Capítulo 22

Capítulo 22.

Os irmãos mágicos.

Harry e Hermione se abraçaram algum tempo em silêncio, pensando em alguma possibilidade de saírem vivos dali.

- Pode acabar comigo, Hermione! Pode ir, eu fico!

- Não, eu não vou fazer isso, Harry! – gaguejou ela – Deve ter algum modo de nós dois sairmos vivos daqui!

- Não há... Ou talvez... – ele dirigiu-se à janela, olhando os metros de altura que faltavam – Accio vassoura! – berrou apontando a varinha para o horizonte, mas nada aconteceu.

- Ele deve ter bloqueado a sala para não ter feitiços, é óbvio! – murmurou a garota aproximando dele com lágrimas nos olhos – Todos estão presos na sala de Minerva!

Harry e Hermione se olharam por algum tempo, e ela o abraçou novamente para poder falar alguma coisa discreta em seu ouvido.

- Temos que achar o sangue de dragão...

- C-como assim? – perguntou Harry revirando os olhos.

- Uma delas possui o sexto uso, que é voar! – ela dizia soltando um hálito refrescante em sua nuca, estava bem próxima a orelha dele – Vamos sair voando daqui!

Ele piscou várias vezes pensando nessa possibilidade.

- Podemos ir direto para a diretoria!

Harry e Hermione viram as mochilas jogadas ao canto e correram para revirá-las, lá estava a poção fechada em um frasco.

- Metade minha, metade sua! – ordenou Harry girando a tampa.

- Parece loucura – disse Hermione recebendo metade do sangue vermelho em um cálice.

- Três... Dois... Um! – contou Harry e os dois beberam ao mesmo tempo, ela amarrou a cara ao terminar, passando o guardanapo para limpar os lábios.

- Isso é horrível – comentou ela.

Harry não disse nada, sentia borbulhas de ar passando pelas veias dentro de seu corpo, e sentiu ficar mais leve que uma pena, de modo que seus pés abandonaram o chão e ele começou a flutuar.

- Eu estou flutuando! – disse olhando o chão afastando de seu pé, e para ficar equilibrado ele tinha que se esforçar para descer, e não subir.

- Vamos – disse ela pegando as mochilas, também flutuando, era estranho ver Hermione andando no ar, mas à medida que ela pegava as bagagens, seus pés voltavam a tocar o chão.

- Não podemos levar nada! As mochilas são mais pesadas do que a gente! – disse Harry pensando – A gente volta mais tarde para buscar, vamos! – ele atirou um vaso pela janela quebrando em milhares de cacos, em seguida deu um impulso com força no próprio ar e estava atravessando o ar como se fosse uma flecha, dando de cara com um jardim meio esverdeado de Hogwarts.

- É tão diferente fazer isso – comentou Hermione enjoada – Eu detesto altura! – e voltaram a mergulhar na direção de algumas janelas abaixo.

Harry e Hermione chegaram até o escritório de Dumbledore assustando os demais, todos encontravam-se amarrados em cordas, com panos à boca.

- Fiquem tranqüilos! – disse Harry agarrando-se à escrivaninha para grudar ao chão, Hermione puxou a varinha e executou um feitiço fazendo Harry vomitar o líquido, os pés ganharam peso do tamanho de chumbo e ele caiu de joelhos ao chão. Ela fez o mesmo.

Harry e Hermione acenaram com as varinhas e as cordas saltaram de seus braços. Eles pareceram aliviados.

- Ele nos atacou pelas costas! – comentou Rony – Filho-de-uma-velha-desgraçada!

A porta escancarou com violência, Harry partiu diretamente para um duelo contra McNair, os dois ficaram um bom tempo travando feitiços até que finalmente Hermione o controlou com um Estupefaça, fazendo o homem mergulhar em um desmaio.

- Devemos matá-lo – murmurou Harry olhando na direção de Hermione – Sei que não vai ser fácil, mas... É o único jeito!

Harry fechou os olhos e apontou a varinha no peitoral de McNair, atirado ao chão. Hermione revirou os olhos, mordendo o lábio com força para não chorar. Rony abraçou Luna para que não enxergasse, Draco tampou os olhos de Gina por trás mas foi o único que teve coragem de assistir à cena.

