-- CAPÍTULO 16 --
BECO-ESPORADA
Elvys corria o mais rápido que podia em direção a mata, juntamente com Paulo e Shanaelton, ao chegarem ao rio que rodeava a escola encontraram um pequeno barco que só cabiam duas pessoas.
- Vamos fazer assim, Paulo irá comigo na primeira viagem, eu voltarei para a margem e buscarei Shanaelton, - falou Elvys.
E assim foi feito, Elvys e Paulo entraram na pequena embarcação e remaram pelo rio para a outra margem, ao meio do rio alguma coisa fez o barco se mexer violentamente, e outra vez, até Elvys perceber que jacarés começaram a sacudir o pequeno barco.
A pequena embarcação já estava quase virando Paulo puxou do cós da jeans uma fina varinha marrom e apontou para os jacarés.
- Ouverdai.
Vários jacarés começaram a nadar para longe do barco, desesperadamente, Elvys olhou assuntado para Paulo e pegou o remo, chegando à outra margem do rio Paulo desceu do barco e Elvys voltou para buscar Shanaelton e os dois finalmente chegaram até onde Paulo para continuar a busca.
Os demais conselheiros e o professor Trylyan já estariam sabendo onde eles estavam. Elvys e seus amigos seguiram ainda correndo por um grande pasto cheio de matos. Chegando a uma cerca de arame farpado passaram rápido. Continuando a correr chegaram a um pequeno morro, mas bastante alto e inclinado, e para chegarem ao topo, precisavam segurar na grama. Ao chegar ao topo se depararam com uma grande floresta e havia uma espécie de poço bem na entrada onde havia uma outra cerca, desta vez de arame liso.
Elvys começou a correr e afundou o pé em um pequeno buraco, ao qual ele não viu.
- Ahr... Acho que torci o tornozelo, - falou ele quase chorando.
- Elvys, você parece que quebrou o pé, - Shanaelton falou ao puxar o amigo, vendo pé do garoto contorcido.
- Ta doendo muito, é quase insuportável, ai...
- Nestésia, - falou Paulo apontando a varinha para o pé de Elvys, - Elvys eu e Shanaelton vamos à vila, e dizer ao professor Trylyan, ele virá ajudá-lo.
- Tudo bem, vão à frente, encontrem o professor Trylyan, ele deve saber o que fazer com o meu pé.
- Elvys, você vai ficar bem, e se não puder continuar, nós salvaremos a Tracy por você.
- Acredite em mim Paulo... Até breve.
Eles continuaram a correr e Elvys se arrastou até a beira do poço. Esperou alguns minutos e ninguém apareceu, ele se deitou a beira do poço.
Alguns metros dali, os jovens conselheiros alcançaram à vila e encontraram o professor Trylyan.
- Onde está Elvys, - perguntou ele sem perca de tempo.
- Ele quebrou o pé, tivemos que vir sem ele buscar ajuda.
- Arcano irá ajudá-lo, - Ele pegou a fina varinha apontou na testa e falou, - Arcano Elvys quebrou o pé, ele esta...
- Perto do poço.
- Perto do poço, e nós teremos que continuar, vamos encontrar as chaves, e diga a Elvys onde deve ir.
- Chaves? Que chaves professor, - perguntou Paulo.
- C.A. tem um esconderijo secreto, chamado a caverna sombria, e para chegarmos lá serão necessárias dez chaves para abrir o portão da floresta.
Paulo em sua jornada encontrou três chaves próximas a uma casa na vila, a casa estava fechada, mas dava para se escutar a TV ligada, e a reportagem dizia o que estava acontecendo, aconselhando as pessoas para que não saíssem de suas casas, Shanaelton encontrou duas chaves em uma poça de lama. Eles continuaram caminhando por dentro da vila.
Onde Elvys estava, já dormindo, começou a sonhar.
Em seu sonho estava no mesmo lugar, próximo ao poço, e com ele Arcano Arkeyro. Ele estava olhando para Elvys deitado no chão.
- O que Paulo fez com seu pé, Elvys, apenas paralisou a dor, mas não consertou seu pé. E isto não é um sonho, acredite. Mostre seu pé.
Elvys levantou a perna da calça mostrando um tornozelo machucado e inchado.
- Emenda.
De repente Elvys acordou assustado, se levantou imediatamente olhando para todos os lados, bastante assustado. Olhou para seu pé totalmente curado.
- Não foi um sonho.
