Capítulo 02.
A televisão transfigurada.
Era mais uma daquelas noites inocentes e calorentas, por mais normal que as estrelas continuassem piscar normalmente no céu azul, o mundo não estava tão seguro quanto elas, ou talvez nem mesmo elas estivessem a salvo.
Luzes coloridas surgiam do menor quarto daquela casa, número 04, da rua dos Alfeneiros, era definitivamente um mistério para os vizinhos o que acontecia lá mas ninguém se atrevia a perguntar, para última das dúvidas, aquilo era apenas fogos de artifícios dentro do quarto de um garoto anormal que sempre vivera em St. Brutus Para Casos Irrecuperáveis.
Mal eles sabiam que dentro daquele quarto havia um garoto próximo dos dezessete anos, realizado dos mais diversos feitiços do mundo bruxo, sequer suspeitavam disso porque os seus tios trouxas nunca deixaram que isso transparecesse, já que tinham horror a qualquer objeto mágico ou derivação da palavra magia.
Harry, embora não tivesse 17 anos, estava praticando magia em seu quarto, das mais diversas delas, era apenas um treinamento para quando sua jornada fosse começar e sabia que dessa vez não passaria sem reencontrar Voldemort de uma vez por todas. Voldemort era o seu pior inimigo desde quando nascera, ele tinha acabado com a vida de seus pais, apenas Harry sobreviveu, e até então era perseguido por ele, torturando seus amigos e todos que estivessem ao seu redor. E precisava acabar com isso, nem que custasse a própria vida pela paz dos amigos. Já não era uma questão de arrepiar matar ou viver, era uma questão de necessidade.
- Expelliarmus! – desarmava seus adversários imaginários, acertando as paredes e elas acabavam ficando pretas.
- Você vai derrubar a nossa casa, moleque infernal! – gritou o tio Valter durante uma das primeiras noites, mas bastou para que Harry o fizesse vomitar lesmas, e não houve mais questionamento. Sua tia Petúnia não passara por despercebida, ganhara sobrancelhas muito espessas durante um dia desses, e mal conseguia cortar de tão grossas que estavam, tampando a sua visão. Duda mesmo que tivesse sido aconselhado pelos pais a não passar nem perto do quarto do "anormal" também não ficara sem o seu presente, tinha encompridado um pouquinho mais, só que agora não conseguia passar pela porta da cozinha e muito menos pela porta da sala, era algum tipo de feitiço que o impedia de sair da casa número 04.
Claro que diversas vezes tio Valter pensou em chamar a polícia, ou até mesmo abandonar a casa com medo dos riscos que a família estava correndo, mas não podia abandonar tudo simplesmente assim, Petúnia parecia temerosa sobre esse assunto, e dizia que os dias do garoto estavam contados na casa.
Agora como os feitiços não estavam rendendo centenas de pergaminhos de expulsão para o Ministério da Magia, nem mesmo Harry sabia, mas desde que Hogwarts fechara, sabia que se fosse expulso, não faria muita diferença. Hogwarts era a escola de magia cuja o garoto havia cursado durante os últimos seis longos anos com seus dois melhores amigos: Rony e Hermione.
Apesar dos diversos feitiços, Harry não se importara em receber a polícia três vezes por semana na casa dos Dursleys (chamada pelos vizinhos, obviamente), mas a vergonha era tanta, que o tio Valter parecia explodir a cada vez que a campainha tocava durante à noite. Petúnia chorava todas às manhãs por lamentar tanta humilhação e não cansava de repetir que abrigar Harry tinha sido a pior decisão de toda sua vida.
Já passava algum tempo desde que Harry tinha deixado a escola de magia para trás, lá deixando o seu coração junto, e isso doeu tanto quanto a morte do último diretor, Alvo Dumbledore, cujo tinha passado tanto tempo com Harry nos últimos meses que os dois praticamente tinham adotado um relacionamento de irmão para irmão.
Tinha chorado mesmo depois do velório do velho amigo, não se cansava de culpar e arremessar objetos contra a parede, sabendo que era loucura, mas estava farto de tudo aquilo, estava farto de todos pagarem pelo que Harry construíra, mas não deixou de se divertir ao saber que os Dursleys estavam se revezando para dormir no armário sob as escadas durante à noite, já que estavam com medo até de atravessarem o corredor para irem ao seus dormitórios (tendo que passar pelo quarto de Harry).
