Capítulo 11.
O vivo e o morto.
Meia hora depois que pousaram ao chão, a dupla já tinha adentrado o hospital, e por meios de disfarces conseguiram alcançar o quarto que Lupin estivera hospedado durante um logo prazo.
- Mas ele está inconsciente por meios de feitiços estuporantes, não é mesmo?
Draco sacudiu a cabeça.
- Não, meu pai fez algum tipo de feitiço que pode ser desfeito imediatamente!
- Mas... Mas eles disseram ao Voldem...
- Eles mentem o tempo todo! – riu Draco trancando a porta do quarto de Lupin ao passar.
Harry ergueu os ombros para enxergar melhor os outros companheiros de quarto, havia uma mulher no canto com cabelos bagunçados e estava muito pálida, havia outras duas mulheres no outro canto, ambas com os lençóis vermelhos de sangue cobrindo os seus rostos, provavelmente mortas.
- Lupin, aquele ali é o Lupin! – apontou Harry para o homem que parecia estar dormindo.
- É, é ele mesmo – murmurou Draco pedindo a varinha para Harry.
Harry olhou para o bolso de suas vestes e para a mão de Malfoy estendida, pensando seriamente se deveria dar a varinha ao amigo, mas não havia alternativa, tinha que confiar no loiro.
- Pensei que Voldemort fosse bom em Legimência, e pudesse enxergar a mente de seus comparsas...
- E pode! Mas papai é um ótimo Oclumente!
- Snape ensinou a ele?
Draco fez que sim com a cabeça e apontou a varinha para Lupin atirado na cama.
- Por que os medi-bruxos simplesmente não tiraram o feitiço de Lupin?
- Ahm... Será que foi por que esse feitiço foi inventado pelo Príncipe Mestiço? – perguntou Draco em tom de resposta.
Draco deu algumas sacudidas na varinha, soltando algumas estrelas coloridas que atingiram o peitoral de Lupin, o homem se remexeu na cama incomodado e de repente abriu os olhos, respirando fundo.
- Bom trabalho! – elogiou Harry sorrindo para Draco em resposta – Nunca pensei que fosse agradecer por alguma coisa! – e pegou sua varinha de volta antes mesmo que o garoto devolvesse.
- Malfoy! – resmungou assustado arregalando os olhos em busca da varinha na cabeceira da cama.
- Tudo bem, Lupin! Estamos juntos!
- Harry? É você mesmo? – perguntou Lupin esfregando os olhos.
Harry riu e aproximou do amigo para abraçá-lo após tanto tempo sem se encontrarem.
- Sinto muito pelo o que houve! – murmurou Harry ao seu ouvido – O Malfoy filho tirou o encantamento de você!
- Seus tios também foram afetados, Petúnia ficou cega! E Valter perdeu toda a memória, parece uma criança!
Harry sacudiu a cabeça tentando livrar os pensamentos ruins para longe.
- Lupin, nós viemos aqui porque simplesmente descobrimos coisas importantes e que podem me ajudar futuramente!
Lupin sacudiu a cabeleira jogando os cabelos para longe.
- Claro, Harry, claro, minha memória não está tão fresca assim depois de ficar algum tempo inconsciente, mas...
- Tudo bem! – cortou Harry apressado – Não temos muito tempo até que alguém tente adentrar a enfermaria! Bom, é o seguinte – ele olhou para Draco que estava ao seu lado prestando atenção na conversa, mas ignorou-o pois sabia que ele não estivera desmaiado na mesma noite em que Rabicho contara os fatos sobre Lílian Potter – Rabicho me contou muitas coisas que eu não sabia sobre os meus pais! Me contou mais do que você ou qualquer outra pessoa me falou!
Lupin embranqueceu mesmo sentado.
- Harry, você não pode acreditar no que ele...
- Eu só quero a verdade! – cortou Harry novamente, irritado – Ele disse sobre o fato dos meus olhos, ele disse que o fato de eu usar óculos, é porque o corpo da minha mãe está dentro deles. Isso é verdade, professor? Me diga, por favor.
Lupin desceu os olhos para o garoto e não fez gesto algum com a cabeça, continuou estático.
- Eu... Eu não sei até que ponto é verdade, Harry! Quem sabia de toda essa história era Sirius!
Harry arregalou os olhos, incrédulo, soltando um suspiro, isso provavelmente significava que os segredos estavam perdidos na eternidade, de fato.
- E ninguém mais sabe disso?
- Para ser sincero, isso tudo é muito complexo, Harry, vou lhe contar a história resumidamente para que tire alguma conclusão das minhas palavras.
Harry assentiu com a cabeça, sentando na beirada da maca, enquanto Draco fingia não o ouvir, limitava-se a ficar vigiando os carros trouxas andando pelas ruas do lado de fora da janela.
