Capítulo 21.
Ameaça e água.

O dia seguinte foi muito diferente dos anteriores, Harry acordou com a idéia de que precisavam sair dali, não lembrava se tinha sido uma premonição ou qualquer outra coisa do tipo, mas sentia que não deviam continuar parados esperando o tempo passar.

Harry, Rony e Hermione visitaram a Sala de Troféus em busca de uma resposta sobre a nova Horcrux, mas não obtiveram boas respostas, na verdade, nada a respeito. Só encontraram com Pirraça no final do corredor destruindo tudo o que havia pela frente.

Gina parecia a todo momento estar lendo, não só Romeu e Julieta como outros livros também, Hermione começou a trancar sua mochila com feitiços poderosos para que a amiga não descobrisse mais do que deveria.

Draco e Gina pareciam estar envolvendo-se cada vez mais em brigas e brigas, não era tão raro ver o rosto branco de Draco tingido por cinco dedos vermelhos, o que significava que a garota vivia socando o rapaz.

- Estou começando a achar que essa vai ser uma Horcrux impossível! – gemeu Hermione após consultar todos os livros na biblioteca, Harry e Rony também andavam entre algumas outras prateleiras.

- Tem sido difícil, eu sei, mas nós vamos encontrar – encorajou Rony fechando o punho no ar – Basta procurarmos um pouco mais. Revirar a seção reservada, ou qualquer outra coisa, sei lá! Deve ter alguma coisa do tipo.

Hermione sacudia a cabeça para todos os lados. Enterrou as mãos entre os cabelos, visivelmente cansada por passar tantas noites mal dorminadas. Como nunca havia feito antes na vida. Ela sempre achara as soluções nos livros.

- Já virei a seção reservada – ela ergueu o punho enfaixado no ar – Inclusive alguns livros me morderam!

Harry estava sério, sentado em um dos bancos, virando as páginas de um livro como se estivesse tapeando alguém que tinha muita raiva.

- Eu desisto! – disse Harry afundando a cara dentro do livro também.

- Não, não, Harry – Hermione correu até ele e o abraçou por trás sem nenhum tipo de constrangimento – Vai dar tudo certo, como disse o Rony. Vamos encontrar!

Harry sacudia a cabeça, ainda com as mãos perdidas entre os fios negros de cabelo, os cotovelos apoiados na mesa de madeira.

- Eu acho que Voldemort está muito quieto! Isso é o que mais me intriga!

- Estamos alguns passos à frente de Voldemort, devemos estar – disse Hermione meio insegura apertando os ombros do garoto – Nós vamos vencer essa guerra, Harry!

- Eu acho que Voldemort está um passo à frente, ou ele já teria mandado os Comensais invadirem Hogwarts em busca de McNair ou qualquer outra coisa do tipo! É muito óbvio! Não teríamos para onde fugir!

- Lógico que teríamos, Harry! Temos a minha casa! O Largo Grimmauld! A casa dos aurores!

- Falando em sua casa... – ia dizendo Harry preocupado franzindo o cenho – Como estão os seus pais?

Hermione suspirou aliviada.

- Não se preocupem. Fiz o Feitiço do Segredo, Draco guarda os meus pais dentro dele!

- Você não tem medo que Draco morra? – perguntou Harry desconcertado.

- Antes esconder em Draco do que deixá-los livres por aí!

Harry deixou escapar um suspiro, fechando o livro com violência.

- Chega! Vou tomar um banho e descansar!

Hermione apertou o seu ombro em concordância e ela somente o soltou quando o rapaz ficou de pé.

- Sabe se alguns professores continuam em Hogwarts, Mione? – perguntou Harry esticando as sobrancelhas.

- Ahm, além da Trewlaney... – ela mordeu o lábio pensativa – Todos abandonaram, eu acho... Hagrid, Professora McGonagall...

- Inclusive o professor Binns? – perguntou enigmático.

- Harry! – gritou Hermione estática, de olhos arregalados – Como eu não pensei antes? Harry! Harry! Ele é a solução para os nossos problemas! – ela própria batia a mão na testa, debatendo-se – Eu sou tão estúpida!

