-- CAPÍTULO 8 --
TRYLYAN E AS VASSOURAS
Quando o sino da escola tocou, era hora de tomar café da manhã, todos já desciam famintos, especulando a mesa inteira, à procura de algo melhor para comer, e na entrada do saguão que ficava antes do salão de entrada havia um mural muito grande com letras destacadas "PRIMEIRO DE MAIO, DIA DAS VASSOURAS". Realmente todos ficaram curiosos com aquele anuncio nunca nenhum de nós tínhamos ouvido falar em vassouras por aqui.
Elvys particularmente estava faminto, depois de uma longa noite fria. E lá fora o sol estava começando a aparecer, aquecendo a alegria e harmonia do castelo. Todos se sentaram em seus lugares e quando já estavam acomodados lá na frente havia um homem de vestes como uma capa com um capuz, que mal estava dando para ver seu rosto.
- Bom dia a todos os alunos, - falou Arcano Arkeyro tomando a frente do palco, - Hoje, como todos puderam notar, é o dia das vassouras, por isso só hoje vocês começarão a ter aula de vôo, as aulas de vôo de cada ano será de acordo com o horário de vocês, pois as aulas entrarão após a aula de Aritmancia, espero que todos gostem.
Ele saiu pela parte de trás do salão, e todos começaram a comentar. Elvys se sentiu muito alegre, ele iria voar de vassoura, iria ser a primeira vez.
- Mal, posso esperar para voar em uma vassoura, e você Elvys, - falou Tracy sorrindo para ele.
- Nem imagino.
- Tracy eu realmente não vejo porque você gosta tanto desse garoto, pra mim ele não passa de um moleque qualquer, - falou Emillia que parecia ser atacada por dois macacos famintos, toda descabelada, ela tinha os cabelos longos e volumosos.
- Ora, veja lá como fala do meu... Do meu... Ora não fale assim com ele, Emillia. - Falou Tracy que olhava para o rosto de Elvys a cada pausa de sua fala.
- Deixa Tracy, não se preocupe, eu não me importo. - falou Elvys num tom carinhoso.
Eles deixaram o salão principal para a torre de Aritmancia, e no caminho Elvys aproveitou que Tracy estava distante para fazer um comentário com Paulo e Shanaelton.
- Meninos, será que a Tracy acha mesmo que estamos namorando?
- Ah, Elvys, - começou Shanaelton, - ela só acha que você ama ela e ela sabe que ama você, e pensa que isso é um namoro.
- Mas não é, não pode ser, como pode haver um namoro sem um beijo, - falou Elvys frustrado.
- Fale com ela cara, é o melhor que tem a fazer, - falou Paulo que lia seu livro e nem dera atenção a Elvys e Shanaelton.
- Ta, - Falou Elvys que não parecia preocupado.
Depois da aula de Aritmancia eles seguiram pelas escadas, e foram para o gramado da escola, onde havia uma espécie de campo de futebol americano. E Elvys não sabia direito que espécie de jogo seria aquele, mas teve certeza de que tinha que concordar com Shanaelton que seria fabuloso um jogo de alguma coisa envolvida com vassouras.
- Bem vindos, bem vindos, - falou o Professor Trylyan, que estava à frente deles com um ar de preocupado.
- O que o senhor tem Professor, - perguntou Lipinho.
- Ah, nada garoto, só estou contando a turma, para ver se temos vassouras suficientes. Mas ainda bem que temos sim. Alunos abram um largo corredor entre vocês para que eu convoque as vassouras. - a turma se dividiu ao meio formando um corredor onde o professor Trylyan passou para verificar se estava tudo certo, ele foi para o final do corredor e colocou uma das mãos na cintura e com a outra levantou uma fina varinha, e fez com que sua voz ecoasse.
- Accio quarenta e uma vassouras.
De cima do castelo, onde havia uma espécie de muro com algumas elevações em formas de colunas miúdas, começaram a voar pelo ar várias vassouras em direção até onde eles estavam. E muito rápido elas já estavam no chão diante de todos.
- Muito bem, cada um de vocês venha à frente e peguem uma vassoura, ah, - ele falou elevando a voz, - não adianta tentar escolher, todas têm a mesma velocidade, controladas e encantadas.
Os alunos começaram a pegar as vassouras e voltarem para seus lugares.
- Muito bem, agora vamos começar de dez em dez, eu quero dez alunos aqui na minha frente, - Elvys e Tracy foram os primeiros a se apresentarem, - muito bem, agora quero que montem em suas vassouras e segurem firme no cabo delas, e prestem bem atenção nestas instruções, pois são fundamentais para evitar uma queda horrível. Primeiro não balancem para nenhum dos lados, fiquem na postura ereta, segundo, só inclinem o corpo para frente quando for para descer, terceiro, para subir em sua vassoura vocês devem puxar o cabo dela para cima, fazendo empinar a ponta da vassoura, o mesmo farão para subir mais pés de altura, e por último, para ir pros lados é só empurrar o cabo da vassoura para o lado que querem ir. Muito bem agora subam, lembrem-se de que o freio é só afastarem a cabeça pra trás. - ele falou fazendo o movimento com a cabeça. - Vamos lá subam.
