Capítulo 04.
O espelho.
A cortina de poeira que havia se levantando ainda estava zanzando pelos ares da casa, acompanhada de várias fuligens, e embaixo localizavam-se pedaços de tijolos e vidros espalhados por todo canto.
Hermione sentindo-se imunda de sujeira, apoiou as mãos no chão, recebendo alguns cortes apesar de que não pareciam fazer efeitos, ela estava muito preocupada com o seu parceiro ao lado, que gemia com as duas mãos na testa.
- Cof... Cof... Harry? Você está bem? – ela estava ajoelhada ao lado do garoto que ainda rodava no mesmo lugar, encolhido.
- Dói muito! – reclamou cobrindo uma cicatriz em sua testa, herança de Voldemort.
- Vai ficar tudo bem... Isso deve-se ao fato de que é o seu aniversário! E que agora você é maior de idade!
Hermione estendeu a mão e puxou Harry com toda a força que ainda tinha, fazendo o garoto ficar de pé.
- A dor está passando... – disse algum tempo depois – Perai, o que aconteceu com a casa dos meus tios Dursleys?
- Ah! – Hermione engoliu em seco dando uma última olhada no lugar em que não havia mais nada e acrescentou preocupada – Acho que os Comensais tinham programado tudo! E Harry, acho que vai demorar poucos minutos para que estejam aqui... Nós precisamos ir embora, agora!
Harry concordou e olhou ao seu redor vendo as pessoas caídas no chão.
- A minha casa! – gemeu Petúnia sendo ajudada por Hermione com um feitiço.
- O meu carro! – gritou tio Valter ainda mais vermelho do que nunca – Tudo por sua culpa!
Hermione lançou um olhar preocupado com a reação do tio.
- O senhor não tocará em Harry! – gritou Lupin apontando a varinha diretamente para a cara bigoduda de seu tio. Ele recuou no mesmo instante, menos contente ainda.
- Esse garoto apareceu para destruir as nossas vidas! – gritou Petúnia fora de si – Ele acabou com a nossa família!
Harry negou com a cabeça, ainda com uma sensação de raiva dominando-o.
- SABE DE UMA COISA? EU NÃO DEVERIA TER SALVADO VOCÊS! DEVIA TER DEIXADO QUE MORRESSEM LÁ!
Lupin olhou preocupado para Harry, ainda com a varinha apontada para tio Valter.
- Sra Dursley... Lembre-se da última! – Lupin disse sério olhando atentamente para Petúnia que ficou ainda mais horrorizada e só faltou cair no choro.
Harry e Hermione olharam misteriosamente para o ex-professor.
- Corram! Corram! Os dois! – berrou Lupin – Eu mandarei a Sra. Figg para o St. Mungus e cuidarei do resto!
Harry e Hermione apressaram para pegar seus pertences espalhados no meio das pedras, estava tudo uma perfeita bagunça, como se a própria casa da Sra. Figg tivesse explodido.
- Mas... Mas... – Harry ainda tinha dúvidas sobre a história de Petúnia, e não queria partir.
- V-vamos H-Harry! – gritou Hermione puxando o garoto pelo braço para dentro da lareira – Não há mais tempo!
Harry mal encaixou-se na lareira quando Hermione jogou o pó em sua direção gritando com muita clareza.
- A' TOCA!
Harry fechou os olhos e a boca o máximo que podia, não queria receber a sensação de cinzas invadindo seus orifícios.
A sensação não fora muito diferente da explosão que tinha acabado de vivenciar no momento anterior, foi arremessado com força contra o chão da Toca e sentiu seus pertences serem jogados também, raspando o óculos no chão e abrindo um corte na orelha até a sobrancelha.
- Harry, querido! – a voz da Sra. Weasley surgiu de não muito distante, e de repente duas mãos ergueram o rosto sangrento de Harry do chão – O que aconteceu com você, querido?
Rony estava ao seu lado, olhando assustado para o garoto, parecia ainda mais visto do chão, e Gui logo atrás, ambos com expressões preocupadas.
- Sra. Weasley! – exclamou com prazer dando um sorriso de leve – Cadê a Hermione?
