Capítulo 12, 13 e 14 foram postados no mesmo dia (12-09-2007). Cuidado ao ler. Boa leitura!
O velório de Potter.
Capítulo 13.
Há poucos minutos sentia uma raiva incandescente ter invadido o seu corpo, ter dominado o garoto, mas agora, sentia isso multiplicado pelo dobro porque era a vida real, a sua vida em jogo, e de sua amiga também.
- V-você... Você... – dizia Harry a si mesmo tentando levantar com ajuda dos cotovelos, Draco estava atirado ao seu lado, ambos desarmados. Ele tinha uma dor que parecia rasgar os seus pulmões por dentro.
- Eu preciso ficar com a Granger! – sibilou Snape com a sua mesma voz arrastada de sempre.
- Ai! – gemeu Hermione sendo guinada para trás.
- SOLTA ELA! – berrou Harry batendo as mãos na cintura, automaticamente, mas não havia volume algum em volta de sua calça, o que significava que a varinha não estava ali.
- Eu... Eu preciso da Granger! – murmurou Snape atirando o seu cabelo oleoso e sujo como nunca para trás.
- Você... Você... – respirava Harry a cada palavra que murmurava, renovando o ar de seus pulmões – Você... Não... Vai... Levá-la... Eu não vou deixar!
Harry deu impulso com os pés e com as mãos ao mesmo tempo, voando na direção de Snape como se fosse um leão, ia atacá-lo mão a mão, não ia utilizar a varinha, e faria de tudo para salvar a sua melhor amiga. A raiva nesse momento era muito maior do que ele conseguia suportar.
- Petrificus Totalus! – gritou Draco com a varinha em punhos na direção de Harry que foi devolvido de volta com violência na direção da parede, como uma pedra.
Por que Draco não morrera nesse exato instante? Tinha feito um juramento perpétuo...
- Eu não tenho muito tempo a explicar, Potter – disse Snape sacudindo a cabeça - Mas você verá sua amiguinha em breve! Vamos! – ordenou passando o braço pelos ombros de Hermione e puxando-a para fora.
Harry queria dizer alguma coisa antes que Hermione fosse, queria gritar que adorava a amiga, e que precisava dela para sobreviver a essa guerra. Queria dizer que não seria nada sem ela. Tinha perdido Rony, metade de Harry tinha morrido com o amigo, mas Hermione? Era completamente desmoralizante. Estava morto por completo, e sentia o seu coração bater forte contra o peito de uma raiva que ele mesmo não conhecia. Sentia vontade de estraçalhar Snape como nunca.
Draco ajoelhou-se correndo debaixo da carteira e recolheu as varinhas de volta.
- Potter, eu... Eu sei que você deve estar me julgando um traidor, cara... Eu sei, mas... Eu acho que entendi o plano de Snape... E quero que saiba que ele não é quem você está pensando.
Harry queria de alguma forma chutar, bater, rasgar Malfoy, assim como desejava fazer com Snape, mas não tinha como, estava petrificado, com os braços colados ao lado do corpo.
- E saiba que o castelo está sendo invadido por Comensais... E concordo com Hermione, ela não quer que você lute nessa guerra, porque nós sabemos muito bem que se você tivesse são e salvo, você ia sair procurando-os, inclusive Belatriz, e provavelmente ia se arriscar. E não é isso o que queremos, certo?
Draco agachou debaixo da escrivaninha e pegou com os dois braços o corpo de Luna desfalecido.
- Ela tentou atacar Snape pelas costas – explicou Harry escondendo a garota dentro do armário e deixando a porta aberta – Sinto muito, Potter, muito mesmo, mas você não vai sair daqui enquanto essa guerra não acabar.
Draco levitou Harry na direção do armário, e ele nunca desejou tanto que Malfoy morresse como agora. Queria vingança. E odiava Malfoy por estar fazendo aquilo. E para piorar a situação, ele jogou a capa sobre o corpo de Harry.
- Igual no ano passado no Expresso Hogwarts, mas dessa vez não como inimigos! – explicou Draco fechando a porta e deixando o lugar escuro – Volto em breve.
E ouviu-se o barulho de sapatos sumindo no final do corredor.
Harry não soube por quanto tempo passou ali, mas pareceu uma eternidade, ouviu-se explosões, gritos, estrondos e gargalhadas monstruosas, uma delas teve certeza de que era identificada por Dolohv.
Quando menos esperava, o som de dois pares de sapatos aproximaram do armário.
"Por sorte vão me achar..." resmungou.
A primeira imagem que viu foi de uma claridade que parecia cegá-lo, ainda não era dia, mas conforme a luz da varinha estava acesa, fazia com o que o garoto desacostumasse com a escuridão de dentro do armário.
A primeira impressão que deu foi que era alguém arremessando algum tipo de fogo contra ele, mas antes que percebesse, era uma garota com um rosto angelical, com a varinha em punhos, e os olhos castanhos virados em sua direção, tateando as paredes. Seu coração deu uma reviravolta mesmo que estivesse preso ali, e parecia ter engolido barras de gelo. Era Gina Weasley, carregada de cansaço e suor. Estava imunda, com os cabelos arrumados de qualquer forma, mantinha partes da roupa rasgada, e o rosto arranhado.
- Harry! Harry! – murmurou ela puxando a capa de seu corpo, deixando-o à mostra – Finite Incantatem!
Harry sentiu o seu corpo virar uma gelatina e caiu na direção da garota, antes que pudesse levá-la em direção ao chão, Neville a segurou pelos ombros com força.
