Capítulo 03.

Alfeneiros aos ares.

- Tia... Tia... Petúnia... A... Senhora... Não... – Harry não tinha voz, gaguejava e seu queixo tremia, Hermione estava tão absorta em seus pensamentos quanto o garoto.

- Exatamente, eu estava assistindo televisão, algum problema? – perguntou às policiais agindo naturalmente, mesmo que a palidez em sua face denunciava que alguma coisa não estava certa.

Elas negaram com a cabeça, incrédulas. Sentindo que alguma coisa estava errada, e tentando decifrar o porquê dos garotos tão duros e vidrados à porta.

- Petúnia! – chamou Lupin surgindo no meio da multidão e deparando com as policiais – Ah, olá, noite! – acenou discretamente e a outra mão coçando a cabeça.

Nenhuma das duas respondeu, apenas continuaram virando o pescoço entre as diferentes faces do lugar.

- Vocês estão bem? – perguntou uma delas franzindo tanto a testa que parecia estar completamente cega tentando enxergar alguma coisa.

- Normal, por quê? – questionou Petúnia, mais branca ainda, mas não deixando transparecer qualquer dúvida de que ela havia transfigurado aquela televisão.

- Ora, deixa de bobagens! – intrometeu Lupin – Venham, garotos... Vamos descer, temos algo muito importante a fazer! – ele puxou os dois meninos para a fora que sussurravam pelas costas sobre o acontecimento.

Lupin prensou os dois contra a parede do hall e disse bem baixinho.

- Nós falaremos de Petúnia mais tarde, agora vão e não saiam de lá! Faltam vinte minutos para a meia noite!

Hermione prendeu o ar, sacudindo a cabeça.

- M-mas e você? E os Dursleys?

- Podem levar Duda com vocês, eu levo os pais do garoto assim que distrair aquelas duas!

- Podemos... Roubar o carro delas para chamar atenção! – disse Harry olhando pela janela por cima do ombro.

- Não estamos aqui para brincadeira, Harry! – grunhiu Lupin ficando vermelho de raiva e impaciência – Nós precisamos ir agora mesmo!

- Mas... Eu quero ajudar!

- Certo, ajude não atrapalhando! – Lupin soltou as mãos do colarinho dos dois e subiu as escadas, sumindo na escuridão, ambos nunca tinham visto Lupin tão zangado, com quem quer que seja.

Duda praticamente rolou do andar de cima, carregando, no mínimo, três malas em cada uma das mãos, e com algumas roupas presas fora das malas.

- Pronto, Duda? – perguntou Hermione puxando a varinha e pegando a gaiola da Edwiges.

- Nós vamos aparatar? – perguntou Harry franzindo o cenho, ainda não estava pronto para tanto.

- Não... Só vou fazer um campo magnético para ficarmos protegidos, pelo menos até a casa da Sra. Figg!

Harry assentiu e não disse mais nada, agarrou-se aos seus objetos com toda a força que podia enquanto Hermione executava com as mãos um feitiço muitíssimo poderoso, de modo que uma bola não tão invisível foi saindo de suas mãos, era uma mistura de amarelo com azul, e foi crescendo à medida que eles foram saindo pela porta da casa.

Já no jardim, ao lado do carro, a bola ficou tão grande que chegava a caber os três folgadamente, e começaram a andar depressa pelas ruas escuras, sem iluminação alguma, exceto pelo campo magnético criado por Hermione.

- Os vizinhos podem nos ver!

- Problema deles, a sua vida é mais importante agora, Harry! – disse enquanto atravessava o asfalto das ruas para aproximar da casa da idosa.

Eles atravessaram o gramado um tanto gasto da casa número 07, e chegaram até a porta, Hermione bateu os nós dos dedos com força.

- Sra. Figg, somos nós!

Um pedaço do cortinado afastou-se da janela por ajuda de uma mão, um rostinho fino apareceu por ele, e dois olhos bem atentos, sem sombra de dúvidas aquela pele branca e como se estivesse amarrotada, era de Arabella Figg.

- Respondam uma pergunta por favor... Qual foi o presente que você mais gostou em toda sua vida?

Hermione não deixou um segundo sequer de espaço para responder à pergunta, foi imediatamente a resposta.

- O presente de aniversário do ano retrasado, dado por Vítor Krum!

Harry olhou esquisitamente para a amiga, ela nunca deixara seus sentimentos tão expostos como vinha fazendo ultimamente.

- O que ele te deu? – perguntou Harry.

- Ah... Algumas coisas! – corou ela de leve, mas um barulho vindo da porta os interrompeu.

- Certamente que está correta, minha querida, pode entrar! – a Sra. Figg afastou a porta dos olhos deles e por trás dela apareceu, com alguns gatos ronronando aos seus pés – Sejam bem vindo os três, mesmo que o terceiro de vocês não mereça tanto!

Os três nem limparam os pés no tapete ao lado de fora, e já invadiram a casa da mulher, acompanhados pelos gatos que se reuniram em volta, prestes a atacá-los caso fizesse algum mal à dona.

