-- CAPÍTULO 14 --

A ATA DOS MISTÉRIOS

Os conselheiros se reuniram pela manhã, antes do café, para uma simples conversa, onde todos compareceram, exceto Emillia. "Ela disse que está um pouco cansada, quer dormir mais um pouco" falava Tracy com desaprovação ao assunto relacionado à amiga.

A conversa foi sobre uma reunião que aconteceria no pátio dos canhões novamente, e que seria num dia de sábado, pois não teria aulas e eles teriam mais tempo para os treinos.

Quando a conversa acabou, todos desceram as escadas de pedra polida, em direção ao salão principal para o café da manhã, e depois do café todos foram para a aula de química e porções, o professor André conseguiu notar que Emillia não tinha chegado à sala.

- Tracy, o que aconteceu á sua amiga, por que ela não veio à aula de hoje, - perguntava o professor André Guimarães bastante curioso.

- Ela disse hoje pela manhã que nem iria tomar café, iria dormir mais, teve muita insônia, e estava muito cansada, - Tracy pronunciava explícita.

Os alunos seguiram para a aula de Magia Defensiva, e o professor Cassius questionou com Tracy também a falta de Emillia na sala. Emillia não participava muito das aulas, basicamente ficava copiando das tarefas de Tracy.

Quando todos finalmente terminaram a primeira etapa do dia e seguiram pelos corredores e escadas para o salão principal para o almoço, Elvys sentou-se e viu uma Emillia abatida e, de fato, muito cansada.

- Emillia, todos os professores sentiram sua falta nas aulas, e você veio acordar agora a pouco, - Tracy passava o sermão na amiga.

- Tracy, por favor, eu tive uma noite péssima e não estou com um bom humor, e se vocês me derem licença, - ela falava virando-se para Elvys, - eu vou pro dormitório, acho que perdi o apetite.

- Emillia espere, - Tracy tentou contornar.

Emillia seguiu pelo grande saguão de entrada e alcançou as escadas para os salões habituais. Tracy ficou curiosa mais se conteve e deu lugar a fome e começou a comer.

- Hum, Hum, - Nan começou a chamar a atenção de todos, - quero passar um comunicado a todos, não haverá mais aulas para o segundo período de hoje, - alguns alunos se alegraram, - bem, depois do almoço, mais ou menos uma hora da tarde, iremos até o aeroporto receber o mago supremo, e eu espero de todos educação e respeito.

Os alunos continuaram a refeição, Elvys, Paulo e Shanaelton, quando terminaram subiram para os dormitórios, vestiram as vestes dos esquisitos, e só então desceram e se juntaram à grande multidão de alunos de Volta Quadrada.

Todos começaram a caminhar em direção à saída do castelo, passando pelo jardim, Elvys olhou de relance para Tracy Anne, e os dois se entreolharam e sorriram, lembrando do sonho que tiveram reciprocamente.

Continuaram o percurso pelo caminho que seguia após o portão/ponte através da mata, e caminhando Elvys sentiu uma mão encostar em seu ombro, era Shanaelton, e como ele era baixinho, tão diferente de Paulo que suas calças estavam batendo na canela, onde se podia ver as velhas e já furadas meias-pulsantes.

- To ansioso, - falava Shanaelton com euforia, - quero saber qual é o mistério da minha vida.

- Como assim? - Elvys perguntava curioso

- Você não sabe? – Elvys discordava, - é que o mago tem uma espécie de pergaminho, que diz o mistério de nossa vida, só colocamos o nosso nome.

- Incrível, - Elvys admirava-se.

- Eu estou com medo por você, Elvys, - falava Tracy que estava sempre atenta com a conversa, - e se o pergaminho relatar a relação sua com C.A., já que pergaminho não é vivo então não pode morrer o que acontecerá?

- Ah, pode ser que ele pegue fogo, - sugeriu Shanaelton.

- Bem, pode ser, - Tracy concordava, - mas e se não for, teremos que esperar, ou seria melhor não arriscar?

- Mas é obrigatório para todos do primeiro ano, - concluía Shanaelton, e ele e Tracy viraram-se e olharam Elvys assustadamente.

