-- CAPÍTULO 12 --
A EVOLUÇÃO DO C.H.
Elvys ficou a noite todo pensando sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro, e sobre o que disseram na TV WIZ, ele tinha certeza que quando todos retornassem das férias, amanhã, ele seria motivo de muita conversa, muita curiosidade.
Logo amanheceu, e Paulo já estava de pé e vestido.
- Cara, eu to tão faminto que to vendo vários pedaços de bifes voando.
- Tomara que não me ataque, - falou Shanaelton que estava colocando suas malas debaixo da cama e Elvys ainda não tinha visto ele.
- Shanaelton, - falou Elvys ao ver o amigo, - quando chegou aqui?
- Agora a pouco, junto com Tracy e Daniela, - falou ele sorrindo ao pronunciar o nome de Daniela, - Ah, e Tracy disse que está louca pra te ver.
- Quem é Daniela, - perguntava Elvys curioso.
- Imagina, é a garota do segundo ano que ele ta tentando pegar, - falava Paulo debochando, - vai lá vê a sua véi.
Elvys puxou a coberta tão bruscamente que ela voou pela parede e retornou para cima da cama que era encostada na parede, se levantou e foi pro guarda-roupas pra se vestir, e tirando a camisa do pijama falou entusiasmado.
- Você está falando sério, - ele se vestia rápido como se estivesse atrasado para alguma coisa.
- Se eu estou falando sério? Desde que encontrei com ela no aeroporto de Imperatriz que ela fala que esta morrendo de saudades.
Elvys nem esperou mais, desceu até o salão habitual e foi ao banheiro, e quando saiu teve a impressão de que Tracy estaria esperando ele na porta do banheiro, saiu do banheiro dramaticamente, como se Tracy realmente estivesse do lado de fora. Mas ela não estava, e Elvys desceu para salão habitual e avistou o lugar em que ele se senta e na frente daquele lugar estava uma, muito sorridente, Tracy, que se levantou, e Elvys foi correndo em direção a ela, e se aproximando os dois tiveram um forte abraço.
- Você não imagina o quanto eu estava com saudades, - Tracy falava em seu forte abraço, - eu ficava toda noite pensando em você.
- Eu também estava com muita saudade, - terminou Elvys.
Os dois se largaram do abraço e Tracy olhou profundo nos olhos de Elvys, inclinou o rosto pra frente, o que pareceu a Elvys que ela iria beijá-lo, e quando eles iam se beijando, Paulo que estava a alguns metros rosnou.
- Hum, Hum, - fez Paulo querendo chamar atenção de Elvys e Tracy, - será que os dois pombinhos, poderiam conversar em outro lugar?
- Ah, desculpe, - falou Tracy Anne remotamente, - acho melhor tomarmos o café da manhã. Tive uma viagem ruim, e além do mais a comida do avião não era das melhores, quero dizer, já fizeram comidas muito melhores.
- E é bom quer você reclame Tracy, - falou Ramos por trás de Tracy num tom tão assustado que ela deu um pulo do banco que ela estava.
- Ramos, - falou Tracy quase gritando de felicidades, - é tão bom ver você.
- Obrigado senhorita Anne, - falou Ramos segurando a mão de Tracy e olhando para Elvys repentinamente, - e Elvys, como foi à visita de sua mãe, estive com ela naquele dia, estava mostrando partes do jardim da escola, ela até levou alguns Agrinuss Rimpeiros para plantar em sua casa.
- Foi ótima, e Ramos, como foram as suas férias?
- Ah, meu jovem eu não tive férias, estava cuidando de Ações Sigilosas de Arcano, fui a Rio de Janeiro resolver alguns assuntos, mas não foram férias.
Neste momento passou pela cabeça de Elvys que Rio de Janeiro significava o Palácio Bruxo, e Elvys também sabia que Ramos tinha ouvido falar dos noticiários.
Todos os alunos subiram para o salão habitual, e Elvys assentou-se na velha poltrona e logo em seguida se reuniram os conselheiros.
- Olha Elvys, eu não queria ser chato, - começou Shanaelton como se não quisesse falar o que estava prestes a falar, - mas eu acho que todos nós vimos a TV WIZ, e sabemos o que C.A. fez, e agora, mais do que nunca, toda comunidade fala seu nome, e sabe que você tem um tipo de ligação com C.A.
