Capítulo 16.

Godric Hollows.

Lupin, Tonks, Olho Tonto e outros aurores foram aparatando para Godric Hollows, e a intenção era essa mesmo, vasculharem as ruas, bares e qualquer outro estabelecimento garantindo que não houvesse nada suspeito e que Harry pudesse chegar em segurança.

Harry, Rony e Hermione poderiam muito bem aparatarem ao lado, mas acharam melhor chegarem em silêncio, o que na verdade não era muito silencioso. Rony estava conduzindo o carro cheio de bagagens e entre outras pessoas, com exceção de Harry que estava na carona da moto de Sirius, conduzida por ninguém menos que Severo Snape. Lógico que achou um absurdo no começo, mas aceitou a carona, porque devia chegar cercado de segurança, não no carro juntamente com Rony e os demais que ocuparia muito volume. E para variar, Rony e Hermione discutiam.

- A minha mochila não está pesada! – gritou Rony sério – São objetos necessários para uma simples viagem!

- Nós só vamos ficar alguns dias fora! – retrucou Hermione incrédula – Não precisa levar um bastão de Quadribol!

- Nunca se sabe! – devolveu entrando no carro – E se a minha mochila está pesada, o problema é meu! Quem vai ficar com dor nas costas sou eu! Então...

- E se você for atacado pelo excesso de peso na mochila eu vou rir da sua cara ao invés de te ajudar! – e ela entrou no carro logo depois.

- Nós entraremos depois deles! – informou Snape encaixando o capacete na cabeça, ao lado da moto.

Era no mínimo estranho estar na companhia de Severo depois de tudo que tinha acontecido, mas mesmo assim ele não falou nada sobre, colocou o capacete e segurou com força nas bordas da moto, ouvindo o barulho do carro de Rony afastar da garagem e sumir no ar (estava invisível).

- Agora é que a gente entra em ação! – resmungou Snape dando um cavalinho-de-pau com a moto, soltando fumaça e acelerando.

- Eu não sabia que você dirigia moto!

- Ah! – Snape dizia à medida que levantava vôo – Eu já dirigi há muito tempo... – ele parou pensando no que tinha acabado de falar – Sem mais perguntas, Potter!

Harry decidiu prosseguir o restante da viagem em silêncio, não era muito cômodo ficar conversando com a pessoa que passara metade do verão odiando, ainda não se acostumara com a idéia de que Snape era do bem.

Andar nas nuvens era de congelar, os pêlos já estavam eriçados de tanto frio. E ainda bem que o capacete ajudava a cobrir um pouco do frio. Atravessaram uma área verde coberta por neve, passaram por montanhas e em poucas horas estavam aterrissando diante de uma curva de um riacho cuja as águas eram tão claras que se podia ver os peixes laranjas nadando ao fundo, e parecia a véspera de congelar.

- Nós descemos por aqui! – comentou Snape tirando o capacete – Eu não vou poder chegar mais do que isso, Potter!

- Por que?

- Não posso ser visto em sua companhia! Estou correndo risco demais, ainda por cima!

- Ahm... Tudo bem – disse Harry colocando a mochila nas costas e verificando se a varinha estava em um ponto estratégico – Onde eu encontro os demais?

Snape jogou os cabelos bagunçados para trás.

- Essa é a parte em que você pega a moto e some! Sem mais perguntas!

- O que? Eu nunca...

Snape tirou a varinha e apontou na direção da moto que inicialmente estava em repouso, agora dava roncos e soltava fumaça.

- Pronto! É só sentar e fingir que está dirigindo para os trouxas não perceberem! Ela vai te levar até a entrada de Godric Hollows!

Harry piscou os olhos, mal acreditando no que estava vendo. Seria tudo verdade ou um sonho que ainda não despertara?

- Eu... Obrigado! – disse Harry abraçando Snape com força, muita força. Nunca achou que fosse fazer isso durante a sua vida toda, mas o homem merecia honrosamente o seu agradecimento, fizera muito por ele até então.

- Ahm... Potter, vá! Não temos tempo para perder! – resmungou Snape sem graça, sem perder a pose de "eu sou um homem sério, saia da minha frente ou receberá um Avada Kedavra!".

- A gente se vê ainda, eu garanto! – piscou Harry subindo na moto e ajeitando o capacete – Até breve, professor!

