-- CAPÍTULO 7 --
"C.A." O SEGREDO
Todos já estavam no pátio da aula de Preparo físico e mental. Elvys segurava uma fina varinha preta, com detalhes gravados no início. Ele, Paulo e Lipinho se juntaram a grande multidão que formava uma fila, e logo depois apareceu um homem bem forte.
- Bom dia, eu sou Trylyan Halfz, seu professor de Preparo Físico e Mental. - falou o homem se apresentando. - Bem abram o livro na página sete, quem gostaria de ler? Senhorita. - falou apontando para Tracy que estava com a mão levantada.
- Capítulo um "A magia Sempre, Sempre em segundo plano". - começou a garota olhando para o livro e dando olhares de relance a Elvys. - Nem tudo que parece ser magia é feitiço, nem bruxaria. A magia em si, não pertence ao sistema de macumbaria, nem de agoração. A magia é uma arte, que mesmo nos momentos difíceis, nos trazem saída, facilitando assim a nossa vida.
- Muito bem, como podemos ver, a magia é uma arte, é meu dever ensinar a vocês que a magia não deve ser usada como arma. A magia deve ser utilizada de modo defensivo, de modo que facilite a nossa vida, de tal forma que não prejudique as pessoas.
- Professor, - Paulo levantou a mão.
-Sim.
- Quanto tempo faz que o senhor trabalha em Volta Quadrada?
- Treze anos, por que senhor... Como você se chama mesmo?
- Paulo.
- Por que senhor Paulo?
- O senhor poderia nos dizer sobre a aliança de... Você sabe, por que ela é tão importante para ele?
A sala ficou por um momento silenciosa, ninguém falava nada só olhava atentamente para o professor que estava assustado com a pergunta.
- Pois bem, como todos sabem, Volta Quadrada foi construída a mais de quatrocentos anos, depois da descoberta do Brasil pelos portugueses, nas caravelas de Pedro Álvares Cabral, havia uma senhora chamada Rúbia. Madame Rúbia era uma das maiores bruxas de Portugal.
- E porque ela veio junto com Cabral? - perguntou Paulo.
- Pedro, era um amigo muito fiel de Horácio, que nessa época era casado com Diolinda, prima de Madame Rúbia. Madame Rúbia quando soube que sua prima ia viajar, foi logo à sua casa, para dizer que também iria, ela sofria muitos preconceitos, depois que foi vista espantando esqueléticos.
- O que são esquéticos?
- Esqueléticos, são um tipo de criatura mágica que tira a memória da pessoa. Depois que foi vista sofreu muitos preconceitos, todos a chamavam de bruxa, e ela resolveu ir embora daquele lugar. Quando Cabral atravessou as ilhas que avistou o Brasil, ficou muito contente. E quando anos se passaram ele disse que não queria madame Rúbia mais perto de sua família.
- Que grosso. - retorquiu Tracy.
- Então madame Rúbia, procurou um lugar para ficar. E juntou-se com vários índios, formando grupos de bruxaria. Anos se passaram, e madame Rúbia faleceu, deixando com um índio um filho que tivera com ele, Calisto Aliança. - A sala todo se imobilizou e abriu a boca. - Quando ela morreu deixou com pai de Calisto uma aliança que seria concedida a quem fosse diretor de Volta Quadrada. E os benefícios que essa aliança mágica podia trazer eram imagináveis. Ela podia salvar uma pessoa que estivesse morrendo, dando assim uma nova vida, Calisto então foi diretor de Volta Quadrada Em mil Setecentos e cinqüenta. Desde então veio usando a aliança para adiantar ainda mais o dia de sua morte, Calisto já deve ter uns quatrocentos anos. Mas há alguns meses atrás, Calisto queria ser o ministro da magia e ao mesmo tempo diretor de Volta Quadrada, é claro que não foi eleito.
- Ainda bem, - soou uma voz feminina que Elvys não pôde reconhecer.