- Er, eu sei.
- Mas você não tem culpa de nada, - falou Tracy que estava com o cotovelo apoiado no braço da poltrona de Elvys, sentada no chão, - além do mais, C.A. se tornou ainda mais preocupante depois do ataque ao Palácio, às pessoas não vão perder seus tempos falando de Elvys do que se preocupar com C.A.
- O que eu mais fico indignado, - Elvys falava frustrado, - é que estas pessoas sabem o que eu deveria saber, e não sei.
- Elvys, minha mãe sabe, mas não me contou, ela tinha certeza de que eu contaria a você, - falou Paulo decepcionado, - mais o pior é que eu contaria mesmo, e ela iria ficar sem mim, vejo esta questão pelos dois lados, é boa e ruim esta decisão dela, boa por que me protege, e ruim porque não tem como eu contar pro meu melhor amigo.
- Não tem problema, eu entendo sua mãe, além do mais, quem iria querer perder um filho?
Todos os conselheiros já estavam ansiosos para a próxima reunião, que seria a primeira depois das férias, bem, foram feitas algumas reuniões, mas acerca de conversas, só eram consideradas "reuniões" quando havia treinamento, e logo cedo o professor o professor Trylyan falou com Elvys avisando que eles estavam dispensados da aula de Química e Porções com o professor André Guimarães, "eu pedi para ele que os liberassem para um treino comigo, hoje às três da tarde".
E assim que todos os alunos estavam na sala para aula de Aritmancia Elvys contou para todos do treino.
- Sejam bem-vindos de volta das férias, bem iremos iniciar as aulas de hoje, com o capítulo oitenta e dois, Grasheis e Aritmancia, como todos sabem, e acho que todos puderam perceber, os Grasheis que estão nestas gravuras, têm um seis desenhado com os pêlos bem próximo ao seu pescoço, isso com certeza significa alguma coisa, para começo de conversa isso é um caso natural dos Grasheis, mas nem todos nascem com esta marca, sim senhorita, - Salenz apontou para Tracy que estava com sua mão levantada.
- Professor, eles podem adquirir esta marca?
- Bem, esta é uma questão muito discutida por todos, na verdade tem bruxo que diz que sim, outros dizem que não, eu conheço um amigo que criava um, e quando o Grashei nasceu ele não tinha a marca, e quando ele já estava avançado na idade, poucos meses antes de morrer surgiu à marca, e alguns filósofos bruxos dizem que este número só dava em Grasheis que nascessem bruxos, mais eu discordo, o Grashei de meu amigo era bruxo de nascença e não tinha a marca, e até agora, não existe uma explicativa verdadeira sobre este número, exceto na Aritmancia, por isso abram seus livro de significado dos números e leiam o significado do número seis em marcas, cicatrizes ou pintas, quem gostaria de ler, - ninguém se dispôs, - pois bem eu mesmo escolherei, vejamos... Paulo leia para nós.
- Ah não professor eu prefiro...
- Por favor, senhor Paulo, - falou Salenz insistindo.
- Está bem, seis não é, - falou Paulo incredulamente, - SEIS: Número de significado aposto ao bem, indica muita aura, alegria no lar, paz, harmonia, comunhão e equilíbrio familiar, este número é muito usado para representar a paz em guerras de bruxos.
- Muito bem senhor Paulo, então, o que podemos ver para a Aritmancia estes Grasheis nascem com a marca quando a família que lhe adota vive em comunhão, paz, alegria, e o resto que o senhor Paulo acabou de citar.
- Professor, o seu amigo não vivia em paz, - perguntou Shanaelton.
- Na verdade ele vivia, mas a sua mãe não gostava dele, vivia empertigando sua vida, acho que por isso o pobre Grashei não nasceu com a marca.
- Mas a mãe de seu amigo, ainda é má?
- Não exatamente, afinal não sei como está sendo a sua relação com Deus, se é que ela foi pro céu, então quando ela se foi, faleceu, só então apareceu à marca no Grashei, mas cinco meses depois meu amigo veio a falecer também, e o pobre do Grashei sente sua falta, mas tenho notado que a marca não está desaparecendo. E outro caso é a família Carnston, a avó de senhorita Emillia, tinha um Grashei, não é verdade senhorita?
- Sim, é verdade, mas se o senhor não se incomoda eu prefiro não falar neste assunto, - falou Emillia frustrada.