E não teve nem tempo de responder, imediatamente houve um barulho ampliado de madeira creditando surgiu pelas suas costas, tudo indicando que Hermione acabara de chegar.
- Harry! – o barulho de dois ossos colidindo contra o chão deu a perceber que Hermione tinha se jogado de joelhos na direção do garoto – Você está bem?
- Vocês estão sujos! Por Merlin, o que vocês andaram aprontando? – perguntou a Sra. Weasley preocupada – Ronald, vá buscar o kit de primeiros socorros na despensa! Gui, ajude-me a levantar Harry do chão!
Gui terminou de virar Harry, passou seus braços pelo pescoço e pernas do garoto atirado ao chão, com gotas de sangues deslizando pelo seu rosto e deixando marcas pelo chão, levando-o até o sofá.
Hermione mais do que depressa pegou o óculos de Harry atirado ao chão, arrumou-os e correu até o garoto.
- Fica calmo, Harry, vai ficar tudo bem.
- Por Merlin, Hermione, você pode nos contar o que aconteceu? – ela estava exaltada.
Hermione que até agora estava sem dizer nada, engoliu em seco e respondeu.
- Foi só uma pequena explosão, Sra. Weasley... E acredito que Harry tenha perdido o controle na lareira!
- Céus, espero que não tenha sido grave! – desejou a mulher sentando nos sofá, ao lado das pernas de Harry, enquanto Rony corria na direção dela para entregar uma bolsinha branca com uma cruz vermelha de zíper.
Hermione mordeu o lábio lentamente, com os olhos iluminados por água, apertando o óculos de Harry nas mãos.
- Foi minha culpa, Sra. Weasley... E-eu demorei demais! E-eu... Não soube conduzir Harry... Eu deveria ter vindo pra cá imediatamente mas não... Eu fiquei conversando com a Sra. Figg... Esperando o professor Lupin, e...
Rony abraçou Hermione meio constrangido e fazendo de leve uma carícia no cocuruto de sua cabeça.
- Não se sinta culpada, querida! Garanto que fez o melhor que pode e eu reconheço isso! – acalmou a Sra. Weasley mesmo sentada passando algodão no rosto de Harry, limpando o corte – De verdade, querida, não se sinta culpada!
Hermione porém não parou de soluçar no ombro de Rony, com as duas mãos enfiadas no rosto.
- Minha primeira missão... E eu falho desse jeito! Eu... Eu sou tão estúpida!
- Ei... Você não é estúpida! – disse Rony com a voz baixa e fininha bem ao lado de seu ouvido – Vai ficar tudo bem, ele está aqui são e salvo, não está? Não era isso que importava!
- Talvez não inteiro, mas... Está vivo sim! – brincou Gui rindo, em seguida recebeu um olhar de reprovação de sua mãe.
Rony prometeu ajudar Hermione a levar as bagagens para cima, e ela foi limpando as lágrimas, na verdade, estavam em busca de privacidade, onde Rony poderia abraçá-la com mais calma.
Algum tempo depois, a Sra. Weasley já tinha colocando bandagens no rosto de Harry e encaixou seus olhos de vidro sabendo que mais tarde o garoto acordaria, seria bom descansar depois de tudo que tinha passado, e foi preparar um lanche a fim de que ele fosse acordar faminto.
- Oh, Deus-pai! Está tão mais pálido desde a última vez que eu o vi. Também, com toda a preocupação que o coitadinho carrega – murmurou para si mesma balançando a cabeça – É uma pena...
E tomou rumo para a cozinha enxugando as mãos em um pano branco que jogaria fora.
- H-Hermione? – gemeu ele algum tempo depois ronronando no sofá.
- Ele acordou, mamãe! – gritou Gui que esteve ali o tempo todo com um livro cobrindo o seu rosto – Eae, Harry, como está?
Ele sentou na mesma hora, piscando os olhos várias vezes para ver se estava enxergando direito.
- Bem, obrigado? – era uma pergunta, não um agradecimento. Ele estudou lentamente os móveis ao seu redor e tomou um susto quando sua respiração foi abafada por um abraço bem macio vindo da Sra. Weasley.
- Querido, feliz aniversário. E então, como está?
- Er... Bem, obrigado! – respondeu meio sufocado entendendo onde é que estava – Cadê a Hermione? E o Rony?