- Avada... Avada... Avada Kedavra! – sem muito esforço o feitiço jorrou da varinha de Harry e acertou em cheio o homem atirado ao chão.

Estava morto.

Harry sentiu tudo ficar muito obscuro. Talvez não devesse fazer isso, mas era para o bem da sua própria futura família. Sentia repugnância de si mesmo, mas era o único jeito...

- Vai ficar tudo bem, Harry – disse Hermione o abraçando com força – Não fique se culpando pelo o que houve... Ele teria matado você sem pensar duas vezes! – e esse pensamento Harry teve que concordar, era verdade. E isso o fez sentir-se melhor.

- Vão recuperar nossos materiais! – disse Harry acendendo a lareira com a varinha.

- Nós esperamos você lá embaixo – disse Hermione olhando Harry por cima do ombro, sabendo o que ele pretendia fazer. Ela carregava outro livro nas mãos.

Harry esperou a sala ficar vazia e sentiu uma dor inexplicável arder no peito. Ele não era um assassino. Ele nunca fora um assassino. Era uma questão de necessidade. Ele precisava ser. "Precisar ser" é muito diferente de "querer ser".

O corpo de McNair flutuou alguns centímetros do chão, e com um último aceno. Harry fez com que o corpo se juntasse ao fogo da lareira. Não teve coragem de ficar para assistir o restante.

Tudo o que Harry conseguia sentir depois de todo o ocorrido, era que estava sujo. Sujo de corpo e alma, de um jeito que nem um banho ia fazer com que melhorasse.

No caminho de volta, todos muito atentos com as varinhas nas mãos, Hermione explicava a Harry sobre o último livro que tinha achado de Dumbledore no escritório, falava de sua família.

- Coitado... Ele perdeu os pais na Floresta Proibida, antigamente chamada Floresta Negra, mas devido à perda de seus pais passou a proibir as visitas à Floresta.

- Que horror! – comentou Harry puxando o livro das mãos de Hermione para confirmar os versos que ela tinha lido.

- Ainda diz que não soube como eles morreram! Apenas sumiram e seus corpos foram encontrados sem vestígios de picadas ou nada do tipo! Logicamente foram afetados pelo Feitiço da Morte. E outra... Diz também que Dumbledore cuidou de Aberforth durante todo esse tempo... Mas infelizmente o irmão não seguiu o mesmo caminho que ele... Aberforth o traiu indo fazer parte dos Comensais do passado, os Comensais de Grindelawd!

- Deve ter sido péssimo para ele, não? – respondeu Harry erguendo uma das sobrancelhas.

Ao chegarem na enfermaria cada qual foi pegar seus pertences para levarem embora, Hermione revirou a mochila de Carlinhos perguntando se alguém tinha visto a outra poção, todos negaram.

Harry pendurou a espada nas costas, cortando diagonalmente o seu corpo, ficando prensa na mochila, e quando estava arrumando alguns objetos fora do lugar quando escutou Gina empurrar Draco dizendo para seguir em frente.

- Er... Potter? – chamou Draco sem jeito sendo forçado a dar alguns passos para a aproximar de Harry – N-nós precisamos conversar...

- Pode falar, cara! – respondeu Harry dando meia voltando, ficando frente a frente com o sonserino.

- McNair fez uma ameaça... E disse que minha mãe está correndo risco de vida!

Harry ergueu as sobrancelhas.

- McNair pediu que eu fosse falar com Voldemort cara a cara! Caso contrário minha mãe estará morta dentro de um mês!

Ele sacudiu a cabeça incrédulo.

- Mas... Mas a gente fez o Voto Perpétuo... Se... Se você for... Você vai morrer!

- Eu vou morrer de qualquer jeito! Meu próprio pai vai me matar nessa guerra!

Harry negou com a cabeça, segurou os ombros do amigo com firmeza e disse.

- Eu não quero que você morra! Você não pode quebrar o Voto Perpétuo!

Draco afastou um pouco, desvencilhando das mãos de Harry, ainda encarando seus olhos bem fundo.

