Capítulo 12, 13 e 14 foram postados no mesmo dia (12-09-2007). Cuidado ao ler. Boa leitura!

Capítulo 12.

A lembrança de Giulla Lovegood.

Chegou ao patamar do Ministério, subiu o elevador ainda coberto pela capa de invisibilidade, e com os pensamentos de Giulla presos em uma garrafinha extra que havia trazido em sua mochila.

Seu cérebro, no entanto, não parecia trabalhar. Ele estava chocado com tudo o que acontecera há poucos minutos, e mal podia acreditar que mais um de seus entes queridos havia ido. E dessa vez não era simplesmente um colega, ou rival, era o seu melhor amigo, Rony Weasley. O mesmo que em muitos e muitos anos viera ajudando, em muitas etapas de sua vida. Dessa vez, ele só estava suportando a idéia porque no fundo, sabia que era mentira. Sabia que Rony não tinha morrido, e que um dia ia voltar.

Ao pisar novamente nas ruas de Londres, não encontrou a imagem de ninguém, tirou a capa do corpo, e as ruas clareadas estavam sendo banhadas pelo sol de Londres, não havia ninguém que conhecesse, era de manhã, bem cedinho.

- Harry! Harry! – chamou uma voz vindo em sua direção. Era sem dúvida, a atrapalhada Tonks.

- Ah! Tonks! – disse sem muita emoção segurando o frasco de vidro – Cadê Hermione? Cadê o Malfoy?

- Eles foram atacados! – disse ela naturalmente passando o braço em seus ombros – Não, não, está tudo bem – contou depressa para aliviá-lo – Eles fugiram em tempo! Estão escondidos na casa dos Grangers!

- Tonks... Tonks... – gemeu Harry segurando o frasco – O Rony...

- O Rony não estava com eles, deve ter aparatado antes!

- Não, Tonks, o Rony foi comigo... O Rony não voltou!

Tonks que tinha andado meio quarteirão com o garoto, parou, puxando a varinha da cintura.

- Então vamos buscá-lo!

- Não tem como... Rony... Ele se foi! – disse sentindo as lágrimas arderem os seus olhos, juntando com a ofuscação dos raios solares, o deixavam infinitamente pio.

- C-como assim, Harry? – perguntou Tonks achando que ele estava numa espécie de transe – V-você está bem?

- Rony atravessou o véu! – Harry numa atitude meio infantil abraçou Tonks com muita força e desabou em lágrimas, sabia que era infantilidade, mas não conseguia suportar que ele tivesse ido.

- Harry, fica calmo – sussurrou Tonks em seu ouvido passando a mão em seus cabelos – Vamos voltar para Hogwarts e vai ficar tudo bem, Hermione e o Malfoy já estão lá!

- Eu... Eu não vou aparatar, eu... – Harry não sabia o que fazer na verdade, estava descompassado, fora de si.

Tonks agarrou o garoto pelos braços e aparatou com ele, passando por Hogsmeade, deixando-o em Hogwarts, coberto pela capa, dentro do quarto vazio, Draco e Hermione chegaram bem mais tarde, e ele não teve coragem de dar a notícia. Cortando a parte triste, Hermione chorou desesperadamente, Harry sentiu-se pior por isso, nunca vira a garota sair do controle, parecia estar enlouquecendo.

O vazio no peito de Harry nunca seria preenchido, nunca mesmo, e ele tinha idéia de que sua vida continuaria assim mesmo. Rony fora um grande guerreiro, sem sombras de dúvidas, mas agora precisava seguir apenas ao lado de Hermione.

- Vamos poupar Luna da verdade – comentou ele algum tempo depois, quando o silêncio incômodo chegou ao lugar – Os... Os Weasleys já estão sabendo?

Tonks negou com a cabeça.

- Não creio que eles precisam saber tão cedo... Não vai haver diferença!

Harry não concordava com essa afirmação, achava que a verdade devia sempre ser dita, por experiência própria, já que odiava que as pessoas ocultassem a verdade a ele, o tempo todo, mas ele não podia simplesmente aparatar até a Toca e dar essa infeliz notícia aos Weasleys, quem os considerava da família. Seria muito pior do que podia imaginar.