- Subiram para conversar melhor... Mas não se preocupe querido, ela está muito bem, agora venha, preparei algo que tenho certeza que você irá gostar, tem todos os tipos de nutrientes que você anda precisando e...
Harry saltou do sofá não escutando muito bem o que a Sra. Weasley estava falando, saltou alguns degraus acima chegando até o andar de cima da Toca, atravessou duas portas até chegar ao quarto de Rony, onde provavelmente os dois deviam estar e adentrou o quarto mesmo estando de porta aberta.
- Ah! Você está ai! – respirou aliviado ao ver Hermione usando outra roupa e com os cabelos molhados, estava intacta, e acariciava Edwiges sentada em sua perna, enquanto Rony estava atirado na cama, acariciando Pichi – Tudo bem com você?
Hermione ficou de pé e Edwiges voou para o parapeito da janela, magoada.
- Harry! Feliz aniversário! E que bom que você está bem! – ela abraçou o garoto com força – Sinto muito mesmo...
- Obrigado! E você... Está tudo bem mesmo?
Ela concordou afastando para Rony poder abraçá-lo.
- Então, cara? Parabéns, muitas felicidades! – parou para soltá-lo do abraço apertado - Que susto que você deu na gente... Mas está tudo jóia?
Harry concordou sorrindo para o amigo, e quando percebeu a animação de Rony, o seu coração deu uma batida mais forte em seu peito. Gina apareceria a qualquer momento.
- E... Como você está, Rony?
- Tirando meus ouvidos inchados de tanto ouvir sermão de Gui, acho que estou bem! – e mostrou os seus dentes.
- E a Gina? Cadê ela? – perguntou tentando não parecer interesseiro.
- Er... Na verdade ela não está aqui na Toca! – Rony falou tentando ser cuidadoso, dando os ombros e voltando a sentar na cama para acariciar Pichi que saltava animada pela cama – Ela está com papai no Largo Grimmauld!
- O que ela estaria fazendo lá? – perguntou curioso e preocupado.
Rony trocou um olhar apreensivo com Hermione, pelo visto ela já estava sabendo do que se passava.
- São vários motivos na verdade, ela quis aprender mais sobre a Ordem, inclusive, permitiram a entrada dela, de Neville e Luna! E, ela e o papai estão lá desde sexta passada!
Harry sentiu-se indiferente, de alguma forma. Era um absurdo que Gina não estivesse ali para recebê-lo, em pleno aniversário.
- E quando ela chega?
- Provavelmente ela virá hoje, assim que amanhecer! – informou Rony olhando no relógio.
Harry ruborizou, Hermione captou a mensagem que o moreno estava preste a ter um ataque de ciúme, levantou depressa do chão e cortou o assunto.
- São quase duas da manhã, vamos dormir!
- Não, não vamos dormir! Rony, por que Gina não me avisou que estava no Largo Grimmauld com Neville?
- A Luna também está lá! – acrescentou Hermione rapidamente – E eles todos são amigos!
Harry respirou fundo para não acabar xingando a sua melhor amiga, e recusou de ser tocado por ela.
- Me solta, eu não quero ir dormir agora! – resmungou zangado fazendo a garota se afastar, meio receosa – E então, Rony, por que ela não me avisou?
Rony franziu a testa.
- Qual é, Harry? Ela não está lá por causa dele, se é isso que você está insinuando!
- Isso não responde a minha questão! – respondeu entre os dentes.
- Harry! A Gina tem o direito de saber o que está acontecendo na Ordem, não tem? – interferiu Hermione calmamente – Ela tem todo o direito de dar assistência ao Neville e a Luna! Eles são amigos...
- A questão é que Neville é apaixonado por Gina, e todos nós sabemos disso!
Hermione franziu a testa, desviando os olhos para o teto, como se não soubesse de nada.
- Que história é essa dele gostar da minha irmã? – perguntou Rony vendo que Hermione estava escondendo alguma coisa – Desde quando...
- Desde quando Neville a convidou para o Baile de Inverno! – retrucou Harry nervoso – Desde sempre, Rony! Ou você acha que Neville no ano retrasado defendeu Gina das garras de Umbridge porque simplesmente tinham uma amizade colorida?