- Naquela época, Giulla Lovegood, que foi minha namorada, trabalhava no Departamento de Feitiços do Ministério, quem inventou o feitiço Avada Kedavra, um dos feitiços imperdoáveis, e mortal. A mesma foi surpreendida por Tom Riddle em seu escritório, recebeu algumas cantadas e foi o suficiente para se encantar pelo rapaz que já era naturalmente bonito. Aproveitando de sua beleza, Tom Riddle descobriu tudo, absolutamente tudo, sobre esse feitiço imperdoável, ensinado pela própria criadora, famosíssima por inventar um feitiço como esses, até mesmo caçada pelo Ministério, eu diria!
- Ela é a mãe de Luna? Vocês já namoravam naquela época? Ela traiu você?
Lupin concordou com a cabeça para as três perguntas.
- Então, por algum motivo misterioso – Lupin deu um suspiro e Harry sabia que motivo misterioso era esse – Voldemort foi procurar os seus pais para matá-los! – Harry agora compreendia o porquê Voldemort o procurara, era claro que pretendia fazer Harry da sétima Horcrux, isso encaixava perfeitamente bem nos fatos – E... Eu encontrei com Giulla naquela mesma noite, por ser minha namorada, confiável, ela me contou como havia sido o dia dela, contando-me tudo até mesmo sobre Tom Riddle, não deixou escapar nem mesmo a parte de traição, terminamos tudo naquela mesma noite.
Harry mantinha os olhos arregalados desde o começo da história.
- Vocês terminaram para sempre?
- Ela tinha ficado com Tom Riddle! E eu estupidamente burro, preocupado com o meu orgulho ferido, sequer pensei na possibilidade de Voldemort estar indo até Tiago e Lílian. E quando eu cogitei essa hipótese, adivinha só? Era tarde demais...
Harry fechou os punhos, sentindo o coração saltar com força contra o peito.
- Se você tivesse pensado nisso antes, talvez os meus pais estivessem vivos?
Lupin mais uma vez concordou com a cabeça, e Harry sentiu uma ponta incômoda em seu peito, remexendo de alguma forma que ele pudesse estar deixado ser substituído pela raiva.
- Mas... Mas... Não foi culpa sua! – tentou dizer Harry também tentando absorver essa idéia.
- Quando eu avisei o Sirius, corremos para a casa de seus pais, foi o que você viu na Penseira de Almofadinhas! Foi... A barreira construída em volta da sua casa.
- A barreira construída por Lord Voldemort? – perguntou Harry ignorando os guinchos de Draco.
- Não. A barreira não foi construída por ele, Harry, e sim por Giulla Lovegood!
Harry sentiu um soco vindo em cheio ao seu rosto, pensando no desenho de uma figura loira parecidíssima com Luna, formando uma barreira em volta da casa dos Potters para assassiná-los.
- C-como ela pode? C-como ela pode? Ela era a minha amiga da minha mãe!
- Harry – Lupin segurou seus ombros com força, na tentativa de acalmá-lo – Entenda que ela não fez de propósito, Giulla tentou fazer isso para que Voldemort não se aproximasse... Ela tentou barrar a entrada dele!
Harry negou com a cabeça, bobo, com os pensamentos perdidos e vazios.
- Será? Será que ela não estava do lado de Voldemort?
Lupin atirou um olhar para o canto da porta.
- Eu nunca mais falei com Giulla depois de ser traído, mas pelo que soube, ela foi a única pessoa a presenciar a morte de vocês!
- Como ela... Como ela... Se salvou?
- Nunca se sabe como ela se salvou, mas desde então ela não foi a mesma, seus pensamentos viraram turbulências, vivia em fase de depressão, falando coisas sem nexo, ela... Ela ficou completamente louca! Ninguém acreditava no que ela dizia! Foi levada para a sua casa, onde teve uma filha com o seu marido, e morreu alguns anos depois quando o próprio feitiço se voltou contra ela!
- Ela... Ela era a única pessoa a presenciar tudo, tudo, tudo o que aconteceu na minha casa na noite da morte dos meus pais?
- Sim, Harry! Ela foi a única pessoa! Morreu sabendo de tudo! E isso é tudo o que eu sei. Juro!
Harry concordou com a cabeça, e Draco pareceu voltar à realidade também, deixando de encarar as janelas, aproximando do moreno.
- Ei, Potter, seria interessante se pudéssemos voltar logo, parece que vai chover!
Lupin olhou para Draco e só não riu da situação porque seria um desrespeito com Harry.
- Até logo, Lupin. E obrigado por tudo, de verdade! – acenou Harry saindo correndo da enfermaria.
- Obrigado vocês, até logo! – e acenou de volta.
