Capítulo 09.

A decisão de Rabicho.

Harry dormiu não muito bem durante a noite toda devido ao cansaço, entenda-se por dormir não muito bem: Teve terríveis pesadelos que envolviam Miguel Corner e Gina se agarrando diante da escola inteira, Hermione simplesmente chegava e consolava dizendo que ele não era o único a tomar a Poção do Amor, que Neville também tinha sido encantado por Gina, afim de passar ciúmes em Harry.

Passar o tempo com Hermione dentro ou fora da biblioteca era um dos momentos preferidos de Harry, a companhia da garota fazia com que ele esquecesse um pouco de Gina, e mesmo que eles não falassem muito sobre isso, a garota parecia ter acesso aos seus pensamentos, de algum jeito misterioso. Harry agradecia que Rony não estivesse por perto e mesmo se estivesse teria certeza que Hermione não tocaria nesse assunto.

- Eu sei que deve estar sendo difícil para você, mas isso acontece com tantos casais, é normal alguns rapazes aceitarem numa boa!

- Não acho que forçar alguém gostar de outra pessoa deve ser aceito numa boa – reclamou Harry no café da manhã rodeado por pouquíssimos alunos da Grifinória – Chega a ser ridículo!

- Mas você gosta dela, e é isso o que importa! – explicou Hermione simplesmente – Vocês nasceram para ficar juntos!

Harry negou com a cabeça, desviando os olhos da amiga.

- Se ela fez isso é porque gosta de você, Harry!

- Eu... Eu podia estar com outra pessoa nesse exato momento – resmungou voltando a encarar Hermione que ficou estática no banco.

- Ah! Mas... Mas a Cho, ela... Ela já estava saindo com outro, e...

- Cho não era a única garota desse castelo! – falou Harry depressa – Existem outras garotas que eu poderia ter me apaixonado se não fosse pela indigna poção de Gina!

Hermione sacudiu a cabeça voltando a tomar o seu café da manhã.

- Tudo bem se você pensa assim, mas acho legal mudar de assunto agora que Rony está vindo na nossa direção!

- O-o que? – perguntou Harry assustando e saltando da mesa.

Rony aproximou dos dois com um sorriso enorme nos lábios.

- Ei... Não precisam levantar para me receber, não sou Ministro da Magia – falou ironicamente – Ainda – acrescentou sorridente.

- Então, Rony, como vai? – perguntou Hermione educadamente.

- Ah! Bem, papai já está bem melhor, até mesmo que Lupin – comentou animado juntando-se aos dois no café da manhã – Mas... Mas parece que vocês não andam bem, certo?

- Não é nada – resmungou Harry mexendo na comida com o garfo – Hoje começam os treinos da ORB.

Hermione jogou os cabelos por cima dos ombros, delicadamente, olhando para Harry meio preocupada.

- Vai ser divertido praticar feitiços novos, vamos estar prontos para tudo, já imaginaram?

- Vai ser divertido controlar o Malfoy! – imaginou Rony – Podemos fazer dele o nosso elfo doméstico!

- Não sonha, Rony! – cortou Hermione achando um absurdo as idéias do amigo – Não vamos usar feitiço Imperius em brincadeiras, pode trazer danos terríveis.

- Eu sei, eu sei, só foi uma hipótese – resmungou dando os ombros – Vamos comer que faz séculos que eu não sei o que é almoçar decentemente – e correu para se servir de algumas frituras.

Harry, Rony e Hermione compareceram ao escritório de Minerva logo depois do café da manhã, e ela indicou que os dois começassem com a ajuda do professor de Feitiços, que nesse caso seria o professor Flitiwinck, alguma mistura de anão com duende, era muito baixinho mas não interferia absolutamente em nada em seu potencial.

- Olá professor! – cumprimentaram os três entrando no escritório dele após baterem – Creio que a diretora Minerva já tenha vindo falar com o senhor – explicou Hermione com receio de aproximar da escrivaninha dele, estava coberta de papéis e algumas penas, era tudo muito bagunçado.

- Sim, Srta. Granger, claro, claro, ela explicou tudo direitinho, podem ficar à vontade – murmurou ele puxando a varinha das vestes e conjurando algumas cadeiras em frente à escrivaninha – Podemos começar por feitiços simples.