- Eu sinto muito, Potter, mas a vida da minha mãe é mais importante! Ela deu a vida dela por mim! E acho que está na hora de retribuir...

- Não faça isso, Malfoy! – gritou Hermione aproximando, tinha escutado toda a conversa – Não faça isso! É pelo seu próprio bem!

- Não posso, Granger! É a minha mãe!

- Deve ter outra solução, cara – disse Rony dando um soco de leve no ombro do sonserino – Nós só precisamos pensar!

Luna aproximou sorridente, achando tudo muito natural.

- E se seqüestrássemos a sua mãe?

Todos se entreolharam, erguendo as sobrancelhas. Era uma ótima hipótese a ser considerada. Em último caso, mas poderia ser...

- Pode ser que dê certo! – apoiou Harry – Eles estão usando a Mansão Malfoy como a Sede de Lorde Voldemort, não é?

- Em algumas reuniões sim – disse Draco – Nem sempre, mas... É, é, vocês tem razão!

Eles todos foram para a casa de Luna Lovegood, era muito aconchegante e grande. Parecia mais uma casa de boneca do que uma casa normal. Cada um poderia ter ficado em um quarto de tão grande que era a casa, mas separaram os meninos em um quarto, e as meninas em outro.

Harry deitou na cama no final de semana dizendo que pretendia voltar a Hogwarts aleatoriamente, assim evitava fazer guerras e seria mais fácil para que procurasse a penúltima Horcrux.

Harry, Rony e Hermione voltaram duas vezes dentro da semana, vasculharam muitos lugares, incluindo os banheiros e as bibliotecas, mas não acharam nada de interessante ou diferente, voltavam para a casa de Luna, mostrando desapontamento.

- Não fomos bem sucedidos! – respondeu Harry deixando-se cair sentado na cama, passando a mão na testa para secar o suor.

- O mês está acabando, Potter – lembrou Draco do outro lado do quarto – Eu... Eu preciso tomar uma decisão.

Harry olhou firmemente para Draco.

- Quer invadir mesmo a sua Mansão?

- Claro! Eu melhor do que ninguém conheço cada detalhe daquele lugar!

Harry concordou com os demais.

- Ótimo... – ele olhou através da janela, estava escurecendo – Vão arrumar suas coisas, partiremos hoje mesmo.

- Você está doido? – perguntou Rony cansado após ter chegado de Hogwarts – Minhas pernas não agüentam andar!

- Hoje é quarta-feira, véspera de reunião dos Comensais e vamos aproveitar que eles estão distraídos! – comentou Draco olhando para Rony – Se esperarmos até semana que vem, minha mãe vai estar morta! Faz parte da promessa!

Eles fizeram as malas novamente, esperaram o pai de Luna cair no sono e partiram até uma estação próxima.

- Não fica muito longe daqui, umas três horas no máximo! – murmurou Draco sentando no vagão.

Todos cochilaram durante a viagem, menos Hermione que ficou atenta ao relógio, disposta a chamar atenção deles assim que chegasse, e quando o trem deu uma guinada anunciando que estava terminando a viagem, Harry sentiu o estômago acompanhar a parada.

- Chegamos no vilarejo de Little Malfoy!

- Eles vão me reconhecer assim que sair do trem! – disse Draco olhando por cima do ombro – Meu avô fundou esse vilarejo!

- Pode ficar com a minha capa de invisibilidade – murmurou Harry puxando a capa da mochila e atirando na direção dele.

- E você?

- Eu me viro!

- Não acho seguro você ficar descoberto Harry – disse Hermione e todos concordaram com a cabeça.

- Ótimo, vamos dividir a capa então – disse Harry para Malfoy.

Os dois ficaram abertos sob a capa mas não havia mais nada a fazer. Luna apertou a mão de Rony e saiu do trem com o namorado, bem à frente. Parou ao lado de uma lanchonete para comprar água esperando algum sinal de Draco.

Hermione e Gina passaram pelo casal como se não os conhecessem, ainda assim elas eram os alvos dos jovens. Alguns até as chamavam por apelido fazendo Harry tremer de raiva, embora não fosse o único embaixo da capa.