- Gina! – foi só o que conseguiu murmurar sentindo o coração acelerado. Ela estava sã e salva.
- Harry! – disse ela meio sem jeito, voltando a manter uma expressão corada de quando tinha seus doze anos.
- Luna! – sacudiu Neville abrindo o armário e achando a amiga deitada, murmurou o mesmo feitiço que Gina fazendo a garota acordar de um sonho que parecia ter sido muito bom.
Harry passou as duas mãos pelo rosto de Gina, e cambaleando como se tivesse acabado de aprender a como andar, foi com o rosto em sua direção para receber os seus lábios quando a garota virou o rosto de maneira tímida.
- Gi... Gina! – foi só o que conseguiu dizer, Neville e Luna encaravam o casal com estranheza.
- Tem muita história que você precisa saber – resumiu Neville – A Gina... A Gina não é a mesma!
Gina abaixou o rosto em direção aos pés e se afastou como se tivesse cometido o maior dos crimes, foi então que Harry lembrou que ela tinha feito a Poção Amortentia, mas isso não importava mais, agora ele amava ela e aceitava isso de qualquer forma.
- Mas... Mas eu não ligo para o que aconteceu... A gente... A gente ainda pode ficar junto! – respondeu ofegante.
- Er... – Neville aproximou com cautela, carregando a capa e os outros objetos de Harry – Mas parece que... Que ela não lembra do que aconteceu durante o ano letivo passado.
Harry sacudiu a cabeça, só podia estar ficando louco ou isso não era o mundo real. Ano passado tinha acontecido sim, como ela podia esquecer? Eles tinham se beijado depois um jogo de Quadribol espetacularmente bem realizado.
- Gina... As coisas que aconteceram... A gente... O nosso... – ia relembrando Harry mas ela negava com a cabeça encarando a parede, fingindo a sua inexistência. Harry cerrou os dentes e fechou as mãos com força – Ele... Ele alterou sua memória, não foi? – perguntou Harry preocupado pensando se Gina tinha recebido um Obliviate ou algo do tipo.
- Hermione disse que tem as explicações para tudo – resumiu Neville ajudando Luna a andar – Só precisamos encontrar com ela.
- Hermione? Como ela está? – perguntou Harry virando na direção de Neville decidido a ignorar as manhas de Gina – Ela... Ela ficou bem?
Neville concordou com a cabeça.
- Snape a pegou, levou-a para uma sala e disse muitas coisas, esclareceu vários detalhes que precisavam ser ditos, e... Parece que Snape é uma pessoa do bem, Harry! Ele só seqüestrou Hermione para que pudesse contar a verdade!
- Por que ele não disse isso na minha frente? – perguntou Harry quase aos gritos.
- Porque ele sabia que você ia reagir de algum tipo, como quase o atacou! – explicou Luna com naturalidade – Eu também o ataquei e ele retribuiu!
- E... Onde está o Malfoy? – perguntou.
- Ainda não acredito o que aconteceu, de verdade – respondeu Neville sacudindo a cabeça como se aquilo fosse loucura – Você confia mesmo no Malfoy? – Harry revirou os olhos não preocupado com o fato de ter que explicar tudo de novo que ele precisava de Draco até mais do que Draco precisava dele – Enfim... Ele está com a Hermione, eles estão se escondendo dos Centauros... Parece que a guerra aqui no castelo acabou... Muitos centauros morreram, mas ainda existe uma tropa imensa! E finalmente, Harry, os Centauros estão do nosso lado, Harry! Os Centauros estão do lado do bem!
- E alguns comensais morreram? – perguntou Harry juntando os seus objetos, a sua mochila, decidido a partir dali o mais rápido possível.
- Sim, alguns comensais embarcaram nessa – esclareceu Neville – Agora vamos... Os seus amigos estão um pouco machucados, por isso nos mandaram!
Eles começaram a subir pelos corredores e escadaria acima sem trocar palavras, Gina parecia em estar de choque, não dizia coisa alguma. Harry também não sentia vontade de conversar com a garota nesses tons, preferia ouvir a explicação de Hermione. Sentia que precisava ver Hermione urgentemente.
Harry adentrou a sala da diretoria com os outros às costas, achou Hermione agachada em um canto cheia de cortes no rosto, e sangramento, tinha as roupas rasgadas e queimadas, correu na direção de Harry, mancando.
- Harry... Harry... – e atirou-se em seus braços com força, sentindo-se aliviada.
- Hermione, você está bem? – perguntou puxando-a com força contra o corpo, sentindo que não havia espaço entre os seus corpos, de modo que os seus corações se envolveram no mesmo batuque. Ela não parecia nem um pouco constrangida com Gina por perto.
- O que Snape havia feito com você... Era uma encenação? – perguntou após se soltar dela, sentindo o estômago ranger de fome – ou não seria fome?
- Snape me seqüestrou justamente para poder dizer a verdade. Ele me obrigou a ficar sentada enquanto a guerra acontecia em volta. Eu ouvi tudo o que ele disse, e Malfoy – Harry identificou o loiro semi-desmaiado em um canto – Ele sabia de tudo sobre a inocência do professor Snape mas não nos contou.
- C-como sabia? – perguntou Harry abismado.
- Ele descobriu naquele mesmo dia em que Rabicho se matou – Gina olhava atentamente para os dois, sem saber o que dizer. Neville parecia entender um pouco mais do que Luna que estava entretida na seção de livros roxos – Enquanto estávamos conversando ele ouviu a conversa e... A verdade é uma só, quem trouxe Draco para as mãos da diretora McGonagall foi o próprio Snape, como retribuição de que estava tudo bem. McGonagall também sabia de toda a verdade, nós éramos o único que não sabíamos, Harry!