Harry concordou com um aceno e o professor iniciou as lições.

No começo entenda-se que era fácil, e que esse fácil equivale a feitiços aprendidos no quinto e sexto ano em Hogwarts, tais como: Inverter objetos de lugares em apenas alguns segundos; Fazer alguns objetos darem cambalhotas, quanto mais melhor; Outros exercícios eram empilhar alguns objetos aos outros – isso era uma prova de equilíbrio -; entre outras tarefas que só Hermione estava sendo bem sucedida.

- É simples se você mover a varinha com um pouco mais de força – explicou Hermione para o Harry enquanto fazia um sofá inteiro trocar de lugar com um espelho enorme em apenas um piscar de olhos.

- Eu estou fazendo isso! – ralhou Rony com a própria varinha.

- No seu caso não é força e sim um pouco mais de vontade! – explicou Hermione enraivecida – Se você ao menos prestasse atenção quando o professor falasse...

- Não é minha culpa se você é a mais inteligente daqui! – defendeu-se Rony – Nós estamos aqui na oportunidade de aprendizado!

O professor Flitiwinck que tinha ido dar uma vigiada no castelo voltou com as mãos no bolso.

- Não briguem, meninos, não briguem, eu farei com que cada um de vocês saião daqui excelentes!

Rony mostrou a língua para a Hermione quando o professor virou as costas para ensinar com clareza o movimento de um feitiço ao Harry.

Os treinamentos faziam com que os garotos se exaltassem com maior facilidade, passaram mais de horas trancados na sala de Feitiços recebendo ordens do professor Flitiwinck, e no final do dia, as dicas eram passada aos garotos aos gritos, não importava se estavam acertando ou não. E começaram a piorar ainda mais depois que Harry teve o gesso tirado da perna machucada.

- MAIS RÁPIDO! DESSA FORMA ATÉ MESMO UMA LESMA VAI DERROTÁ-LO! – apelou o professor tão nervoso como nunca tinham visto.

Raios, feitiços e mais feitiços eram lançados das varinhas cruzando de um lado para o outro da sala, e com pouco tempo eles já começavam a se cansar, Hermione era a primeira a pendurar as duas mãos sob os joelhos e ofegar.

- Desc... Desculpa! Eu... Eu... Estou cansada! Água! Água! – murmurou com o suor descendo de baldes por ela.

Após pausas de cinco minutos eles retornavam com mais força e convicção, aos berros do professor eles conseguiam cada vez mais produzirem feitiços que jamais imaginavam um dia que fossem fazer.

Harry passava os dedos suados pela borracha da varinha, segurando com força e apontando para alguns móveis, berrando feitiços e fazendo com que eles se organizassem rapidamente como se estivesse decorando uma casa.

- Pronto, por hoje é só Potter! – elogiou o professor dando algumas palmadinhas em suas coxas, era o máximo que alcançava.

- Obrigado, professor! – ofegou respirando durante as silabas – Fico feliz em saber que estou progredindo.

- E muito! – concordou o professor girando a varinha no ar.

Hermione parou na porta, voltando o olhar para o professor.

- Será que poderíamos conversar um pouco, professor?

- Claro – concordou ele naturalmente.

Harry e Rony pararam na porta e resolveram aproximar para ouvir melhor o que a garota tinha a perguntar.

- Eu... Eu gostaria de saber mais sobre o feitiço Fidelus! O Feitiço do Segredo!

Flitiwinck concordou com um aceno e começou a explicar detalhadamente enquanto fazia levitar algumas taças de volta à prateleira.

- O feitiço não é muito complexo, mas envolve três pessoas, no mínimo! Uma para executar, claro!

- Então, só duas pessoas participam do segredo?

- Basicamente sim, por exemplo, se você quisesse esconder o senhor Harry em você, poderia, normalmente, assim o seu amigo Rony executaria um Fidelus, e Harry seria engolido por você, em algum órgão, como por exemplo, o coração, ou alguma coisa do tipo, entendeu?

Harry sentiu um balaço na direção da cabeça e não teve muita certeza se tinha coragem de encarar Hermione nesse momento.