Era uma espécie de justiça, Harry sofrera tudo o que podia com os tios, e agora estava mais do que na hora de vê-los se dando mal, ou não partiria feliz (ao menos por partes).
Gina. Harry não a esquecera um minuto, e só de lembrar de uma certa ruivinha pulando em sua direção com os cabelos de cenoura pulando, já lhe dava um maldito aperto pelo peito, mas ao mesmo tempo era um aperto que o fortalecia, mal se agüentando para partir logo à jornada em busca das Horcruxes. Por enquanto decidira que não podia continuar namorando com Gina, caso Voldemort soubesse isso colocaria em risco o seu coração, e se isso realmente acontecesse, ele se entregaria de uma vez. Não suportaria sobreviver sem Gina Weasley. Não mesmo.
Mal podia esperar ficar com Gina, derrotar Voldemort, abraçá-la e beijá-la quantas vezes pudesse, sem medo de que alguma coisa acontecesse, enfim, estaria tudo terminado, Harry e Gina se casariam, teriam filhos e...
E esses pensamentos o chocavam fortemente, seu futuro era uma incógnita. Nunca teria certeza se sobreviveria ao bruxo mais temido do século, e aos seus dez comparsas. E caso isso acontecesse ileso, Harry poderia considerar-se uma das pessoas mais sortudas do mundo. Mas enquanto isso não acontecia...
- Dim Dom! – escutou o barulho vindo da porta. E não demorou mais de um segundo para escutar um barulho de porcelanas se quebrando na cozinha. E tia Petúnia às lágrimas foi atender a porta.
Harry abaixou a varinha para poder escutar melhor a conversa que vinha do hall, porém, uma voz melosa invadiu os seus ouvidos, e ele quase deixou-se cair de joelhos no carpete do quarto. E não era uma voz, eram duas. Sem sombras de dúvidas: Lupin e Hermione.
- Srta. Petúnia Dursley, será que poderíamos?
- Sinceramente... Não! – disse em alto e bom som.
- Mas, senhora, precisamos falar urgente com Harry! – disse Lupin calmamente e ainda educado, como se fosse adiantar.
- Nós... Nós viemos buscá-lo! – cortou uma voz que até agora não tinha se manifestado. Era a voz de Hermione.
- Ah! – exclamou a tia – Podem entrar desde que estejam limpos!
A porta fechou depois de um clique, e o tio Valter já estava na sala no meio da algazarra toda, falando sem parar algumas coisas desconexas. Harry achou que fosse a hora de aparecer e desceu correndo para a sala.
Ao parar em cima da escadaria, pode avistar os olhos de Hermione em sua direção, despreocupada da briga em que Valter, Petúnia e Lupin confrontavam verbalmente, e Harry sorriu ao ver que ela estava ali diante, sã e salva.
Saltou alguns degraus e eles trocaram um abraço bem aperto diante dos tios, Duda apenas olhava da cozinha com curiosidade, porém sua gordura não deixava com que mudasse de cômodo.
- Harry!
- Hermione!
Lupin estendeu a mão a Harry, ele apertou com força, feliz por vê-lo.
- Vocês vieram mesmo!
- Claro que vimos, você tem que participar estar presente nesse casamento!
Valter e Petúnia se entreolharam assustados.
- E-ele vai casar? – perguntaram apontando o dedo para o sobrinho.
- Er... Vou! – disse rapidamente antes que Lupin ou Hermione respondessem. E os dois prenderam a respiração.
Os tios deram um passo para trás.
- Q-quem se a-atreveria, moleque?
Hermione sorriu, e colocou o cabelo atrás da orelha.
- Desculpa, eu serei a Sra. Potter! – disse Hermione séria, mas Harry sabia que no íntimo ela estava se concentrando para não rir.
Os tios recuaram ainda mais assustados como se ela tivesse algum tipo de gripe contagiosa.
- Vocês nem ao menos tem 18 anos!
- No mundo dos bruxos não precisa, Sr. Dursley! – disse Lupin piscando discretamente para Harry, afinal, ele era um maroto.
Harry prendeu a respiração para não rir da brincadeira, Hermione percebeu e puxou o garoto pela manga.