Passando por um dos quartos, Harry avistou a Sra. Longbottom vestida com uma roupa branca, com os cabelos grisalhos totalmente bagunçados, ele a reconheceu porque tinha visto sua foto aos quinze anos, quando Moody deu a ele um retrato do pessoal da Ordem da Fênix.
- Po... Potter! – murmurou ela parando de andar, vendo Harry entre os seus cabelos.
Harry ficou extasiado. Como ela sabia que era ele?
- Tiago... Potter...
- Eu... Eu não sou Tiago – corrigiu Harry conversando com ela baixinho. Draco assistia tudo sem entender – Eu sou Harry, o filho do Tiago.
A mulher começou a remexer nas roupas enquanto Draco o puxava para irem embora.
- Sai! – desvencilhou Harry das mãos de Draco – Ela quer me dar alguma coisa...
E de fato era, a mulher tirou um envelope do bolso da roupa e entregou ao Harry.
- É seu! – a mulher virou as costas e saiu andando, bateu a porta ao passar pelo seu quarto da enfermaria.
- Ela... Ela se lembrou de mim – disse Harry arrepiando, Neville ia ficar contente em saber. Por fim, resolveu rasgar o envelope para descobrir o que havia em seu interior, sem significado algum, escrito.
"Deve estar atrás da lareira".
Devia ser mais algum enigma de sua vida, resolveu guardar no bolso e juntamente com Draco, eles subiram para irem embora.
Harry não soube até quanto tempo sua amizade com Draco duraria, mas soube que se houvesse algum rancor desses últimos sete anos de conflitos entre os dois, esse rancor havia sido desfeito essa noite quando Lupin acordou de um sério encantamento feito por Lúcio e como se não bastasse, contou informações valiosíssimas sobre a vida de Harry.
- Velho... Eu nem sei como agradecer! – puxou assunto Harry depois de enfrentarem um frio cortante.
- Não agradeça, Potter! Desde que você não me denuncie...
- Agora falando sério, porque você passou tão fácil para o nosso lado...
Harry e Draco começaram a subir os corredores escuros, com as varinhas ligadas, atentos a qualquer pista ou barulho que indicasse algum professor nos corredores.
- Não quero que pense que sou covarde, mas... O Lord das Trevas está tentando me matar desde que eu falhei em sua missão.
- Ah! Explicado – resmungou Harry soltando o ar fazendo a franja se mover – Vamos, Rony e Hermione devem estar no meu quarto, esperando...
- Ou fazendo outras coisas! – ironizou o loiro.
Harry riu.
- Eles vão demorar para descobrir que se gostam!
- Por que você não os ajuda? – perguntou Draco inocentemente.
- Ah! É mais pelo fato de... – ele parou para pensar na palavra correta, não querendo definir "não ficar excluído".
- V-você e a Granger já chegaram a ficar juntos? – perguntou normalmente.
- Ei! – devolveu meio corado – É claro que não, ela é minha amiga! Eu gosto dela como uma irmã!
- Eu... E Pansy começamos assim! – riu Draco.
- E viu como terminaram, né? – retrucou Harry meio zangado por Draco estar interferindo em seus sentimentos – E aliás, eu ainda gosto da minha namorada.
- Ainda namora a Weasley?
- Nós terminamos, desde... Desde que ela foi capturada! – disse Harry engolindo em seco – V-você chegou a vê-la?
Draco negou com a cabeça.
- Não tive tempo, sério. Mas fique tranqüilo, pelo que eu ouvi das conversas, ela seria uma das últimas pessoas a ser morta no mundo bruxo.
- O que você quer dizer com isso?
- Gina tem alguma espécie de segredo do Lord das Trevas, e...
- Seria confiável que a matassem, não? – perguntou Harry empurrando a porta da Sala Precisa despertando Rony e Hermione de suas conversas distraídas.
Draco apenas deu os ombros.
- V-vocês... Vocês estão conversando? – perguntou Hermione séria apontando o dedo para os dois.
- Imperius? É?!? – perguntou Rony apontando a varinha para a face branca de Draco – Vamos, Malfoy. Desfaça!
- Ei, Weasley, se continuar apontando essa varinha para o meu rosto, eu juro que enfio essa varinha no...
- EI! – cortou Hermione antes que começassem a sair palavrões – Será que podiam agir como pessoas civilizadas?
Harry se deixou cair na cama, cansado depois de uma longa viagem desconfortável, olhando o sol nascendo através da janela do quarto.
- Rony, eu preciso que você volte com a Luna o mais rápido possível! – disse Harry depressa encarando o teto – E você sem ciúmes, Hermione! – acrescentou Harry rapidamente ficando zangado.
- Mas eu não disse nada! – defendeu-se a garota ruborizando e fazendo Draco soltar uma risadinha pelo nariz.