- Gina nunca me contou... – ia dizendo Rony ficando de pé.
- É óbvio que ela não contaria isso a você! É um segredo entre garotas! – defendeu Hermione – E se não se vocês não se importam, eu vou é dormir. Porque esse ataque de ciúme está sendo ridículo, Harry! Ridículo! – após terminar o sermão, Hermione virou as costas e deixou o quarto para trás.
Harry encarou Rony por mais alguns minutos, e quando o silêncio começou a se tornar incômodo, o moreno tomou iniciativa.
- Desculpa, Rony... Eu não quis insinuar nada!
- Tudo bem, entendo a sua preocupação... Mas acho melhor esfriar a cabeça e dormir! Boa noite! – disse apagando a luz com a varinha, e sumindo na escuridão.
Harry continuou parado por algum tempo, de pé, com os pensamentos rodando pela cabeça até se deitar morrendo de vergonha de voltar à sala e deparar com a Sra. Weasley oferecendo os sanduíches que prometera.
"- Você decididamente não deve se meter no nosso relacionamento, Harry! – gritou uma voz no fundo.
Harry virou-se lentamente e lá estava, Gina usando o vestido branco de casamento, e ao seu lado, todo engravatado, Neville Longbottom.
- Eu não tive culpa se você terminou comigo! Agora vou casar no lugar do Gui e da Fleur!
Neville deu os ombros como se a culpa não fosse dele.
- Ei, Neville! Você deveria estar no meu lugar! – berrou Harry sentindo os pulmões arderem em chama – Você deveria ter sido o Eleito!
- E-eu o que? – perguntou Neville incrédulo.
- Sim! Você deveria estar no meu lugar... Com uma cicatriz ridícula na testa, e não eu! Eu deveria estar com Gina, ouviu? Com Gina!
- Não se preocupe, Harry... Você ainda pode casar com o Draco!
- Mas... Cadê... Ah! Ela está ali! – disse vendo o Rony e a Hermione, McClagan e Luna, de mãos dadas – Nãooo!"
- Puff! – resmungou ao se desequilibrar e quase cair da cama, por sorte foi mais rápido e agarrou no colchão como se fosse um gato.
"Isso já é obsessão!" murmurou uma voz chata em sua cabeça.
Notou que sua boca estava seca, e tentou passar a língua para umedecer os lábios, mas estava tão seca quanto às demais partes da boca.
Desceu para a cozinha, pé ante pé, decidido a tomar um gole de água e não fazer barulho algum, porém, o mínimo de barulho que fez ao descer a escada foi o suficiente para Bichento posicionar em sua frente, com os pelos eriçados.
- Sai Bichento. Xô! – tentou espantar o gato com as mãos.
- Harry? – disse uma voz.
E ele notou que do outro lado da sala, estava Hermione sentada entre as almofadas jogadas no chão, sendo aquecida por uma lareira com uma pequena chama, e parar variar, um livro jazia entre suas pernas.
- O que você está fazendo acordado em uma hora dessas?
- E-eu só estava com sede! – disse cochichando, passando o estômago pela barriga lembrando que não havia comido nada durante as últimas várias horas.
Hermione sorriu muito forçado em resposta, e ele pode ver o sorriso cheio de dentes brancos da garota na lareira, com algumas partes do rosto com sombras formadas pelas curvas do rosto.
Harry revirou os olhos para Bichento que grunhia em seus pés como se fosse atacá-lo, e como Harry não queria chutar o animal, deu meia volta e foi na direção dos armários pegar um copo e enchê-lo de água, passando pela mesa com alguns sanduíches enrolados por guardanapo, sentiu uma pontada de remorso ao lembrar que a Sra. Weasley o tratava como filho. Pediria desculpas assim que amanhecesse, e decidiu que não devia recusar aqueles deliciosos pães recheados com hambúrgueres. E puxando o prato com o copo de água, foi se juntar à Hermione ao tapete.
- Er... Desculpa por hoje!
Ela sacudiu os ombros, como se não desse importância, e distraidamente continuou a observar o livro.
- Imagina... Eu não me importo – disse num tom de voz que se importava sim.