- Nessas atitudes você me lembra o Monstro – ironizou Rony, rindo.

Harry, Rony e Hermione desataram a correr na direção da sala de História de Magia, os dois invadiram a sala com esperança de encontrar o professor em algum lugar por ali, e resolveram chamá-lo pelo nome aos gritos.

- BINNS, PROFESSOR BINNS! – berrava Harry, Rony e Hermione fazendo cones na boca par ao som soar mais alto.

Um fantasma de forma não muito sólida veio flutuando na direção dos garotos, tinha uma expressão cansada e meio preocupada.

- O que fazem aqui, garotos? Não são tempos de andarem em Hogwarts! – ralhou o professor apontando o indicador para os três.

- Nós precisamos saber de algo muito sério, professor – disse Hermione atropelando as palavras algumas vezes, tremia loucamente – Queremos saber sobre o passado de Rowena Raveclaw!

Ele ficou ligeiramente surpreso mas não hesitou, parou em frente ao quadro negro, começando a falar como se estivesse dando aula novamente.

- Bom, ela foi criada somente pela mãe, já que o pai morreu cedo! A mãe era mestra em Poções, ensinou a garota a praticar diversas linhas e tudo mais! Foi bem sucedida anos depois, até que ficou amiga de Helga e dos demais, formando Hogwarts!

- Sim, e que mais? – perguntou Rony apertando com força as próprias mãos.

- Certamente Raveclaw apoiava os estudos de trouxas, e foi por um desses motivos que foi assassinada! Era apaixonada por Godric, e vice-versa, mas não chegaram a ficar juntos, nem com Poções do Amor foram boas o suficiente para uni-los! Infelizmente o destino os separou em uma triste jornada, mas ainda assim ela teve filhos mas foi assassinada algum tempo mais tarde por um de seus ex-amigos! Salazar Slytherin!

Harry negava com a cabeça incrédulo.

- E tinha algum objeto em especial que ela carregava para todos os lados? Que ela amava demasiadamente?

- Ahm?! – Binns coçou a sobrancelha pensativo – Não, não tinham muitos objetos, sabe... Mas o que ela gostava mesmo de fato, o que ela preservava, era o amor por si própria!

- Isso quer dizer o que? – perguntou Rony – Ela era algum tipo de narcisista?

- Não, meu caro. Ela gostava de se embelezar, mesmo que não era para encantar ninguém. Ela gostava bastante de seus filhos também! Trouxe os garotinhos ainda recém-nascidos para o castelo!

Harry e Hermione trocaram olhares.

- E o que aconteceu após a sua morte? A alma dela ficou vagando pelo castelo? – perguntou Hermione e Harry quase aplaudiu pela inteligentíssima pergunta.

- Bem, até algum tempo ficou... Mas não se sabe para onde a sua alma foi! – explicou Binns coçando a sobrancelha novamente – Ela sumiu do mapa! Até mesmo o seu filho está perdido por aí, procurando-a!

- Esse filho existe? – perguntou Rony incrédulo.

- Existe! Pirraça!

Harry, Rony e Hermione sugaram o ar tudo ao mesmo tempo. Era inacreditável que Pirraça fosse filho de Rowena Raveclaw, depois de tantas bagunças, atrevimentos. Seria uma brincadeira de Binns?

- E... Por isso Pirraça tem medo do Barão Sangrento? – perguntou Hermione inteligentemente.

- Por isso mesmo, ele soube que os descendentes de Slytherin mataram sua mãe, até então, ele morre de medo de qualquer outro fantasma sonserino! Principalmente do Barão Sangrento!

Hermione tinha os olhos arregalados de incredulidade. Ela apenas apertou o braço de Harry com força, indicando que não havia mais nada a dizer. Não na frente do professor.

- Obrigado, professor, é só isso mesmo! – agradeceu Harry agachando a cabeça e saindo da sala às pressas.

- E então, o que acham? Pirraça é a Horcrux? – perguntou Rony ansioso.