- É como se o Harry fosse sugado para dentro do meu corpo e trancado lá? – perguntou Hermione curiosamente, suas bochechas estavam levemente pinicadas de vermelho e o professor concordou.

- Ainda assim, o segredo seria guardado para sempre, a pessoa ficaria escondida dentro de você, inconsciente, e só volta à vida depois de ser retirada.

- Ah... Interessantíssimo! – disse Hermione alegre – Obrigada, professor.

Os três subiram para tomar um bom banho e jantar, reuniram-se em frente à lareira algum tempo depois, os três cansadíssimos depois de uma semana exaustiva como aquela.

- Estou pegando o jeito – comentou Rony fazendo uma das cadeiras da Sala Comunal rodopiar facilmente – Eu juro que não era assim no ano passado!

- Flitiwinck é um ótimo professor – elogiou Hermione acariciando Bichento – Acho que vamos passar para outra matéria, segunda feira, não acham?

- Acho que agora é a vez de Transfiguração – comentou Rony dando os ombros – Parece importante, não acham?

- Essencial – comentou Hermione sacudindo os ombros – É ótimo para nos escondermos dos inimigos!

Harry remexeu inquieto em sua poltrona.

- Eu não vi o Hagrid durante a semana inteira! – comentou por comentar – Acho que nem ao menos sabe que a gente está no castelo.

- Poucos sabem – disse Hermione olhando de Harry para Rony que tinha as sobrancelhas erguidas em surpresa – Ou nós já teríamos o castelo invadido novamente! Hogwarts não é mais segura!

Harry murchou os ombros, Hermione levantou com Bichento no colo.

- Boa noite, garotos!

- Você já vai dormir? – perguntou Rony fazendo uma expressão bizarra – Quer dizer... Você não está mais no primeiro ano, pode ficar acordada até mais tarde, e...

- Não é isso – disse Hermione jogando novamente os cabelos para trás dos ombros como ultimamente adquirira esse costume – Tenho que ler alguns livros importantes sobre... Sobre, ah! Horcruxes! – sussurrou na última palavra para que ninguém ouvisse.

- Falando nisso... – Harry virou os olhos na direção da garota – O medalhão ainda está com você, né?

Ela concordou afirmativamente.

- É óbvio, Harry, ele está bem protegido!

- Chama o seu dormitório de bem protegido? – zombou Rony.

- Algum lugar mais seguro do que uma escada que vira corredor à medida que algum invasor tenta subir? – devolveu Hermione com as mãos na cintura deixando Bichento saltar de seus braços para o tapete.

Rony corou nas pontas das orelhas, e seu rosto cheio de sardas brilhou.

- Você tem alguma idéia de como destruí-lo? – perguntou Harry fingindo não ouvir as trocas de fiapos que os dois estavam fazendo.

- Vagamente! – respondeu depressa – Mas acho que vamos precisar da espada que está na diretoria! Sabe, para perfurar a alma de uma vez!

Rony remexeu-se no sofá sentindo um arrepio.

- Deve ser difícil.

- Nem tanto – consolou Hermione – Podemos fazer isso amanhã se o Harry quiser!

Harry concordou com a cabeça.

- Tudo bem!

- Ok, boa noite para vocês, garotos, vou dar uma relida em Hogwarts, uma história!

- Achei que tivesse decorado o livro – comentou Rony naturalmente, mas ela ignorou.

O frio do dia seguinte anunciava que o verão estava quase para terminar e que Setembro estava batendo na porta, o que provavelmente traria a Hogwarts uma pequena leva de alunos desabrigados.

Harry, Rony e Hermione encontraram-se no Salão aquele dia e quando desceram para tomar café já repararam que o castelo estava esperando os alunos chegarem de viagem. Os professores tiraram o dia para vigiar os corredores, principalmente a entrada do castelo. O Chapéu Seletor inclusive tinha ganhado o seu espaço desde cedo no Salão Principal.

- Vocês não sabem o que eu descobri! – comentou a garota sentando ao lado dos dois no café da manhã, puxando as vestes para mais perto.