- Olha, é sério... Eu confio em Gina, e...
Hermione revirou os olhos.
- Será que você poderia num instante não falar sobre isso? É que é meio enjoativo, desculpa, Harry! Mas é verdade... Eu sei que você passou um mês trancado com aqueles seus tios decididamente abomináveis, mas... Eu não mereço, de fato, ficar ouvindo suas lamentações por Gina estar com Neville!
Harry concordou com a cabeça, aborrecido com a amiga.
- É sério... Eu... Eu estou passando por problemas! – comentou angelicalmente, ela.
Um outro sentimento de culpa dominou Harry. Ele era do tipo de amigo que sempre procurava ajuda quando precisava, mas alguma vez ele tinha oferecido apoio a Hermione?
- Ah! Desculpa... Mas, você quer desabafar? – o garoto perguntou a amiga.
Ela sacudiu a cabeça desviando o olhar para as páginas do livro.
- Não, obrigada. Isso é coisa minha, eu realmente não sinto à vontade para falar sobre isso tão já!
Harry apenas concordou com a cabeça.
- Não, tudo bem, quando quiser me procurar, estarei sempre disponível, você sabe. Somos amigos. Você é como uma irmã pra mim!
Ela deu novamente aquele sorriso que as pessoas costumavam dar em velório para dizer que estava tudo bem.
- Obrigada, Harry! – e voltou a atenção para o livro.
Um silêncio incômodo passou por eles na sala, como um vento e pairou, deixando o ambiente desagradável.
- Ahm... Harry... Não me leve a mal, mas você pretende contar a Gina sobre a profecia?
Harry mordeu o lábio com força, pensativo enquanto limpava as mãos após terminar de comer o pão e beber toda a água.
- Juro que não sei, Hermione, não tinha pensado sobre isso!
Hermione continuou a concordar com a cabeça, virando as páginas do livro, interessada somente nas figuras.
- Já temos muitos problemas, não precisamos de mais um! – simplesmente, explicou.
- Ah! Desculpa ser honesta demais com você, Harry, mas acho que isso não é uma justificativa convincente, juro mesmo. Eu, se fosse a sua namorada, adoraria saber tudo sobre você, inclusive os seus maiores segredos, seja eles coloridos ou temerosos, e não te perdoaria se escondesse alguém coisa de mim.
Harry engoliu em seco.
- Mas você sabe tudo sobre mim, tudo mesmo!
Ela fechou o livro, concordando, e finalmente olhando na direção dos seus olhos.
- Eu disse, caso eu fosse sua namorada... E como não sou, você tem a livre opção de me contar o que quiser, você sabe disso, não sabe?
Ele fez que sim com a cabeça, e olhou para os sapatos com o coração meio apertado.
- Claro que eu sei, e é por isso que eu confio minha vida plenamente em você, você também sabe muito bem disso. Mas eu prefiro que Gina não saiba, ok? Vai ser melhor para nós dois, é uma questão de sofrer menos...
Hermione deu os ombros e ela começou acariciar Bichento que havia acabado de roçar em seu joelho.
- Tudo bem, não está aqui quem falou... Mas não se esqueça que...
- Hermione! Eu sei que os seus conselhos são os melhores do mundo, mas você realmente não entende o que é passar o que eu estou passando com a Gina, é complicado, difícil e diferente mas eu não quero estragar isso! Porque estou vivendo s melhores dias da minha vida com ela. Entendeu?! E por não querer estragar isso que eu vou ocultar esse segredo dela! Você só vai entender isso quando gostar de alguém de verdade... – ele levantou-se meio chateado, depositou o prato e o copo na mesa, sem dizer mais nada e subiu correndo para os andares acima.
Hermione apenas mordeu o lábio, ofendida, engoliu o choro enquanto passava uma das mãos pelos pêlos macios de Bichento e murmurou para si mesma.
- Claro que eu entendo, Harry...