O final de Outubro chegou trazendo também o curso de Defesa contra as Artes das Trevas, e todos sabiam que essa seria a pior parte de todas. Hermione chegou a engolir em seco quando soube do roteiro sobre a aula. Draco não estava incluído nessas aulas mas até agora não tinha dado o braço a torcer sobre querer aprender novos encantamentos, feitiços e poções.

Harry também mantinha os pensamentos da mãe de Luna guardados, tinha um pouco de receio ao lembrar que Rony conseguira capturar as imagens da mulher, e ao mesmo tempo tinha um grande medo também de descobrir toda verdade sobre seus pais, sobre a morte de sua mãe. Não negava isso a Hermione, e ela concordava com ele, apertando seu braço em um gesto fraterno, dizendo que ela faria o mesmo.

Draco chegou usando a capa de invisibilidade naquela manhã de segunda feira, um dia após a festa do dia das Bruxas, trazendo o Profeta Diário.

- Adivinhem só a piada da vez!

- O que? – perguntaram os dois juntando a cabeça a de Draco para verificar o que tinha saído na primeira página.

"Severo Snape é inocentado de todas as acusações.

O ex-mestre de Poções e Defesa contra as Artes das Trevas de Hogwarts, Severo Snape, foi seriamente comprometido com o Ministério da Magia e com a sociedade do mundo bruxo.

O rapaz foi acusado de assassinar Alvo Dumbledore, também ex-corpo docente em Hogwarts, só que no cargo de diretor.

Severo foi poupado de todas as acusações como criminoso, só havia uma única testemunha no local, e ela se encontra desaparecida desde o fechamento da escola de Magia e Bruxaria. A testemunha Harry Potter.

Não houve mais nenhuma prova de que ele realmente tenha sido culpado pela morte de Alvo Dumbledore, além do que, o bruxo colecionava centenas de anos, mais cedo ou mais tarde viria a falecer..."

- Isso é um absurdo! – recriminou Hermione parando de ler – Um absurdo!

- Eu sei porque o Ministério inocentou o Snape, porque eles querem me forçar a ir até lá, depor contra ele, e ao mesmo tempo ser caçado!

- É por ai mesmo, Potter – concordou Draco.

- Mas Snape é um assassino – murmurou Harry rangendo os dentes e arranhando as unhas nas palmas das mãos – Eu... Eu ainda vou matá-lo!

Harry e Hermione compareceram as aulas de Defesa contra as Artes das Trevas naquela mesma manhã. Conheceram o professor meio moreno, com olhos claros e era jovem, atraente o que fazia muitas garotas suspirar por ele, uma delas, Hermione.

- Ele é tão lindo que eu o meu patrono até brilha mais! – comentou Hermione suspirando.

Harry lançou uma olhada pelo canto do olho para Hermione, sem dizer nada sobre os comentários da garota.

Com poucos dias de trabalho e eles já estavam se concentrando em como fazer os feitiços imperdoáveis, enfrentaram toda a teoria (Hermione tremia dos pés à cabeça só de pensar), e eles começaram a soltar faíscas para usar. Não obtiveram sucesso tão cedo, isso só aconteceu após muito treinamento, e no último dia do curso deles, no caso, sexta-feira.

- Eu... Eu tenho pensado tanto sobre isso – murmurou Hermione apontando a varinha na direção das aranhas – Avada... Avada... – ela segurou o choro, apertou a varinha com convicção – Avada Kedavra! – e um feitiço verde ofuscante saiu, atravessando o inseto.

- Você conseguiu – murmurou Harry boquiaberto – Parabéns! Você conseguiu!

Harry não deixou por menos, fez tanta força que no final das contas o seu Avada também saiu matando a sua aranha, Hermione não conseguia parar de chorar ao pensar sobre isso.

- Mione – disse Harry muito próximo a ela, em um corredor escuro àquela noite, debaixo da capa, ambos – Eu sei que é muito difícil para nós dois isso tudo, mas... Você tem que aprender a controlar as suas emoções.

- Eu sei, Harry, eu sei – sua voz saiu meio embargada, misturada às lágrimas – Mas é muito difícil suportar tudo isso, saber que talvez eu tenha que matar alguém, coisa que eu não tenho coragem de fazer!