- Não! – negou Hermione de repente – É óbvio que não! Não tem como Voldemort fazer um fantasma de Horcrux, a não ser que ele tenha vivido há quinhentos mil anos atrás!

- É mesmo... – resmungou Rony coçando a cabeça – Ou quem sabe, talvez ele tenha uma máquina do tempo...

- Não viaja na maionese, Rony! – cortou Hermione seriamente – Mas acho que devíamos procurar Pirraça para obteremos melhores informações!

- Apoiado! Apoiado! – concordou Rony.

A busca pelo polteirgeist levou quase o restante do dia inteiro, eles andaram agrupados, bolando perguntas inteligentes a fazer, pararam para comer e quando estavam saindo do banheiro feminino da Murta (agora vazio, graças a Merlin), eles encontraram Pirraça fazendo traquinagens com a gata de Filch, que apenas se arrepiava a cada susto que ele dava nela.

- Pirraça! – chamou Hermione acenando.

- Olá senhora Pottinha! – cumprimentou Pirraça dando outro mergulhão parando na frente deles.

- Nunca me imaginei feliz por encontrar Pirraça! – exclamou Rony ao ouvido de Harry.

- Tudo bem com você, lindinho? – perguntou Hermione querendo parecer educada.

- Tudo bem comigo sim, e com vocêzinha?

- Também! – respondeu ela colocando o cabelo atrás da orelha – Sabe, eu fiquei muito interessada sobre a história do seu passado, eu...

Ele deu outro mergulhão, recuando.

- Não vou falar sobre isso, não mesmo! – ele estava assustado como nunca tinham visto antes.

- Não, não queremos ofender, nada do tipo! – exclamou Hermione fazendo gestos com a mão de que ele não deveria se preocupar – Queremos saber só uma coisinha de nada!

- Que coisinha? – perguntou Pirraça recuado.

- O que, de fato, aconteceu com a sua mãe?

Ele ficou assustado, recuou até sumir do outro lado da parede, era uma sala com alguns quadros, o trio foi atrás para conversar com o polteirgeist que chorava infantilmente.

- Não, Pirraça, não fique assim! Queremos só saber isso e vamos embora para sempre!

Mas ele continuava a chorar, feito criança.

- Ele está mais parecido com a Murta-Que-Geme, isso sim! – comentou Rony rindo por cima do ombro – Pirraça-Que-Geme, ficaria legal, não?

- Ela... Ela se foi! Mamãe sumiu para sempre! – murmurou Pirraça colidindo os dedos indicadores freneticamente, mostrando sua tristeza.

- Como ela se foi? Ela simplesmente sumiu?

- Desde que iniciou-se essa Guerra Maldita, minha mãe sumiu e não voltou mais! – e voltou a chorar. Hermione olhou por cima do ombro para Harry e Rony, fazendo outras perguntas sobre ela, e quando mais tarde estavam voltando para a enfermaria, tiveram certeza de pelo menos uma coisa.

- A Horcrux que procuramos de fato é da Raveclaw, de fato está em Hogwarts! E de fato, é a alma dela! É muito óbvio, por isso que ela sumiu! Voldemort usou o fantasma dela como algum tipo de recurso, ou sei lá!

- É... A alma de Voldemort se misturou com a de Raveclaw, formando uma só... E essa alma infiltrou em algum objeto – simplificou Harry.

- Ou em alguém! – corrigiu Hermione – Lembra o que Monstro disse...

- É! – concordou Harry coçando a cabeça, pensativo – Ou em alguém! Mas vamos pensar sobre isso e amanhã quem sabe não temos uma decisão!

A decisão, é claro, não veio de ambos os lados. O dia seguinte chegou trazendo nuvens carregadas e uma única certeza na vida de Harry. Que não iriam continuar ali, principalmente com McNair de prisioneiro. A principio, Hermione queria acabar com a vida de McNair mas é claro, não teve coragem o suficiente para isso, apenas chorou e chorou dizendo que não era capaz de matar ninguém. E por mais algumas noites, McNair permaneceu vivo, embora estivesse inconsciente, ou fingindo. O importante é que eles não tiravam os olhos do comensal dia e noite.