- Weasley, sigam-me! – murmurou Draco puxando Rony pela roupa discretamente, e Draco o puxou para uma estradinha esburacada – Fiquem aqui que eu vou buscar as duas.

E lá foram Harry e Draco buscar as garotas que estavam se olhando em um espelho, ignorando as cantadas dos velhos que jogavam dama.

- É subindo essa estradinha – anunciou Draco em som alto – Daqui vocês já podem ver o quarto da minha mãe!

E Harry esticou o pescoço um pouco mais para enxergar uma luz acesa bem no alto de uma torre, a subida era muito estreita e nada plana, o que contribuiu para o cansaço.

- Vamos pelo porão! – disse Draco parando em frente a um portal gigante de ferro que se perdia de vista ao olhar para cima – É meio antigo e pesado, vou precisar da ajuda de vocês!

Juntaram os seis para empurrar o portão enferrujado, em seguida entraram pelo jardim todo esmagado e malcuidado, não havia vida naquele lugar.

- Estamos próximos? – perguntou Harry.

- Vamos descer pelo porão... – sussurrou Draco – A entrada é ali naquela árvore – apontou ele mas os demais não viam – Ei... Weasley! Pára de andar! – Rony parou bruscamente – Estão vendo aquela árvore do lado daquela pedra? Então, é ali mesmo!

Eles aproximaram do lugar, soltaram feitiços e a árvore partiu em duas abrindo um caminho para que descessem umas escadas.

- Ótimo, agora fico livre dessa capa idiota! – resmungou Draco saindo da capa e acendendo a luz com a varinha, o lugar era muito escuro e fedia esgoto – Estamos no subterrâneo e vamos sair direto na cozinha!

Andaram algum tempo descendo umas escadas, passaram entre algumas paredes e tornaram a subir uma pequena escadaria.

- Seus pais não foram avisados?

- Acho que não... A casa é muito grande... Cada vez que entrar alguém e eles forem avisados... Não haveria reunião! Seria um barulho infernal de sirenes!

Draco apalpou o alçapão e o levantou, finalmente a luz apareceu, mesmo que fosse de velas.

- Vamos, subindo – disse Draco puxando a fivela para que o restante chegasse à cozinha.

Era a coisa mais linda que Harry tinha visto em toda sua vida. A mesa era gigantesca, cabia no mínimo umas quarenta pessoas, e as costas das cadeiras, todas, eram esculpidas por madeira, muito bem desenhadas, combinando com a borda da mesa.

- Vamos pegar um atalho e subir até o meu quarto! De lá podemos chegar tranqüilos até o quarto da minha mãe!

Eles subiram uma escada em caracol escondida atrás de um quadro, e chegaram em um lugar escuro, abriram uma porta e estavam saindo do guarda-roupa de Draco.

- Será que eles não sabem que estamos aqui? - perguntou Rony.

- Eles já teriam aparatado – respondeu Hermione óbvia.

- Não se pode aparatar no terreno da Mansão Malfoy!

Rony e Hermione se entreolharam.

- Isso quer dizer que... Se quisermos fugir, temos que sobreviver até o portão? – perguntou Rony coçando a cabeça.

- É mais ou menos assim – disse Draco.

- Eu sabia que não devia ter aceitado esse convite maluco, eu sabia! – disse Rony dando alguns tapas na testa.

Draco correu até a cômoda para averiguar alguns objetos, retirou várias roupas, jogando no chão e puxou um punhal negro.

- O que você pretende fazer com isso? – perguntou Gina séria.

- Pode ser útil – explicou Draco, ele virou para todos – Acho melhor eu subir sozinho até o quarto da minha mãe! O caminho é estreito e perigoso! Existem guardas na porta!

Todos ficaram intrigados.

- E nós vamos ficar aqui? – perguntou Hermione intrigada – De jeito nenhum!

Harry pensou por um momento: E se ele for nos entregar aos Comensais?

- Eu vou com você – disse Rony puxando a varinha.

- Não! Eu vou! – gritou Gina dando um passo à frente.

- Você fica! – gritaram Harry e Hermione juntos.

Ela olhou assustada para os dois, mesmo não sabendo onde Harry estava direito.