- Vamos arrumar suas coisas!
- Ér? Vamos? – perguntou sem saber o que estava acontecendo. Ele iria embora dali?
Harry bateu a porta assim que passou, e Hermione explodiu em risadas tentando abafar a boca com as duas mãos.
- H-Harry! Eu quase que não agüentei!
Ele parou com as duas mãos no joelho e rindo, tomando fôlego.
- Foi muito boa essa, você foi uma boa atriz!
- Obrigada - disse ela olhando em sua volta e parando de rir – O que aconteceu exatamente aqui?
Harry encolheu os ombros sem jeito.
- É o quarto de um homem! Você terá que se acostumar...
- Ahm... É por isso que eu não vou casar nunca! – reclamou ela juntando os recortes de jornais espalhados por toda a escrivaninha.
- Nem com o Rony? – atreveu-se Harry tentando parecer divertido.
- Ora! Não! – ela acertou-lhe com os jornais na altura da cabeça – E... Harry, você anda lendo esses jornais?
Ele deixou os ombros caírem mais uma vez.
- Não se tem muito o que fazer por aqui!
Hermione concordou, amassou-os e os queimou.
- Tanta besteira... Scrimgeour dando entrevistas dizendo que você anda faltando um parafuso! Ridículo, tecnicamente, ridículo! Ele não deveria ficar se preocupando com essas besteiras! Ora, essa... – Hermione estava tão revoltada que suas mãos estavam brancas de tanto apertar a Firebolt.
- Ahm... Er... Respira Hermione! – brincou Harry rindo da amiga, ela ficou desconcertada e deu uma risadinha.
Eles começaram a dobrar as roupas com rapidez enquanto Hermione detalhava tudo o que estava acontecendo, ao menos, o pouco que sabia.
- Eu não fui para a Toca, eu fiquei em casa, curtindo os meus pais um pouco, sabe, nunca se pode saber se o fim está próximo...
- Nós vamos sobreviver a esse percurso! – disse Harry encorajando-a – Mas sinceramente, não quero que vocês se metam com isso. Você. E o Rony!
- Harry! – exclamou ofendida – Nós somos seus amigos! Nós queremos te ajudar!
Harry negou a cabeça limpando a gaiola de Edwiges.
- Se vocês forem, a Gina com certeza vai querer ir também, e...
- A Gina tem chorado bastante! – cortou Hermione – Não por isso! É mais pelo fato de vocês terem terminado. Ela não queria isso! E ela está tentando ser compreensiva, é sério!
Harry abaixou a cabeça, era difícil falar sobre isso, encarou seus sapatos com o estômago levemente embrulhado.
- Eu... Eu também não quero isso!
Hermione foi até o garoto, e apertou seus ombros.
- Eu garanto que vai dar tudo certo... Eu prometo! Vocês vão superar isso! Você vai ser muito feliz depois com essa garota.
Harry ergueu o pescoço e seus olhos encontraram com os marejados de Hermione, e dois se envolveram em um abraço forte.
- Obrigado por ser minha amiga! – agradeceu ele – Obrigado por tudo... Você sempre esteve lá quando eu precisei... Foi durante a busca da pedra Filosofal, da Câmara Secreta, do Salgueiro, das tarefas do Torneio, no Ministério da Magia, na busca do Príncipe... E, obrigado!
Ela estava passando as mãos nos olhos, mesmo abraçada com Harry.
- Harry, eu... Eu não sei o que dizer, isso tudo foi feito com prazer, eu sempre gostei de te ajudar! É para isso que servem os amigos!
E se separaram, ela começou a limpar as lágrimas com os dedos.
- Vamos, não podemos nos atrasar. Você vai levar a Firebolt? – perguntou a garota lançando um olhar em direção à vassoura apoiada na porta.
- Claro! – concordou animado – Pode chegar a ser útil, não?
Hermione apoiou e amarrou a vassoura ao malão de Harry, e ele o travou.
- Pega a Edwiges pra mim?
- Claro! – disse a garota indo até a gaiola e acariciando de leve a coruja branca que beliscou sua mão com delicadeza.
- Afinal de contas, para aonde estamos indo? – perguntou Harry por cima do ombro enquanto descia as escadas.