A noite anterior foi uma noite bem diferente, eles se reuniram em volta da lareira para comentarem sobre o futuro. Cada um falando o que pretendia fazer assim que terminasse tudo aquilo, isto é, se terminasse...

- Eu quero virar jornalista! – comentou Hermione sorridente – Seria o máximo trabalhar com a Rita Skeeter! – e viu a cara de espanto de todos, incluindo o furioso Harry – Estou brincando, é claro! Só a parte de querer trabalhar com a Rita! Porque quero ser jornalista sim!

Gina sacudiu a cabeça e murmurou pensativa.

- Ah sei lá, eu não penso em nada...

- Ah! Qual é? – brincou Draco dando um soquinho de leve no ombro da garota – Eu sei que você tem algum sonho! Todos pensam em ser alguém na vida.

Ela corou violentamente.

- Eu sei que tem que estudar muito para essa carreira, mas... Mas... – ela foi corando à medida que falava – O meu sonho é ser uma medi-bruxa!

Hermione deu uma risadinha para a amiga.

- Não é tão impossível assim, Gi... Você só precisa se esforçar um pouco. É uma profissão bastante disputada, sabe? Eu mesma já pensei em ser curandeira, mas... – ela parou para revirar os olhos – Jornalismo é tudo o que eu quero! Dá para levar o F.A.L.E. adiante!

Rony soltou um olhar de censura para a amiga.

- E você, Rony? O que pretende fazer?

- Ah, não sei – ele corou de leve nas bochechas – Sempre quis jogar Quadribol, em algum time quem sabe... – ele olhou para o teto sonhando com o futuro.

- E você, Harry? – perguntou Hermione.

- Eu? Ah? – ele parou pensativo. "Eu quero ser o seu marido" queria responder a Hermione mas sabia que não tinha coragem o suficiente, além do leão em seus estômago rugir em contrariedade – Eu... Eu penso em ser auror! Deve ser difícil engrenar nessa carreira mas bastante interessante!

- Você tem futuro nisso – concordou Draco – Enquanto trabalhar no Ministério também é um dos meus grandes sonhos! Mas prefiro outra seção, sei lá... Uma que dê futuro!

- Seção dos Animais e... – ia dizendo Hermione.

- Não! – cortou rapidamente – Uma seção que dê bastante dinheiro! – corrigiu ele falando em alto e bom som.

- Eu não acho que precise de uma profissão que dê dinheiro – disse Luna energeticamente – Mesmo que eu ganhasse um galeão por mês, mas o meu sonho seria dar aula! – ela parou suspirando como se estivesse apaixonada – Já pensou em ter meus próprios alunos?

Harry riu pelo nariz só de imaginar. E assim a noite foi passando... Até que o dia seguinte trouxe nuvens carregadas ao céu e um calor mais tolerável.

Todos tinham acabado de se levantar e tomar um bom café da manhã na enfermaria quando Harry se pronunciou em meio do silêncio.

- Eu... Eu quero visitar o túmulo da minha mãe antes de ir embora! – murmurou Harry decidido, vestindo uma camiseta branca – Eu preciso vê-la, nem que seja pela última vez.

Todos permaneceram em silêncio, estáticos. Estavam organizando suas roupas e objetos para viajarem dali. Eles tinham idéia de passar alguns dias na Mansão Lovegood. Ou até mesmo pedir segurança ao Ministério, o que não podiam, era continuar em Hogwarts.

- Vamos com você – disseram todos.

- Não! – disse decidido – Eu quero ir sozinho! – cortou rapidamente os olhares de todos – Eu preciso me despedir dela... – disse sentindo um aperto no peito – Pode ser que eu nunca mais visite o seu caixão... – querendo dizer que tinha séria probabilidade de morrer em breve.

Hermione o reprimiu com um olhar de Sra. Weasley.

- Já falamos sobre isso, Harry!

- Não importa! – cortou ele – Eu vou visitar a minha mãe em Hogsmeade, e na volta eu passo aqui para partirmos, certo?