Harry acordou no dia seguinte com uma sensação de que o mundo estava acabando, primeiro, tinha ignorado completamente a Sra. Weasley e Gui no andar debaixo assim que chegou da casa dos Dursleys (por um segundo se divertiu ao imaginar a tia Petúnia horrorizada com a sujeira da casa), logo em seguida, praticamente teve uma crise de ciúmes por causa de Gina, Rony acabou se ofendendo, e quase discutiram feio. Como se não bastasse, encontrou Hermione na sala, e fez questão de sentar com a amiga afim de ter uma conversa agradável, porém saiu tudo exatamente ao contrário, acabou indo dormir zangado com a amiga e praticamente ofendera-a.
Mas uma coisa o animava, em outros pensamentos até o amedontrava, já que era o seu décimo sétimo aniversário, e felizmente, tinha sobrevivido até ali, com direito a alguns sacrifícios mas estava são e salvo, com maiores direitos aos créditos, que eram os seus pais.
Ao trocar de roupa, sentiu uma leve dor na cabeça, na direção da cicatriz, como ela havia doido muito na noite anterior, ele não estranhou que estivesse ainda dando algumas fisgadas de dor, até porque tinha melhorado muito, já que achou que fosse morrer de dor.
Vestiu algumas roupas leves e soltas, preparando um discurso para justificar o que tinha acontecido na noite anterior, mesmo sabendo que a Sra. Weasley nem ia se importar se dissesse uma mentira deslavada como se ele estivesse querendo observar um cometa no céu, visto do quarto do Rony, que passaria exatamente aquele horário, em todo caso, achou convincente dizer que estava preocupadíssimo com os amigos, porque tivera pesadelos com eles durante o desmaio, e foi ver se eles realmente estavam bem.
- Tudo bem, meu anjo, não se preocupe! Agora sente-se, e aprecie os pães que eu fiz esta manhã, especialmente a você!
Harry quase se matou de tanta vergonha, mesmo depois do que fizera, ela ainda o tratava como se fosse seu filho, e tirou do forno pães bem inchados particularmente gostosos, e uma aparência divina, mal podia esperar para prová-lo.
- Rony queria roubar alguns pedaços, mas eu não deixei!
Ele compreendeu o porquê havia alguns pães sem a massa fofa por dentro.
- Cadê o Rony ou a Hermione, já acordaram?
A Sra. Weasley que tinha voltado a lavar as louças, enquanto Harry estava partindo o bolo, disse que eles tinham ido a uma cidade próxima buscar alguns enfeites do casamento de Gui, que tinham ido de carro é claro, e que voltariam logo.
Após se alimentar de diversos pães, o garoto subiu ao quarto para colocar roupas melhores já que sabia que as visitas chegariam brevemente (incluindo Gina, em especial), e ao revirar o malão, notou que alguma coisa estava errada...
- Ei! – disse puxando o espelho que Sirius o presenteara há alguns anos, logo após o seu falecimento. Era o espelho de comunicação, como ousava chamar. Estava rachado!
- Oh, não... – comentou tristemente ao lembrar do baque que o malão tinha enfrentado na noite passada com a viagem do pó de flu – Reparo! – enfeitiçou o espelho, e ele magicamente voltou a ser como era antes, a ter uma superfície lisa.
- Ham? Quem está aí? Harry? – ouviu-se uma voz vinda da direção do espelho.
Harry quase jogou o espelho na parede de susto, mas acabou caindo sentado na cama, ainda com o objeto, seguro, nas mãos.
- Lupin? – perguntou curiosamente vendo a imagem do professor aparecer, os cabelos caindo em sua direção.
- Deixe-me ajeitar! – disse Lupin parecendo pagar o espelho com as mãos e erguer na direção do rosto – E então, feliz aniversário! Como estão as coisas?
Harry sacudiu a cabeça de um lado a outro com o coração ainda palpitando. Por um segundo achara que pudesse ter sido Sirius.
- Er... As coisas estão normais. Eae, como está?
- Tirando o fato de sua tia Petúnia ter enlouquecido por dormir em um quarto empoeirado e ter berrado tanto quanto à Sra. Black, está tudo bem! Ah! O Asafugaz parece não gostar muito do seu primo, tivemos que dar alguns pontos na altura dos ombros dele, foi bicado, sabe...
Harry não deixou de rir ao saber do tipo de tortura que os tios estavam passando no Largo Grimmauld.
- E tio Valter?