Harry parou, segurando o braço da amiga, próximos a uma das tochas, aquecendo-os ainda mais sob a capa. Harry nunca esteve tão próximo a Hermione, e sentiu que alguma coisa o irritava por dentro do estômago.

- Eles não vão ter dó de matar a gente. E nós não podemos ter dó de matar eles! – disse encarando seus olhos castanhos, e no fundo vermelhos.

Hermione também o encarava, e seu olhar caiu na direção do seu nariz, e foi descendo, Harry sentiu a respiração aumentar só de pensar que ela estava com os olhos grudados em seus lábios.

- Eu... Eu... – dizia ela fora de ritmo, não sabia ao certo o que dizer – Eu...

- Você... – disse Harry também descendo os olhos na direção da boca da amiga. Harry se reprimiu internamente por isso, ele não devia estar fazendo isso com Gina, não devia mesmo. Esses pensamentos repentinos que costumavam vir sobre Hermione era pura ilusão, ele apenas tinha sede do beijo de Gina e por isso acabava perdendo os seus pensamentos em Hermione.

- Eu... – repetiu ela mais uma vez, também com a respiração acelerada, terminando de fechar os olhos e dando um passo adiante.

Harry segurou a respiração o máximo que podia, ficando estático. Era uma mistura de sentimentos que nem ele sabia descrever ao certo como era. Uma mistura de saudade, vontade, até mesmo espanto. E era o mesmo espanto que fazia com que ele não saísse correndo dali, ele sequer conseguia se mexer. Seu coração batia tão forte no peito, naquele corredor escuro, que tinha certeza que Hermione estava ouvindo. Era vergonha também, e essa vergonha transmitia ainda maior espanto.

- Um elefante incomoda muita gente... Dois elefantes incomodam, incomodam muito mais... – cantarolou uma garotinha no fim do corredor, tirando Harry e Hermione do transe, fazendo ambos se afastarem, deixando escapar um "Oh!", no corredor silencioso – Três elefantes incomodam muita gente... Quatro elefantes incomodam, incomodam muito mais... – cantarolava Luna saltitante passando por eles sem ao menos notar que estavam ali.

- Vamos voltar – sussurrou Harry desviando o olhar de Hermione ao sentir os pés, embora moles, grudados ao chão.

Ninguém disse mais nada durante a volta, os dois estavam muito constrangidos para dizer qualquer outra coisa, Harry se continha para não sair dando murros em sua própria cara por ter alguns pensamentos diferentes sobre Hermione.

"Hermione é minha amiga. E eu não quero experimentar o beijo dela! Isso é muito ridículo!" tentava-se a adequar de que sua verdadeira namorada era Gina, mesmo que não estivessem namorando mais.

Ao chegarem no quarto (umas dez horas depois, na opinião de Harry), eles se livraram da capa calorenta, que sufocava-os, Hermione aproveitou para se afastar e ir tomar um pouco de ar fresco enquanto Draco chegava para saber das novidades.

- Não tem nada interessante nessas aulas – disse Harry sem saber ao certo o que falava, atrapalhado entre as palavras.

- Como se você já soubesse executar feitiços imperdoáveis tão facilmente.

- Eu não quis dizer nesse sentido – comentou Harry indo tomar água também, sua garganta estava seca, não tinha uma gota de água desde a aproximação mínima entre ele e Hermione.

- Foi o que deu a entender.

Harry deixou-se cair na cama, pensando quando é que conseguiria encarar Hermione sem pensar no que aconteceu, ficou algum tempo assim sentindo o estômago dar uma leve guinada e um gelo descer pela garganta. Isso não devia estar acontecendo com ele, eles tinham vividos como irmãos.

"Isso, vou ver Hermione como uma irmã, e irmãos não se apaixonam" solucionou o problema enquanto encarava o teto fingindo escutar Draco sobre um discurso arrogante sobre estar com saudades de sua Mansão.

"Como deve ser a Mansão do Malfoy?" perguntou-se ironicamente.

Um lugar cheio de janelas e luzes acesas... Uma mansão estilo um castelo, feito por tijolos bem grandes... Com escadarias de mármore... Muitos elfos domésticos... Uma sala secreta, e nela havia um homem...

"- O trio está em Hogwarts, Milorde – disse Belatriz curvando-se ao mestre, sentado em uma cadeira.