Os alunos foram chegando próximo do saguão do aeroporto, acompanhando os passos de Arcano Arkeyro, que sempre estava à frente de todos.

- Muito bem alunos, silencio todos, o avião do mago supremo deve chegar a qualquer instante, eu peço cordialidade e respeito com o mago, não quero bagunça e ninguém conversando.

De repente, no céu, um avião bastante desgasto, quase que caindo aos pedaços, começou a sobrevoar o local onde todos estavam. Este avião parecia ser feito de papelão de caixa, daqueles muito antigos, dava pra ver quem estivesse nele, ele não cobria as pessoas, e do alto, Elvys pôde observar um homem velho sentado atrás do piloto do avião, o homem tinha um barba branca, assim como os cabelos, um chapéu de ponta fina que se dobrava no alto.

O avião foi fazendo curvas até finalmente posar no aeroporto. Depois disso minutos se passaram, ate quando se ouviu das pessoas na frente, palmas, então todos estavam batendo palmas, Elvys não podia ver, mas tinha certeza que o mago já estava na frente.

Não dava pra ouvir nada, o mago devia estar falando algo para a turma, mas sua voz era extremamente baixa e no fundo não dava para se escutar nada. Só então de repente os alunos começaram a virar para trás em direção do castelo e caminhar, e Elvys, Tracy, Paulo e Shanaelton que estavam bem no fim da multidão eram agora os primeiros, conduzindo a turma ao castelo.

- Tracy, a Emillia continua cansada? – perguntava Paulo que ainda estava curioso com a garota.

- Mais ou menos, ela preferiu ficar deitada na cama, não sei o que ela fez pra ficar tão cansada assim, ela diz que teve insônia, mas como pode ficar cansada se estava deitada em sua cama e em repouso?

- É bastante estranho, eu acho que deve ser coisa de menina, - falava Shanaelton desprezivelmente.

- Você tem alguma coisa contra as coisas de meninas Shanaelton, - perguntava Tracy furiosa, com o olhar enraivado à Shanaelton, - tem algum preconceito, hein?

- Não, imagina, eu só quis dizer que na verdade ela deve estar... Como se diz... Naqueles tempos, sabe, - falava Shanaelton desconfiado.

- Na verdade não sei, pode ser que sim, ou pode ser que não, irei perguntar a ela mais tarde.

Os alunos continuaram a caminhada e começaram a passar pelo portão/ponte do castelo, entrando novamente no jardim, e seguindo pelo saguão de entrada do castelo, foram todos ao salão principal, sentaram-se em seus lugares e observaram o recebimento dos professores ao mago supremo.

O mago usava vestes escuras, um roxo forte, seu chapéu era como os de feiticeiros que Elvys sempre via na televisão dos esquisitos. Ele foi apertando a mão de cada um dos professores que estavam no palco, então Arcano segurou no braço do mago e trouxe na frente do palco e falou.

- Quero que todos recebam o mago supremo com um caloroso bem-vindo.

- Bem-vindo, - saiu da boca de todos no salão.

Arcano guiou o mago até a frente de todos.

- É com muito prazer que, novamente, estou aqui em Volta Quadrada, ano passado, quando estive aqui, não pude realizar o "LAM", então vou realizar este ano com os primeiros e segundanistas, acontecerá agora mesmo, eu peço a Arcano para fazer a organização.

O mago cedeu o lugar a Arcano que voltou a falar.

- Atenção, primeiro e segundo ano, formem uma fila...

- Arcano é melhor eles irem para o escritório do aprimoramento, - Nan sugeriu para Arcano, num tom de voz baixinho.

- Sim, vão para o escritório do aprimoramento, e formem duas filas, uma do primeiro e outra do segundo ano.

Os alunos do primeiro e segundo ano subiram para o escritório do aprimoramento, que se baseava em um salão grande e todo ornamentado, havia vários quadros de pessoas que Elvys não conhecia. O mago tomou a frente de todos, passando pelo meio das filas de alunos.