- Teremos que contracenar uma cena dramática na qual eu pergunto "Nossa, Hermione-do-céu, o que é de tão importante assim?" ou você vai dizer logo? – perguntou Rony trazendo uma cara feia de Hermione e fazendo ela se curvar na direção dos dois.

- A Helga era filha de pais videntes!

- Ah! Isso explica tudo! – ironizou Rony.

- Não, eu acho que já entendi aonde Hermione quer chegar – comentou Harry – Isso tudo indica que Sibila tem algum parentesco com Helga?

- Antes fosse – disse Hermione com ar de quem sabia tudo e eles estavam boiando – Então... Vocês acham que isso possa ter alguma ligação pelo fato do Chapéu Seletor dizer aquelas coisas todas?

- Ah, não sei, será que o espírito agourento de Helga ainda vive no Chapéu, ou alguma coisa do tipo? – perguntou Rony seriamente.

- Não acho que seria isso! – disse Hermione olhando por cima de algumas cabeças só para dar mais uma olhada no Chapéu – Mas acredito que ele guarde mais segredos do que imaginamos!

- Simples, vamos perguntar a ele! – sugeriu Rony simplesmente.

- É, uma boa opção – concordou Harry terminando de comer e limpar os lábios.

Hermione sacudiu os ombros e terminou de tomar o suco, já Rony estava na metade mas foi obrigado a abandonar o café da manhã reclamando do desperdício e passando a mão no estômago.

- Ei... Oi! – cumprimentou Harry aproximando do Chapéu – Tudo bem?

- Olá, sr. Potter, ainda com minhocas na cabeça?

- Não, dessa vez não sou eu... E... – ele olhou por cima do ombro – E nenhum de meus amigos. Na verdade, queremos perguntar uma coisa a você!

- Pois não?

- É sobre Helga... E... É verdade que ela tinha mesmo tendência a ser vidente?

O Chapéu Seletor pareceu por um momento ficar estático, como se não tivesse ouvido nada.

- Certamente Helga tinha um dom de vidência, senhores! O seu pai era um grande mago... Mas isso foi há centenas de anos atrás, qual é o motivo?

- Ah! O professor Bins, você sabe como é – inventou Hermione de repente com uma risadinha meiga – Pediu uma lição de casa com todos os detalhes!

Harry, Rony e Hermione se despediram do Chapéu e saíram para conversar em particular quando eles estavam a sós.

- Vamos descer na hora do jantar para ver qual será o discurso dele este ano, provavelmente a mesma ladainha dos anos seguintes de que a união faz a força, e blá blá blá – disse Harry enquanto subiam as escadas, encontrando com Bichento vindo na direção deles.

- Ei bonitão! – brincou Hermione pegando ele nos braços, mas ele parecia agitado, arranhando os braços da garota como nunca havia feito antes – O que você tem? – perguntou ao gato que obviamente não respondeu, apenas continuou agitado em seus braços querendo de alguma forma escapulir.

Passaram pelo quadro da Mulher Gorda, chegando na sala bem quentinha quando sentiram um fedor esquisito, algum cheiro relacionado a esgoto, Bichento saltou das mãos de Hermione e correu na direção do dormitório.

- Não é possível – reclamou Hermione torcendo o nariz e ignorando Bichento desesperado – Os elfos trabalham duro para deixar o castelo limpo! Ah... O que o meu dormitório está fazendo aberto, eu... Eu não...

Harry e Hermione se entreolharam assustados, o rapaz sentiu o coração gelar dentro do peito, havia demorado tanto tempo para achar uma Horcrux, e agora...

- Corre, Hermione, corre! – gritou Harry para a garota.

Hermione chegou ao dormitório com a maior rapidez do mundo, como se aparatasse, Harry e Rony não ficaram parados, correram para buscar suas respectivas vassouras para de alguma forma chegarem ao dormitório feminino.

- AHHHHHH! – berrou Hermione de lá de dentro.

Harry fixou-se em sua vassoura e ganhou altura subindo na direção do quarto, quando houve um lampejo de lá de dentro e ele achou que tivesse iniciado algum tipo de batalha, acelerando a vassoura na direção do quarto, quase colidindo contra a face de Hermione que se jogou no chão para não ter a cabeça arrancada.