- O que quer dizer com isso? – perguntou Harry sentindo sua voz estranhamente seca e arrastada.

- Aberforth veio pessoalmente nos contar.

- O irmão do velho assassinado? – perguntou ironicamente, fora de controle, não era ele que estava dando as ordens ao seu próprio corpo.

- Exato, Milorde!

Harry revirou os olhos, suspirando, algumas visões passando em sua mente, e mais uma vez sua voz saiu de forma indesejável.

- Lestrange, chame o Snape e quero que vá até o castelo! – ele soltou um suspiro enquanto Belatriz voltava a ficar em pé – EU NÃO TERMINEI DE DISCURSAR! – berrou soltando um crucio na comensal que tremeu caindo com as pernas tortas no chão.

- Peço mil desculpas, milorde – desculpava-se ela como se estivesse tomando um choque.

- Eu quero que mate o maior número de pessoas possível! E que não falhem dessa vez! – sibilou em tom raivoso".

Harry acordou sentindo que toda a água bebida acabara de ser praticamente jogada em sua cara. Estava suando como nunca.

- Malfoy! Malfoy! – berrou Harry acordando o rapaz aos gritos – Cadê a Hermione?

- Ah... Que horas são, cara? – perguntou esfregando os olhos.

Harry deduziu que já era tarde da noite, e que ele acabara dormindo sem querer na noite anterior.

- Eu preciso... Eu preciso que você avise Minerva McGonagall que o castelo está sendo invadido!

- O que?

- EU PRECISO QUE VOCÊ AVISE MINERVA MCGONAGALL QUE O CASTELO ESTÁ SENDO INVADIDO POR COMENSAIS DA MORTE!

Draco saltou da cama, parecendo ter sido socado.

- Por que, o que aconteceu?

- Os comensais vão invadir o castelo outra vez, aquele filho da mãe do Aberforth nos denunciou! Expecto Patronum! – executou alguns patronos para que pudesse avisar Hermione o mais rápido possível.

Harry juntou os seus pertences dentro da mochila.

- Para onde você pretende fugir? – perguntou Draco com a mão na maçaneta – E por que não me deixar ir avisar os Sonserinos?

- Para o Largo Grimmauld! E porque os sonserinos não confiariam em um filho de Comensal da Morte que supostamente matou Alvo Dumbledore! – ele parou engolindo em seco – Sabe onde fica o Largo Grimmauld?

- Não tenho idéia!

- Então... A gente se vê daqui meia hora em ponto na Sala de Poções!

Harry pegando os seus objetos, disparou para o Salão Comunal da Sonserina para acordar os alunos. Não chegou a entrar nos dormitórios, apenas acionou o "Sonorus" e berrou para que todos corressem imediatamente para a lareira e fugissem, acreditando-se quiserem, mas eles fizeram exatamente o que Harry dissera, e ele soube que tudo estava bem encaminhado.

Ao voltar às masmorras, ele soltou um Patrono na direção de Luna, sabendo que agora mais do que nunca precisaria descobrir a verdade sobre Giulla Lovegood, porque ia fugir e não saberia quando ia rever a amiga. Tinha que saber da verdade agora, ou nunca!

O seu patrono galopeou na direção das escadarias acima (era um meio de comunicação entre os bruxos), enquanto o garoto com um chute adentrou no escritório do ex-professor Snape, provavelmente agora o escritório pertencia a Slughorn e estava muito mais bagunçado do que antigamente.

- Hermione... Onde está você? – perguntou-se batendo o pé freneticamente ao chão – Luna, por favor não demore... E...

A porta foi escancarada com violência, Hermione apareceu ofegante na direção de Harry, suando.

- Já tirei todos os alunos da Grifinória! – disse pausando para respirar entre as falas – Aqui estou... Como você pediu!

- Eu... Eu mandei um Patrono a Luna, eu quero descobrir tudo sobre a minha mãe! – disse falando mais rápido do que o normal.

- Apoio totalmente em sua decisão, não sei se algum dia voltaremos a ver Luna, pelo menos tão cedo...

- Exato! – Harry sentiu uma pontada de alegria no meio de tanta tristeza, achou que Hermione não fosse apoiar a idéia, mas ela achara brilhante.

A porta se abriu novamente, Draco e Luna aparecem discutindo, a garota trajava seu pijama de flores azuis, e seu cabelo estava todo bagunçado.