- Ótimo, vamos juntos, Weasley! – disse Draco indo até a cama e levitando-a, um buraco apareceu bem embaixo – Se ouvirem barulho, podem disparar tiros!

- Boa sorte, cara – acenou Harry.

- Obrigado, para vocês também – disseram e sumiram pela escada que dava acesso ao quarto de Narcisa.

Luna e Gina não agüentaram a curiosidade, começaram a fuçar por todo o guarda-roupa do garoto, procurando por recordações, fotos ou pistas.

- Vai ficar tudo bem – tranqüilizou Harry vendo que Hermione tremia as mãos.

Toc, Toc, Toc. O barulho de dedos batendo contra a porta ecoou pelo lugar. Gina e Luna saltaram para trás, receosas e já com as varinhas em punhos.

- Vamos lutar! – disse Harry baixinho ficando de pé e a porta escancarou.

Uma figura alta e de cabelos negros surgiu à porta, não estava com a varinha em punhos e por isso foi pego de surpresa, estuporaram o rapaz com vários feitiços e trouxeram seu corpo para dentro.

- Quem é esse Comensal? – perguntou Harry para Hermione.

- Sabe que eu não faço idéia... – ela respondeu.

- Ele trabalhava no Ministério – explicou Luna – Ele era o melhor amigo do papai!

Harry arregalou os olhos na direção da garota.

- Como é o nome dele?

- Abouth Stoner! – disse Luna negando com a cabeça – O que pretende fazer?

- Não temos outra opção, não é? – murmurou Harry com as mãos soando – Eu... Eu terei que matá-lo!

Hermione tinha lágrimas nos olhos e soluçava.

- Isso é terrível. Matar pessoas é terrível!

Harry abraçou-a de lado, confuso com os próprios pensamentos. Não sentia bem em fazer aquilo, mas precisava.

Ele apontou a varinha com as mãos suando, tentando parar de treme e murmurou.

- Eu não quero fazer isso, eu não quero – e caiu de joelhos em frente ao rapaz desmaiado – Mas... Mas é para a segurança da minha família!

Hermione apertou o seu ombro com força.

- Eu não sou um assassino! – estremeceu Harry com lágrimas nos olhos – Eu... Eu não sou um assassino!

- Sabemos que não é, Harry – disse Luna encarando-o – Sabemos que não faria mal a ninguém! Mas certas coisas você tem que enfrentar! Saber lidar com esse tipo de coisa vai ser normal daqui para frente... A batalha final se aproxima! E tem uma profecia a ser cumprida!

Harry apontou a varinha para o peito do rapaz.

- Eu... Eu não sou um assassino – ele suspirou fundo e as garotas viraram o rosto para cada canto da parede para não presenciarem a cena – Avada Kedavra!

O feitiço verde ofuscante jorrou de sua varinha e atingiu em cheio a garganta do Comensal atirado ao chão, antes se o rapaz estava inconsciente agora estava sem vida por completo.

- Eu me sinto sujo... – comentou Harry com lágrimas deslizando aos olhos – Eu não sou um assassino!

Hermione abraçou Harry com força em forma de consolo.

- Não fique assim! Um dia isso tudo vai acabar!

Eles ficaram algum tempo abraçados enquanto Harry chorava até que o momento foi acabando, as lágrimas secando e ele sentiu depressivo, uma coisa era verdade, um dia tudo isso iria acabar. E ele não via a hora de acontecer...

- O Malfoy! O Malfoy foi preso! – berrou Rony jogando a cama de volta ao teto e abrindo um buraco no chão, bem onde a cama estava minutos antes.

- Ele foi pego? – perguntou Harry assustado saindo dos braços de Hermione – O que houve?

- Rodolfo Lestrange pegou o Malfoy! Tirou sangue do nariz de Malfoy! Eles saíram no soco e eu vim aqui correndo! – berrou Rony soando aos berros – Vamos, nós precisamos ajudá-lo! Se não chegarmos a tempo... Ele vai estar morto!

Rony saiu correndo à frente, a turma passou por diversos túneis e subiram algumas escadas até chegarem a uma porta misteriosa, chutaram e viram a seguinte cena: Draco caído ao chão recebendo um potente Crucio pelo Comensal Lestrange.