- SEGURA O RATO, RONY! – berrou Hermione com o máximo de força que podia – É O RABICHO. SEGURA!

Ela estava encolhida no chão, derrotada, Harry deixou a vassoura cair de suas mãos e correu na direção da amiga para socorrê-la.

- Hermione, você está bem? – perguntou preocupado levantando a garota pelo braço.

- Harry... – disse ofegante – Aquele... É o Rabicho!

Harry imediatamente soltou os braços de Hermione e correu na direção da escadaria que acabou virando um escorregador.

- AH! PEGUEI! – berrou Rony contente segurando Perebas entre as mãos que guinchava feito um porco.

Harry assim que caiu de bunda no chão do Salão já ficou de pé e correu na direção de Rony.

- Não deixe que ele escape!

Hermione apareceu preocupada logo em seguida, estava meio machucada.

- Ele... Ele tentou roubar a Horcrux! – gemeu Hermione tentando não pensar nessa hipótese – Será que ele sabe de tudo?

- Não sei, mas enquanto isso, será melhor que ele não escape! – ameaçou Harry puxando a varinha das vestes e apontando para o rato – Ouviu bem? Seu assassino de uma figa... – as mãos de Harry vibravam como nunca de ódio.

- Vamos levá-lo até a diretora McGonagall, ela saberá o que fazer! – sugeriu Hermione – Enquanto isso eu ficarei no quarto, tomando conta do que é meu!

- Não, não acho melhor levarmos ele até a diretoria – intrometeu Harry com as sobrancelhas franzidas de raiva – Dessa vez ele não merece uma segunda chance – e apertou a varinha com força na direção dele.

- Não! Não, Harry! – cortou Hermione segurando o braço do amigo com força tentando mirar em outra direção – Não faça isso! Você não é um assassino!

- ELE MATOU OS MEUS PAIS, HERMIONE! – berrou Harry tão nervoso que cuspia.

- Harry, eu sei... Mas Rabicho tem informações que precisamos – disse ela meigamente tentando acalmar o garoto, de um jeito que só ela conseguia fazer.

Harry respirou fundo e abaixou o braço.

- Tudo bem! Agora... Vamos levá-lo para um lugar seguro!

Hermione apenas subiu ao quarto para arrumar toda a bagunça enquanto os dois rapazes ficaram cuidando do rato já que ela estava lá em cima, e assim que estava tudo pronto (a Horcrux bem escondida novamente), eles desceram para uma sala particular, escolheram a Torre de Astronomia, trancando a porta com poderosos feitiços para que ninguém pudesse sair tão cedo.

- Vamos... Transforme essa bola de pêlos em um ser desprezível! – ordenou Harry para Rony que lutava em manter o rato quieto nas mãos.

Foi precisa uma ajudinha de Hermione para que o rato tomasse forma de um homem gordo, com roupas surradas e rasgadas.

- Aqui estamos novamente! – cumprimentou Harry erguendo as sobrancelhas dando uma expressão psicopata.

- Não, não me façam nada, eu juro... Eu juro que serei bonzinho... – gemeu o homem caindo de joelhos aos pés dos garotos que apontavam a varinha para a sua cabeça com poucos cabelos.

- De onde é que você escapou? – perguntou Hermione séria ignorando os gemidos do homem atirado aos seus pés, ela simplesmente olhava com nojo.

- Eu... Eu estive trancado... Com o Sr. Malfoy, na... Na sala... Na sala de necessidades!

- Ele quer dizer a Sala Precisa! – corrigiu Rony.

- Isso, garoto esperto, muito esperto – gemeu Rabicho apontando o dedo médio na direção dele, já que faltava o indicador de sua mão direita – Vocês todos são muito inteligentes...

- Como você escapou? – perguntou Hermione olhando para o rapaz de quatro apontando a varinha com firmeza em sua direção.

- Foi... Foi muito simples... Tive ajuda!

Os três se entreolharam assustados.

- Quem o ajudou?

- N-Não p-posso d-dizer – murmurou com a cabeça encostada ao chão.

- Ah! Seu maldito... – gemeu Harry apontando a varinha com força na direção das costelas dele, rangeu os dentes e sussurrou – CRUCI...