Harry deu duas batidinhas com o calcanhar ao lado da moto como se fosse um cavalo e ela saiu em disparada. Ele apoiou as duas mãos ao guidão e a moto deslizou por uma ladeira, era um lugar cheio de grama, com muitas árvores em volta. E foi aí que ele viu... No fundo do vale, havia muitas árvores e casebres, uma perto da outra, e todas muito coloridas, todas cobertas por neve. O riacho passava bem ao lado da pequena cidade mas não chegava a cortar. A moto continuou a descer mesmo que ele quisesse parar para apreciar a cidade. O seu coração batia em disparada.

À medida que a moto foi descendo para chegar à estrada de terra que levava até a cidade, Harry precisava segurar com mais firmeza achando que a qualquer hora a moto fosse capotar, mas felizmente ela chegou até a estrada, dando uma virada estratégica e ficando inteiramente de frente à cidade, guiado por uma estrada de terra tomada por pedregulhos. E sem parar, ela o levou na direção que não era tão bonita quanto achava que fosse.

- É aqui – murmurou Harry sentindo o estômago afundar. A moto não parou, chegou até uma avenida que parecia ser a principal da pequena cidade, esta asfaltada, com um canteiro dividindo as duas pistas, mas o meio não estava habitado por plantas ou qualquer vida que fosse, estava tudo destruído, em ruínas.

Não havia casas que estavam aparentemente habitadas. Muitas janelas tinham sido arrombadas, quebradas, ou até mesmo arrancadas juntamente com a parede, o que não estava quebrado, estava sujo, mal cuidado e praticamente abandonado.

E no final da rua avistou um estabelecimento também combinando com a paisagem (entenda-se por uma casa caindo aos pedaços, sob ruínas, cheia de pedregulhos em volta). E a moto virou na direção da casa, parando de um jeito surpreendente, quase jogando o garoto para fora.

- Ops! – gemeu Harry tirando o capacete – Acho que teria sido melhor se tivesse pegado uma carona com o Noitibus!

- Harry! Você está bem! – comemorou Luna chegando dos fundos, saindo de um buraco formado na casa onde antigamente devia ser uma porta – A Hermione perdeu quase todas as unhas perguntando se você estava bem!

Harry sorriu internamente, mas não conseguia transmitir isso facialmente, porque sentia uma mescla de sentimentos rodar por seus pulmões. Era saudade. Era vingança. Era raiva. Era alegria, tudo ao mesmo tempo.

- Todos chegaram bem? – perguntou ele saindo da moto, e deixando o capacete para trás.

- Sim, e o carro está escondido no quintal, claro, invisível! – explicou Luna indo até Harry – Vamos entrar, mas não repare na bagunça! – disse ela como se a casa fosse dela.

Harry acompanhou a garota até o interior da casa, e lá estava os amigos, inquietos. Alguns já tinham a bagagem fora do carro, Hermione estava sentada em um sofá velho, todo corroído por traças, e pareceu aliviar-se ao ver Harry vivo, porém não demonstrou com seus antigos abraços sufocantes que no fundo ele adorava.

- Estão todos okay? – perguntou trocando olhares com todos.

- Estamos! – concordaram.

- E os aurores? Já deram notícias?

- Eles ainda não apareceram! – murmurou Neville roendo as unhas – Acho que não deve ter sido coisa boa! Estão demorando demais!

Harry olhou no relógio, pelo combinado, eles já deviam estar aparecendo.

- Godric Hollows! Aqui estou eu! – murmurou Harry estudando o local. Era um lugar muito sujo, muito mais parecido com estruturas egípcias do que uma casa antigamente habitada por gente.

- Harry! Harry! – chamou uma voz vinda de dentro de sua mochila.

Harry começou a revirar a mochila, procurando pelo objeto que estava pronunciando o seu nome, e encontrou o espelho de duas faces, pertencente a Sirius, embrulhado.

- Lupin? Tonks? – perguntou enxergando o casal olhando através do espelho – Como estão?

- Pelo que tudo indica, o caminho está livre! Mas não acho que Voldemort facilitaria tanto as coisas para você! Acho ainda muito arriscado você seguir em frente...

- Mas... – resmungou Harry.

- Vasculhamos cada lugar da cidade! Vasculhamos sua casa também, e não há sinais de ninguém por perto, mas talvez eles estejam esperando você chegar!

- Nós vamos à frente! – disse Hermione com a voz firme e forte levantando do sofá e indo na direção de Harry.

- Quem disse o que aí? – perguntou Tonks.