- Ora, ora... Quem temos aqui! – berrou ele virando a varinha imediatamente para a porta – Afastem-se! TODOS VOCÊS!

- Não devia ter feito isso! – gritou Gina vermelha de raiva – ESTUPEFAÇA!

- AVADA KEDAVRA! – berrou ele.

Os feitiços se transformaram em fagulhas coloridas colidindo contra as paredes fazendo enormes buracos, a poeira do quarto se tornou obscura e como se houvessem nuvens negras, elas se materializaram em Comensais. Eram mais de dez.

- CRUCIO!

- AVADA KEDAVRA!

- CRUCIO!

- ESTUPEFAÇA!

- BOMBARDA!

- CRUCIO!

- IMPEDIMENTA!

- CRUCIO!

- IMPÉRIUS!

- PETRIFICUS TOTALUS!

Era uma guerra que não parecia ter fim, Harry acabou saindo da capa para salvar Hermione da morte que foi por muito pouco. Rony foi atingido por um Impérios e segundos depois estava prensando Harry contra a parede para socá-lo foi quando Gina deu um chute no meio das pernas do irmão fazendo-o acordar.

Belatriz enfiou as unhas em forma de garras no pescoço de Harry tirando sangue do rapaz, o prensou contra a parede e perguntou em seus ouvidos.

- Será que sua mãe teria orgulho de ver você assim? – perguntou ela fazendo Harry perder a respiração.

Ele tentava respirar mas Belatriz fechava a sua traquéia, disposta a não soltar, e ainda o erguia pela parede, de um jeito que os pés dele não estavam mais ao chão, e começava a doer.

- Será que a Lílian Potter teria orgulho do filhinho dela? – perguntou novamente fazendo Harry sentir uma humilhação sem tamanho crescer pelo corpo.

Ela não tinha esse direito de falar de Lílian. Era suja e maquiavélica!

Harry aproveitou que Belatriz o ergueu um pouco mais no ar e mirou um pontapé no peitoral da mulher, lançando-a contra a parede oposta. Sabia que os seus poderes quando ficava nervoso triplicavam, poderes sem varinha.

Ele correu até Belatriz e a puxou contra a parede pelos ombros, vendo o enorme buraco que as costas dela tinha feito na parede.

- É claro que a minha mãe teria orgulho de mim! – disse Harry cerrando os dentes e executando um estupefaça. Ela simplesmente desfaleceu aos seus braços, caindo ao chão.

Harry conseguiu paralisar mais três Comensais de uma só vez, mesmo que o troco tivesse sido Hermione torturada por dois Crucios ao mesmo tempo. Luna acabou ficando inconsciente após ter batido a cabeça contra a parede. Gina conseguiu estuporar dois deles. E Rony também ajudou bastante. Por fim, acordados só restaram Lúcio, Rodolfo e Narcisa, com as varinhas apontadas para os, respectivamente, acordados: Harry, Rony e Gina.

- Nós vamos vencer essa batalha ainda, Lúcio – comentou Harry passando as costas das mãos na testa tirando o sangue que escorria do corte que recebera.

- Isso é o que você pensa, Potter! Eu poderia matá-lo agora! – murmurou crispando os lábios.

- Mas não seria conveniente, não é mesmo? – Harry olhou para os lados vendo que Gina mantinha a varinha firme na direção de Narcisa. Ele pensou bem antes de falar a seguinte frase – Não me convém vocês me matarem! Eu tenho a única arma que Voldemort quer! Eu sei onde está a penúltima Horcrux!

Houve um momento de silêncio, Narcisa pôs a mão na boca para tampar o barulho de sucção. Lúcio concordou com a cabeça, pelo visto compreendia o que era uma Horcrux. Rodolfo parecia atento a trocar olhares pelo canto do olho com os outros dois comensais. A reação mais surpreendente veio de Gina.

- E sabemos como destruir as Horcruxes!

Harry pensou um momento. Gina conhecia essa palavra? De onde? Como?

- Andei lendo os livros sobre o assunto! – justificou ela dando os ombros – Na enfermaria em Hogwarts!