- Expelliarmus! – gritou Hermione de repente desarmando Harry.

Harry viu a varinha sendo jogada contra a parede com força, e ele foi arrastado para trás também, deu uma bela olhada na direção de Hermione como se ela tivesse feito a maior burrada do mundo.

- Harry, você não pode fazer isso, eu sei que você tem raiva dele, mas não pode! – dizia Hermione desesperada.

- EU NÃO PEDI A SUA OPINIÃO! – berrou Harry tão nervoso quanto antes, adquirindo uma cor avermelhada no rosto.

- Não seja tapado! Hermione tem toda razão – concordou Rony lançando olhares na direção dos dois.

Rabicho aproveitou a distração dos garotos e voou na direção de Hermione, jogando-a de costas para o chão e ao mesmo tempo prensando sua varinha com uma de suas mãos.

- Everte Statum! – gritou Rony sendo rápido e fazendo Rabicho voar no ar, indo bater em algumas prateleiras.

- Ai! – gemeu Hermione atirada no chão, rolando para os lados apertando o braço direito com força – Ai... Está doendo!

- Acho que ela quebrou o braço – murmurou Harry indo até a amiga e ajoelhando – Ei... Está tudo bem com você?

Rony tinha uma expressão mais séria e apontava a varinha para o encolhido Rabicho em um canto da sala, este tremia também mas era de medo.

- Sabe de uma coisa, estou perdendo a paciência com você!

Harry levantou o rosto, capturou sua varinha mais do que depressa e correu na direção do amigo ruivo.

- Realmente, se você não tem informações valiosas a dar, nós podemos descartá-lo, agora não tem mais Hermione para te salvar!

- Por favor, não façam isso, não façam... – gemia ele.

- Tem certeza que não tem nenhuma informação a dar? – perguntou Harry cutucando a varinha entre suas costas.

- Eu... Eu... Eu não!

- Avada... – murmurou Rony com chantagem.

- NÃO! Tudo bem, tudo bem... Eu conto! – gritou alto cortando a fala dos dois – Eu posso contar... Eu posso ser de grande serventia.

- Começando a contar quem foi que tirou você da Sala Precisa.

- Foi... Foi o Severo... Severo Snape!

- Maldito! – gritou Harry apertando a varinha com ainda mais força – Ele está andando pelo castelo nesse exato momento?

- Talvez... Ele esteja torturando... Minerva McGonagall!

Harry sentiu o seu redor a imagem congelar, talvez fosse mesmo verdade, talvez a diretora até estivesse morta...

- Cuida da Hermione! Eu vou atrás do Snape! – gritou Rony indo em direção à porta.

Harry continuou apontando a varinha para Rabicho.

- E onde está o Malfoy? Digo, o Draco!

- Ele... Ele continua se escondendo... Severo está escondendo-o do Milorde!

- Por que? – perguntou Harry achando estranho, ignorando os gemidos de Hermione.

- Porque Severo fez um voto perpétuo com Narcisa! Ele prometeu terminar a jornada de Draco e não deixar que nada de ruim acontecesse a ele! Milorde quer matar o Sr. Malfoy por não ter terminado a tarefa dada a ele!

- A tarefa de matar Dumbledore?

- Exatamente – concordou Rabicho – Agora Snape está escondendo-o aqui no castelo mesmo! Ele sabia muitas passagens secretas... E...

- O castelo está sendo protegido por segredos, encantamentos!

- Desconfio de que alguma forma Severo saiba de todos os truques – informou Rabicho.

- Snape... Snape é bom! – gemeu Hermione caída no chão, rolando.

Harry revirou os olhos, achando um completo absurdo o que a amiga estava falando.

- Creio que essas informações sejam inúteis, continuo preferindo descartar você!

- Não, não, garoto Potter, o seu pai com um coração nobre daqueles não ia querer que o seu filho fosse um assassino, tenha misericórdia!

Harry sacudiu a cabeça para os lados.

- Você fala isso como se realmente tivesse se importado com os meus pais!

- E me importo, senhor, importo mesmo... Eu mantenho segredos que nem mesmo o grande Harry Potter sonha!

Harry arregalou os olhos sentindo o coração parar.