- Desculpe, com certeza não vamos mais falar sobre isso, bem e agora, - falou o professor tentando mudar de assunto e tentando mudar os rostos curiosos que se retorciam a carteira de Emillia, - vamos fazer uma atividade relatando o comportamento de Grasheis assim como está revelado em seus livros, que é para ser feito agora, com o entendimento de cada um.
Logo chegou a tarde e a hora da reunião do conselho, onde todos saíram da aula de Clarividência Natural e seguiram para o escritório do professor Trylyan, onde o encontraram revirando alguns livros antigos.
- Boa tarde conselheiros, bem eu os chamei aqui hoje para ensinar-lhes uns feitiços bastante avançados, e proteções contra eles. Estes feitiços estão muito acima do nível de vocês, - falava o professor Trylyan enquanto os alunos tomavam lugares no escritório, - bem nosso treino será com morcegos, nós não iremos soltá-los de suas gaiolas, porque eles se alimentam de sangue.
- Professor mais por que o nosso treino será com morcegos hoje, - perguntou Elvys.
- Bem porque este feitiço, quando usado em qualquer ser humano, mata instantaneamente, - alguns abriram à boca, - e usando contra morcegos, ninguém será preso em Soccet Woods.
- Mas professor e como nós iremos aprender a bloquear este feitiço, - Shanaelton perguntava.
- Bem senhor Shanaelton, antes de tudo eu posso garantir que não usarei este feitiço em qualquer um que esteja aqui. Todos vão ler o jornal amanhã e descobrirão que foi com este feitiço que... C.A. matou um ferroviário que consertava uma ferrovia perto de Groolers.
- E como sabem que foi ele, - perguntou Emillia arrogantemente.
- Bem, cada bruxo tem uma varinha diferente, quer dizer, elas parecem iguais, mas possuem números de séries diferentes, e não sei se vocês se lembram, quando compraram suas varinhas a vendedora ou vendedor pediu o nome completo de vocês, - a turma concordou, - então o nome é agregado ao número de série, foi assim que descobriram que quem matou o tal homem foi C.A.
- Mas como se há sete anos atrás o ministério conseguiu capturar a varinha dele, - perguntava Emillia ainda mais arrogante.
- Exatamente senhorita, mas o número de série que é encontrado na testa das pessoas que morreram é o de madame Rúbia, e ela já morreu. Quando uma pessoa ou qualquer animal é morto por este feitiço que vou ensinar agora, é claro que existem outros feitiços que podem matar, mas vamos começar com este, quando mata aparece o número de série na testa da vítima, e toda vez que o atacante ou qualquer outro tentar violar o número gravado na testa da vítima ele aparece em outro local, assim quando os delegados do ministério vão fazer a perícia olham todo o corpo da vítima. Podemos começar então, - falou o professor contornando o silêncio, - eu quero que coloquem suas varinhas fora do alcance da mão de vocês, - os alunos começaram a jogar no chão as varinhas, - muito bem, agora quero que repitam comigo "sorcery killer", - a turma toda falou junta, - não, mais alto e pronunciante.
- Sorcery Killer, - ecoou por todo escritório com som de todas as vozes que estavam lá, e as varinhas no chão rolavam.
- Muito bem, vamos peguem suas varinhas, - se agacharam e pegaram as varinhas, - agora escolham suas gaiolas, muito bem, agora se posicionem em direção a elas, isso, agora eu pedir a cada um por vez que realize o feitiço. Tracy realize o seu, pronuncie com força e mantenha a varinha apontada para o morcego na gaiola.
Tracy suspirou por alguns segundo, apontou a varinha para o morcego na gaiola e falou com bastante clareza.
- Sorcery Killer, - um raio de luz prata saiu como um relâmpago em direção à gaiola e atingiu a parede fazendo um buraco.
- Não, não, precisa ter mais mira, mais mira, vamos novamente.
Tracy parecia estar com fúria, tremia o queixo e fechava os olhos, abrindo levantou a varinha e tentou mais uma vez.
- Sorcery Killer, - outro raio ainda mais forte saiu e atingiu o morcego que caiu no chão da gaiola, morto.
- Muito bem, parabéns senhorita Anne, Lipinho, - segui o professor Trylyan para o próximo.