Todos concordaram com acenos.

Harry, usando uma roupa branca, em homenagem à paz, ia visitar o túmulo da sua mãe com uma dor muito forte no coração. Eram muitos sentimentos mesclados.

Atravessou a Bruxa de Um Olho Só e agradeceu por existir aquela passagem, correu pelos túneis escuros, chegando até Hogsmeade em poucos minutos.

Passou pelas vidraçarias com as cortinas varridas, vendo que toda a neve tinha se transformado em água, principalmente agora que estavam mudando de estação.

O rapaz sem nenhum tipo de segurança, apenas a varinha nas mãos, cruzou com os portões de ferro de uma mureta de pedregulho em Hogsmeade, entrando em um lugar onde o silêncio era absoluto. Estava vazio. Havia muitas estatuetas por qualquer lugar onde olhava. Eram sepulturas e mais sepulturas! Em um lugar muito próximo jazia Lílian Potter...

"Lílian E. Potter.

07/07/1958.

31/10/1981.

Sinceras saudades,
De seu filho,
Harry J. Potter
"

Ele parou meio tonto diante da plaqueta pregada no caixão de mármore de sua mãe. Um sentimento de saudade morava em seu peito há muito tempo. Não sabia o que fazer, simplesmente não sabia... Apenas tocou o monumento com os dedos, dizendo.

- Eu posso te ver muito em breve, mamãe! – murmurou sentindo as lágrimas subindo à cabeça – Eu estou indo para a batalha final, e não sei se na verdade você está escutando o que eu estou dizendo, mas fazendo isso, eu me sinto melhor – ele sacudiu os ombros – Parece idiotice, mas eu me sinto melhor despedindo de você, mamãe! Sei que você já está morta mas essa mensagem vai chegar em algum lugar até você!

Uma brisa de leve brincou com os seus cabelos e sua roupa, como se sua mãe estivesse correspondendo pelo vento.

- Eu te amo muito mamãe, e é incrível como eu posso sentir isso dentro de mim mesmo não convivendo muito com você! E a saudade me domina de forma absurda! Sinto que ficarei feliz em revê-la, não vou me importar se eu morrer! Juro que não... – e as lágrimas ficaram presas em seus olhos, embaraçando a sua visão.

E alguma coisa lhe disse em sua cabeça... Que ele não deveria morrer, alguma coisa querendo dizer...

"Você ainda tem Hermione".

Ele ainda com os dedos levemente pregados no caixão, disse.

- Eu sei que é difícil pensar isso, ainda mais quando tenho uma garota brilhante ao meu lado... Mas é difícil mamãe, eu amo ela demais! Assim como amo você também! Ela é tudo na minha vida, mamãe... E sinto que não posso deixá-la sozinha também! Ou seja... Se eu sobreviver, espero que compreenda... A saudade é grande, mas... Eu tive coisas importantes a fazer também! Como... Corresponder ao amor de Hermione. Eu sinto muito, mamãe! – e suas mãos afastaram do túmulo.

Harry sentiu as lágrimas contidas arderem em seus olhos enquanto ouviu um movimento atrás de si. O som dos passos era tão familiar que nem precisou olhar para saber quem era.

- Harry, você está bem? – a voz de Hermione invadiu seus ouvidos, fazendo-o suspirar alto. Quando sentiu o toque da mão dela na sua foi o bastante para deixar as lágrimas rolarem por seu rosto.

- Você ouviu a conversa? – ele perguntou olhando bem ao fundo de seus olhos.

- Oh Harry, um pouco! – ela o virou pelos braços e o olhou. – Querido, não é sua culpa. – disse Hermione olhando de Harry para tumba da mãe dele.

Ela viu tantas emoções pelo rosto do rapaz: culpa, medo, tristeza e muita solidão.

- Harry nada é sua culpa. Culpe a Voldemort pelo o que aconteceu, mas não a você, nunca você. No final você que é a vitima!

- Mas é que... – Harry tentou falar, mas um soluço abafou sua voz.