- A comunidade bruxa se concentra mais na vila de Groolers onde temos mais de dez mil bruxos, temos outras comunidades é claro como a vila depois da floresta. Mas se a comunidade de Groolers toda tivesse votado nele, com certeza seria eleito, mas eles acharam que Calisto não teria tanto tempo para ser diretor de Volta Quadrada e ministro da magia. Foi aí então que ele fez o que fez.
- Fez o que? - perguntou Shanaelton.
- Jogou sobre a vila de Groolers uma maldição irremediável. A maldição lunar, todos já ouviram falar que Groolers é amaldiçoada, - todos levantaram a mão, - bem e então ele foi expulso de Volta Quadrada, pelo novo ministro da magia, e foi preso em Soccet Woods, a prisão dos bruxos, e quando cumpriu metade de sua pena tentou enganar todos com uma falsa morte.
- Ah, então foi Calisto que jogou a maldição em Groolers, - falou Elvys repentinamente.
- Sim. Mas não devemos mais nos preocupar com Calisto afinal ele está preso. Bem acho que já podemos continuar com a nossa aula. Hoje iremos aprender um feitiço que pode espantar animais peçonhentos, repitam comigo sem as varinhas, Ouverdai.
- Ouverdai, - todos falaram em coro.
- Muito bem temos aqui várias espécies de animais, quem quer ser o primeiro, - ninguém se apresentou, - então vou ter que escolher er... Você, - falou apontando para Elvys, - Entre na jaula.
Elvys entrou numa jaula repleta de leões, quando entrou a grade atrás de si se fechou fazendo um barulho que os leões acordaram e então eles soltaram urros de fúria e Tracy deu um gritinho, os leões começaram a correr para pegar Elvys.
- VAI. - falou o professor Trylyan.
Elvys apontou a varinha para os leões e falou com todo nervosismo dentro de si.
- Ouverdai.
Os leões que estavam vindo na direção de Elvys começaram a recuar com se estivessem sendo atacados por um gorila gigante, soltando uns urros que dava dó.
- Muito bem, - falou Trylyan puxando a grade para tirar Elvys de dentro, - como você se chama?
- O nome dele é Elvys, - falou Tracy que estava sorrindo abertamente para Elvys.
- Dois pontos em sua ficha, senhor Elvys.
Todos saíram em direção ao grande salão para o almoço, Elvys estava contando a todos como foi estar com os leões, pois o resto enfrentou abelhas, cobras e outros animais peçonhentos.
- Está se achando o tal, não é senhor Vieira?
Elvys olhou pra trás e viu a figura horrorizada de Emillia, olhando para ele.
- Só por que enfrentou alguns animais acha que pode declarar guerra ao mundo. - falou ela com desprezo.
- Você não pode falar com Elvys deste jeito. - falou Shanaelton querendo defender o amigo.
- Cale-se, seu toco de gente idiota, - ela falou olhando desprezivelmente para Shanaelton que olhava com fúria por cima dos ombros caminhando em direção ao salão principal.
- Por que tem tanto ódio de mim, se eu nunca te fiz nada, Emillia? - perguntou Elvys tentando ser de todo modo educado.
- Por que eu sabia desde a primeira vez que te vi que seria uma barreira para minha amizade com Tracy, e se quer saber, pretendo eliminar você de perto dela.
- Saiba que suas mentiras não me afetam, e além do mais Tracy e eu nos amamos, - Elvys falou e todos que estavam à sua volta olharam para ele.
- Saiba que isso será por pouco tempo, senhor Vieira, - caminhou em direção a Elvys e esbarrou de propósito nele indo também em direção ao salão principal.
- Ah, Elvys, não liga pra essa talzinha ai, ela só quer a Tracy pra ela, não dê ouvidos a ela, - falou Paulo tentando contornar a situação.
- Mas acontece que se ela tiver chance poderá destruir qualquer vínculo que eu tiver com a Tracy.
- Mas vocês já estão namorando?
- Não exatamente, tivemos uma conversa na biblioteca, - Elvys falou quando já entravam no salão principal, - e decidimos que nos amamos.
- Tão românticos! - Paulo deu um tapinha no ombro de Elvys.
- Para, Paulo, o que a que a Tracy irá dizer se ouvir você dizendo isso?