Hermione chegou ao lado do ombro de Harry e encarou o objeto que ele tinha em mãos.

- Nós vamos à frente! – repetiu Hermione – Digo eu, Rony, Neville, Gina, Luna e Draco! O Harry pode ir coberto pela capa!

- É, vai ser mais seguro assim! – concordou Lupin do outro lado.

Hermione assentiu com a cabeça e apertou o nó do cachecol ao pescoço, depois de retirar a varinha do cós da jeans. Todos repetiram o ato.

- Vou eu, Rony, Luna e Neville à frente! – ordenou Hermione – Draco e Gina vão guiando Harry. Pode ser?

Eles todos concordaram, embora o coração de Harry dissesse que não, que ela devia seguir ao seu lado, mas o orgulho fazia com que ele não abrisse a boca e nem concordasse em nada com a garota.

- Ótimo... Então, vamos! – disse avançando.

Os três tomaram à frente e foram andando pela calçada das ruas, na maioria das vezes cheia de buracos e destruída, assim como as ruas e avenidas da cidade. Harry, coberto pela capa, andava um pouco atrás de Draco e Gina, por estratégia.

Eles viraram alguns quarteirões, atravessaram uma ou duas ruas, e avistaram um casarão intacto no final da cidade. Havia muitas árvores secas em volta devido à estação de inverno que chegava trazendo neve, e a casa estava toda enfeitada de branco, e não deixando de causar arrepios. Harry a encarou sentindo uma dor forte no peito. Era saudade demais. Não conseguia descrever o que sentia.

As lágrimas ardiam em seus olhos só de pensar que um dia os corpos de seus pais habitaram aquela casa. E quando começou a descer a rua, enxergou melhor o portão de muro baixo que cortava a casa. Era um portão marrom, muito baixo, feito de madeira, em volta tinha muros feito de pedras cinzentas, obviamente até uma criança de cinco anos conseguia ultrapassar aqueles limites.

- É aqui – gemeu Harry em silêncio embaixo da capa, pensando quantas vezes será que seus pais teriam entrado ali. E parou para dar uma olhada na casa com desenhos brancos e marrons, as janelas de vidro agora quebradas.

Por tanto tempo desejou conhecer aquele lugar. Por tantos anos imaginou como seria a sua verdadeira casa com os seus pais, enquanto vivia uma vida miserável na rua dos Alfeneiros. Era tão doloroso pensar que aquela casa era tão grande e tão bonita estava desabitada. À frente tinha um jardim escuro, as plantas estavam mortas e o gramado era negro, havia também um chafariz redondo em um canto, mas não havia água, estava tudo coberto de neve, dava para ver de longe. Não havia alegria naquela cena. Não havia nada que transmitisse vontade de conhecer aquela casa, exceto que... Ele precisava entrar lá e pegar a Horcrux escondida atrás da lareira, conforme o bilhete dizia.

"Deve estar atrás da lareira" dizia o bilhete enviado pela Sra. Longbottom.

Hermione tocou o portão de madeira, pegou o puxador de ferro e puxou, em seguida empurrou para dentro o portãozinho, e ele obedeceu rangendo. Rony e Neville passaram depois de Hermione e Luna, deixando o caminho aberto para que Draco e Gina passassem, e eles o fizeram fechando o portão, deixando Harry para trás, obviamente o garoto subiria pelos muros, porque se alguém estivesse vigiando, provavelmente ia pensar que Harry estava na frente, e não atrás.

Harry escalou o muro de pedras com cuidado, e saltou na direção dos jardins, pisando no mar de folhas secas e blocos de neves misturados, desejou que não fizesse muito barulho e desatou a correr em passos não muito rápidos na direção dos demais.

Hermione também abriu a porta da casa que só estava encostada e entrou. E um a um foram entrando, dessa vez Draco e Gina não fecharam a porta, fingiram esquecê-la aberta para que Harry entrasse depois, e ao fazer, trancou-a imediatamente com feitiços poderosos.

O lugar era muito escuro e sujo, os objetos eram todos antigos, os móveis eram antigos e estavam cobertos por uma camada de poeira, dando a impressão de que tudo era cinzento. Harry tirou a capa do corpo, segurando as lágrimas com força aos olhos.

- Draco... Gina... Por favor... Fiquem cuidado da porta! – pediu Harry acenando com a cabeça, virando os olhos para que ninguém visse que ele estava quase chorando, mas todos pareceram adivinhar, fazia-se um silêncio sepulcral, e todos encaravam Harry esperando que ele falasse seus sentimentos.