Estava respondido. Gina andara pesquisando sobre Horcruxes. E finalmente descobrira.

Draco gemeu no chão sem fazer barulho, não tinha forças o suficiente, e como estava de costa para os comensais, eles sequer notaram. Harry desejou que ele acordasse logo.

- As duas últimas Horcruxes que ainda lhe restam estão vivíssimas! – comentou Lúcio rindo – Eu sei muito mais do que você pensa, Potter!

"Voldemort abriu o segredo com os Comensais. Eles também sabem sobre as Horcruxes" maquinou Harry.

- E pode ter certeza que eu vou exterminá-la assim que as encontrar!

Lúcio deu uma risadinha irônica.

- Eu duvido que você a mate!

Draco abriu os olhos e viu a cena, ficou de pé sem fazer muito barulho e os três rapazes pareceram entender que a intenção era desviar a atenção dos três Comensais para que Draco atacasse pelas costas.

- Não duvide nunca da minha capacidade! Nunca!

Draco ergueu uma das varinhas jogada ao chão nas costas do pai. Rony e Gina aproveitavam para atacar Rodolfo e Narcisa.

- CRUCIO! – gritou Draco fazendo o pai ajoelhar como se estivesse tomando um choque.

- EXPELLIARMUS! – gritaram Rony e Gina.

- Eu sinto muito papai, por todo o mal que o senhor me fez... Eu sinto muito! Por sua culpa tenho uma costela a menos! Por sua culpa eu passei metade da minha vida arranjando briga com quem eu não queria! Fui obrigado a escolher um caminho que eu não pertencia! Obrigado a fazer parte de uma maldita sociedade que eu nunca poderia dar as costas! Agora, papai, chegou o dia de tudo isso acabar... – ele respirou fundo - Avada Kedavra! – gritou Draco com a varinha apontada para as costas do pai. Lúcio caiu molemente para o lado, sem nenhuma indicação de que estava vivo.

Draco tinha os olhos vermelhos em lágrimas e estava muito branco. O restante contemplou a cena, todos estavam incrédulos.

A mãe de Draco caiu no desespero, ajoelhou-se na barriga do marido implorando para que não morresse, para que voltasse porque o amava mais do que nunca! Ela virou na direção de Draco rangendo os dentes como se fosse atacá-lo. E o fez.

- SEU MALDITO! SEU MALDITO! VOCÊ MATOU O SEU PAI! COMO PODE? COMO PODE FAZER ISSO?! VOCÊ É UM MALDITO! – Narcisa acertou um tapa em cheio no rosto do filho, obrigando-o a virar seus olhos em lágrimas para a parede – EU TE ODEIO MAIS DO QUE TUDO! E PENSAR QUE EU QUERIA QUE VOCÊ SOBREVIVESSE! SEU VERME DE UMA FIGA! – As unhas de Narcisa tinham infiltrado no rosto do rapaz, fazendo arranhões que começavam a sangrar.

- Você tem certeza que quer isso, mamãe? – perguntou Draco sério, olhando atentamente para os olhos da mãe, ela chorava desesperada – Não vai mesmo mudar para o nosso lado? Você tem essa chance!

- Eu prefiro morrer a trair o meu sangue! Eu prefiro morrer a trair Lorde das Trevas! Eu sou eternamente fiel a ele e ao seu pai! E prometi que ia até o fim!

Draco chorava, as lágrimas misturavam com o sangue que escorria pelo seu rosto, pingando do queixo para o chão aos seus pés.

- Você deve ser desonrado! Você não pertence à família Malfoy!

- Mamãe, a última chance... – murmurou Draco apontando a varinha para sua mãe, ajoelhada em sua frente – Você tem a chance de escolher! Viver ou morrer?

- Não... Eu não vou mudar de opinião! Vou ficar sempre do lado do Lord das Trevas!

Draco piscou fortemente com a mão trêmula, respirou fundo, murmurando.