- O que você tem a dizer? É alguma coisa sobre os meus pais.

- Certamente que sim, senhor. Eu conheci os seus pais, e sem de um segredo que somente Lord Voldemort também!

Harry sacudiu a cabeça girando a varinha entre os dedos.

- Diga, diga o que você tem a dizer!

Rabicho ajoelhou na direção de Harry sussurrando.

- O corpo de Lílian está dentro de você, senhor! O corpo de Lílian está escondido em seus olhos!

- Isso é um completo absurdo! – gritou Harry escandaloso – Isso é mentira!

- Não, senhor Potter, não é mentira!

- É MENTIRA SIM! – gritou Harry dando um soco em uma luneta que rodopiou até bater a lente contra a parede e transformar-se em cacos de vidro.

- Conta mais... – gemeu Hermione no chão como se tivesse tendo um acesso de convulsão.

"Agüente firme, Hermione, por favor!" pensou Harry apertando as mãos com força "Estou prestes a descobrir as informações que eu sempre quis desde que me entendo por gente".

- A senhora Lovegood, poupou a morte de Harry Potter!

- O que ela tem haver com toda essa história? – perguntou Harry achando que talvez estivesse enlouquecendo. Como era possível que sua mãe estivesse escondida sob os seus olhos?

- Ela... Ela foi uma bruxa muito poderosa! Ela inventou o Avada Kedavra!

- A mãe da Luna... – sussurrou Hermione.

- A sra. Lovegood inventou o Avada Kedavra? – perguntou Harry incrédulo.

- Sim, ela era experiente em inventar feitiços, era uma bruxa poderosíssima. E contou tudo ao Tom Riddle como fazer!

Harry estava achando aquilo um completo absurdo, porém fazia sentido.

- Ela não sabia que Tom Riddle seria tão mal! Não sabia que Tom Riddle ia usar o Avada contra sua melhor amiga, Lílian Potter.

- A melhor amiga da minha mãe era a sra. Lovegood?

- Era! – concordou Rabicho encolhido – Eram muito amigas!

- Vamos, fala mais alguma coisa! Isso não é o fim da história! – gritou Harry chutando o traseiro de Rabicho.

- Foi nessa noite que Giullla Lovegood descobriu que Tom Riddle pretendia matar os Potters! Ela só teve tempo de avisar o namorado que estava indo para a Casa dos Potters, e...

- O namorado dessa tal de Giulla Lovegood é o pai de Luna?

- Não. Na época, era o Remo!

Harry sentiu o ar perderem os pulmões e Hermione deu uma tossida de espanto no chão também.

- Remo e Giulla eram namorados quando tudo aconteceu... Giulla correu para a casa dos Potters naquela noite... Ela vivenciou a morte dos Potters!

- Isso quer dizer que a Giulla estava na casa quando Voldemort também estava?

- Exatamente! – concordou Rabicho – Eu vivenciei praticamente tudo, e...

- Ei, Harry! Harry! – gritou Rony com a varinha nas mãos, ofegante – Era mentira desse... Desse filho da mãe! O Snape não está no castelo! – gritou ameaçando a ter os pulmões saltando pela boca, e apoiou as mãos no joelho para recuperar fôlego – Por vida das dúvidas, eu passei na Sala Precisa e encontrei com esse mala aqui – Rony voltou a sumir na porta e puxou Draco desmaiado entre os braços, nunca tinha estado tão magro, os olhos roxos, o cabelo branco sujo como nunca, e as vestes rasgadas – É mentira... Rabicho escapou sozinho!

Harry arregalou os olhos indo na direção de Rony.

- Os alunos de Hogwarts também chegaram, vieram poucos, bem poucos...

Nesse mesmo momento, aproveitando a distração dos rapazes, Rabicho se transfigurou em um rato e passou pelas pernas dos dois, descendo as escadarias para fugir.

- NÃO. ELE ESTÁ FUGINDO! – gritou Harry apontando para Rabicho, mas era tarde demais.

Para a sorte de Harry, Bichento vinha na direção deles, passou pelas pernas e parou de frente ao rato dando uma rosnada, com os pelos do corpo todos arrepiados.

- Bichento, pega! – gritou Harry.

