perdeu, ou achou? - falou a moça, não dando muita atenção ao menino, esfregando as unhas com uma lixa e dando olhares desafiadores ao garoto.

- Acho que... Meu vôo - disse o garoto, olhando para o salão vazio, e achando que tivera se atrasado demais.

- Qual é seu terminal? - falou a moça deixando de lado a lixa e passando a olhar mais atentamente para o garoto.

- Aqui diz zero, vírgula, zero, zero, um, mas eu...

- Por aquele portão, por favor, - falou a mulher tomando para si novamente a lixa e apontado para um portão, que estava entre uma outra pilha de embrulhos várias carteiras de bolso em cima deles.

O menino caminhou em direção ao portão e ao chegar a alguns centímetros, o mesmo se abriu automaticamente, e ao passar dele viu uma fila de pessoas, mais ou menos de sua idade.

E ao barulho do portão se fechando todos olharam para trás em movimento brusco. E lá da frente caminhava um homem auto, com terno e gravata, em direção a Elvys, e ao se aproximar disse:

- Está pronto para ir para Volta Quadrada garoto? - ele perguntou indignamente para o garoto, que olhou imediatamente para seus joelhos mais se conscientizou para responder.

- Sim.

- Pois então se poste na fila, o Volta Quadrada Air, está quase chegando.

E o homem voltou para frente da fila. Demorara alguns minutos, e ao vidro do terminal, Elvys pôde ver um avião se estacionando bem à frente deles. Ouviu muitos "uff" de pessoas à frente. O avião não era nada grande, digamos que um "jatinho particular" para umas três pessoas, e no terminal havia mais de cem.

A fila começou a andar e logo chegaram à saída do terminal para o avião, ele deixou sua intimidade e tocou no garoto à sua frente e disse:

- É neste avião que iremos viajar?

- Sim, não é excitante? - falou o garoto que tinha se virado para falar com Elvys, ele tinha uma aparência regular, tinha olhos castanhos, cabelos pretos, era da altura de Elvys.

- Como você se chama mesmo? - Elvys perguntou ao garoto se sentido um tolo.

- Paulo Clorees, e você?

- Elvys Vieira.

- Prazer. - Paulo falou estendendo à mão para Elvys.

Eles caminharam pelo andaime até o avião. Elvys pôde ver pelos buracos do andaime uma porção de ferrugem no avião que estavam prestes a entrar. "Eles querem que agente viaje nisso?", perguntou consigo mesmo. Foi quando entraram no avião.

Elvys podia ouvir à sua frente, vários "Ohh" e quando entrou no avião se deparou com uma imensa aeronave no interior daquele avião não muito em condições.

As poltronas eram bastante confortáveis, e havia um imenso corredor formado por várias delas. Admirado Elvys nem sabia onde sentar. Todos estavam bem acomodados. Ele guardou suas malas em um canto com as dos demais. Paulo estava em uma poltrona, ao lado de uma janela, e convidou Elvys para sentar ao seu lado.

O Avião começou a levantar vôo, e em toda a viagem Elvys e Paulo tiveram grande amizade. Elvys contou tudo a ele, e ele contara também a Elvys sobre sua vida.

Paulo era filho de bruxos legítimos. Sua mãe se chama Doris Clorees, e seu pai Samuel Clorees. E se aprofundaram em uma longa conversa, Paulo mostrou seu rato a Elvys e ligeiramente Elvys pegou Dominik de seu bolso que parecia estar faminto.

- Ah, ele não comeu nada hoje, pobre coitado. - falou Elvys olhando para Dominik com dó.

- Ah, pegue alguns tesuálios, Tilts adora. - Falou entregando umas bolinhas gosmentas para o seu rato e com a outra mão estendida dando um pouco a Elvys.

- Er, obrigado. - Falou Elvys pegando aquela coisa gosmenta com as mãos e entregando rapidamente para Dominik que abocanhava com pressa desesperadamente.

A viajem prosseguiu até que uma voz do nada saiu dizendo:

"Atenção estamos chegando em Volta Quadrada, e no momento estamos sobrevoando a cidade de Campinas".

Elvys se juntou a Paulo para ver da janela aquela maravilhosa cidade, extremamente grande, e teve um pequeno embrulho no estomago ao lembrar de estar chegando em Volta Quadrada.

Depois de alguns minutos o avião começou a descer, até que, finalmente estar em terra firme. Estava em outro aeroporto, e seguindo os passos daquele homem, Elvys e todos os alunos continuaram em direção à saída do aeroporto, e quando chegou ao lado de fora olhou para trás e viu uma grande placa, "AEROPORTO DE BRUXOS DE VOLTA QUADRADA". E descendo a vista percebeu que também estava olhando para a placa uma garota, de corpo muito bem formado.

- Vamos Tracy. - falou uma amiga da garota que estava colocando uma mochila nas costas.

De repente a garota deu um passo em direção a Elvys, sem perceber ainda que o garoto estivesse lá, e quando virou parou abruptamente e olhou o garoto, os dois se entreolharam em um logo delírio, pareciam que estavam encantados. Naquele momento, Elvys, sentiu seu coração pular para fora do peito, ele parecia estar hipnotizado, aquela era a garota que tinha sonhado desmaiando em suas férias, durante o processo de preparação de bruxo.

A garota, boquiaberta estava mirando o garoto e ao mesmo tempo sendo puxada por sua amiga, e quando foi finalmente tirada da mira de Elvys, só então conseguiu caminhar com sua amiga. Elvys virou para trás e olhou para Paulo que sorria para ele.

- Que isso, colega. Mal chegou à escola e já está arrasando corações.

- Paulo, vamos indo quero te dizer uma coisa. - eles começaram a caminhar e então Elvys continuou - Lembra daquela menina que te disse que tinha sonhado com ela durante o meu processo de bruxo?

- Sim, lembro. - completou Paulo que ainda continuava a sorrir.

- É esta menina ai!

- Nossa - A mudança de expressão no rosto de Paulo mudou de feliz para assustado. - Fala sério.

- Estou falando sério.

Eles se entreolharam e continuaram a caminhar sem dizer nada. O caminho era um pouco longo, e logo mais à frente avistaram uma ponta de uma masmorra, muito grande, e muito alta, e começaram, ao longo do percurso a avistar partes do castelo, até que por fim puderam avistar todo aquele castelo, e como era bonito, tinha um muro de aproximadamente cinco metros.