- Okay! – concordaram os dois puxando a varinha.

- Neville... Luna... Vão olhar a porta dos fundos! – ordenou Harry apontando com o dedo indicador para o cômodo à esquerda. Estavam no Hall que já dava de frente às escadarias para os andares de cima. À direita ficava uma sala de jantar linda, com uma mesa de vidro e cheia de objetos e fotografias, agora estava tudo destruído, não como Harry vira na penseira. Os objetos já não tinham cores. Ao lado esquerdo havia uma sala de televisão, porém, atravessando-a havia uma porta que dava acesso à cozinha, por onde Voldemort tinha entrado.

"Ele esteve aqui" pensou Harry olhando para o chão.

- Venha Rony... Os dois! – ele não conseguiu pronunciar o nome de Hermione após a briga e indicou à cabeça para os andares de cima enquanto Neville e Luna adquiririam suas varinhas e corriam na direção da cozinha.

Harry subiu os degraus com Rony e Hermione na cola, não conseguia parar de pensar nas vezes em que seus pais tinham subido por aquela escada, ainda vivos, e isso o deixava profundamente em estado de depressão. Não era a mesma sensação quando pensava que seus pais freqüentaram Hogwarts, talvez porque a casa fosse um lugar pessoal, um lugar que só pertencera ao casal Potter.

- Tem uma lareira no andar debaixo também, mas aposto que Voldemort não teve tempo para esconder a Horcrux lá na sala de jantar, acredito que esteja pelo andar de cima – disse para que os amigos escutassem sem se importar se o pessoal lá embaixo estava escutando ou não.

Eles subiram até o segundo andar, atravessando um quadrado que possuía alguns sofás, onde havia várias portas indicando os quartos e o corredor que levava até o quarto de Harry. E eles avistaram a lareira.

- É... Definitivamente estranha essa lareira aqui! – disse Rony aproximando para estudá-la.

- É aqui – disse Harry apontando a varinha na direção dela – Agora... Nós precisamos descobrir o que tem por trás dela!

Feitiços e mais feitiços foram soltos, mas nenhum trouxe resultado. Decepcionado, Harry resolveu entrar no quadrado, lembrando que havia algumas palavras escritas nas paredes, eram palavras de outra linguagem, muitos desenhos desconhecidos. Harry deslizou a mão pela escuridão sentindo as figuras nas paredes.

- Tem alguma coisa aqui – disse Harry – Venham ver!

Hermione, após sentir as palavras nas paredes, soltou um guincho e disse que tinha visto isso em algum lugar, saiu com as duas mãos tampando a boca, assustada.

- Eu sei o que significa isso... É... É uma linguagem muito antiga... De elfos! Eu estudei isso enquanto convencia as pessoas de que o elfos mereciam liberdade!

- Você estudava para o fale? – perguntou Rony fazendo uma careta.

- Já disse que não é fale, é F.A.L.E. – respondeu ela torcendo o nariz para o amigo ruivo – E outra coisa... Ah! É uma linguagem muito antiga... Preciso falar com o Dobby, Harry!

- Dobby! – chamou Harry falando seu nome e o elfo materializou-se no ar.

- O senhor... O senhor me chamou? – disse o elfo torcendo as mãos.

- Preciso que você leia o que está escrito na lareira! – apontou Harry e o elfo sem muito entender correu para dentro da escuridão, deixando só os calcanhares amostra por causa da pouca luz solar que vinha da janela. O elfo passava as duas mãos pelas paredes, olhando atenciosamente.

- Alguma coisa diz que... Que tem alguma coisa misteriosa por detrás disso, senhor... Alguma coisa realmente forte de almas, senhor... Uma linguagem muito difícil de ser descoberta! – Dobby saiu debaixo da lareira e voltou para a sala e por onde pisava com os pés livres deixava uma camada de rasto pela poeira do chão – E tem outras palavras embaixo... Palavras em outra linguagem que não é de elfo, senhor!

- Quais palavras, Dobby?

- Difíceis de saberem, senhor. Dobby não fala sereiano!

Harry arregalou os olhos, espantado.

- O que você quer dizer com isso?

- Tudo indica, senhor, que outra pessoa deixou outra frase embaixo, em outra linguagem!

- Dumbledore! – arriscou Rony apontando na direção de Harry – Ele falou sereiano na segunda prova do Torneio Tribruxo... Isso indica que ele esteve aqui!