- Por isso que o Patrono em forma de morcego veio naquela noite em que fomos atrás de Gina para a casa dos Gaunts! McGonagall estava se comunicando com Severo!
- Exatamente – concordou Hermione – E sobre toda a morte de Dumbledore, é verdade sim, Snape matou o professor Dumbledore, mas já não havia jeito, Harry, Dumbledore preferiu se sacrificar do que entregar a vida de Snape.
- Quê?
- É... Snape e Dumbledore deixaram combinado desde o ano passado, que Snape se passaria do lado de Voldemort para descobrir alguns de seus segredos. Snape arriscou-se, Harry! Ele arriscou a própria vida para tirar informações de Voldemort, mas... Houve uma época em que Narcisa fez com que ele fizesse o Voto Perpétuo e terminasse a nobre arte de Draco Malfoy, seu filho, Snape não teve outra opção a não ser fazer o voto, ou as pessoas desconfiariam dele!
Harry parou durante algum tempo, encarando a parede, vendo a vida se passar em flashes (Snape gritando com ele; Snape criticando ele; Snape zombando dele; Snape matando Dumbledore sem dó e nem piedade). Tinha tantas perguntas a fazer, tinha tantas novidades a contar a Hermione...
- Mas...
- As perguntas podem ser feitas depois, Harry! – cortou Hermione lançando olhares a Neville, Luna e Gina que estavam parados, ouvindo toda a conversa.
- Ah! Claro – pronunciou-se depressa entendendo a idéia da amiga – E... Alguém ficou ferido?
- Hagrid teve um dos braços quase arrancados por Lúcio Malfoy! – disse Hermione sacudindo a cabeça de um lado para o outro – Ele queria vingança pelo filho! Vimos coisas terríveis, Harry... Achei que Hagrid fosse morrer... – Hermione tinha lágrimas nos olhos e fazia força para não chorar.
- Eu vi também a Madame Hooch bater a cabeça e desmaiar em uma das armaduras do terceiro andar – comentou Neville sem graça.
- Sem contar o fato de que Madame Pomfrey foi morta! – resmungou Hermione entre os lábios quase chorando – Estamos sem enfermeira, o que é definitivamente pior!
- Eles a atacarão de propósito! – murmurou Harry rangendo os dentes – E o castelo está vazio?
- Acho que sim... O professor Snape ficou escondido o tempo todo comigo, ele quer levar o Malfoy com ele...
- C-Como assim? – perguntou Harry arregalando os olhos.
- Snape fez o Voto Perpétuo à Narcisa, agora ele deve tomar conta de Draco – ela disse sabendo que seria mais fácil dizer Draco do que Malfoy, que poderia significar tanto Lúcio quanto Narcisa – E... Ele vai voltar para buscar o Draco.
- Hoje isso?
- É... Ele pediu que o Draco não saísse da diretoria, que ele ainda vinha buscá-lo!
- E... E em quanto à Gina? – perguntou Harry baixinho se curvando na direção da amiga – O que houve de fato com ela? Ela está estranha... Diferente...
Hermione mordeu os lábios com força e parecia novamente à beira das lágrimas.
- Ela... Esse tempo todo Harry, esteve sob o feitiço Impérios! – Harry sentiu os olhos também arderem, por um momento pensou em não ter ouvido direito, mas ela tinha tido com todas as palavras corretas.
- Impérios? Mas... Mas é impossível, desde... Desde o segundo ano...
Hermione sacudiu a cabeça.
- Ela chegou perguntando por Miguel Corner, ela está querendo saber o que aconteceu com o namorado dela... E... Eu acho que ela foi atingida no Ministério da Magia! Enquanto Rony, ela e Luna se separaram, lembra? Rony tinha sido atingido, estava bobo! Luna foi atacada e desmaiou! E quando só restou Gina, eles aproveitaram para controlá-la.
Harry teria preferido tomar um tapa na cara do que estar ouvindo aquela história sobre a namorada, era doloroso demais estar apaixonado e saber que não ia ser correspondido nunca mais. Saber que a verdadeira Gina estava ativa, apaixonada por outro (Miguel Corner, no caso) e não estar mais pensando nele. Mas paixão seria a palavra certa para definir seu sentimento pela garota?
- Mas... O ano passado... No sexto ano, ela...
- Ela estava sob o Feitiço Impérios, Harry! Por isso a Poção Amortentia! – explicou Hermione entre às pausas para que o amigo não lhe batesse ou algo do tipo.
Harry virou as costas e automaticamente os olhos para um canto da sala em que ninguém pudesse ver que ele estava chorando. Era muito difícil ter que aceitar isso.
- E... Harry, você quer continuar na escola? – perguntou Hermione calmamente aproximando de seus ombros, respeitando a sua vontade de não querer encarar ninguém na sala.
- Eu... Eu não! – disse meio que sem pensar, de repente tentou imaginar algum lugar que pudesse ficar longe de todos, sozinho, sem ninguém por perto. Embora não fosse possível já que Hermione ia estar junto, mas... Ela podia ficar, porque ela o entendia como ninguém... Nesse exato momento ele precisava de alguém assim como ela... Nem Rony poderia compreender o que ele estava sentindo. Sabia disso – Vamos para Godric Hollows!
- Ahm... V-você tem certeza?