Rabicho sem pensar duas vezes deu uma espécie de cavalinho-de-pau e voltou saltando os degraus na direção dos garotos, no primeiro momento Harry pensou em capturá-lo de volta, mas precisava fechar a porta no mesmo instante depois que Bichento passasse.

- Fecha a porta! – berrou Rony pegando Hermione no colo.

Bichento porém não parou de perseguir o rato, correu em sua direção, fazendo o bicho saltar na mureta que dava uma bela visão ao jardim, se caísse, era morta na certa pois iria despencar os sete andares de Hogwarts, assim cairia no jardim. Bichento não deixou por menos, continuou a arrepiar os pêlos e rosnar, o rato pareceu por um momento indeciso entre ficar ali ou pular, por fim se transformou na forma humana, e infelizmente não conseguiu manter o equilibro na mureta para contar as histórias a Harry.

- Rabicho, Harry... Ele caiu! – gritou Rony segurando Hermione no colo – Ele morreu!

Harry sentiu que a verdadeira história sobre a morte de sua mãe tinha acabado de se perder por toda a eternidade.

Notas do Autor: Ao fim de mais um capítulo...

Eu não sei o que dizer, só que eu acho que o Rabicho merecia mais destaque no livro 07, afinal. Ele não era tão tão tão importante assim?O próprio Dumbledore tinha falado, num era?

Notas do Autor 2: - - - Para quem não sabe como deixar um comentário (review) –

Primeiro: É normal as pessoas não saberem comentar nas fanfics desse site (fanfiction) eu também não sabia até esses dias atrás. Enfim. Primeiro passo: Desce toda a barrinha de rolagem do canto direito da tela.

Segundo passo: Olha no canto esquerdo, bem embaixo, onde tem uma plaquinha roxa, escrita assim: SUBMIT REVIEW. Clique em GO! E deixe sua review (seu comentário) para mim! Thank you!

Jennifer: HAuhauha, eu preciso escrever que ele ainda gosta da Gina, né? Não dá pra pular de HarryGina para HarryHermione sem explicações, espero que você me compreendaaa! Pleaseeeeeeee! Beijão, até a próxima.

Nessa G. Potter: HAuhauha, gosto do começo do capítulo anterior da minha fanfic? Hauhau, é que eu tava com raiva do livro e sem querer descontei na fanfic, sorry! Mas mesmo assim, calmaaaaa, tudo ao seu tempo... Logo logo a Gina é uma qualquer pro Harry, e claro... Ele não vai mais perder a cabeça por ela... Afinal, ela é passado! Beijãooooo, até a próxima.

Karla: Você não sabia como deixar reviews? Ahhhh, tudo bem, relaxa, eu também não sabia até ontem... Relax! Ficooooo super feliz em saber que minha fanfic se encaixa exatamente em suas preferências. Fico super feliz mesmo em saber que tu tá gostando tambémmm! E vou amar suas reviews, mais, mais, e maissssss! Hehehe, e pode deixar que não vai ser tão ruim quanto o livro. Beijãooooo. Até mais.

Lolixx: HAuuhahuau, fim ao Rabichooooo! Pagou a sua dívida e foi-se dormir para sempreeeee, gosto? Coitadinhoooo, né? Dá até dó... Ele se rastejou até a morte, e no fim, acabou morrendo, literalmente. E amigaaaaaaa, volta rápidooooo, eu gosto demais das suas reviews. Beijãooooo.

Jane: HAuhuha, fica assim nãoooo, a Gina ainda vai ser legalzinha, você vai ver, ela não é tãoooooo tãoooooo má assim, hehehe... Vamos dar mais uma chance pra ela, né? Todo mundo merece uma décima sétima chance, hehehehe! BEijoooooo, até mais!

Próximo Capítulo...

- Eu... Eu e ela ficamos uma vez, não andamos saindo.

- Dá na mesma!

- Não, não dá na mesma!

- Dá sim. Vocês se beijaram do mesmo jeito! – disse Hermione levemente alterada.

- Se você chama aquilo de beijo... – resmungou meio vermelho.

Harry parou com os olhos arregalados.

- Vocês não se beijaram?

Continua...