-- CAPÍTULO 5 --

UM BEIJO NEGADO

Já se passara muito tempo depois do almoço, e Elvys ainda estava no salão habitual, à espera de Tracy, para que lhe pudesse contar o que exatamente teria acontecido em sua ausência.

Depois de alguns minutos, entraram pela porta, que Elvys observava atentamente, Paulo e Shanaelton.

- Elvys, devemos ir ainda teremos aula de Clarividência Natural. - falou Paulo com desprezo.

- Então vamos? Parece que estamos atrasados. - falou Shanaelton olhando para o relógio que estava na parede do salão habitual.

- Vamos.

Eles desceram às escadas de pedra polida em direção às salas de aula até alcançarem a de Clarividência Natural. Percebendo que a aula já tivera sido iniciada eles entraram desconfiados.

- Os senhores deveriam estar aqui há dez minutos! - Exclamou uma mulher que Elvys logo a reconheceu, era aquela mulher de uma loja em Groolers, a senhorita Bonner.

- Er... Nos... Só...

- Sentem-se em seus lugares. Bem acompanhem o conteúdo com o seu colega do lado. Bem voltando ao assunto classe - ela se virou para os outros alunos e continuou - a Clarividência Natural é uma arte de adivinhar, descobrir facilmente, entre outros aspectos que podem consequentemente facilitar a vida de um bruxo. E hoje como já disse iremos iniciar com a arte de desvendar os significados dos sonhos. Quero que façam como atividade que amanhã vocês vão até a biblioteca e procurem no livro de sonhos o significado de seus sonhos de hoje.

O dia terminara em uma brisa fresca e sonolenta e até que todos entraram no salão principal para a refeição da tarde, Elvys esperava por Tracy para saber dos detalhes. Sentou-se em seu lugar e pegou uma fatia de pão, viu um vulto a sua frente e se virou para olhar o lindo e machucado rosto de Tracy.

- Tracy! - Ele disse com animação e preocupação ao mesmo tempo.

- Oi, Elvys, temos muito que conversar. E sinceramente não estou a fim de comer nada, vamos até o salão habitual?

Eles seguiram e subiram pelas escadas até o salão. Pararam na porta que tinha um buraco e dele saiu um olho grande que observaram os dois atentamente e entrou em seu buraco e ao mesmo tempo fez a porta se abrir. Eles entraram e se sentaram em um canto do salão.

- Elvys, eu tive tanto medo... - falou Tracy já com som de choro.

- M as o que realmente aconteceu?

- Bem primeiro eu levantei na madrugada para ver se você... Deixa pra lá. Eu levantei e caminhei um pouco pelo corredor dos dormitórios e apareceu um homem de repente, e me segurou e colocou um pano com uma porção de dormir, segundo o professor Arcano, e me levou para uma masmorra. E me fez refém para que Arcano entregasse uma aliança, eu não sei por que ele quer tanto esta aliança. E quando eu vi Warrior me atirei nele e nos caímos, e Warrior conseguiu me ajudar e ele o capturou.

- Mas para que você foi sair de sua cama na madrugada?

- Para... Ver... Se... Você ainda estava... Dormindo...

Elvys olhou profundamente nos olhos de Tracy e viu ela se aproximar até chegar muito perto de seu rosto, ela fechou os olhos num gesto em que Elvys pode perceber que ela ia beijá-lo.

- E quem era realmente este homem, - Elvys falou fazendo com que Tracy recuasse de seu gesto que provavelmente iria beijá-lo.

- Er... Ele é o ex-diretor da escola - ela disse envergonhada pelo gesto que foi negado.

Elvys pareceu um pouco tenso, e idiota ao mesmo tempo. Acabou de negar um beijo à pessoa em que ele mais queria ter beijado em toda vida. Percebeu que Tracy se sentiu inútil e que teria certeza de que ela iria embora naquele instante sem nunca mais querer olhar em seus olhos, e vendo que a situação poderia se tornar constrangedora ele segurou as mão da garota e disse num quase que sussurro.

- Olha Tracy... Eu estou bastante indeciso sobre o que eu quero e... No entanto eu... Não queria magoar você, Eu só...