Harry virou-se para Hermione agora disposta a encarar a amiga, sabia que ela entenderia os seus olhos vermelhos em lágrimas, e ela pareceu um pouco chocada ao verificar que de fato ele estava prestes a chorar.
- Eu... Eu preciso te contar muitas coisas, mas... Mas é a sós!
Hermione encarava Harry e parecia ter dificuldade em respirar, arregalou os olhos, parada, em sua frente, sem ação.
- O... O que, por exemplo?
- Sobre as coisas que eu descobri sobre os meus pais!
Ela pareceu ficar um pouco mais aliviada e deixou o ar vagar livremente para fora de seus pulmões. E antes que dissesse qualquer outra coisa, a porta do escritório se escancarou, todos tomaram baitas sustos, saindo de seus lugares onde estavam, por sorte era somente Minerva McGonagall ainda com as varinhas em punhos, entrando com seqüelas da batalha.
- Ei... Todos vocês... Vão ser enviados às suas respectivas casas, urgentemente!
Draco, Neville, Luna e Gina mostraram suas sobrancelhas, assustados.
- Nós queremos participar da guerra, professora! – protestou Neville afirmando com convicção, puxando a varinha.
- Vocês precisam é descansar! – retrucou a professora em resposta acenando com a varinha para arrumar os estragos no escritório – Ahm... Senhorita Weasley, já avisamos os seus pais, eles estão contentes em saber!
- Onde está o meu irmão? – perguntou ela falando pela primeira vez depois de muito tempo quieta, numa espécie de trauma.
- Ahm... – Harry e Hermione trocaram olhares assustados antes de responderem – O Rony... Bem, Gina, ele... – Harry não tinha forças para continuar. Hermione tomou a sua frente e disse.
- O Rony, Gina... O Rony atravessou o véu... Assim como Sirius!
Gina não mudou muito a sua reação, já estava em choque, ficou ainda mais chocada. Seus olhos pareciam querer saltar de sua face, e começou a chorar entre as mãos, Luna também, abraçando a amiga com força, Hermione e Minerva correram para ajudar as duas, enquanto Harry deixava lágrimas deslizar pelos seus olhos sabendo que ninguém mais o estava observando.
Harry e Hermione foram levados para um casebre no interior de Hogsmeade, atrás do Três Vassouras, passando por vários aurores de segurança, enfim, encontraram Madame Rosmerta e foram alugar um quarto para descansarem, a garota na verdade só queria fechar a porta e conversar sozinha com o amigo. Abafou o som com um feitiço e começaram a conversar tudo o que ele tinha visto na noite em que os pais de Harry morreram. Não faltando escapar nenhum detalhe.
- Ahm... Faz sentido, Harry, mas... Sua mãe... Em seus olhos? Ahm... – ela franziu o cenho, pensativa – É de fato, tem como, o professor Flitiwinck tinha me contado sobre isso, disse que ela poderia ficar por algum tempo dentro de você... Ei! Isso é impressionante, irreal demais – espantou-se a garota indo na direção dele para observar os seus olhos.
Hermione parou de frente a Harry, e encarou seus olhos, olhando nas profundezas, tentando notar cada detalhe, o garoto se limitou a arregalar os olhos para que ela pudesse ver melhor, mas não deixou de se sentir constrangido pela atitude da amiga. Era um tanto embaraçoso ficar sendo encarado por ela, ainda mais por estar próxima.
- Não dá para acreditar nisso!
- Eu senti isso nos meus treze anos... – murmurou Harry – Era como se a minha mãe tivesse gritando dentro dos meus olhos, de fato... Lembra-se quando eles invadiram o Expresso Hogwarts no terceiro ano? Então, foi dessa forma que eu me senti... Como se ela estivesse mesmo nos meus olhos!
Hermione ainda o encarava, mesmo prestando atenção na conversa.
- Entendo, e... Eu posso tocar? – perguntou Hermione mostrando sua mão.
- Ah... Ah... – Harry pensou um pouco, corando de leve na região das bochechas – Claro, claro que pode! – e ele fechou os olhos.
Com os olhos fechados, sentiu Hermione tirando as lentes de seu rosto, e as mãos da amiga passaram por eles, custando-lhe um certo arrepio pelo corpo, era de alguma forma irritante, porque ele sentia estar cada vez mais perto da amiga. E já não sentia mais arrependimento ao pensar em beijar a amiga, em querer sentir os lábios delas roçando aos seus. Sentia que já não era proibido como antes, como antes quando estava com Gina...
E o seu coração bateu mais forte do que o normal, ele sentiu que isso era estado de alerta, se Hermione pudesse escutar, ele com certeza ficaria muitíssimo envergonhado a respeito disso, mas ela não tirava as mãos de seus olhos, dando uma sensação de paz. De que a guerra finalmente havia terminado. De que ele estava ali, seguro, com ela para sempre.
O silêncio que antes era um incômodo agora já não parecia tão pesado, queria de alguma jeito estar ao lado dela.
- Ah, normal! – comentou ela deslizando as pontas das unhas pelo seu rosto em formato de um "S" – Seus olhos são... Ah! Normais!
Harry foi trazido de volta à realidade de uma maneira brusca, sentiu os pés firmes ao chão ao mesmo tempo idiota por ter pensado que a guerra havia terminado e que estava a salvo ao lado dela, contudo não negava que era um dos melhores sentimentos que tivera na vida, tinha que agradecer Hermione de alguma forma.
Harry voltou a encaixar os óculos e ela se afastou, pensativa.
- Você... Você pensa em fazer alguma coisa a respeito a sua mãe?