- Boa noite – disse naturalmente desfazendo a cara de raiva que antes mirava Draco.

- Luna, não temos tempo! – disse Harry pegando a penseira que a garota trazia nas mãos delicadamente e pôs em cima da escrivaninha – Luna, obrigado mesmo, você não sabe o quanto eu agradeço por isso, mas eu sinto muito... Mas você não poderá ver o conteúdo dessa penseira, você é uma amiga brilhante mas...

- Ok – disse ela naturalmente como se estivesse vendo mariposas – Não gosto da sensação que isso me transmite, é alguma espécie de doença draconiana!

Hermione revirou os olhos e assentiu com a cabeça na direção de Harry, provavelmente dizendo "Pode ir, nós ficamos para garantir que ela não entre!".

Harry puxou o frasco de poções com os pensamentos de Giulla Lovegood e despejou-os, na penseira, com ajuda da varinha, eles simplesmente se mexeram levemente de um lado para o outro.

- Aqui vou eu! – disse sendo sugado para dentro do liquido como se fosse um furacão.

Harry caiu sentado em uma sala escura, onde a claridade da lua atravessava as janelas de vidro, era um lugar, no mínimo, sinistro.

Ele encaixou os olhos e tentou levantar ignorando a dor em uma de suas coxas, olhou para os lados tentando enxergar alguma coisa próxima, mas apenas o que viu foi uma poltrona comprida, um quadro acima, e...

- CORRE LÍLIAN, CORRE! EU DISTRAIO ELE! – berrou uma voz que fez o coração de Harry parar.

Ele estava em sua própria casa.

E o rapaz ouviu passos, não eram apenas dois, eram mais do que dois, viu vultos também passando do outro lado da porta e soube que Lílian estava subindo, e não estava sozinha, quer dizer, alguém mais a seguia, estava ao seu lado.

- Não tem mais jeito, Lílian... – disse uma voz temerosa e com toque de choro sumindo nas escadarias que levava para o andar de cima – Lílian, leve Harry e vá! É ele! Vá! Corra! Eu o atraso..."

E um clarão se fez. Houve um estrondo de uma fechadura se abrindo. Harry encolheu-se de medo (como se estivesse ao vivo na cena), acabou indo parar dentro de uma lareira muito bem enfeitada, era feita de tijolos antigos, e com alguns desenhos desconhecidos. Um tipo de língua estranha, esquisita. Seria uma língua de cobra? E aqueles sinais escritos? Significavam o que?

- Seu filho de uma... – berrou Tiago atirando uma rajada de feitiços contra a porta, o problema era que não parecia ter efeito algum, veio apenas uma gargalhada aguda, sem alegria alguma – Colloportus! – berrou a voz grossa do pai.

Harry sentiu um aperto no peito como nunca tinha imaginado que seria antes, doía como nunca, muito mais do que o próprio amor quebrado que sentia por Gina. Era uma dor quase que insuportável de estar ali, parado, vendo os seus pais morrerem e não poder fazer absolutamente nada. Era mil vezes pior do que um crucio.

- Fechando a porta na cara das visitas? – ouviu-se a voz de Voldemort vindo da direção da porta da cozinha (ou parecia ser) – Isso é muito mal educado, Tiago Potter! – e viu um vulto aproximando.

Sabia que doía levar um tapa na cara, um soco, ou até mesmo ser cortado ao meio, mas a dor de estar perdendo os pais em sua frente. Era mais do que humilhante. Era, no mínimo, mortificante.

Correu para os andares de cima, decidido a não ver o pai morrer, sabendo que sua hora teria chegado em breve, e aos subir as escadarias, sentindo a raiva o dominar dos pés à cabeça, ele sentiu de relance um clarão as suas costas, e houve um barulho de algum barulho tombando para trás. E a dor espremeu cruelmente o seu coração. Seu pai tinha acabado de ser assassinado por Voldemort, o que não demoraria a chegar até o quarto de Harry.

O garoto parou em um espaço quadrado, havia duas portas de cada lado, e uma janela no fim do corredor, uma janela que mostrava as nuvens e poucas estrelas palpitantes no fundo, arriscou porta por porta até descobrir que a última do lado direito era o seu quarto. Nessa altura do campeonato, Voldemort já estaria na metade da escada.