- Preciso extrair segredos íntimos que só Luna tem! E vamos precisar da sua ajuda, Rony, agora mais do que nunca!
- Pode deixar, Harry, mas antes... – ele lançou um olhar a Draco que estava fuçando na fruteira em busca de comida, abaixou o tom de voz e perguntou quase no ouvido de Harry – Você pode nos contar o porquê dessa sua amizade repentina com o Malfoy?
Harry olhou por cima do ombro e achou melhor que o loiro tivesse não escutando.
- O Malfoy não esteve desmaiado naquela noite do Rabicho, ele sabe todas as nossas informações, então, acho importante vocês tratá-lo como se fosse nosso convidado de honra, ou ele pode dar com a língua nos dentes!
Rony concordou coçando a nuca, levemente corado.
- Vamos ter de aturá-lo?
- Sim, nós precisamos dele, muito mais do que ele precisa da gente.
- Acho que você deixou mesmo as palavras do Chapéu Seletor infiltrar em você! – comentou Rony trocando um olhar rápido com Hermione – Boa noite, nos veremos mais tarde!
- Boa noite – respondeu acenando e voltando a se jogar na cama para cair completamente no sono.
O dia seguinte veio conforme Harry previra, a chuva forte e inabalável nos terrenos de Hogwarts, trazendo o frio anunciando a chegada de Outubro. Draco passara a noite no quarto para não dar bandeira ao castelo de que estava à solta, não queria ser apontado pelos colegas tão cedo.
Com o passar do tempo, Harry adquiriu uma certa intimidade com Draco e eles foram abrindo espaço e ficando cada vez mais amigos, porém, os segredos sobre a missão de Dumbledore não foram passadas adiante, e não seria, disso ele tinha completa certeza, e cada vez que queria falar com Rony e Hermione, tinha que separá-los, inventar alguma desculpa, e pedir para a mensagem ser passada. Um exemplo perfeito disso foi no final da outra semana, acabando o curso de Poções com Slughorn, Harry chamou Rony em um canto e disse que precisava destruir a Horcrux urgentemente.
E as notícias boas vieram algum tempo depois, Rony e Hermione tinham feito o serviço completo a ele, sem que precisasse fazer nada.
Rony e Hermione chegaram no quarto por volta do meio dia para contar as novidades, a garota segurava o pergaminho de Rony sobre o discurso do Chapéu Seletor.
- Eu andei estudando um pouco sobre o discurso dele – explicou-se Hermione dando os ombros e vendo a chuva cair lá fora através da janela.
- E o que achou de novo?
- Nada, basicamente! Algumas coisas não muito novas, mas... "A união para todos não é a única solução". O que quer dizer que a união é uma das soluções – disse enfatizando "uma" – Agora o que me é muito estranho é dizer que "os erros do passado tão distante podem ser compreendidos para que não serem repetidos no futuro próximo ao nosso" – disse ela franzindo o cenho ao lembrar de palavra por palavra – Isso significa que já aconteceu, então!
Harry concordou, obviamente.
- Alguma idéia? - perguntou.
- Será que isso tem alguma coisa haver com o passado dos fundadores de Hogwarts? – perguntou Rony encolhendo os ombros – Ah, vai saber, né?
- Estou dando uma lida em Hogwarts: Uma história, e não há nada que eu me lembre que mencione alguma coisa do tipo... Ou... Ah! Um segundo! Eu... Eu já volto! – e saiu batendo a porta com força.
Rony deixou um suspiro escapar, e deixou-se cair na cama em uma bela imitação de um desmaio.
- Ela não cansa mesmo de fazer isso?
Draco ergueu as sobrancelhas enquanto mordia uma maçã.
- Ela sempre tem esse tipo de loucura?
Rony franziu as sobrancelhas.
- Por que você não cala a sua boca?
- Porque você não fica quieto! – retrucou Harry cerrando os dentes na direção de Rony, capturando o seu olhar.
Rony pareceu não gostar e voltou a ser jogar na cama, quieto.
- E você já fez as pazes com Luna?
- Wow, cara! – ele esticou o pulso no ar e deu uma boa verificada no relógio – Estou atrasado para o meu encontro com a Luna! – e saiu disparado atrás de Hermione.
Finalmente, Harry e Draco a sós no quarto.
- Então, Malfoy... Eu queria te fazer uma pergunta.
Ele continuou mudando, mastigando a maçã, mas a sua expressão era de "continue".
- Eu não sei como não perguntei antes, mas... Você tem alguma idéia de como podemos resgatar a Gina?
Ele apenas sacudiu a cabeça, ainda mastigando, e após engolir, respondeu.
- Eu não me arriscaria a tanto, Potter! É mais perigoso do que você sequer consegue imaginar!
