-- CAPÍTULO 11 --

FÉRIAS NO SALÃO HABITUAL

Toda noite o pessoal se reunia para praticar os feitiços, e Elvys se desempenhava mais e ensinava os outros, ele nem imaginaria o quanto Tracy evoluiu.

Era um dia de terça-feira, faltava apenas esta semana para as férias, e os conselheiros davam o máximo de si, e neste dia teriam uma última reunião antes das férias. A noite chegou e logo após o jantar eles se reuniram no salão habitual para a última reunião.

- Olha, Arcano me pediu para que passasse algumas instruções para vocês, e me entregou essas meias pulsantes, vocês terão de usá-las durante as férias, pois qualquer coisa que acontecer, ou que irá acontecer, que seja importante para o conselho, elas o avisarão, apertando o pé de vocês. E ele me pediu para tomarem cuidados, pois C.A. está em fúria, e lembrem-se qualquer sinal de perigo peguem à varinha, toquem na meia e falem "avisolly", assim eu também saberei de qualquer coisa que acontecer.

- Elvys você não vai para as férias, - perguntou Tracy indignada.

- Não, meus pais vão viajar para o Tocantins, e além do mais ficar aqui será bom para eu refletir.

- Que pena, eu acho que vai ser um pouco ruim aqui sozinho.

- Sozinho nada, meus pais também vão viajar, pra casa da minha avó, e eu vou ficar aqui e fazer companhia pro Elvys, - falou Lipinho decidido.

O final de semana foi de muito calmo, e agora tudo era mais calmo, nenhum sinal de C.A., até os portões da escola estavam abertos, mas "agora temos feitiços de proteção no castelo" como falava Nan com a boca cheia.

Logo um domingo chegou frio e de um ar úmido, era o dia da partida dos que iriam para as férias, a manhã no salão principal foi de muitas despedidas.

- Ah, mais é só duas semanas, eu logo estarei aqui, - Elvys ouvia as pessoas conversando.

Elvys pensou que isso iria demorar, mas quando menos imaginou Tracy veio para dar um tchau, e Elvys sabia que o que ela mais queria era ficar e fazer companhia para ele também.

- Breve estarei aqui de volta, amigo, - Elvys pôde perceber que ela falara não decididamente e em seu rosto notara-se a expressão de que para ela, ele não era só um amigo.

- Tomara que sim, - falou ele abraçando-a fortemente.

Quando os demais se abraçavam no salão, Elvys prosseguiu até Paulo, que segurava uma corrente entre os dedos, fazendo-a rodar entre ele, parecendo decepcionado com algo.

- Sim, como é triste ficar longe dos amigos, - falava ele desinteressado.

- Não faça caso... – falou Elvys com desprezo, mas mudando de expressão logo em seguida, - e dá um abraço forte aqui no seu amigão de todas as horas.

Paulo sorriu e abraçou Elvys. A saída de todos foi acompanhada, como sempre, por Warrior. Elvys sentiu seu coração despedaçar ao ver o olhar tristonho de Tracy, ao lhe dar tchau. E ao longo do percurso de saída de Volta Quadrada, Tracy dava olhares para trás para ver se ainda era possível ter alguma visão de Elvys, que estava parado ao lado de um grande portal do saguão de entrada do castelo.

Elvys deixou que uma pequena lágrima corresse pelo rosto, mas limpou-a no instante.

Os dias pareciam mais intensos, e Elvys apenas deitava-se em sua cama o fim da tarde inteira, apenas esperando o jantar, que agora era servido na cozinha do castelo. O sino não mais badalava na manhã, mas para que serviria, nem aula não tinha mais.

Muita tristeza rolava pelos corredores dos dormitórios. Elvys sentia uma pequena infelicidade brotar dentro de si, apenas havia uma esperança em sua mente, que por sinal estava deitada na cama ao lado roncando, Lipinho.

Depois do jantar era só voltar para cima novamente, e... Adivinha... Dormir. Pela manhã era até um pouco animado, Elvys e Lipinho iam para a beira do rio, pescar ou apenas banhar e se divertir um pouco, pra compensar a mera tristeza que viva no castelo.

E nos pés de Elvys, uma meia suja nunca era lavada, pra tomar banho, Elvys a tirava, tomava um banho rápido e a colocava de volta. A velha meia de comunicação entre os conselheiros funcionava que era uma beleza, mas nesta ocasião ela não estava sendo usada, pelo menos a alegria tomava Elvys, de saber que Tracy... Quer dizer, os conselheiros estavam bem.

E sentiu a semana mais demorada de sua vida ir embora. Adormeceu na noite de domingo, onde fazia uma semana da saída dos conselheiros, e de Tracy. Tracy com certeza era conselheira, mas Elvys quando falara dela tratava ela de uma forma especial, como se ela fosse mais importante, toda vez que se referia dos conselheiros ele falava "os conselheiro e Tracy", e Lipinho, que já parecia enjoado, sempre com uma expressão de desaprovação.

Elvys nem conseguia dormir, a noite toda pensava em Tracy e em seus pais, e é claro, nos conselheiros. Só conseguia dormir depois das três da manhã, e mal dormira já era tempo de acordar.

- Elvys, - falava a voz de besouro de Lipinho, - Elvys, você têm uma surpresa, adivinha quem está aqui.

Elvys sentiu seu coração bater mais forte, ele achava que fosse Tracy, ou outro dos conselheiros que resolvera voltar antes. Mas na porta do dormitório apareceu uma mulher, que pela claridade obscurecida ainda não dava pra ver sua face, mas ao se aproximar, Elvys deu um "uau" de alegria, sua mãe tinha vindo visitá-lo.