- Eu... Eu queria fazer um velório decente a ela! – comentou Harry sentindo-se corajoso por dizer isso – Queria que Voldemort descobrisse que o segredo dele não está mais escondido, e que de fato, Rabicho o traiu!
Hermione sorriu, radiante.
- Desculpa estar sorrindo, mas... Vai ser tão bom quando ele ler que estão realizando o velório de sua mãe... Ele vai pensar que Rabicho o enganou! E isso o deixará mais furioso!
Harry sacudiu os ombros.
- E... Quero que você saiba também que nós já temos quatro horcruxes mortas!
Hermione arregalou os olhos, contando mentalmente.
- Ah, mas eu só sei de três... O anel, o diário, o medalhão...
- A alma de Voldemort também!
- Ahm?
- Giulla o matou!
Hermione teve os olhos brilhando em lágrimas e atirou-se no pescoço de Harry com força, abraçando-o como se o mundo fosse acabar de felicidade.
- Giulla usou um Avada Kedavra em Voldemort, por isso que ele sumiu naquela noite! Isso quer dizer que a parte de sua alma que era uma Horcrux já foi! Agora só temos mais três horcruxes imortais. Nagini! A Taça de Hufflepuff! E o que desconhecemos que tem algo haver com o R.A.B. e não sabemos ao certo se está destruída ou não!
Hermione sacudiu a cabeça, dando as costas novamente.
- Eu tenho severas opiniões sobre aquela mensagem deixada por Dumbledore, Harry, sinceramente, eu...
- É como se eu já tivesse visto essas palavras, R.A.B... – disse franzindo a testa para se lembrar de alguma vez que ouvira esse nome.
- Mas levando em conta que pode ser um objeto de Raveclaw, a última horcrux, bom, disso eu tenho certeza! – falou ela seriamente.
- Como? – perguntou Harry curioso.
- Ah! – disse ela suspirando com ar de superioridade – Tenho minhas fontes, você sabe – e ela tirou da bolsa Hogwarts: Uma história.
O dia seguinte amanheceu com o céu em turbulência, as nuvens cinzentas estavam carregadas no céu, e a chuva não dava trégua, logo pela manhã alguns flocos de neve chegaram a cair mas pararam depois. Harry estava decidido a fazer o velório de sua mãe. Hermione foi a primeira a acordar, ajudou a preparar o café junto com Madame Rosmerta e quando foram para a cozinha ela começou a especular sobre o corpo de Lílian, como tinha conservado durante tanto tempo e outras informações que queria saber.
- Eu... Eu não sei, apenas descobri que o corpo da minha mãe estava por aí, quero fazer um velório decente! Ela merece... – disse virando os olhos brilhantes para que ninguém o encarasse.
Minutos mais tarde, Harry e Hermione já tinham avisado metade da população bruxa de amigos, fizera o maior número de convites e usara quase todas as corujas do correio de Hogsmeade para chamar bastante a atenção.
- Vamos... Está preparado para desfazer o feitiço? – perguntou Hermione trêmula empunhando a varinha.
- Estou! – disse ele parado no meio do quarto, já sem óculos, esperando que a amiga tirasse sua mãe de seus olhos.
- Eu... Eu não sei... – disse ela levantando a varinha.
- Eu acredito em você! – disse Harry sério, sem se mover, juntando as mãos ao corpo – Estou pronto!
- Finite Incantatem! – despejou Hermione apontando a varinha na direção dos olhos dele.
Harry sentiu um lampejo em direção aos seus olhos, pensou que fosse ficar cego, mas nas primeiras tentativas por motivos automáticos, ele fechava os olhos de repente, com medo de ser atingido, e nada acontecia de diferente.
- Você precisa manter os olhos abertos! – murmurou Hermione depois da décima quinta tentativa – Finite Incantatem!
E o raio dessa vez atravessou os seus olhos, nem que custassem suas lágrimas como da vez que tinha que encarar o hipogrifo, Bicuço.
Harry sentiu ficar cego por um tempo, a vontade que tinha era de gritar, mas a voz não veio, ele abriu a boca para dizer alguma coisa, quando uma luz branca dominou toda a sua visão, e ele sentiu um peso ser tirado de dentro de seus olhos.
Ele fechou os olhos com força enquanto Hermione sugava o ar de espanto.
- Harry, é a sua mãe!
Harry abriu os olhos de repente. A sua visão mudara, não era mais a mesma. Ele estava enxergando perfeitamente bem sem a ajuda dos óculos, coisa que nunca lhe ocorrera.
- Hermione... Hermione... Eu estou enxergando! Eu estou enxergando sem os óculos, e... – antes que admirasse a sua visão perfeita, enxergou em direção aos seus pés, uma mulher com formato de um rosto angelical, todavia cansado, era uma mulher muito branca e com os lábios roxos, em volta dos olhos também faziam caminhos roxos. Tinha os lábios e os olhos fechados, as duas mãos cruzadas na altura da cintura, e o corpo ereto.
Harry caiu de joelhos na direção da mão, e a primeira coisa que fez foi pegar no braço dela, para senti-la. Estava fria, fria como uma rocha.
- Mãe... – gemeu ele sentindo uma solidão invadir o seu corpo, Hermione agachou ao seu lado, compreendendo o desespero do amigo. Ele derramava lágrimas no corpo da mãe, e a boca aberta emitindo som de soluços, deixando escorrer um liquido viscoso. Estava descontrolado, desarmado – Mãezinha... – ele curvou-se na frente da mulher, encostando sua testa em seu braço.