- Não diga nada, você não deve se desculpar, eu, é quem devo, fui muito precipitada, não devia ter agido dessa forma.

- Olha Tracy, desde que eu te vi, eu... Me... A... A... Admirei, com sua beleza e posso te dizer também que me interessei muito em você, mas, é... Que eu não estou pronto para um relacionamento com você depois do que aconteceu. Você nem imagina como eu fiquei preocupado com você.

- Elvys, já que não pode haver nada entre nós dois eu apenas queria que nós nos tornássemos amigos, e grande amigos.

- Por mim será um prazer tê-la como amiga.

Ele se inclinou e deu um grande abraço na garota, ficou suspirando um pouco o cheiro do cabelo de Tracy e imaginou que bobagem estava fazendo, dispensando a menina que nunca tivera amado tanto, que por ela era capaz de enfrentar qualquer coisa.

Eles se entreolharam e Elvys viu cair do olho de Tracy uma lágrima que o comoveu e então ela disse limpando a lágrima.

- Bem já é hora de subir para o meu dormitório, o jantar já vai começar sabe.

Ela se despediu e subiu. Elvys ficou sentado e imaginando o que tinha acabado de fazer, a grande besteira, e segundos depois entrou pela porta Paulo, parecendo cansado, e olhando para o amigo já se atirou na poltrona onde minutos antes Tracy esta sentada.

- E ai mano, que ta pegando? - falou Paulo muito convincente.

- Na verdade é o que eu não peguei...

- Xiii!!! Parece que o cara levou um fora daqueles...

- Não na verdade eu dei um fora.

- Que isso? Tu ta doido, e quem... - Paulo começou e de repente colocou a mão tampando a baça - Não... Não... Tu... Não... Não pode ser...

Elvys apenas balançou a cabeça e começou a contar tudo para Paulo que sempre estava boquiaberta, e no final de tudo Paulo apenas disse.

- Cara tu é mó vacilão ein!

- Há num to a fim de conversar sobre isso agora não. Vamos nos arrumar para o jantar.

O jantar foi como sempre esplendido, o castelo estava de um tom alegre a imensamente feliz. Depois do jantar eles seguiram para o salão habitual, Paulo estava muito cansado, chegou já se atirando em uma das poltronas.

- Querem um docinho, vou lá em cima pegar! - falou Shanaelton se desvencilhando agora.

- Ah, não, estou quase trasbordando, estou completamente cheio cara. - falou Paulo que agora parecia estar sofrendo fortes dores de barriga.

- Eu preciso dizer algo a vocês. - falou Elvys interrompendo a fabulosa dor de Paulo que se endireitou na poltrona para escutá-lo - é sobre Calis...

- Chi, - falou Shanaelton colocando o dedo indicador no centro da boca, - o professor Arcano disse que era pra termos cuidado até para pronunciar o nome dele, mesmo que ele possa ter saído deve ter algum dos alunos que recebeu cavalos para espionar qualquer um que ele quisesse.

- Pode ser, mas até agora o que eu nunca entendi foi o porquê de Cal... De... De... A vocês sabem, Por que ele escolheu a Tracy Anne para servir de refém.

- Não, não foi escolha dele, foi só que ela estava indo me... Ela estava indo ao banheiro e foi pega por ele. Com certeza ele iria pegar o primeiro que aparecer.

- Bem ficará estranho quando precisarmos conversar sem pronunciar o nome dele - Paulo falou colocando novamente uma mão e esfregando a barriga.

- E então porque não inventamos um código para ele? - sugeriu Shanaelton.

- Boa idéia, mas, qual?

- Eu tenho uma idéia. - Paulo levantou a mão e falou tão alto que o som de sua voz ecoou pelo salão. - Que tal "C.A."!

- E o que isso significa. - mal Shanaelton terminara de perguntar quando Elvys deu um pulo de sua cadeira e disse.

- Ótimo, as iniciais de seu nome. - de repente se baixou para falar quase num sussurro - de Calisto e a de Aliança.

- Muito bem Elvys, você realmente é um menino inteligente.