- Mãe, - ele correu para abraçá-la, - que bom ver a senhora.

- É sempre bom matar a saudade de você meu filho, - a mãe de Elvys o abraçara tão forte que ele sentira seus olhos querendo saltar, - mas antes tenha bons modos, - ela falou se afastando dele voltando alguns passos com se quisesse voltar a fita e corrigir um erro, começando novamente, - vamos.

Elvys ficou com um pouco de duvida, mas logo soube o que tinha de fazer, se aproximou de sua mãe, estendeu a mão e falou, - benção mamãe.

- Deus te abençoe, - falou Helena, deixando Elvys levar sua mão até a boca beijando-as, e em seguida Helena levou a mão do garoto fazendo o mesmo gesto e depois deu um beijo na testa do menino, - e como você está?

- Bem mãe, um pouco triste é claro, e se não fosse o Lipinho aqui estaria uma tristeza só.

- A senhora não sabe o trabalhão que esse garoto tem dado, - falou Lipinho encostando-se no portal do dormitório, - to brincando, Elvys é o máximo, ele está nos ajudando bastante pra se preparar contra...

Houve uma pausa em que Elvys olhou desaprovando para Lipinho e sua mãe o olhou com um ar de pena.

- Não precisa se preocupar, Elvys, eu já disse a você pra não guardar segredo comigo e seu pai, nós já sabemos do Conselho Habitual, e decidimos que é o melhor que você, e seus amigos podem fazer.

- Obrigado, mãe, eu não sei o que seria sem o seu apoio.

- Olha filho, infelizmente eu já tenho que ir, só passei pra te dar um beijo, estávamos na casa de sua tia em São Paulo, queríamos tanto te levar pra passar o resto das férias conosco, mas Arcano disse que estaríamos correndo ainda mais perigo, aqui aqueles troços lá fora, equélicos, eu não sei exatamente como aquilo se chama, mas sei que está aqui para dar proteção.

- Eu sei mãe, tudo vai acabar bem, acredite.

- Tomara meu filho, - falou Helena em um breve abraço com Elvys, - tomara.

E finalmente o sábado chegou frio e com muita névoa, Elvys sentia o mês de Julho chegando ao fim, e sempre que podia olhava pela janela, não era pra ver algum sinal de C.A., mas pra ver se algum dos amigos ou Tracy estava chegando, por que desde quinta-feira chegavam alunos, do fim das férias.

Quando foi umas duas horas da tarde, Elvys já cansado de olhar pela janela, preparando-se para a refeição da tarde, viu além das grandes árvores de eucalipto que formavam o caminho até o castelo, onde passava tranquilamente Emillia, carregando uma mala de viajem que arrastava pelo chão.

Elvys desceu as escadarias e foi ao saguão para ver se ainda encontrava Emillia, perguntar pela Tracy.

- Emillia, você...

- Sem comentário, - falou Emillia num tom arrogante, - não quero falar com você, aliás, não quero falar com ninguém.

E assim saiu sem dar razão a Elvys, que por um minuto pensou em ir atrás dela, mas resolveu ir ao outro lado, se dirigindo ao jardim do castelo, lembrando o dia em que ele e Tracy sonharam o mesmo sonho, que estavam naquele jardim, e passou pela cabeça de Elvys, o quanto sonhos tem significados na vida, o sonho dele tinha o significado que o amor dele pela Tracy era verdadeiro, mas quase impossível.

Elvys sentou-se a beira de umas plantas em um gramado, e aos poucos foi se deitando, e olhando para cima viu vários pássaros voando em direção ao norte, ele imaginou o momento lindo que seria estar com Tracy Anne, e logo viu que era impossível, ele imaginava que ela estava lá com ele, Elvys agora sabia que a amava mais do que nunca, agora ainda mais por causa da solidão que tinha passado nas férias.

Elvys tinha certeza que o coração dele apertava ao ver Tracy, pra ele o dia só tinha valor quando ele a via, ele podia sofrer o dia inteiro, mas se visse ela no fim da noite, ele tinha ganhado o dia.

E nestes pensamentos Elvys retornou ao castelo, e com o ar deprimido, entrou em seu dormitório meio triste, e repentinamente sentiu uma mão afundar em sua cabeça.

- E ai, cara, como foram às férias, - Paulo falava como se tivesse passado um ano sem ver Elvys.

- Que bom ver você, as minhas férias foram ruins na verdade, e um pouco boas, e as suas, - Elvys perguntou entusiasmado.

- Nem imagine, - começou Paulo.

- O que aconteceu?

- C.A. não está pela redondeza do castelo, mas esteve atacando comunidades bruxas em várias partes do país, ele foi visto no Palácio Bruxo do Rio de Janeiro.

- E onde fica isso?

- Fica na crosta do estado, perto de Angra dos Reis.

- E o que aconteceu?

- Ele começou a matar dezenas de bruxos, fez furação e até fez as ondas do mar subirem quinze metros.

- E como você sabe, - perguntou Elvys espantado.

- Passou na TV WIZ, o canal dos bruxos. Os esquisitos dizem ser fenômenos da natureza, mas sabemos que não podem chegar a esse ponto. Ele ameaçou atacar A VILLA, que fica logo depois do castelo, disse que só não ataca o castelo de Volta Quadrada, por que ele tem uma ligação com...

- Ele disse isso?

- Sim, Elvys, e... Agora todos estão sabendo que você é a ligação com C.A., e sabem que você esta aqui no castelo, e ainda sabem que C.A. quer pegar você.

- Estou abismado.

- Mas me conta sobre suas férias como foi?