Passou pelo arame liso, e começou a correr pela floresta além do rio, e mal sabendo a direção da vila, a floresta começou a ficar escura, chegou a um beco de árvores onde na frente, a uns cinqüenta metros viu uma porta e um muro. Ele correu para alcançar a porta, e abelhas começaram a atacá-lo de todos os lados.
Ele balançava as mãos para impedir, se deitava, remexia-se, mas nada impedia as abelhas. Ele correu para trás até a árvore que dava inicio ao corredor, e avistou uma placa que dizia Beco-Esporada. Passou pela cabeça de Elvys usar o feitiço Ouverdai, e ligeiramente pôs a mão no bolso, para tirar sua varinha.
- Droga, esqueci minha varinha, - falou colocando a mão na testa toda empolada das abelhas, - como pude ser tão burro para esquecer de minha varinha, mas deve haver alguma forma, mas como, - de repente teve um idéia, - é claro um graveto.
Elvys começou a subir em uma árvore para encontrar um graveto fino que não tinha galhas. Ralou-se todo para conseguir, e depois de muito esforço desceu todo ardido, machucado e sujo, mas com um fino graveto na mão.
Elvys começou a andar lentamente em direção à porta quando começou a ser atacado pelas abelhas apontou o fino graveto para as abelhas.
- Ouverdai, - nada aconteceu, - ouverdai, - as abelhas conseguiram tirá-lo de sério, - Ai.
Ele voltou com a esperança acabada de poder atravessar o beco, voltou tristemente para o início do beco, todo empolado das abelhas, machucado, sangue escorria de sua testa, olhou para uma árvore e viu uma espécie de capa, repousada nas raízes.
Ele não pensou duas vezes, pegou a capa que além de ser cumprida dos pés a cabeça, tinha um capuz, ele a vestiu e pôde ver uma imagem distorcida do beco pela capa.
Elvys começou a correr em direção à porta, sentia as abelhas o atacarem, mas ele apenas sentia o golpe na capa que era um pouco grossa, e correndo ele tropeçou numa das várias raízes nômades que se moviam pelo beco, atravessando simultaneamente, e se movendo por ele.
Elvys levantou-se e continuou, até alcançar a porta, e, quando conseguiu girar a maçaneta entrou de repente, ainda escutando o barulho das abelhas esbarrando na porta, ficou alguns segundo abaixo da capa, quando ela começou a transparecer e sumir, deixando estrelinhas cintilantes no ar, que desapareciam transparentemente.
Girou os calcanhares e viu luzes de uma pequena vila, com várias casas mescladas em um pequeno terreno.
Já era noite, a visão escura de uma vila, habitada por povos recuados à paz de suas casas, fechadas. Elvys se aproximou para atravessar mais uma cerca de arame liso. Pôs os pés em um gramado similar ao do campo do castelo.
Continuou a andar pela escuridão das ruas de barros escuro da vila. Sem a sua varinha estava totalmente desprotegido. Continuou a andar pela rua e pisou em alguma coisa de metal, ferro ou alumínio, pelo barulho, eram cinco chaves juntas em um chaveiro, Elvys até pensou em deixá-las ali, mas pôs no bolso sem nenhum consentimento.
Elvys conseguiu avistar à sua frente uma imagem negra se aproximando, com a mão esticada, ele não pensou em nada, apenas em arranjar um modo de se defender do que poderia vir. Elvys correu em direção a um pequeno monte de madeiras que estavam no chão, pegou uma e levantou em direção à pessoa que se dirigia.
- Não Elvys, sou eu, - a imagem de Rodrigo veio se revelando ao caminho.
- Ainda bem que é você, - falou Elvys deixando cair a madeira no chão, - eu estava desprotegido, você teve sorte.
- Onde está sua varinha?
- Esqueci no castelo, - falou Elvys desanimado.
- Pois então a convoque.
- Mas como se não tenho uma varinha para fazer isso.
- Para convocar varinhas não necessita de outra, - falou Rodrigo.
Elvys não pensou duas vezes, ergueu a mão em direção ao castelo e falou.
- Accio Varinha.
Exatos três segundos de silencio se passaram, quando do alto voava uma fina varinha, que pela escuridão não dava para vê-la muito bem, mas foi se aproximando rapidamente até alcançar os dedos de Elvys.
- Ponto, agora estou preparado.
- Vamos logo, eles estão procurando as chaves da caverna sombria, faltam cinco.
- Será que não são estas, - falou Elvys estendendo no ar o chaveiro que havia encontrado.
- Exatamente, vamos, eles estão... Bem eles devem estar nos esperando em algum lugar próximo a caverna.