Os dois riram e então Elvys se levantou colocando as mãos nas costas e esticando a barriga para frente, dizendo que ia se deitar que estava cansado, Elvys subiu as escadas que levavam ao dormitório, passou pelo dormitório de Tracy, e parou, ele não sabia se ela estava lá, mas encostou mais próximo da porta para ter certeza.

- Procurando alguém Sr. Vieira, - Escutou a voz enjoada de Emillia, que estava parada a poucos metros de onde ele estava e com os braços cruzados num tom arrogante e desprezível.

- Ah... Não... Eu só estava... - Ele olhou para seus pés e de repente levantou o olhar. - querendo saber se a Tracy estava aqui.

- Olha eu sinto muito em informar-lhe, mas a Senhorita Anne está muito ocupada com seu novo namorado.

- Namorado? - Elvys que estava sorrindo, agora estava num tom totalmente espantado.

- Sim o novo namorado dela, Júlio, um garoto do segundo ano.

- Ah tudo bem, eu só queria perguntar se ela já foi à biblioteca para ver seu sonho.

- Sr. Vieira, nós devemos sonhar hoje para buscar o significado do sonho amanhã.

- Ah, sim, é claro. - Ele falou levantando as sobrancelhas, e continuou. - Bem então eu já vou indo.

-... Noite Sr. Vieira.

- Boa Noite, Emillia.

Ele sai em direção ao seu dormitório e chegando lá, olhou e percebeu que estava vazio, ele se deitou em sua cama e começou a refletir, será que Emillia estaria mentindo, será que Tracy realmente teria um namorado, ou será que ela tinha mais só estava fazendo ciúmes para Elvys, por isso mandara Emillia dizer? Elvys parou de repente de seus pensamentos e falou em sua mente "Eu realmente estou gostando dela".

Elvys tinha certeza, de que se a Tracy estivesse namorando com outro, ele não iria suportar, mas refletindo muito notou que a culpa era dele, pois ela tentara beijá-lo, mas ele negou. E se ela estava carente o máximo que podia fazer era procurar outro garoto. Ela estava certa.

"Eu a perdi pra sempre", pensava Elvys. Ela era a pessoa em que mais admirava no castelo, não conhecia tantas pessoas assim. Olhou para uma mesinha ao lado de sua cama e viu em uma foto ele, sua mãe e seu pai, e uma lágrima correu de seu olhar, pegou um pedaço de papel e começou a escrever.

Mãe, aqui é uma maravilha, todos estão me tratando bem. Já conheci alguns amigos, estou contente, e também estou com saudades. Tenho professores incríveis, diz ao pai que amo muito ele, e a senhora também.

Mande uma carta pra mim por Dominik. Eu te amo.

Elvys.

Ele procurou o rato por baixo das camas, mas não o encontrou. Ele voltou para sua cama com a carta na mão.

- Dominik.

De repente um rato saiu debaixo de um dos guardas roupas do dormitório, um rato gordo com a aparência boa.

- Bem Dom, andou comendo bastante hein. - ele abaixou a mão e o rato subiu nela, quando levantou a mão, para olhar aquele rato, ele sorriu. - O que andou comendo? Não importa, eu quero que leve esta carta para mamãe. - Ele falou amarrando a carta na perna do rato com um barbante. - E não volte sem uma outra carta.

O garoto colocou o rato no chão, e o rato que mal conseguia caminhar de tanto peso sumiu de repente deixando estrelas pequeninas, cintilantes no lugar onde tinha sumido.

Elvys voltou para sua cama para ver se dormia. Chegaram ao dormitório Paulo, Shanaelton e Lipinho. Todos já vestindo o pijama para dormir, e Elvys vendo os demais vestirem o pijama olhou para suas veste e se levantou para vestir seu pijama também.

Todos foram pra cama e o garoto gordinho chamado Luiz já estava até roncando. E Elvys já estava prestes a começar a sonhar.

Estava no pátio do jardim da escola, olhando algumas variedades de flores, e sentiu uma mão deslizar em suas costas onde virou e viu Tracy, olhando e sorrindo para ele, ele deu nela um forte abraço e escutou ela dizer em seu ouvido "Eu te amo Elvys".

Ele olhou para ela fechou os olhos para beijá-la e acordou.