- Giulla... Giulla, vá embora! Vá embora agora! – berrava Lílian as lágrimas empurrando a amiga para dentro do guarda-roupa.

- Eu... Eu vou salvar a sua vida! – disse a loira de cabelos curtos, arrepiados, e olhos arregalados.

Harry não parou para ver os detalhes do quarto, o azul bebe era pintado de um modo que deixava o quarto bem infantil mesmo. Havia um guarda-roupa grande, e um berço no canto, perto da janela que ficava do lado oposto da porta, era infinitamente maior do que o quarto dos Dursleys na qual ele passava as férias de verão, e havia muitos brinquedos ao chão, ursinhos de pelúcia, carrinhos, e coisas que nunca tivera o sabor de apreciar por morar com os seus tios miseráveis.

- Eu... Eu preciso que você se salve... Eu preciso que você entregue isso ao meu filho! – disse Lílian tirando da gaveta uma carta.

Giulla pegou o envelope nas mãos e olhou para ele. Lílian puxou a varinha e gritou.

- Ele não vai ler a minha mente! – respondeu à pergunta muda de Giulla que estava parada como uma estátua, na escuridão de dentro do guarda-roupa – Sou formada em Oclumência, ou você se esqueceu? Eu dei aula de Poções em Hogwarts e Dumbledore me passou uma de suas melhores habilidades... Obrigada por tudo, Giulla! – agradeceu Lílian fechando a porta do guarda-roupa na cara dela – E não esqueça da carta, entregue aos Longbottons!

Lílian soltou de susto ao ouvir um estardalhaço vindo da fechadura do quarto de Harry, era sem dúvida Voldemort quem estava ali. O coração de Harry estremeceu levemente, como se tivesse saindo do lugar, e a dor se tornava cada vez mais original.

- O que faz aqui? – respondeu Lílian corajosamente apontando a varinha na altura do peito de Voldemort.

Seus olhos eram vermelhos e brilhavam na escuridão, eram como luzes, diamantes.

- Eu vim terminar de uma vez por todas com os boatos da profecia...

- O Harry não, o Harry não, por favor o Harry não!

- Afaste-se, sua tola... Afaste-se agora...

Lílian recuou, porém ficava cada vez mais de frente ao berço com os braços abertos.

- O Harry não, por favor não, me leve, me mate no lugar dele...

Voldemort puxou a varinha na altura do nariz de sua mãe, e Harry sentiu as lágrimas deslizando pelo seu rosto. Qualquer pessoa, pelo menos considerada normal, teria sentimentos o suficiente para se arrepender de matar aquela mulher, estava desesperada protegendo o seu filho. Estava em prantos, lágrimas e berrava, provavelmente estaria enlouquecendo.

- Me mate... Mate no lugar dele, tenha piedade...

O homem à frente não parecia dar atenção, Harry mordia o lábio para não deixar escapar os ruídos que sua boca produzia pelo choro, o bebê se revirava na cama, quieto, não tendo a mínima idéia do que estava acontecendo em volta.

Os joelhos de Harry cederam, era muita pressão em sua cabeça, muitas imagens se passavam, o seu coração estava apertado ao peito prestes a explodir em qualquer momento, as lágrimas já desciam pelo seu rosto sem controle, e ele não sentia mais nada, absolutamente nada.

- Afaste-se... Pela última vez... Ou junte-se a mim para se tornar uma das bruxas mais poderosas de todo o mundo...

- Não... Não... – gemia ela recuando na direção do berço.

- Você não precisa morrer, em todo caso... – ele esticou ainda mais a varinha na direção de Lílian e Harry teve que virar os olhos para não ver o que seguiria.

- FIDELUS! – fez-se um grito vindo do guarda-roupa, o feitiço atravessou o quarto e foi parar na direção de Harry. A cena congelou. Vários bichinhos parecidos com besouros começaram a comer toda a imagem de Lílian no chão, até que a mulher sumisse do lugar. E quando os bichinhos terminaram de comer o corpo da mãe de Harry, a seqüência disso tudo foi muito rápido, os olhos do bebê Harry se arregalaram, e um jato verde lançou-se na direção dos bichinhos, imediatamente eles foram engolidos pelos raios de luzes, sumindo. Os besouros eram uma espécie de guardião de Harry.