- Não quero que sofra mais então... Você não sabe como a vida é bonita lá fora! Mas se prefere perder assim... Vou antecipar sua morte para que não sofra mais! Não vale a pena ficar dentro dessa sociedade imunda! – dizia Draco quase aos gritos – Mas você optou assim mamãe... E vai morrer de qualquer forma... Nem imagina como os aliados de Dumbledore são poderosos, e não é por isso que passei para o lado deles! É porque eles realmente têm sentimentos! Eles sabem amar! Eles sabem viver! Foi ao lado deles que eu encontrei o meu verdadeiro amor – disse ele levantando os olhos na direção de Gina que forçou um sorriso meio canto de lábio, muito forçado mesmo – Sinto muito mamãe, ninguém te ama como eu, mas... Vou encurtar alguns meses de sua vida. Avada Kedavra!

Narcisa caiu de lado, depositando a cabeça no peitoral de Lúcio. Também morta.

Notas do Autor: Três anos depois... Quem aparece? Eu! Desculpa a demora... Sério! Bom, vamos falar sobre o capítulo que eu tenho que sair jájá da net...

Esse capítulo tem muitas entrelinhas, muitas mesmo!

Sobre Harry e Hermione, vocês nem se lembravam da Poção de Dragão que ainda estava lá, né? Aposto que esqueceram que tem mais outra também... Ah! E essa outra que sobrou vai ser importante! Ah... Se vai... '

Adorei o final desse capítulo, mostrou uma parte fria e cruel de Draco... Tipo... Ele lutou contra os PAIS! Sabe o que é lutar contra os próprios pais? Matá-los?! Isso vai ser traumatizante, mas... Não havia outra opção... E vocês verão com o decorrer da fanfic... Todo mundo vai ter que matar alguém, ou vão ser mortos e assim vai ser o futuro deles daqui para frente... É MATAR OU MORRER!

Desculpa a morte de Lúcio e Cysa, mas... Acho que os COMENSAIS precisam morrer... Os amigos de Harry também estão precisando... Acho que com a morte dos comensais... Fica cada vez mais próxima a relação entre Harry x Voldemort... Vai chegar uma hora que não vai ter como fugir... Só vai ter o Harry para enfrentar... E o Voldemort... Por isso, daqui para frente vão ocorrer muitas mortes... E eu sugiro que vocês se preparem para os finais tristes... E reservem seus lencinhos. VAI SER MUITO CHORO! xD

Mas quem quiser ver LUCIO E CYSA, leia minha nova fanfic (O seriado Potteriano) que foi estreiado dia 01/10 ... Estou recebendo elogios de vocês, e agradeço, prometo responder TODOS...

Não esperem muito do próximo capítulo, ele é meio enrolação e muito Harry/Hermione... Vai ser até meio nojento de tão romântico que é, hehehehe! xD

Nota do Autor 2: E esse final do Harry versus Belatriz.

"Sua mãe sentiria orgulho de você?" ... Imagina a Belatriz falando isso pro Harry... ELE IA FICAR P DA VIDA! Imagina que raiva que dá... Uma pessoa falando da mãe dele, que tá morta... Que não tem nada vê com a história...

Mas o Harry se garantiu, devolveu ela contra a parede, e disse... D

"SIM, minha mãe teria orgulho de mim" xx

Adorei essa cena, muito humilhante! D

Até os próximos capítulos XD

Notas do Autor 3: A fanfic está completa. Isso, terminada! Só depende do número de reviews para eu postar. Se tiver muitas reviews, eu posto rápido... Se não... Demoro bastante. xD.

Beijos.

PRÓXIMO CAPÍTULO...

- O maquinista! – murmurou Harry suando de preocupação – Ele deve ser um Comensal da Morte! Estamos em uma estação imaginária!

Hermione colocou a mão na boca.

- RONY! GINA! MALFOY! SAIAM DO TREM AGORA! – berrou Hermione fazendo o seu grito ecoar pela rodoviária vazia o que era na verdade só alguns pilares e azulejos, um projeto no meio do nada, prova é que ao redor era tudo matado.

- O que está acontecendo aqui? – perguntou Draco aparecendo preocupado – O que houve?

- O trem! Estamos numa estação desconhecida! As pessoas são bonecos! – gritou ela espantada – Essa rodoviária não existe! É falsa! Caímos na armadilha de Voldemort!