Harry levantou até Draco e estendeu a mão em sua direção.
- Amigos?
Draco olhou por um momento, e repetindo a palavra "Amigos" apertou a sua mão com força de volta.
Algum tempo mais tarde, Hermione apareceu trazendo o livro no colo, dizendo que de fato havia tido uma briga entre os quatro fundadores de Hogwarts. A mesma briga sobre a Câmara Secreta, e depois disso não houve muitas outras histórias sobre os fundadores.
- Acho que eles não viveram muito tempo depois disso – comentou Hermione significativa – Pensem comigo, "depois disso não houve muitas outras histórias sobre os fundadores".
Harry concordou com um gesto, Draco não opinou, e Hermione limitou-se a revirar outras páginas do livro, decidida a procurar uma resposta sobre o problema.
- Ah! E ainda, algumas páginas depois confirmam exatamente o que eu falei! Os fundadores de fato morreram quase na mesma época, não pelo fato de terem a mesma idade, porque mesmo assim, Raveclaw ainda viveu durante logos anos até ser brutalmente assassinada! Estranho, muito estranho, não acham?
- Revelam também que Raveclaw sempre teve uma paixão secreta por Gryffindor, bom, isso leva a crer que ela não teve influência em absolutamente em nada na morte dos fundadores, mas... Ainda há pesquisadores que afirmam Raveclaw ser culpada por tudo isso!
- Não tem motivo dela ser culpada pela morte dos outros três fundadores! Não faz sentido algum! – comentou Harry balançando os ombros.
Rony abriu a porta, com o rosto borrado de vários lábios vermelhos, ele parecia ligeiramente atordoado, como se vários balaços tivessem acertado sua cabeça. Em outras palavras, estava meio, avoado.
- Rony? Rony? – perguntou Harry preocupado vendo o garoto andar em zigue-zague pelo quarto, e cair de cara na cama.
- Cara... Foi a melhor noite da minha vida! – comentou com o som abafado pelo colchão.
Harry lançou um olhar a Hermione, preocupado com os sentimentos da amiga, ela deu uma risadinha sem graça em sua direção, como se soubesse em que ele estava pensando.
- V-você e... E a Luna estão juntos? – perguntou Hermione gaguejando ao entender o olhar de preocupação de Harry.
- Cara, estamos! – e ele virou-se, ficando de barriga para cima – Se eu soubesse antes que o beijo dela era bom assim, nossa, sério! Eu e ela já teríamos nos casado há séculos!
Harry continuou com o olhar na direção de Hermione, preocupado.
- Tudo bem? – perguntou a ela.
- Você não tem motivos para estar preocupado, juro! – comentou ela normalmente.
Harry concordou e voltou a falar com Rony.
- Legal... Agora só precisamos conhecer um pouco mais sobre a mãe dela, e o que ela fez comigo!
- A que horas vocês marcaram o próximo encontro?
Rony deixou um suspiro apaixonado escapar e respondeu.
- Daqui a 10 minutos!
Nesse tempo de espera, Harry e Hermione foram conversar na sacada do quarto, não chovia mais, mas ainda ventava como nunca, sorte que eles estavam usando casacos bem calorentos.
- Hermione, eu quero te pedir desculpas pelo o que aconteceu com o Rony... Sobre os sentimentos dele, e...
Hermione sacudiu a cabeça, rindo.
- Eu... Eu não ligo, de verdade!
- Eu sei que você é apaixonada por ele, mas...
- O QUE? – perguntou ela quase que histericamente.
- É, eu sei que você gosta dele, e... – disse substituindo o "apaixonada" por "gostar" já que as palavras tinham sentidos não diferentes, porém, um era mais intenso do que o outro.
- Eu... Eu, sinceramente, de onde você tirou isso? – perguntou ela rindo.
- Ah! – Harry parecia ter perdido o jeito da situação – Sei lá... Ele ficou com ciúmes de você no quarto ano na época do Baile de Inverno, e você dele, e...
Ela tossiu forçadamente cortando a fala de Harry.
- Eu fiquei com ciúmes dele? Eu fiquei com ciúmes dele? Repete!
- É...
- Harry, aquilo não foi ciúmes! Foi uma briga estúpida que nós tivemos, principalmente por ele nunca ter reparado que eu era uma garota! Eu fiquei muito chateada que ele tivesse pensado assim de mim! Foi só isso!
- Não foi ciúmes? – perguntou Harry esticando umas das sobrancelhas.
- Nunca! Deus me livre! – riu ela jogando os cabelos de um lado para o outro, negando.
- Mas... E o ano passado, que você chorou e jogou os pássaros nele... E...