- É óbvio que sim! – concordou Harry – Dobby, será que você poderia transmitir esses desenhos em um pergaminho... Levar para Hogwarts e conversar com os sereianos?

- Vai ser um pouco demorado, senhor... Mas é claro que Dobby fará isso, o mais depressa possível, claro, senhor! É uma honra! – disse Dobby recebendo o pergaminho que Hermione tirava da mochila, juntamente com uma pena e um tinteiro.

Dobby ficou uns bons dez minutos escrevendo no pergaminho até que saiu tudo perfeito e disse que ia até Hogwarts para mais tarde voltar, Harry, Rony e Hermione ficaram esperando, impacientes, ainda mais porque dois deles não estavam conversando, só dava Rony fazendo impossíveis teorias sobre o que estava escrito, incluindo uma antiga lenda sobre os quatro herdeiros de Hogwarts.

- Nossa, você viajou na maionese! – riu Hermione depois de muito tempo em silêncio.

Dobby apareceu cortando a risada da garota imediatamente, os três se curvaram na direção do elfo para ouvirem o que ele tinha a dizer.

- Foi realmente trabalhoso conversar com eles, senhor, peço desculpas ao atraso, mas... Pelo que entendi através dos gestos, senhor... É que... É que aquilo é um feitiço muito poderoso, senhor... E foi realmente Alvo Dumbledore que fez, senhor!

- Que tipo de gestos, Dobby? O que você entendeu?

- Ah, senhor, foi realmente difícil traduzir tudo aquilo, mas Dobby acha que pode significar alguma coisa do tipo "Está trancado para sempre, até que a pessoa certa abra!", peço desculpas pela má tradução, senhor, mas... Eu... Eu realmente não faço idéia! – ele apontou para o pergaminho que segurava, tinha uma espécie de triângulo, com uma bolinha dentro da figura, cortada ao meio – Essa figura não tem tradução, senhor! Eles ficaram confusos sobre isso!

Hermione tirou o cachecol, desabotoou o casacão, e enfiou a mão por dentro da blusa, tirando uma correntinha prateada, muito familiar na opinião de Harry, era a medalhinha de sua mãe. O formato de triângulo estava lá, com a circunferência dentro, cortada ao meio.

- Isso... É um símbolo da minha mãe! Essa era a correntinha que ela carregava no pescoço! – berrou Harry apontando para a medalhinha que Hermione usava no pescoço – Eu dei para Hermione no dia do velório!

Hermione puxou a varinha e correu na direção da lareira, dizendo "Revele os seus segredos!".

A parede se afastou com um baque estranho, e a turma lá embaixo gritou preocupada, eles confirmaram que estava tudo bem, era só as paredes se movendo de lugar. E a parede da lareira começou a afundar, revelando um caminho. Rony acendeu a varinha e os três aproximaram para ver melhor o lugar. Não havia absolutamente nada. Estava completamente vazio.

- Eu já entendi tudo – disse Hermione juntando as informações – Dobby, não é querendo ser grosseira, mas você não pode ouvir as seguintes informações.

- Tudo bem – concordou Dobby abaixando as orelhas e afastando os passos, tristemente.

- Desculpa, Dobby, desculpa mesmo!

- Eu entendo! – concordou Dobby acenando – Dobby não vai atrapalhar a futura senhora! – e estralou os dedos sumindo.

Harry perguntou-se por um momento se tinha ouvido direito. "Futura senhora?". Isso indicava que Dobby considerava Hermione como esposa de Harry, e ele corou ligeiramente sabendo que Rony estava soltando risadinhas abafadas e disfarçou em uma tosse, enquanto Hermione voltava a apertar o cachecol ao pescoço.

- Voldemort de fato escondeu a Horcrux aqui – disse olhando pela primeira vez para Harry depois da briga – Mas... Ele voltou para mudar a Horcrux de lugar, recentemente! Mas por sorte, Dumbledore foi mais inteligente, e no ano passado tirou a Horcrux daqui! – ela riu sozinha – Dumbledore é magnífico! – ela parou dando um tapa de leve na testa – E isso quer dize que a Horcrux só pode estar em um outro lugar... – ela rolou os olhos para a medalhinha escondida dentro da blusa – Ela está no caixão oculto de Lílian!

Harry abriu a boca, intrigado com tamanha inteligência da garota, só faltou aplaudir, Rony também ouvia tudo atentamente sem saber o que dizer.