- Ele acha um absurdo fotos e quadros mexerem, tendo algumas brigas aos berros com a Sra. Black, mas isso não vem ao caso!
- A Sra. Figg, ficará bem?
- Ainda está internada!
- E... Gina? – Harry estava pensando em perguntar dela desde o começo, mas não tivera coragem o suficiente ao saber que tipo de resposta receberia.
- Gina acordou faz pouco tempo, mas ela já saiu com a Luna e o Neville!
Harry perdeu a vontade de conversar com o amigo, sacudiu os ombros.
- Tudo bem! Mas... O que é que você está fazendo no quarto de Sirius? Quer dizer... Deduzo que aí seja o quarto dele!
Lupin deu uma olhada por cima dos ombros.
- O quarto de Sirius é um lugar interessante, Harry! Muitas recordações! – Lupin engoliu em seco e seu olhar ficou um pouco triste.
- Recordações? Er... Isso inclui meus pais?
- Na verdade estou procurando uma coisa... – houve um barulho de gritos no fundo, e Lupin mais uma vez olhou por cima do ombro - Desculpa, Harry! Depois a gente termina nossa conversa, o seu primo deve estar sendo bicado novamente! Estou ouvindo os gritos daqui, até mais! – Lupin pareceu virar a face do espelho em direção à cama, pois imediatamente ficou tudo escuro.
Harry ficou com raiva, juntando o fato que já estava aborrecido com Gina por ficar na cola de Neville, agora estava o dobro.
- Harry! – exclamou uma voz vinda da porta.
Harry virou-se automaticamente e Rony estava acompanhando Hermione, ambos com os olhos arregalados ao verem o garoto com o espelho na mão.
- O que é que você está fazendo, exatamente? – perguntou Hermione apreensiva.
Eles aproximaram com cautela com medo do amigo não explodir, outra vez. Porém, ele sacudiu a cabeça dizendo que não era nada e guardou o espelho dentro do malão.
- Ah... Vamos descer, temos uma surpresa!
Harry deduziu mais ou menos o que seria, provavelmente um bolo gigante no meio da mesa e pessoas em volta cantando parabéns.
"Legal!" pensou desanimado, já que não tinha muita vontade de estar acompanhado nesses momentos.
Hermione praticamente puxou o garoto em sua direção enquanto descia as escadas circulatórias da Toca, com Rony logo atrás.
Ao pousar os pés no andar debaixo, a porta da cozinha se escancarou, e por ela entrou Gina sorridente, carregando um pequeno bolo nas mãos, muito mais colorido do que com aparência apetitosa. E o número 17 aceso.
- Parabéns a você. Nessa data querida... – cantavam as demais vozes, entrando Neville, Luna e o Sr. Weasley, batendo palmas.
Toda a raiva que Harry sentia por Gina tinha se esvaído em um piscar de olhos, e um segundo depois estava abraçando ela como se a não tivesse visto em meses, um perfume delicioso de rosas invadia suas narinas agora, mas beijou o seu rosto na frente de todo mundo após soltar-se do abraço, e virou na direção dos demais para cumprimentar.
- Neville! Luna! Sr. Weasley!
Após muitas comemorações, de assoprar as velas, Harry ficou conversando com os demais sobre diversos assuntos agradáveis, enquanto Gina cortava um pedaço generoso a ele, e o entregou.
- Hm... Muito bom! – disse se deliciando, sentindo ligeiramente um calor correr pelo corpo.
Perguntou por Fleur que estava na casa dos pais arrumando tudo para que o casamento fosse perfeito (não que o casório fosse ser lá), todavia, ainda tinham muitas coisas a serem feitas.
- Muito bom! – agradeceu devolvendo o bolo com uma vontade incontrolável de beijar Gina ali mesmo, e agora ao vê-la, parecia dez vezes com maior vontade.
Hermione lançou um olhar desconfiado para a fatia de bolo de Harry, e para Gina no mesmo instante. Alguma coisa estava errada?
Perguntou de Fred e Jorge que estavam no Beco Diagonal cumprindo seus dignos deveres – ênfase ao digno, mas, nem era toda mãe que ficava satisfeita com os produtos daquela loja -.