- Shhh...Acalme-se. – disse Hermione envolvendo seus braços em Harry. Ele a correspondeu fortemente, juntando os corpos o máximo possível. Suas mãos percorreram toda a costa dela, enquanto Hermione afagava seus cabelos murmurando palavras para confortá-lo e a chuva começava a cair ao redor deles.

- Eu estou aqui... - Hermione começou a dizer, mas Harry a interrompeu.

- Até quando Hermione? Até Voldemort resolver tirar você de mim como fez com meus pais e Sirius? – Harry indagou.

- Harry...

- Não, Hermione. Eu não quero te perder. Você não entende? – ele disse enquanto a apertava mais contra si. – Eu não posso te perder. – ele disse enquanto tomava o rosto dela nas mãos.

- Você não vai me perder... – Ela disse o olhando nos olhos.

Ele respirou fundo fechando rapidamente os olhos, quando os reabriu ficou surpreso ao notar o sorriso e as lágrimas no rosto de Hermione.

- Você não vai me perder Harry, porque se alguma coisa acontecer, eu vou até do inferno só por você.

Harry riu ao ouvir isso, mas soube que se Hermione dizia isso era porque ela era capaz de fazer isso. Então Harry soube que era o momento certo. Suas mãos saíram das costas dela e foram até a cintura, apertando-a delicadamente enquanto as pontas dos dedos acariciavam sob a blusa molhada. As mãos de Hermione viajaram até seu rosto e as deixou ali, acariciando enquanto o observava.

Os olhos não se desgrudavam em nenhum momento enquanto Harry se aproximava cada vez mais, seus narizes se roçavam, Harry levantou o rosto o suficiente para depositar um beijo casto em sua testa. Depois foi descendo e depositando beijos enquanto passava o nariz delicadamente por cada pedacinho de pele que fazia caminho até os lábios de Hermione. Quando ele chegou próximo aos lábios dela, ele parou e a olhou. De olhos fechados e respiração rápida e pesada, Hermione parecia ansiosa. Harry fechou a distância entre eles, beijando apenas os lábios. Lábios fechados, apenas se tocando, simples e delicado, mas que fez experimentar milhares de sensações.

Hermione fez o primeiro movimento, abrindo um pouco a boca e Harry aproveitou para introduzir a língua, fazendo os dois suspirarem. A língua de Harry percorreu vagarosamente a boca de Hermione, acariciando cada canto que pudesse alcançar, fazendo com que ela aumentasse a pressão que fazia com as mãos em seu rosto. O beijo tornou-se mais rápido na medida que a paixão ia aumentando, até chegar ao ponto que eles tiveram que se soltar por causa da falta de fôlego. Os olhares se conectaram assim que se soltaram.

O sabor de baunilha de Hermione estava na boca de Harry. Naquele momento era o melhor sabor que Harry havia experimentado. Tinha demasiado Hermione dentro de Harry. E ele a amou por isso. Ele a queria dentro de si, a ponto de desejar se fundir com ela e se tornar um só ser, porque se ela vivesse, ele estaria junto com ela para sempre, se ela morresse, ele seria levado para junto dela, como é e sempre deverá ser. Estar junto de Hermione significava não ter mais tristeza, solidão ou medo. Somente paz, harmonia e muito amor. Por isso queria ficar sempre com ela. Hermione era seu maior motivo para permanecer onde estava.

Perdendo a noção de quanto tempo havia se passado, Harry depositou um buquê de flores no túmulo de sua mãe e voltou para Hogwarts com Hermione. O silêncio embora fosse constrangedor era gostoso.

Ele fechava os olhos, ainda podia ver e sentir Hermione roçando o nariz levemente ao seu. Era como estar em outro mundo, era viajar fora da realidade. Não conseguia acreditar que durante todo esse tempo sonhara com o momento que tinha acontecido há poucos minutos. Só podia ser um sonho...

Na volta, no meio dos túneis escuros, ainda sob um silêncio medonho, ele andava sabendo que Hermione estava ao seu lado, também perdida aos pensamentos, mas não conseguia pronunciar nada. Sentiu apenas que as mãos dela entrelaçaram as suas de forma delicada. E ele correspondeu com firmeza, apertando a mão. E não disseram absolutamente nada durante o trajeto.