- Sorcery Killer, - pronunciou Lipinho rapidamente, sem pensar sem se preparar, e um raio prata saiu da varinha e atingiu o morcego dentro da gaiola que também caiu morto.
- Muito bem já que todos conseguiram realizar com sucesso o feitiço, vão até a gaiola e peguem cada um, o morcego que matou, - os conselheiros caminharam em direção às gaiolas, - Reparem na parte superior próximo às orelhas destes mamíferos que existem números de dez algarismos, todos diferentes, estes são seus números de séries.
Elvys olhou para o número que estava ao lado da orelha do morcego onde se podia ler "2419537968".
- Como vocês não estão, ainda, bem preparados, o feitiço de vocês só mata animais leves, vocês precisam esforçar-se, aprender os movimentos e treinar mais, para que evoluam este feitiço.
A turma naquele momento ficou espantada, um pequeno sorriso surgiu na face de Shanaelton, que sabia que não tinha nenhum dom, para feitiços, e mesmo um tão avançado ele teria conseguido, e dentro de seu coração, nas maiores profundezas de sua mente, sabia ele que o empenho pela qual tivera era o incentivo de si próprio a evoluir.
E a evolução que Shanaelton e os demais conselheiros tiveram, foi graças ao professor Trylyan, que se empenhou decidido a ajudá-los.
- Bem agora que já sabem este feitiço e já praticaram, é meu dever informar que este feitiço pode levá-los a Soccet Woods, eles são considerados armas criminais, mas dependendo da circunstância é que os juízes decidem se a situação foi ou não foi um crime. Mas agora vocês irão aprender a bloquear este o Sorcery Killer, - a varinha que estava na mão do professor Trylyan disparou um raio prata contra o chão e fez um rombo de uns dez centímetros, os alunos se entreolharam assustados e o professor continuou - ainda bem que ninguém estava na mira, bem mais repitam comigo, sem as varinhas, - falou cautelosamente, - Protectayellows, - e todos os alunos falaram e Shanaelton pronunciou errado, - não Shanaelton, não é assim, e lembrem-se se um feitiço é pronunciado incorretamente não acontece nada, mas se você forçar a varinha ela disparará automaticamente o feitiço de localização, vamos repetir novamente, Protectayellows, - todos repetiram corretamente, - muito bem, agora... Lipinho, - Lipinho meio que assustado deu passos lentos até a frente, - venha não tenha medo, - ele se aproximou mais, - isso, aí esta bom, o feitiço que vou disparar contra você é o de fraqueza no corpo, Fraksas, - Lipinho enrugou a testa e tornou a olhar atentamente para o professor, - agora preste muita atenção, antes que eu pronuncie o feitiço você deve dizer o seu ok, - Lipinho apenas concordou com a cabeça, - Muito bem, prepare a varinha, um... Dois...
- Protectayellows, - falou Lipinho com a varinha apontada, e uma fumaça amarela saiu da ponta da varinha atingindo em cheio o professor Trylyan que caiu no chão violentamente largando sua varinha que voou a metros de distância.
- Tenha calma Lipinho, pelo menos eu ainda nem tinha pronunciado o meu feitiço, vamos tentar novamente, cadê minha varinha, ah está ali, - falou Trylyan caminhando em direção à varinha e apanhando-a voltou ao lugar, - preste atenção, no três, Um... Dois... Três... Frak...
- Protectayellows, - mais uma vez o professor Trylyan foi jogado para trás violentamente, e sua varinha atirada para longe.
- Bem como podem ver, eu não agüento mais estou todo quebrado, - Trylyan falou com as mãos nas costas, - como podem ver este feitiço serve para desarmar o adversário e proteger do feitiço, aiii, - colocava as mãos nas costas, - por hoje é só, podem ir.
- Vamos amanhã para o campo e treinar alguns feitiços, - sugeriu Shanaelton.
- Não, pode ser perigoso, e se C.A. aparecer por lá, - acrescentou Paulo.
- Bem pelo menos estamos preparados, - tornou Shanaelton.
- Não, é muito perigoso, não devemos correr este risco, seria muita idiotísse de nossa parte, mas podemos treinar no pátio dos canhões, - aplicou Elvys, pela primeira vez desde horas que não entrava na conversa.
- Bem então está certo, que horas iremos, - perguntou Tracy.
- Acho que as cinco, depois das aulas, - concluiu Paulo.
Todos concordaram.