- Harry... A sua... A sua cicatriz! – disse Hermione correndo para a mochila e tirando um lenço.
Ela ardia, ardia com muita força. E ele sentiu o liquido viscoso fazer um cominho pela sua pele, contornando as sobrancelhas, descendo pelo nariz, caindo dos lábios em direção à mãe. Ele tocou com os dedos na fina cicatriz em formato de raio na testa e viu o sangue brilhante em suas mãos.
- Ela... Ela era o único elo entre você e Voldemort e agora está se desfazendo!
- Era uma pessoa morta dentro de mim, Hermione... Como pode? Durante todos esses anos eu guardava um Segredo Fidelus dentro de mim, e não tinha me dado conta disso... Naquele dia em Hogsmeade há quatro anos, o Hagrid falando sobre o Feitiço Fidelus para os demais professores, e eu nem tinha em mente que guardava um! Guardava o corpo da minha mãe!
Hermione apertou os seus ombros com força, em compreensão.
- Vai ficar tudo bem, Harry. Vai ficar tudo jóia, eu garanto! – disse ela carinhosamente fazendo uma massagem em suas costas – Agora precisamos levar o corpo da sua mãe para fora!
Hermione ajudou Harry levar a própria mãe para fora do quarto, em direção ao bar que estava vazio para o próprio acontecimento do velório, graças a Rosmerta que tinha doado estabelecimento como um empréstimo para a realização do infeliz evento.
O caixão já estava pronto, com as flores e tudo bem arranjando, as mesas tinham sido substituídos por algumas cadeiras e velas em todos os lugares, Harry não chorava mais, entretanto a tristeza era visível em seus olhos verdes agora não mais coberto pelos anéis redondos.
- Você... Você ficou parecidíssimo com o seu pai dessa forma! – murmurou Hermione após encaixar o corpo de Lílian no caixão e ajeitar os seus cabelos ruivos e sedosos.
- Obrigado – agradeceu desviando o olhar para os sapatos, não estava com vontade de prolongar a conversa nesse momento, era o tipo de conversa que o deixava incomodado, olhou para o caixão, suspirando – Ela parece um pouco a Gina, não parece?
Hermione apertou os seus ombros por trás, em silêncio, ele quase assustou.
- Aparentemente sim, mas não podemos esquecer que Gina não é uma das mais habilidosas de Hogwarts, assim como sua mãe era!
Harry não concordou em gestos, mas intimamente sabia disso.
- E sabemos também que os sangues não são muito compatíveis. Gina é sangue puro! E sua mãe é considerada sangue ruim, assim como... Eu! – disse delicadamente não querendo provocar feridas com essas palavras. Era uma comparação válida, Harry sentiu o seu coração dar uma amolecida após isso, e limitou-se a abraçar a amiga com força.
Horas mais tarde, o lugar estava abafado e lotado de gente, pelo simples acontecimento de estar chovendo, as pessoas ficaram guardadas no Três Vassouras, chorando em volta do corpo de Lílian, muitos sem entender nada.
As pessoas em destaque eram: A Sra. Weasley e o marido, lamentando a morte do filho também, fazendo perguntas embaraçosas a Harry que acabou sendo desviado de conversa com a ajuda de Lupin e Tonks. Também foi bombardeado de perguntas do Sr. Lovegood, e quem menos esperava também estava lá. Rita Skeeter. E não só deles, muita pessoas achavam isso um absurdo e estavam curiosas para saber como tinha acontecido, como tinham encontrado o corpo de Lílian assim. Harry não respondia.
Os Dursleys também estavam no local, Petúnia estava com os olhos vendados, Valter a sua frente brincava com um carrinho infantil como se fosse uma criança, e mexia com os lábios formando o som de um carro dando partida. Já Duda mantinha a gordura de sempre mas tinha perdido muito peso desde a última vez que tinham se visto, parecia bem mais velho do que aparentava ser. Estava tão assustado quanto a mãe de estar entre os bruxos ainda mais em um velório, o pior era que ele enxergava, a mãe não. Tremia dos pés à cabeça, e naquele dia Harry já tinha recebido os cumprimentos do primo, dizendo que direto estava tendo pesadelos com o zoológico, na qual ele caia novamente na água com cobras para atacá-lo (assim como na primeira vez que Harry visitou o zoológico com os Dursleys, e Duda praticamente se afogou dentro da jaula – esse devia ser o seu maior medo), mas Harry nem ligou para o primo, sabia que esses "pensamentos ruins" eram dos dementadores que estavam rodeando Hogsmeade.
- Achei que você quisesse que Voldemort saiba o mais rápido possível, ninguém melhor do que a própria Rita Skeeter para fofocas! – comentou Hermione apertando sua mão com força ao lado do caixão. Rita Skeeter estava do outro lado fazendo algumas anotações, e não deixou de erguer as duas sobrancelhas, em tom de desconfiança, ao ver os dois de mãos dadas.
A avó de Neville foi uma das mulheres presentes, a mulher apareceu carregando sua bolsa vermelha que Harry soube identificar ao lembrar da aula de Lupin no terceiro ano em Hogwarts, e usava o mesmo chapéu descrito por Neville.
- Sou a avó de Neville! – Harry não teria reconhecido não fosse pelas roupas, mesmo que tivesse visto a mulher há pouco menos de dois anos no St. Mungus – E tem uma coisa, meu bom rapaz, uma coisa que eu deveria ter entregado há muito tempo, mas não tive oportunidade! Foi um bilhete que sua mãe deixou para que minha filha entregasse a você, mas eu peço desculpas por não achar esse bilhete, juro que achei que tivesse nas coisas da minha filha...