- Ah! Não te contei? Desculpa, Harry! Mas... Eu fiquei encarregada de levar você até a Toca, são e salvo! – e seu tom de voz mudou para um modo mais irônico – Portanto Sr. Potter, trate de me obedecer!
Harry arregalou os olhos.
- Por que eles dariam tamanha missão a você?
Hermione soltou um olhar de censura em tom de brincadeira, e fez bico também.
- Ora, Sr. Potter, cuidado, eu ainda posso mudar de lado!
Harry riu, lançando um último olhar ao quarto, à cama, ao guarda roupa. Mesmo que tivesse odiado passar grande parte de suas férias ali, sabia que nunca mais voltaria, nunca mais reveria esse cenário.
- E o Lupin, vai aonde? – questionou por cima do ombro, tentando não admitir que sentiria falta daquele quarto.
- Hm... Essa é a parte chata da história – ela disse fechando a porta do quarto assim que saíram e os gritos de tio Valter se destacaram – Como o seu aniversário é daqui algumas horas... Er... Provavelmente teremos que evacuar a casa!
- EU NÃO ACREDITO! DEPOIS DE TUDO O QUE NOS FIZERAM, TEREMOS AINDA QUE ABADONAR A NOSSA CASA COM TODOS OS NOSSOS PERTENCES? – ouviu-se tio Valter gritando lá debaixo.
Harry ergueu as sobrancelhas, com um sentimento pequeno de piedade no peito.
- Voldemort pretende invadir aqui? Certamente é muito tolo de pensar que eu ficaria aqui mesmo depois que completasse 17 anos, não é mesmo?
- Mas com toda certeza serão os comensais que farão esse serviço para ele!
Harry estudou a escada da casa.
- É estranho imaginar que dentro de duas horas a Belatriz pode estar passando por aqui!
Hermione apertou o ombro direito do amigo com bastante força em forma de consolo.
- Eu sei que é difícil para você, mesmo que você cada canto desse lugar tenha o seu ódio acompanhado... Mas chegou a hora, Harry, nós precisamos embarcar nessa jornada!
Harry concordou apenas com a cabeça e continuou descendo, deixando a garota para trás, aproximando ainda mais da cara vermelha de tio Valter e tia Petúnia.
- E o que faremos com Dudoquinha que nem ao menos passa pela porta?
- Lhe dirá entrar em uma lareira! – informou Harry ironicamente.
- Por que os senhores não vão logo arrumar suas malas? – ajudou Lupin – Depois a gente pensa no que fazer com o garoto! Não vamos abandoná-lo!
Eles concordaram e subiram as escadarias para fazer as malas, deixando os três sozinhos no hall.
- Vamos de lareira? – perguntou Harry curiosamente.
- Não com a dos Dursleys, porque obviamente o Scrimgeour deve estar de olho nela, até mesmo os Comensais, é muito arriscado!
- Como então?
- Ah! A Sra. Figg – respondeu Hermione – Ela é uma senhora muito simpática que gosta de gatos e mora aqui perto!
- Eu a conheço – informou Harry – E... Por que vocês não fizeram isso antes?
- Questão de segurança! – Lupin encaixou as duas mãos no bolso e ficou admirando os quadros da casa – Você sabe... Dumbledore faria absolutamente o que estamos fazendo agora!
O estômago de Harry deu uma guinada, e suas pernas amoleceram.
- Er... São quase dez horas! Vou ajudar o seu primo, Harry! – e Hermione partiu para a cozinha deixando os dois a sós.
- Eu sei que é difícil para você aceitar isso, Harry, mas você sempre pode contar com a gente! E desculpa mas... É meio difícil a gente controlar tudo isso sem o Dumbledore, mas a gente faz o possível, se é que você me entende.
Harry não respondeu, estava um pouco furioso no fundo. Durante toda as férias de verão tinha sido ignorado pelos amigos, recebia poucas cartas escritas em códigos mas não havia notícias interessantes, de modo que ele estava inteiramente fora de todos os assuntos sobre o que estava acontecendo no mundo bruxo.
- E como andam administrando a Ordem?
Lupin pigarreou com uma das mãos fechada sobre a boca, ouvindo os gritos de Hermione vindo da cozinha, mas não eram gritos de socorro, e sim que estava tentando ajudar Duda voltar ao normal.