- Quer dizer que o caixão vazio da minha mãe... Está guardando a Horcrux! Dumbledore mudou a Horcrux de lugar! – ele sacudia a cabeça, não acreditando no que estava acontecendo – Isso é mesmo possível? Dumbledore... Meu... Sem palavras! – comentou Harry.

Rony que estava observando a janela e concordando com as afirmações de Harry, virou o rosto com a expressão preocupada na direção dos amigos.

- Bom... Quero saber se você tem palavras para o que está acontecendo! – disse Rony apontando para fora da janela.

- O que é que tem aí fora? – perguntou Harry e Hermione arregalando os olhos sentindo um gelo deslizar pela barriga.

- Venham conferir! – ele afastou dando espaço para os dois se aproximarem e ver com os próprios olhos.

Através do vidro, eles enxergaram os Comensais aproximando dos muros ao redor da casa, com as varinhas em punhos. E no fundo, um homem usando uma capa escura, e com os olhos vermelhos brilhando na luz do dia, estava Lord Voldemort flutuando diante do portão.

- AVADA KEDAVRA! – ouviu-se o feitiço da boca de um comensal, em seguida um grito vindo lá debaixo, ao mesmo tempo acompanhado de um vaso se quebrando.

Notas do autor: Espero que tenham sobrevivido ao capítulo chato. Muita explicação e pouca ação... Mas ele realmente valeu à pena para o sentido da história.

Voldemort aparecendo? Próximo capítulo tem mais dele!

Infiltrei a importância do F.A.L.E. nesse capítulo. A linguagem dos sereianos. O bilhete da Sra. Longbottom "Atrás da lareira", e é o mesmo bilhete que a Lílian entregou à Giulla Lovegood na noite em que morreu. Enfim... Capítulo importante!

GOSTARAM do esconderijo da nova Horcrux? O caixão de Lílian! Achei bem espirituoso (risos!), significa que Dumbledore sabia MUITO BEM que o corpo de Lílian estava nos olhos de Harry. Agora, por que será que ele não contou para o Harry? Risos again! ;x

Simples, porque ele não queria que o Harry atrapalhasse TODO O PLANO e corresse até Godric Hollows! E se Dumbledore falasse - Ei... O caixão da sua mãe guarda uma Horcrux.

O que o Harry ia pensar? Minha mãe tá viva!

E ela ia correr pra Godric pra ver se era verdade e ia embaralhar TUDO! Então, Dumbledore morreu quietinho!

E outra... aí está o tal do TRIÂNGULO com um OLHO NO MEIO que a JK sempre disse ser importante, para quem não sabe, é a mesma figura que aparece na capa Britânica do Livro 07.

Enfim... ESPERO QUE TENHAM GOSTADO! Próximo capítulo tá ELETRIZANTE!

LECHERY: Filhotaaaa, obrigadão por passar aqui e deixar uma review, sabe que eu adoro vc, né? De montão. Beijos.

JANE: HUAHUAha O Lupin é espertinhoooooo! Espero que tenha gostado do capitulo. Beijos. Deixa mais review.

LOLIX: Ebaaaaa. Você deu sinal de vida... Hehehe. Volte sempre. To com saudades. Beijos.

Próximo capítulo...

Ele mirou a direção da porta da sala e atirou-se com violência para fora, correndo pelos jardins.

E quando derrapou pelo caminho coberto de gelo que dava acesso ao portal da Casa dos Potters, Harry deparou com uma cena que fez congelar o seu coração. A meio metro de distância, estava um homem usando capa negra, muito longe, tinha os olhos muito vermelhos e um rosto em formato de caveira. Era Lord Voldemort sem dúvida, e ao seu lado, era ninguém menos que Hermione Jane Granger, as roupas estavam rasgadas, o cabelo caído, mas com certeza era a mesma, com o pescoço enroscado nos braços dele. E por incrível que parecia... A fina cicatriz em sua testa não ardia.

- SOLTE-A! – berrou Harry sentindo os pulmões arderem ao dar esse grito. Voldemort simplesmente riu, uma risada fria e maléfica – AVADA KEDAVRA! – berrou Harry com todo o ódio do mundo dominando os seus pensamentos, e o feitiço verde jorrou de sua varinha com força. Ia na direção de Voldemort que...

- CRUCIO! – berrou em volta, atingindo o feitiço de Harry no ar, provocando fagulhas que voaram para todas as direções, atingindo blocos de neve que imediatamente derreteram.