- Não, Harry, aquilo não foi porque eu gostava dele! Aquilo foi porque eu gostava de alguém que estava com outra pessoa, mas não era ele!
Harry sacudiu a cabeça tentando absorver algumas idéias. Então, Rony não gostava de Hermione, e vice-versa?
- A conexão entre vocês dois, as brigas, e...
- As brigas! – riu ela pelo nariz – Eu nunca tive um irmão ou uma irmã para saber, mas... Pelo que eu saiba, irmãos brigam mais do que cão e gato!
Harry riu pelo nariz também.
- Isso quer dizer o que você sente por ele, é...
- Amizade! – cortou ela definitivamente – Simplesmente amizade e só!
- Ah, mas... Então você gosta de alguém? – perguntou ele sabendo que estava indo um pouco mais a fundo dos sentimentos da amiga, coisa que nunca fazia – Ahm... E quem é essa pessoa?
- Ah, eu...
- Ei, vocês dois! Vão congelar aí fora! – gritou Draco acenando para que os dois voltassem – Vamos, ou senão o Weasley se joga daqui mesmo!
Harry e Hermione trocaram uma risadinha, encolheram o pescoço para protegerem do frio, e com as mãos nos bolsos, entraram de volta ao quarto quentinho.
Draco ficou no quarto enquanto o trio desceu para ganhar a confiança de Luna, assim que os viu, a loira pulou no pescoço do ruivo e o encheu de beijos, deixando o casal ao lado, sem graça.
- Ah... Rony... Acho que estamos aqui! Esperando... Sabe... – cutucou Hermione em seu braço.
- HARRY? HERMIONE? – gritou Luna incrédula como se eles tivessem acabado de aparatar.
Após muita conversa vai-e-vem, eles buscaram uma sala preservada para buscarem respostas sobre a mãe de Luna.
- A minha mãe... A minha mãe foi caçada por todo o Ministério após a morte de seus pais, Harry! Ela fez muitas denuncias sobre Cornélio Fudge naquela época, e foi caçada! E... – Luna dizia tudo com naturalidade, não chorava, talvez estivesse acostumada, Hermione tinha os olhos molhados em lágrimas a cada vez que ela contava sobre a mãe – E... Ela foi assassinada assim como Sirius Black!
- Sua mãe foi jogada contra o véu?
- Cruelmente empurrada! – corrigiu Luna lançando seus olhos arregalados na direção da garota.
- Mas... Mas você disse que um feitiço tinha dado errado com ela, por isso que ela morreu – disse Harry intrigado.
- Ah, claro, essa é a versão que meu pai me obriga a contar também, não é muito legal sair falando que sua mãe foi morta pelo Ministério! – ela jogou um olhar chateado aos sapatos, e Harry sentiu o coração espremer no peito.
- É por isso que vocês escutaram vozes, Harry – explicou Hermione ligando os fatos – Que vocês escutaram vozes no véu! Você e a Luna!
- Sim... Era como se alguém estivesse tentando nos contar alguma coisa decididamente importante!
Luna concordou com a cabeça.
- Papai disse que escuta mamãe gritar quando passa por perto!
Harry levantou de tal modo que assustou aos demais.
- Luna, obrigado por tudo! De verdade! – ele ficou de costas aos três – Hermione, vamos descer. Rony, vejo você daqui alguns minutos, você-sabe-onde!
Antes que Harry terminasse a trajetória, ele parou no meio da sala, pensativo.
- Luna, eu preciso que de alguma forma você me traga a Penseira de sua mãe.
- O que?
- Eu vou precisar da sua ajuda, por favor, apenas faça isso que eu te contarei todo o resto, agora não tenho tempo, até breve!
Harry e Hermione fizeram o trajeto de volta ao quarto jogando todas as teorias em jogo, claro, uma mais absurda do que a outra, o garoto tinha uma idéia em mente, só ia esperar Rony chegar para praticá-la.
- Ei, me esperem! – disse Rony aproximando dos dois, com as mãos no bolso por causa do frio – Eu... Eu estava me despedindo dela!
- Eu... Eu acho que nós devemos ir ao Ministério, ao Departamentos de Mistérios.
- Ahm? – perguntaram Rony e Hermione ao mesmo tempo.
- Eu quero buscar os pensamentos de Giulla Lovegood!
Hermione escancarou a boca, fechando várias vezes ao mesmo tempo.
- Harry, não me leve a mal, mas... A gente pode ir, tudo bem, mas confiar no Malfoy, isso já é demais!
- Rony, nós precisamos dele, eu já te falei isso, e ele precisa da gente!
- Mas... Não seria menos arriscado promover um Voto Perpétuo?
Harry piscou várias vezes no mesmo lugar.
- Perfeito, vocês vão ser testemunhas! Agora, vamos!