- Primeiramente tivemos que eleger um novo administrador, no caso, a professora McGonagall! – e pigarreou novamente – E as nossas reuniões foram transferidas de lugar outra vez, por causa de Severo!
O estômago de Harry deu uma guinada ainda pior do que à vez anterior, ficou vermelho só de ouvir o nome do ex-professor, que por sinal, era um grande traidor.
- Ninguém acreditava em mim sobre Snape! – grunhiu fechando as duas mãos com força, sentindo um gato lutar às unhadas contra o seu estômago, de raiva.
- Se Dumbledore confiava nele, ninguém mais protestaria, Harry! – ele percebeu que Harry tinha virado o rosto, não queria encarar seus olhos por algum motivo – Todos nós tivemos nossas dúvidas sobre ele!
- Acho que agora é meio tarde para discutirmos sobre isso, não é? – resmungou ironicamente olhando as luzes nas casas próximas piscarem.
Lupin suspirou e permaneceu calado, respeitaria a decisão do garoto por estar sendo irritantemente mimado.
- Ótimo! Agora vou ver como estão saindo seus tios, precisamos sair em poucos minutos! – e partiu para as escadarias acima.
Assim que Lupin sumiu pelo corredor escuro do andar de cima, Harry achou que fosse melhor ver como Hermione estava se saindo com o seu primo, quando alguém tocou a campainha.
- DIM DOM!
Harry parou, um pouco assustado, diante da porta. Hermione apareceu às pressas, guardando a varinha no meio das vestes.
- Harry! Não! – gritou ela antes que o garoto avançasse para abrir a porta, de qualquer forma, pelo seu grito, havia denunciado a presença de alguém na casa. E Harry não teve outra opção a não ser arriscar, pelo menos, uma olhada pelo olho mágico da porta.
- Não, tudo bem, são os policiais! – avisou girando a maçaneta.
Hermione passou as costas da mão sobre a testa, retirando um pouco do suor que tinha adquirido ao salvar Duda que subia às escadas correndo, desesperado, ao mesmo tempo, aliviado.
- Boa noite, somos agentes policiais, e queremos saber o que, de fato, anda acontecendo na segunda janela da casa!
Harry meneou a cabeça e fazendo gestos com a mão de que não significava nada. Hermione empurrou o garoto para o lado, indicando que não precisava dar desculpas e que ela tinha tudo planejado.
- Ah! Desculpa, senhores, é que meu irmão anda meio atento, sabe... – e ela aumentou o tom de voz bruscamente – ELE ANDA ASSISTINDO TELEVISÃO NO QUARTO DO SEGUNDO ANDAR! NÃO É NADA DO QUE A SENHORA ESTÁ PENSANDO, DONA POLICIAL! NEM PRECISAVA TER VINDO ATÉ AQUI SE INCOMODAR! – era como se ela quisesse que alguém ouvisse...
"Óbvio!" pensou Harry "Ela estava fazendo isso para que Lupin ouvisse e conjurasse uma televisão em seu quarto".
- Teremos que investigar! – disse as duas mulheres saltando para os andares de cima sem mesmo pedir licença.
Harry e Hermione trocaram olhares assustados, sem saber o que fazer.
- Talvez seja melhor não fazer isso! – gritou Hermione – O nosso cachorro está solto!
As duas puxaram suas respectivas armas na mesma hora e tornaram a subir. Hermione aproximou de Harry e murmurou.
- Precisamos tirá-las urgentemente daqui, em menos de meia hora essa casa vai ser invadida por Comensais, Harry!
- Eu sei... Eu sei... Vamos! – e puxou Hermione pela manga em direção ao segundo andar da casa. Ouviram uma voz vinda do quarto.
- Ah! De fato, é realmente esquisito, essa televisão nunca esteve aqui antes! – falou uma delas no quarto – É a quinta vez que eu visito essa casa!
Harry gratificando Lupin de elogios em sua mente, ao adentrar no quarto tomou um susto tão grande quanto Hermione, ambos paralisaram diante da porta, sem saber o que dizer.
De fato a televisão estava lá, acompanhada por duas policias e uma terceira pessoa. Porém, essa terceira pessoa não era Lupin, tampouco alguém que Harry julgasse ser bruxo.
Era Tia Petúnia!
E os ponteiros se arrastando...