Harry assentiu com a cabeça, e deu uma leve sacudida no bolso da jeans preta que usava, o bilhete que a Sra. Longbottom dera a ele estava bem guardado, e dizia com clareza "Na lareira", um bilhete até então era considerado inútil, Harry começou a repensar sobre os valores dele.
- Não! – escutou uma voz vinda de longe, era Hermione discutindo com Rita Skeeter.
- Estou impressionada – disse a mulher girando a pena entre os dedos – De verdade, Srta. Granger, você tem uma história que poderia virar capa de manchetes, poderia ganhar um cargo exclusivo no Profeta Diário com a minha ajuda, mas não... Você prefere esconder o segredo do seu melhor amigo...
- Não é uma decisão difícil de ser tomada quando você se importa com alguém! – retrucou Hermione ativa.
Harry pegou delicadamente Hermione pelo cotovelo, agradecendo em seu ouvido e a levou até o quarto para mostrar o papel, ela leu sem entender muito bem o significado, e Harry explicou de onde ganhara, e... Se lembrou.
Sua mãe tinha pedido para Giulla Lovegood entregar isso aos Longbottons, era muito óbvio!
- Matei! – disse Harry estralando os dedos no ar – É onde está a próxima Horcrux! Só pode ser... Ela foi escondida por Rabicho, na minha casa! Atrás da lareira! – e começou a visualizar a lareira de sua casa onde tinha algumas escritas hieróglifas (desconhecida).
- Provavelmente! – concordou Hermione – Muito bem pensado, Harry.
- Vamos hoje mesmo para Godric Hollows, assim que acabar o enterro!
- Vai enterrar a sua mãe aqui em Hogsmeade? Vai mesmo separá-la do túmulo de seu pai?
Harry concordou com um aceno.
- Vai ser mais um motivo para eu voltar a Hogwarts depois que essa maldita profecia acabar! Vou visitar minha mãe semanalmente!
Hermione não deixou de sorrir ao saber que ele considerava a possibilidade de voltar à escola depois disso tudo acabar.
- Essa maldita profecia está me matando – resmungou deixando-se sentar na cama e repetiu para si mesmo em voz alta – "Um não pode viver enquanto o outro sobreviver" - repetiu em voz alta para si mesmo - Teria sido mais simples se ele tivesse me matado logo, eu não teria sentido tanta dor e não precisaria agora estar correndo atrás dele para a última batalha.
Hermione sentou-se ao seu lado, em consolo, apertando suas mãos. Fazia muito frio e era bom sentir-se aquecido por alguém. O tempo lá fora anunciava que a neve estaria chegando em poucos dias.
- Não diga isso, Harry. Se você tivesse morrido ainda jovem, eu não o teria conhecido – ela pegou em sua mão de uma forma carinhosa, que só ela sabia pegar. Ela acalmava Harry de um jeito que só ela sabia acalmar. Ela era sua melhor amiga e sabia mais do que ninguém como fazer Harry Potter o homem mais feliz do mundo. Ela sabia do seu gosto, dos seus sentimentos, de como ajudá-lo, desde quando o conhecera. Levou algum tempo até que aprendesse, claro, mas com isso, a convivência absorvia mais informações sobre o Garoto-Que-Sobreviveu. E ela que sempre o achara um famoso, misterioso e provavelmente metido, encontrou-o no Expresso Hogwarts e foi apresentada à pessoa mais humilde de toda a escola. Esse era o humilde Harry Potter que ela sempre conhecera.
- Mas... Se não tivesse me conhecido, teria sido melhor – murmurou Harry virando o rosto na direção dela, decidido a encarar seus olhos, a não fugir mais do que o seu coração começava a implorar; Os lábios dela, o hálito quente dela. – Você teria tido sua vida normal, sem se preocupar, sem correr risco de vida...
- Se você não tivesse aparecido, Harry Tiago Potter – disse em ironia – Eu não teria conhecido um sentimento poderoso que me domina... – e ela aproximou ainda mais, deixando-se ser conduzida pelo perfume do rapaz.
Harry e Hermione foram fechando os olhos lentamente, e a aproximação fazia com eles deixassem se levar para outro mundo.
- Hem, hem! – interrompeu uma voz vinda da porta.
Harry e Hermione se jogaram um para cada lado do quarto, disfarçando a aproximação de antes em tosses e espirros.
- Os pombinhos aqui, conversando sobre algum assunto particularmente interessante!
- O que você ouviu, sua víbora? – perguntou Hermione puxando a varinha de sua mochila e apontando na direção da mulher que não temeu a ação da garota – Não se esqueça de que sei que você é um besouro!
- E não se esqueça que o Ministério da Magia está mais bagunçado do que você imagina, definitivamente se preocupar com um animago não é mais um dos maiores problemas para o Ministério quando se tem mortes acontecendo pelo mundo inteiro!
Hermione sentiu a raiva dominá-la ainda mais. Odiava-se ser desafiada.
- Oh! Vocês aqui! – resmungou uma voz leonina vinda da porta. Todos se espantaram, uma juba de cabelos escondia o rosto fino de Rufos Scrimgeour.
- Então? – riu Rita Skeeter dando os ombros para o casal assustado – Não vão dizer nada? – e saiu do quarto aos risos.
Hermione bufou e guardou a varinha ao ver que Rufos tinha os olhos arregalados para a garota.
- Sem violência, rapazes, nada se resolve com violência!
Hermione sentou em sua cama que era do outro lado da parede, bufando, após guardar a varinha no cós da jeans.