Ao terminarem de fazer o Voto Perpétuo entre Harry e Draco, os quatro abandonaram o castelo na mesma noite, armados e levando a capa de invisibilidade (idéia tirada de quando pensou que Voldemort tinha entrado no Ministério por capa de invisibilidade no seu quinto ano em Hogwarts). Após algumas horas duras de enfrentarem o frio cortante, eles pararam em Londres bem diante da cabine telefônica.
- Ótimo... Agora dois de nós vai entrar, outros dois terão que ficar aqui fora – abreviou Harry.
- Eu vou com você! – disseram os três ao mesmo tempo.
- Ah... Dois ou um! – indicou Harry.
Rony acabou ganhando no jogo.
- Malfoy e Mione, fiquem aqui até voltarmos... E de preferência, escondidos! Em último caso, vocês entram! Ok?
Eles concordaram com a cabeça, desejaram boa sorte, Harry e Rony entraram na cabine anunciando apenas o nome do ruivo, o moreno já estava sob a capa para não ser visto ou identificado.
Ao pisarem no Saguão, Rony aproveitou que ninguém estava vendo e também entrou na capa, e logo os dois foram esgueirando entre as pessoas para dentro do Departamento de Mistérios.
Após enfrentarem as salas mais escuras e esquisitas, eles chegaram à sala, onde havia um pano preto oscilando pela sala como se fosse água.
- Ali. É bem ali! – apontou Harry sentindo um aperto assombroso no peito.
Harry e Rony saíram da capa, e aproximaram do lugar, não muito perto com medo de sofrer as conseqüências.
- Rony... Eu estou ouvindo vozes, você... Você...
- Sirius! – berrou Rony em lágrimas nos olhos – Eu... Eu ouço a voz dele!
Harry sentiu que o aperto no peito ficava cada vez mais insuportável. Era cruel. Ele deu mais alguns passos, murmurando.
- Sirius... Sirius... Eu... Eu sinto sua falta!
- Harry, não... Não vamos perder tempo! – disse Rony puxando a varinha – Você tem idéia do que possamos fazer agora?
- Dumbledore disse que... Depois que Sirius atravessou... Havia uma possibilidade dele ter sido salvo, dele voltar, mas... Mas quando penetrou muito fundo, então ele se perdeu de vez dentro do véu, e não houve saída, então, acredito que dê para entrar e voltar!
Rony engoliu em seco, sentindo um tijolo descer pela garganta.
- S-será mesmo? Será que dá para encontrar a mãe de Luna e pegar os seus pensamentos?
- Só existe uma maneira de descobrirmos! – disse Harry com firmeza olhando dos olhos de Rony para o véu – Quero que você... Quero que você diga a sua irmã, o quanto eu a amo... Se eu não voltar!
- Que história é essa? – perguntou Rony arregalando os olhos – Você não vai entrar no véu de hipótese alguma!
- Eu preciso, Rony! – cortou – Eu preciso dos pensamentos da Sra. Lovegood!
- Eu vou! – berrou Rony – Eu sou menos importante do que você nessa guerra! Você é a única salvação de todos! Já eu... Não faço diferença!
- Rony, não diga isso! Você é o meu melhor amigo, você me salvou de tantas enrascadas que eu mal posso contar!
Rony apertou a varinha com mais firmeza nas mãos.
- E se eu não voltar... Diga a Luna que eu a amo!
- RONY! NÃO! – gritou Harry tentando agarrar Rony antes mesmo que o ruivo saltasse, mas não foi tão rápido quanto o amigo que pulou na direção do véu, atravessando-o.
- Rony... Não... – gemeu Harry caído no chão, com os cabeços abertos, não acreditando o quanto Rony era fiel a ele.
Os segundos pareciam horas, Harry rodava entre o véu, escutando vozes e vozes, não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas só restava esperar pela vinda do amigo. Ou não... E só de pensar nessa hipótese, ele sentia que não ia suportar.
Algum tempo depois, podia julgar que tinha passado um dia inteiro, ouvi finalmente a voz de seu amigo murmurando algumas palavras desconexas.
- Harry... Harry... Eu... Eu consegui, cara... Eu venci! – disse ele saindo do véu muito branco, embaixo de seus olhos havia marcas, sinais de cansaço, e ele estava molhado de suor.
- Rony, cara, valeu! – Harry apertou o amigo com força, mal acreditando no que estava acontecendo, tinha ansiado tanto para o amigo voltar – Rony, valeu mesmo cara, você... Você é o meu melhor amigo!
- Calma, calma... – disse ele tentando equilibrar a varinha com alguns fios coloridos na ponta – Aqui, são os pensamentos da mãe de Luna, Harry... Aqui está toda a verdade sobre a sua mãe.