- Mas as coisas mudaram muito – avisou Gina lambendo a colher do brigadeiro que tinha ficado – Sabe, agora com tudo o que está acontecendo, eles quase não venderam muita coisa. Tiveram que jogar muitos produtos fora, sabe... Alguns vencidos ,outros com o feitiço acabado! Mas o lucro supera os prejuízos!
Harry concordou, feliz ao saber que tudo, por enquanto, estava correndo bem. Não muito, porém, bem!
Após algumas corujas parabenizando Harry, com alguns presentes de Hagrid, e todo o pessoal da Ordem, o garoto sentiu-se cansado e pediu licença para tirar um cochilo, todos concordaram à mesa. O Sr. e a Sra. Weasley estavam aparando a grama com as varinhas do lado de fora da casa.
Harry subiu as escadas e dirigiu para o quarto, fechando a porta ao passar, e quando foi fechar a janela apreciou a Sra. Weasley ralhando com o Sr. Weasley por estar espionando através do binóculos, um avião, bem longe.
- Harry! – alguém disse através da porta que abriu sem fazer um ruído sequer.
- Ah! Gina! – arriscou sabendo que seria ela.
Ela tinha fechado a porta, e ergueu a cabeça encarando Harry bem em seus olhos.
- A gente pode conversar?
- Se for sobre o nosso relacionamento...
- Não. Não é disso! – cortou ela imediatamente corando de leve – É sobre o fato de eu e Neville termos ficado sozinho no Largo. Quero que saiba que eu não gosto dele, e que o que eu sentia por você há alguns meses, ainda continua firme e forte! – e corou mais ainda ao dizer isso.
Harry sentiu o coração disparar ao ouvir essas palavras da boca da ruiva, alguma coisa o empurrava pelas costas para que fosse abraçá-la e beijá-la, mas outro lado da sua mente disse que não deveria fazer.
- Se o Rony ou a Hermione te contou isso...
- A Hermione sabia? – perguntou Gina arregalando os olhos – Ela sabia? – pelo visto Hermione havia guardado segredo.
- Ah, não! – cortou Harry imediatamente.
- E você ainda a defende? – Gina mudou o tom da face para vermelho novamente, mas não era bem de vergonha, e sim de raiva – O que vocês... Andaram conversando?
Harry revirou os olhos e suspirou fundo, segurando a ruiva pelos ombros.
- Eu juro que não aconteceu nada... E quero que entenda uma coisa de uma vez por todas, Gina Weasley. Eu amo você, e não Hermione, afinal, ela é uma irmã para mim! – e deu um selinho em seus lábios – E irmãos não ficam juntos!
Gina abaixou a cabeça concordando.
- E tem outra coisa... Que eu gostaria que soubesse...
Harry ficou espantado ao saber que a conversa ainda não tinha chegado ao final.
- Pois então... Diga!
Ela pareceu indecisa se prosseguia ou não, riscou o pé em círculo no chão do quarto.
- Pode dizer...
Gina ergueu os olhos na direção do garoto, e segurou suas mãos com firmeza.
- Não que eu queira preocupá-lo, mas... Eu vivenciei um momento de sua mãe!
- O que? Como assim, Gina? – perguntou Harry perdendo a voz.
- É... No quarto de Sirius, bem... Tem uma penseira! E eu vi tudo, Harry... – seus olhos encheram de lágrimas – Eu não queria... Foi sem querer... Tudo tão rápido... – as lágrimas começaram a deslizar pelo seu rosto – Mas foi horrível como os seus pais morreram!
Harry perdeu o sentido das pernas, porém Gina envolveu seus braços na cintura do rapaz e o abraçou com toda a força que podia.
- Eu te amo, Harry! – ela parecia sentir muita pena dele. Muita pena mesmo.
N/A: Oieeee. Tão gostando da fanfic? Hehehe, espero que sim, deixem reviews, please!
Lolixx: Oiiiiiii, tudo sussa e você? Claroooo que eu vou continuar escrevendo a fanfic, enquanto tiver leitores como você, deixando reviews assim, é lógico que eu vou continuar. Hehehehe. Obrigadão por ter deixado uma review, não sabe o quanto me fez feliz, ganhei o dia, vivaaaaaa. Obrigado, beijão, tenha um bom dia também.