Chegaram até a enfermaria naturalmente, na esperança de verem os demais e perguntarem sobre o ocorrido, ou até mesmo assustar-se com o fato de ter acontecido. Mas a reação foi inversa. Harry e Hermione assustaram-se ao verem a enfermaria vazia, não havia ninguém, exceto suas mochilas e materiais.

- Acho que a situação está um pouco diferente agora! – disse uma voz seca e rouca aparecendo do teto. Os dois olharam para cima mas não havia absolutamente nada.

Era a voz de McNair. Ameaçadora.

- Vocês foram tolos o bastante para não me destruirem – e deu uma risada fria – Agora vamos ver quem é bom mesmo!

- O que você quer? – gritou Harry girando no mesmo lugar – O que você quer, McNair?

- Saiba que os seus amigos estão presos na diretoria de Hogwarts! E todos muito bem amarrados! – Harry e Hermione entreolharam-se assustados e temerosos.

- O que você quer? – repetiu dando um tom maior de ameaça.

- A regra é muito simples – riu McNair – A enfermaria vai explodir em uma hora e vocês dois vão morrer! – Harry e Hermione correram para a porta, mas ela estava enfeitiçada, trancada, não havia como abrir – Pode ser que um dos dois sobreviva! Mas para que um dos dois sobreviva, o outro não poderá sobreviver! – e deu uma risada fria e maquiavélica – Resumindo, um de vocês terá que morrer para saírem da enfermaria!

Harry olhou para Hermione sentindo que o mundo aos seus pés estava acabado.

Nota do Autor: VAMOS BRINCAR DE JOGOS MORTAIS? HUAHUAHUHAUH! BRINCADEIRA! xD

Uma das cenas MAIS ESPERADAS de toda a fanfic chegou! SIM! O BEIJO SUPER FODÔNICO HARRY/HERMIONE! Tipo, era um segredo meu manter esse beijo escondido... E tudo mais! Mas agora vocês já leram como tudo aconteceu... E é tudo tão mágico... Eu juro que quando li o beijo... Meus pés largaram o chão... E eu flutuei até as nuvens... E isso tudo, porque eu NÃO escrevi o beijo, quem escreveu foi uma amiga minha, chamada Naty. Agradeço a ela de montão por escrever o beijo. Ela foi uma das vencedoras das Challengers do Aliança3vassouras, ela ganhou o prêmio como MELHOR BEIJO, mas não foi esse beijo não... Foi outro! Daí eu resolvei CHAMAR ELA, toda linda e pomposa, para escrever o beijo da minha fanfic. Ela topou, escreveu. ME SURPREENDEU e ta aí... Espero que tenham gostado também!

Lembrando que o beijo Harry e Hermione foi baseado na Fanart:
http://img295.imageshack.us/img295/5885/imagemperfacs6.jpg

O porquê o Pirraça vive com medo do Barão Sangrento está postado!

Achei legal esse capítulo também porque fala das profissões de cada um e talx... E vocês só vão entender futuramente!

Próximo capítulo...

Eles ficaram algum tempo abraçados enquanto Harry chorava até que o momento foi acabando, as lágrimas secando e ele sentiu depressivo, uma coisa era verdade, um dia tudo isso iria acabar. E ele não via a hora de acontecer...

- O Malfoy! O Malfoy foi preso! – berrou Rony jogando a cama de volta ao teto e abrindo um buraco no chão, bem onde a cama estava minutos antes.

- Ele foi pego? – perguntou Harry assustado saindo dos braços de Gina – O que houve?

- Rodolfo Lestrange pegou o Malfoy! Tirou sangue do nariz de Malfoy! Eles saíram no soco e eu vim aqui correndo! – berrou Rony soando aos berros – Vamos, nós precisamos ajudá-lo! Se não chegarmos a tempo... Ele vai estar morto!

Até a próxima, guys! Amei as reviews, juro. Obrigado... Nem sei como agradecer.