- Vim conversar com vocês, rapazes – disse ele esfregando as mãos e fechando a porta – Eu... Eu gostaria de saber se precisam de algum apoio.
- Lalau continua preso como se fosse um comensal? – retrucou Harry em resposta.
Rufos riu e deu algumas palmadinhas no estômago.
- Não quero ser grosso, rapazes, mas... É muita indelicadeza de vocês comigo, não é mesmo? Ainda mais quando eu deveria estar descontrolado de raiva pelo fato de vocês terem invadido o Ministério!
- O QUE? – berrou Harry arregalando os olhos – Isso foi há dois anos, e foi por uma causa nobre, além do mais...
- Não! – corrigiu Rufos fazendo que não com o dedo indicador – Eu sei muito bem o que vocês andaram aprontando nessas últimas semanas no Ministério, rapazes, ou acharam que uma capa de invisibilidade seria o suficiente para encobrir a entrada de Ronald Bilius Weasley e Harry Tiago Potter? – ele riu novamente e Harry levantou do sofá, furioso por ele ter citado o nome de Rony.
- Sim, nós estivemos lá por motivos significantes!
Harry e Hermione se entreolharam assustados, e temerosos. E raciocinaram...
- Rony não morreu! – resmungou Harry rangendo os dentes e fechando os punhos – Rony não morreu, seu filho da... – ele ia terminar mas Hermione o calou com as mãos em volta de sua boca.
- Rony está perfeitamente bem! – disse Scrimgeour satisfatoriamente – E eu só queria encontrar com vocês para que pudesse fazer a minha oferta.
Harry gemeu no lugar, incrédulo. Ele era um monstro!
- Nós... Nós não estamos dispostos a aceitar! – retrucou Harry sendo segurado por Hermione pelas costas.
- Harry, não... – gemeu Hermione em seu ouvido, e mesmo assim não conseguia acalma-lo – Segure-se, é a vida de Rony que está em jogo...
Scrimgeour deu uma risada ainda mais satisfeita.
- Se não vão por bem, vão por mal! Eu fiz a proposta no ano passado para que você visitasse o Ministério em demonstração de que nós estávamos de fato oferecendo segurança à população bruxa! Você não o fez... E eu soube então que o seu melhor amigo era o irmão de Percy, e eu não soube quem era naquele almoço de Natal na Toca dos Weasleys, eram muitos ruivos! Então, confirmei que Ronald Weasley era o seu melhor amigo no velório de Dumbledore!
- Você... É um... – Harry não tinha palavras.
- Te espero amanhã no meu escritório! – avisou Scrimgeour ao piscar, antes de sair do quarto.
- Ei, espera! C-como que... Que você capturou Rony? – gritou Hermione curiosa.
O homem remexeu as vestes na direção do peitoral e puxou uma medalhinha dourada, era um vira-tempos.
- Capturamos assim que você deu às costas ao véu! Meus funcionários, é claro, estavam cobertos por capas de invisibilidades e o pegaram! E aqui estamos, negociando como adultos! – ele virou as costas e continuou andando, feliz da vida.
Hermione o xingou de uma forma que Harry nunca tinha visto ninguém fazer.
- Eu nunca te vi tão nervosa! – comentou Harry mesmo que estivesse com uma raiva ainda pior do Ministro, não deixava de controlar suas emoções, estava triste em saber que Hermione se preocupava demais com Rony, afinal, os dois eram conhecidos como casais, e...
- Ele é meu melhor amigo!
- Você o defende como se fosse mais do que amigo! – comentou Harry querendo alfinetar.
- Não seja estúpido, eu já disse que não gosto do Rony, e você sabe muito bem... – respondeu ela captando a mensagem.
Harry riu pelo nariz.
- Vai me dizer que aqueles passarinhos que você mandou na direção dele quando ele ficou com Lilá foi só um ataque de ciúmes de amigo?
- Não, aquilo não foi por causa dele! – resmungou Hermione chateada, misturada com nervosa ainda mais por Harry estar se preocupado com coisas idiotas em um momento tão sério.
- Foi por causa de quem então?
- Foi por causa de Gina! Ela tinha feito uma Poção do Amor e... Você estava tomando! – Hermione tinha lágrimas de fúria nos olhos – Vocês iam se beijar aquela noite, se eu não tivesse interrompido...
- O drinque que eu estava tomando naquela noite...
- Sim, tinha Poção do Amor, e eu achei que vocês dois estavam prestes a se agarrarem no Salão Comunal, por isso que eu... – ela corou violentamente – Por isso que eu sai correndo, e...
Harry sacudiu a cabeça tentando imaginar se era isso mesmo o que você estava acontecendo.
- Você estava com ciúmes de mim? Por quê? – perguntou ele sentindo um monstro rugir em seu estômago, ainda mais forte do que antigamente.
- Não! – cortou ela de repente – Eu... Eu não queria mentir para você, é isso! – disfarçou, virando o rosto – E nós não devemos falar disso agora! Temos assuntos mais importantes a tratar!
- É... Devemos focar em Rony! – concordou Harry.
- É... E você pretende fazer o que a respeito?
Harry deixou a cabeça cair de um lado para o outro.
- Eu não vou fazer nada! Mas sei quem pode fazer! - ele riu do próprio pensamento – Chame a Lilá e a Parvati, elas são boas de passar recados! – ele pensava em fazer uma revolta organizada na frente do Ministério – E chame os nossos novos amigos Centauros! Acho que a Umbridge terá uma visitinha inesperada!