Hermione sacudiu a varinha e o campo todo em volta sumiu, deixando os três livres e folgados.

- Aquilo que você acabou de fazer realmente protege?

- De alguns feitiços sim! – explicou Hermione guardando a varinha na cintura – E então, Sra. Figg, como andam as coisas?

- Bem, obrigada, e com vocês? Demoraram um bocado...

Duda afastou-se deles, indo apoiar-se até uma poltrona já que estava fatigado de tanto cansaço, nunca se exercitara tanto, e o medo que estava passando o deixava transtornado.

- Chegaram visitas na casa dos meus tios – detalhou Harry dando uma olhada pela sacada deparando com a escuridão das ruas, e algumas luzes ainda acesas na casa de número 04 – Parece que eles não estão tendo muito sucesso, não é?

Hermione espiou por cima do ombro e concordou com a cabeça.

- Só nos resta rezar para que Lupin venha a tempo!

A Sra. Figg segurava um terço nas mãos.

- Merlin está do nosso lado!

Enquanto Duda estava sentado no sofá preocupado, Harry e Hermione ficaram parados conversando com a Sra. Figg sobre tudo o que acontecera nos últimos minutos.

- Mas isso é tão óbvio, como você não sabe, Harry?

- Mas, Sra. Figg, ela sempre odiou magia, como ela...

- Não seja tolo, garoto! Odiar magia não significa que ela não seja bruxa!

Harry e Hermione arregalaram os olhos, estupefatos no lugar, Duda que também estava ouvindo a conversa, veio mancando na direção dos três.

- Calma aí, eu ouvi direito?

- Sim, seu saco de banhas! Sua mãe é uma bruxa formada em Hogwarts!

Ele pareceu perder o ritmo da respiração, e caiu sentado no chão, de olhos e boca abertos.

- Isso não é possível! – murmurou Harry pensativo – C-como pode?

A sra. Figg sacudiu a cabeça e respirou fundo para começar a história.

- A vida inteira dela foi dedicada a uma pessoa... Exclusivamente a uma pessoa, desde quando ela iniciou Hogwarts!

Harry fez uma careta, Hermione apenas sacudiu os ombros compreensiva.

- Desde que ela chegou em Hogwarts, apaixonou-se por alguém dois anos mais velho do que ela própria!

- Ahm... Não seria o meu pai, certo? – perguntou Harry meio abobado com tudo o que acontecera.

- Definitivamente, não! – respondeu tranqüilizando o garoto o mais depressa possível, assim Duda também pode respirar ainda mais aliviado – Porém, esse garoto era um tanto conhecido, assim como o seu pai!

- Er... Sirius? Sirius Black? – seu coração comprimiu de dor.

- Deixe-me terminar a história, menino atrevido! – ela sacudiu a cabeça retomando ar – Petúnia Evan Dursley foi apaixonada por ninguém menos que... Severo Snape!

Harry e Hermione petrificaram no lugar, atordoados, sem palavras. Já para Duda o nome de Severo Snape não parecia ser tão chocante, porém era, porque sempre imaginou que seus pais tinham se conhecido, vivido, casado, e sem interrupção de ninguém!

- C-como pode? – perguntou Hermione ligeiramente enjoada – Ele... Ele é perverso!

- Isso! – a Sra. Figg apontou o indicador bem em direção ao seu nariz – Por esse exato motivo que eles terminaram o namoro!

- C-como assim, terminaram o namoro? Eles chegaram a... – antes que Hermione terminasse a pergunta, ela tapou a própria boca com as duas mãos – Não pode ser!

A Sra. Figg concordou calmamente, como se a história que tivesse ouvido fosse algo naturalmente normal.

- Eles namoraram durante épocas até que com a ajuda de Tiago e Lílian, eles terminaram tudo, na véspera do casamento.

A boca de Hermione estava tão escancarada quanto a de Harry e Duda.

- Eles chegaram a ficar noivos?

- Muito bem observado, garotinha inteligente! E ela o deixou no altar.

- E... Por que meus pais impediram que eles se casassem?

- Lílian mostrou a Petúnia que Severo era um seguidor de Voldemort!

- E... Petúnia não sabia disso?

- Não! Ela era cega de amor!

- E como meu pai e minha mãe se casaram? – perguntou Duda agachado ao chão.

A Sra. Figg deu uma risadinha discreta.

- Lembro-me como se fosse ontem... Quando a poção Amortentia começou a ser usada... Valter se encantou imediatamente por Petúnia, e ela estava grávida em menos de uma semana!

Duda continuou indiferente sentado na parede.

- Isso quer dizer o que?

- Que ela usou a poção do amor! – explicou Harry meio zangado por cima do ombro, sem olhar diretamente para o primo.

Duda remexeu inquieto, ganhando um tom azulado na face.