- Agora eu vou entrar no quarto do diálogo deste escritório e vou chamar um por um, começaremos com o primeiro ano, você menininha entre comigo, - falou para uma garotinha chamada Alice que estava na frente da fila do primeiro ano, e o mago entrando também pegou, de uma mala que havia sido traga por Nan, uma espécie de livro muito grande e carregou junto com ele.

E assim que Alice saiu o próximo da fila entrou no quarto, e foi até chegar a vez de Shanaelton, que estava na frente de Elvys, e atrás de Elvys estava Tracy, quando Shanaelton saiu do quarto, era a vez de Elvys, ele olhou para Tracy e fez cara de medo.

- Boa sorte, - falou Tracy com a mão no ombro de Elvys.

Elvys seguiu pelo salão e parou na frente do quarto do diálogo, imaginou estar prestes a entrar em uma sala de cirurgia, ou esperando algo de muito importante acontecer.

A passos lentos, consegui entrar na sala, escura e vazia, quase vazia, a sala era muito limpa, brilhava com a pouca claridade das fechas da parede com o telhado, havia uma única janela, no final do quarto, que dava pouca claridade, mas o bastante para Elvys poder avistar uma mesa com o livro que pegava de uma ponta a outra, e atrás da mesa estava o mago, sentado observando o garoto muito curiosamente.

O garoto se aproximou mais um pouco até alcançar a cadeira que o esperava, assentando-se escutou a porta atrás se abrir, e dela uma pessoa seguia rapidamente, a escuridão bloqueava a sua identidade, mas ao se aproximar, para o alívio de Elvys, Arcano chegou até Elvys.

- Er... Mago eu precisava conversar com o senhor, - ele rodeou a mesa com o grande livro e chegou onde o mago, - Er... Bem que, - ele abaixou e começou a cochichar no ouvido do mago, num tom de voz tão baixo que Elvys não conseguiu ouvir um "a".

- Arcano eu entendo a sua preocupação, mas devo dizer-lhe que o livro só mostra coisas misteriosas, sinistras, o Senhor Vieira não saberá de nenhuma ligação, não por minha parte, nem por parte de meu livro, pode ficar tranqüilo.

Arcano rodeou novamente a mesa e com um sorriso deu um tapinha no ombro de Elvys. Quando Arcano saiu e fechou a porta Elvys, que estava olhando para a porta, girou a cabeça e passou a olhar o mago, que sorria razoavelmente.

- Fique tranqüilo garoto, - falava o mago com um sorriso na boca, - agora quero que pegue esta pena, passe no tinteiro e escreva seu nome completo e corretamente.

Elvys excitou, teve um pouco de medo, pegou a pena, mergulhou a ponta no tinteiro e começou a escrever numa pauta larga do grande livro.

Elvys Ferreira Vieira

Elvys terminou de escrever, colocou a pena sob um espaço curto que restou da mesa e se encostou à cadeira, olhou atentamente para o nome que havia escrito, e repentinamente as folhas começaram a virar, sem nenhuma mão as fazendo, como se um vento estivesse passando pelo local, mas na verdade nem ventando estava, as folhas viravam rapidamente, até apararem numa folha, toda vazia, onde se via poucas linhas escritas, numa letra muito pequena.

- Bem, agora leia, - falou o mago, - leia só para si.

Elvys ergueu a cabeça sob o livro até alcançar a visão perfeita das palavras, e conseguiu ler o que estava escrito.

"Aquele que ninguém esperava, ninguém desconfiava de sua existência, e mesmo assim ninguém nunca ouviu falar que ele realmente existe, mas ele existe, muitos falam de uma ligação, mas poucos sabem qual é realmente a ligação, e aquele que ninguém sabe que ele existe tem os mesmos olhos, a mesma face, o mesmo corpo, mas não tem o mesmo gênio, mas têm uma inteligência superior, ele escondido estar, por mais de dezessete anos, ele nunca foi visto por ninguém, nem mesmo seus pais, exceto por seu criador."

Elvys releu a frase, e olhou para o mago, assustado.

- Agora vá e chame o próximo, e não pense muito em seu "LAM", mas conte a seus amigos.

- Mago o que é "LAM", - perguntava Elvys curioso.

- É a Leitura da Ata dos Mistérios.