- Lílian? Mãe? – perguntou Harry tendo a mente bloqueada. Lílian não estava ali, tinha sumido, sã e salva.

E a mente de Harry começou a trabalhar em alta velocidade...

Lílian não tinha morrido... Giulla Lovegood tinha executado o feitiços do Segredo (Fidelus)... Isso significava uma coisa... Se Lílian tinha sido trancada nos olhos de Harry... Significava que talvez ainda estivesse nos olhos de Harry... Obviamente, sobre o Segredo Fidelus... Seria por isso que os olhos de Harry eram tão importantes? Seria por esse motivo que todos diziam os olhos de Harry serem idênticos aos de Lílian? Estaria Lílian ainda viva, armazenada, escondida, em algum lugar dentro de seus olhos sob o feitiço Fidelus?

Harry foi trazido à realidade com um barulho horrível na casa, como se tivesse acabado de sofrer um terremoto.

- A proteção se quebrou! – gritou alguém lá de fora, parecia ser a voz de Hagrid.

- Quem...? – perguntou-se Voldemort abrindo a porta do guarda-roupa. No instante em que a porta rangeu, ouviu-se um CRAQUE dentro do objeto.

Harry soltou um suspiro aliviado em saber que Giulla tinha acabado de aparatar.

- Eles estão subindo – sibilou Voldemort puxando a varinha – Os aurores estão subindo... A proteção que eu fiz em volta da casa foi desfeita... Dumbledore está subindo... Eu vou matar você! – disse zangado puxando a varinha na direção do bebê e apontando.

Harry aproximou do berço para assistir melhor a cena, os olhos de Voldemort brilhavam em fúria, nunca o vira tão zangado. E o tempo todo em que esteve lá, só agora notava a presença de um ratinho, insignificante, que guinchava a um canto. Irreconhecivelmente, era Pedro Pettigrew na forma animaga, vendo toda a ação acontecer.

- AVADA KEDAVRA! – berrou na direção do bebê, soltando um chato verde que iluminou o quarto.

- AVADA KEDAVRA! – berrou uma outra voz vindo da porta, outro flash iluminou o lugar, só que dessa vez não acertou no bebê e sim em Voldemort que antes de cair no chão, estático, sumiu.

- Eu... Eu... – Harry desceu as mãos para a sua própria cicatriz, vendo o bebê chorar no berço como se quisesse mamar na mamadeira, sua mãe ainda estava em seus olhos. E a cicatriz tinha acabado de aparecer.

Dumbledore e Hagrid observavam de longe o berço do garoto. E o rato tinha sumido pelos buracos dos assoalhos.

Então tinha sido esse o motivo da cicatriz... Voldemort naquela noite tinha matado Lílian no corpo de Harry, e não o próprio Harry. Tinha matado Lílian que ainda estava viva dentro dos olhos de Harry sob o feitiço Fidelus. Era óbvio demais. E por isso a cicatriz, significava a morte de Lílian. O seu corpo jazia dentro de Harry.

Sentiu uma fisgada de dor, e fechou os olhos de repente, uma mão o puxou para trás, e ele foi jogado de volta contra o chão de uma sala fria e escura.

Era a Sala de Poções outra vez, Draco e Luna tinham trazido Harry bruscamente de volta à realidade de Hogwarts.

- Ei... Por que vocês... Por que vocês... – Harry não teve mais palavras ao ver na direção de seus pés, Severo Snape puxando os cabelos de Hermione para trás, apontando a varinha diretamente em seu pescoço.

Ele perdeu totalmente a noção do que estava acontecendo ou fazendo, sentia uma vontade imensa de voar no pescoço do ex-professor. Um caso de vida ou morte.

Notas: JK disse que os olhos de Harry seria importante, como o livro 07 não fala muito disso, resolvi EU TOMAR POSSE e fazer os olhos dele de algo importante. Acredito que o feitiço Fidelus no livro 03 não tenha sido citado por acaso. E como JK disse em uma entrevista "Havia mais alguém na casa dos Potters naquela noite", sim, havia Pedro Pettigrew, e Giulla Lovegood (também sempre achei que a Luna fosse ter um papel fundamental na fanfic) Eis aqui está!