Os alunos começaram a subir em direções diferentes, Elvys começou a inclinar o corpo fazendo com que seus pés se soltassem do chão, podia ver Tracy a alguns metros dali, viu também dois alunos tendo um encontrão e caindo no chão, era como se fosse o momento mais feliz da vida de Elvys, era o seu primeiro vôo na vassoura.
Momentos depois Elvys viu que estava se afastando demais, e fazendo manobras ele voltou a sobrevoar o local que estavam o resto dos alunos.
- Muito bem, agora vocês oito, desçam para liberar o céu para os outros, acabou o tempo de vocês, - falou o professor Trylyan batendo palmas chamando atenção.
Elvys e os demais se inclinaram até alcançarem o chão, Elvys se sentia muito feliz que não podia se conter.
- Foi demais, professor, - falou Elvys que agora segurava sua vassoura firmemente no chão, - nunca tinha feito nada tão bom assim na vida.
- Que bom que gostou senhor Elvys, agora seja um bom menino e vá guardar sua vassoura no sótão das vassouras do quinto piso, Luiz leve Rogério é Pâmela para o salão hospitalar.
Elvys voltou para seu quarto, ainda contente com o seu primeiro vôo na vassoura, e neste entusiasmo nem notou o que havia em cima de sua cama, apenas alguns minutos depois de olhar bastante o céu imaginando o vôo, viu sobre sua cama um Dominik cansado e dormindo com uma carta pendurada a um barbante que estava amarrado em sua perna.
- Dominik, você está aqui, deve ter trago a carta da mamãe, - falou o garoto pegando o rato e colocando nas mãos preparando para desamarrar a carta para ler.
Para meu querido filho Elvys
Elvys, você como sempre, escondendo detalhes importantes de sua vida para nós não é? Filho, seja realista, Ramos esteve aqui e nos contou tudo que esteve acontecendo por ai, e sabemos que agora é que está tudo bem, olha seu pai e eu iremos para o Tocantins, passar alguns dias por lá, lembre-se de lavar bem o rosto antes de dormir, estamos com muita saudades, mande-nos cartas assim que puder, que sempre mandarei outra por dominik.
Até a próxima, te amo.
Helena.
Isto completou a felicidade de Elvys que agora sentia que iria explodir de alegria. Após alguns minutos Paulo e Shanaelton também entraram no dormitório e comemoraram junto com Elvys, a esplendida aula de vôos, eles só não saberiam quando seria a próxima, que segundo o professor Trylyan tinha dito só próximo aos jogos.
Elvys participou do almoço mais contente do que nunca, e assim também das aulas da tarde, e quando chegou a noite, todos no salão habitual conversavam alegremente, e o assunto da conversa era uma só, o vôo, todos estavam admirados, principalmente os do primeiro ano que, geralmente, nunca voaram em uma vassoura.
- O tempo se passa rápido quando a conversa está boa, mas eu tenho que ir pessoal, - falava Paulo segurando um livro entre os braços cruzados.
E assim que todos foram se deitar Elvys foi ao banheiro, e quando voltou encontrou Tracy do lado de fora pronta para entrar no banheiro feminino.
- Oi, Elvys, - falou envergonhada.
- Er... Oi Tracy, - falou tentando contrariar, - Er... Tracy eu precisava conversar com você.
- Só um momento viu, estou apertada, - falou Tracy apontando para o banheiro, e entrou.
Alguns segundo depois ela saiu e Elvys já estava sentado em uma das poltronas e Tracy se afundou na mais próxima.
- Elvys, eu sei por que quer conversar comigo, eu sei que te devo uma explicação, - Elvys não estava entendendo, - Sei que se nós estivéssemos mesmo namorando, já teríamos nos encontrados, você sabe, e realmente, - Tracy começou a chorar, - eu não estou pronta, recebi uma carta de meus pais ontem e minha mãe está bastante doente, e eu não iria conseguir namorar alguém com minha mãe neste estado, e então eu pensei que se você pudesse esperar um pouco.
- Tudo bem Tracy, eu chamei você para conversar por que os outros andam falando da gente, dizem que nós estamos namorando, mas que na verdade não estamos você sabe.
- Eu... Sei, - falou soluçando.
- Olha não precisa chorar, sua mãe vai ficar melhor acredite, - ele começou a abraçá-la, - se você precisar de mim eu estou disponível pro que eu puder fazer.
- Obrigada, Elvys, você é a pessoa mais legal que eu conheço.