- Valter, inteiramente trouxa, precisava de uma esposa bonita e dedicada para que cuidasse de sua casa, e já que ia ser nomeado um dos chefes de sua fábrica de brocas, precisava alguém assim, como Petúnia, portanto, foi tanto ponto positivo para o seu tio Valter, como para sua tia Petúnia que se livrou de Severo rapidamente! Digamos que no começo foi um casamento arranjado, para ambos!

- Snape nunca mais a procurou? – perguntou Hermione incrivelmente chocada.

- Digamos que sim, claro! Ele estava interessado em Petúnia de alguma forma, e a raptou semanas depois, mesmo grávida e ameaçou matá-la caso Tiago e Lílian não se entregassem!

- Mas...

- Petúnia quase perdeu o bebê, e desde então, passou a odiar qualquer coisa que se relacionasse à magia! Escondendo seus segredos de todos, inclusive de tio Valter! E felizmente, ou infelizmente, não sei, Duda, seu bebê, sobreviveu, e é por isso que se encontra nesse estado de obesidade! – e apontou para o garoto – Ela passou a tratá-lo como se fosse o maior tesouro de toda sua vida!

Harry e Hermione continuaram respirando fundo, sem saber o que dizer.

- Valter nunca soube dessa história? – perguntou Hermione sabendo que Harry não tinha coragem de levantar o olhar que estava na direção dos sapatos.

- Não! Mas acredite... Agora, ela o ama como ninguém!

- E como a senhora soube disso tudo?

- Alvo Dumbledore!

- Não é querendo ser grossa, mas... Por que ele confiaria um segredo tão grandioso à senhora?

A sra. Figg sorriu meio debilmente.

- Dumbledore contou algumas coisas a mim na véspera de sua morte!

- Por que ele faria isso? – perguntou Harry – Ele... Ele esteve ocupado o ano passado inteiro, viajando de Hogwarts, e tudo mais!

- E adivinha por onde ele andava? Diversas vezes veio me contar muitos segredos sobre você, Harry! Era como se ele tivesse previsto sua própria morte!

Harry arregalou os olhos, e seu coração começou a bater mais forte, Hermione sabia que devia fazer alguma coisa para parar a conversa ou tudo tomaria um rumo fora do normal, Duda estava em um canto simplesmente quieto demais para dizer qualquer outra coisa.

Hermione resolveu consultar o relógio no pulso.

- Harry, faltam dois minutos para meia noite!

Harry pareceu acordar de seus devaneios, ergueu o pescoço em direção à casa e viu, Lupin arrastando os dois para fora da casa.

- Eles estão saindo!

- Mas... E as policiais?

Lupin fez o mesmo campo magnético que Hermione, e passou os dois braços pelos ombros de Valter e Petúnia, começando a correr pelas ruas, abandonando a casa.

- Finalmente! – aliviou-se Duda tirando suor da testa, preocupado.

Eles carregavam o máximo de bagagem possível.

- Harry! Um minuto!

O trio chegou até a casa da Sra. Figg que abriu imediatamente sem fazer qualquer pergunta.

Tio Valter caiu sobre o tapete da Sra. Figg, Petúnia sentou em um dos gatos provocando um estardalhaço enorme de miado, além de ganhar alguns arranhões, Lupin fechou a porta com força e trancou com um feitiço.

- Dez segundos... – respirou aliviado caindo de joelhos no chão.

- E as mulheres, digo, as policiais...

Lupin negou com a cabeça.

- Eu fiz o que pode... Elas não acreditaram em mim!

Hermione olhou por cima do ombro.

- Três... Dois... Um!

Harry gritou o mais alto que podia, não por vontade, mas sim porque sentia sua cabeça rachar de dor, sua cicatriz estava em brasa, e seus dois joelhos estavam arrastando ao chão. Estava cego de dor.

- Har...! – ia gritando Hermione desesperada quando o chão tremeu levemente.

Seria um terremoto?

Inacreditavelmente, o chão começou a tremer, e houve um barulho de explosão que assustou a todos, milhares de pedras foram arremessadas com muita pressão para todos os lados, estraçalhando janelas de casas e carros, inclusive da Sra. Figg.

Hermione sentiu um vento de pedras atingir suas costas e jogou-se na direção de Harry para evitar que recebessem uma delas na cabeça, sentindo mesmo assim muitas outras acertando sua própria cabeça e costas. Cortinas de fumaças se estenderam do chão por alguns centímetros.

- Cof, cof! – tossia enquanto Harry ainda gritava de dor embaixo da garota.

Hermione ajoelhou-se para depois ficar de pé, e viu entre a fumaça, várias tochas de fogo e muita fumaça na direção da casa.

E a casa número 04, da Rua dos Alfeneiros, não estava mais lá!

N/A: Tosquices à parte... Hehehe, fim do capítulo 03!

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Vanii: Obrigadãooooooo por ter deixado uma reviews, fico muito feliz, nem sei como agradecer. Obrigado mesmo e volte sempre. Aí está a ação que você pediu. Beijos. Fui.