- Dizendo o que? - Falou Tracy que acompanhara eles por trás.
- Nada, deixa pra lá.
Eles almoçaram e então, subiram para seus dormitórios para descansarem, Elvys veio o tempo todo empertigado, se lembrando das palavras do professor Trylyan. Eles chegaram ao dormitório, e se atiraram na cama pra ver se dormiam um pouco até as próximas aulas do dia. Elvys se deitou, mas não conseguiu dormir. Pensava em Tracy, em seus pais, em C.A.
O sino do castelo começou a soar algumas badaladas e todos acordaram, a próxima aula seria Magia Defensiva, segundo o horário de Elvys. Eles desceram para a ala mágica onde estava à sala de Magia Defensiva e ao chegarem eram os primeiro. Sentaram-se e olharam para um outro professor que Elvys ainda anão tinha visto. Quando todos chegaram e se acomodaram o homem tomou a frente de todos e começou.
- Boa tarde, meu nome é Cassius Cortez, estarei com Magia Defensiva, e gostaria que se apresentassem, apesar de que eu já conheço alguns, - falou olhando para Tracy, - você como se chama? - perguntou para o garoto gordinho que era do mesmo dormitório de Elvys.
- Luiz.
E assim foi com todos, dizendo seus nomes ao serem escolhidos a dedo pelo professor Cortez.
- Bem iremos aprender hoje alguns feitiços de desarmamento e de confusão do alvo. Este feitiço que lhes mostrarei agora serve para confundir os movimentos do alvo, repitam comigo, Abiciamm, - todos falaram em coro. – Muito bem, ele faz com que a pessoa que seja atacada confunda seus movimentos, e quando ele quer caminhar tenta mover as pernas e move os braços, tenta falar e solta um pum, - todos riram, - é mais ou menos assim, e para desfazer qualquer feitiço de nível básico é só apontar a varinha para a pessoa afetada e dizer, desfazchi, - todos repetiram novamente, - bem então vamos lá, preciso de três alunos, é Lipinho, Fagner e Tracy, venham. - eles se dirigiram para próximo do professor Cortez, - bem Lipinho você vai confundir os movimentos de Fagner, e... Tracy, você vai desfazer o feitiço, ok, - todos concordaram, - então vamos.
Fagner começou a tremer e então Lipinho se aproximou e ergueu em sua mão uma varinha.
- Abiciamm.
Fagner começou a agir estranhamente, baixando as mãos e tentando pegar algo com os pés pro alto, onde estava sentado de barriga no chão, parecia uma aranha pisoteada se contorcendo.
- Muito bem Lipinho, Tracy, vamos lá, sua vez.
Tracy se aproximou e apontou uma varinha cor-de-rosa para Fagner.
- Desfazchi.
O garoto voltou ao normal.
- Muito bem Tracy, e muito bem Fagner.
Os dias se passavam melhores do que nunca, as aulas de Elvys evoluíram bastante, ele estava aprendendo feitiços irados. Só não tinha conseguido ainda namorar com Tracy, sempre que aparecia uma oportunidade eles eram interrompidos por Emillia. Shanaelton já tinha três dias que dizia estar correndo atrás de uma menina do segundo ano que achara sua evolução em Clarividência Natural o máximo, ele até dizia que estava começando a gostar da garota.
Já o Paulo, se afundava toda noite em livros que tomara emprestado da biblioteca. Gastava todo seu tempo livre em leitura, e quase não dava bola para os amigos.
Elvys andava muito contente, ultimamente tinha praticado muito em magia defensiva, achava que uma de suas maiores evoluções era deixar Emillia imobilizada na aula de Magia Defensiva, o que trouxe muita fúria para ela.
E finalmente o mês de abril sumia em dias de sol quente e noites muito frias. Elvys e seus amigos sempre se juntavam ao final da noite para conversarem, mas Paulo só estava em seu livro enfiado até o nariz, ele já tinha dito para o castelo inteiro que anteontem conseguiu ler o livro de Magia Adicional, que tinha mais de mil e quinhentas páginas, e que agora estava lendo Um Vingativo Feiticeiro.