Harry tinha lágrimas nos olhos, agora eram sentimentos que se misturavam e faziam uma bola de neve em seu peito. Era angústia, tristeza por Sirius. Alivio, gratidão por Rony ter aparecido. E... Felicidade pelo fato de estar com todas as respostas sobre sua mãe em suas mãos.
- Obrigado, Rony. Obrigado mesmo! – ele disse com sua voz ecoando pela sala escura – Rony? Rony?
Ele olhou por cima do ombro, e na sala não havia absolutamente ninguém. Ele era o único ser vivo ali. E o véu continuava oscilando ao vento...
Nota do autor: Sempre achei que a Luna fosse ter um papel importante no livro sete. Muito mais importante do que ser uma donzela em defesa! Ou ter um pai psicopata! Enfim... Aqui estás!
Gostaria de agradecer as reviews, e deixa um aviso bem claro.
OBS: SERÃO POSTADOS 3 CAPÍTULOS! DE UMA SÓ VEZ!
Ou seja, da próxima vez que você entrar na fanfic para ler UM capítulo novo, você vai encontrar TRÊS capítulos novos, em TRÊS janelinhas roxas. Ok? Portanto não se assustem!
Porque normalmente as pessoas vêem as fanfics atualizadas, e vão DIRETO no último capítulo da janelinha roxa que abrir lá no começo da fanfic. E a pessoa vai DIRETO no último capítulo que estiver lá, e se você fizer isso da próxima vez que entrar na fanfic você vai PULAR DOIS CAPÍTULOS.
Mas fiquem tranqüilos, no começo de cada capítulo eu lembrarei vocês, para que não se percam! Beijos e abraços.
Lech: Hehehehe. Gostou, leitora vip? Hehehe, te adoro mãe! Hoje e sempre, fico feliz que esteja gostando da fanfic também. Beijão.
Jennifer: E se for um pouco além e disser que o Draco terá um par romântico na fanfic, você vai gostar? Hehehe, espero que sim. Beijos!
Karla: Aposto que está vermelha de novo! Hehehehe! Sim, Harry e Draco amigos mas por um bom motivo, né? Espero que tenha ficado bem explicado! Já o Rony e a Luna, sem comentários! Hehehehe! São fofos, né?! E sim... Parabéns, você adivinhou um pedaço do final. Hehehe! Beijos.
Lolixx: Pode me chamar de Dudex sim, hehehe! Bom, acho que nesse capítulo ficou esclarecido sobre o Draco né? Ele quer passar para o lado do bem, mas é claro, ele quer SEGURANÇA (sim, ele é interesseiro!) e a segurança é encontrada ao lado do Harry já que tem milhões de aurores tomando conta dele. O Harry quer informações da Gina, e só o Draco pode ajudar. Então, uma mão lava a outra! Fica relax, não precisa comentar sempre, mas eu senti saudade da sua review no capítulo 09. Beijos!
Próximo(s) Capítulo(s)...
Capítulo 12: "- Isso é um absurdo! – recriminou Hermione parando de ler – Um absurdo!
- Eu sei porque o Ministério inocentou o Snape, porque eles querem me forçar a ir até lá, depor contra ele, e ao mesmo tempo ser caçado!
- É por ai mesmo, Potter – concordou Draco.
- Mas Snape é um assassino – murmurou Harry rangendo os dentes e arranhando as unhas nas palmas das mãos – Eu... Eu ainda vou matá-lo!".
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Capítulo 13: "- Eu... Eu preciso da Granger! – murmurou Snape atirando o seu cabelo oleoso e sujo como nunca para trás.
- Você... Você... – respirava Harry a cada palavra que murmurava, renovando o ar de seus pulmões – Você... Não... Vai... Levá-la... Eu não vou deixar!
Harry deu impulso com os pés e com as mãos ao mesmo tempo, voando na direção de Snape como se fosse um leão, ia atacá-lo mão a mão, não ia utilizar a varinha, e faria de tudo para salvar a sua melhor amiga. A raiva nesse momento era muito maior do que ele conseguia suportar.
- Petrificus Totalus! – gritou Draco com a varinha em punhos na direção de Harry que foi devolvido de volta com violência na direção da parede, como uma pedra."
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Capítulo 14: " - Não, R.A.B. não é Regulo Black – riu Hermione dando um tapa na testa como se aquilo tivesse sido óbvio.
- Desde quando R.A.B. não é Régulo Arcturo Black? – perguntou Harry indignado após ver que todas as teorias se encaixavam.
- Muito óbvio – respondeu ela estralando os dedos – Desde quando Voldemort confiaria uma tarefa tão grande sobre Horcruxes ao seu comensal qualquer? Ainda mais um comensal traidor!
Harry negou a cabeça, esfregou os olhos e continuou a ouvir."
