Capítulo 23.
A lua mais brilhante.
- O Milorde está subindo! – gritou Rodolfo pegando uma varinha do chão e produzindo feitiços na direção de Draco que foi jogado contra a parede, adormecendo – Todos vocês vão morrer!
Harry trocou um olhar assustado com Rony e Gina e eles adormeceram o último Comensal acordado, em seguida pegaram os amigos desmaiados e acenaram as varinhas para que eles flutuassem para fora da Mansão, seguindo os três.
Eles foram descendo as escadas sem saber muito bem o caminho, apenas voltaram por onde vieram chegando até o quarto verde de Draco, desceram algumas outras escadas pelo guarda-roupa e estavam de volta aos jardins, escondidos por trás de uma árvore ao lado de uma rocha.
- Não podemos aparatar com eles assim! – disse Harry acenando a varinha; referia-se aos amigos desmaiados – E se cruzarmos com Voldemort no portão? Não podemos sair agora!
- E pretende ficar esperando aqui na Floresta? – perguntou Rony incrédulo.
- Não é bem assim, Rony! É só até termos certeza de que não vamos cruzar com Lorde Voldemort! Não teríamos chance!
- Mas ele não quer te matar, pelo menos eu acho – murmurou Rony com os lábios roxos – Ele precisa chantagear você até descobrir onde está as Horcruxes!
Gina estremeceu ao lado.
- O que foi? – perguntou Rony.
- Eu tenho medo do que possa acontecer – gemeu ela com lágrimas nos olhos – Isso é tudo muito cruel, irmãozinho – gemeu ela se entregando as grossas lágrimas que desciam pelo seu rosto manchado de sardas.
Rony a abraçou com força, abafando o choro no peito, encaixou o queixo bem no topo de sua cabeça e suas mãos desceram pelos cabelos ruivos e sedosos da irmã.
- Vai ficar tudo bem, Gina! Se nós sobrevivemos até agora... Pode ser que tudo dê certo ao fim disso!
Ela remexia imponente nos braços do irmão.
- Não, Rony! Nem todos sobreviveram – disse ela afastando um pouco para falar melhor – Neville se foi! Ele não está entre nós!
- Foi muito triste Neville ter morrido, eu sei... Você gostava muito dele, mas algumas pessoas vão, isso é normal! Veja só o professor Snape... Ele morreu heroicamente por Hermione! E é assim que as coisas funcionam! – ele suspirou – Como eu também fiz! – ele suspirou outra vez – Temos que passar por algum sacrifício até que tudo fique bem.
Harry sentiu-se incomodado com a afirmação de Rony. Era como se ele dissesse que tudo isso era para a sobrevivência de Harry. O que no fundo, até era verdade...
- Eu sei... Eu sei... – dizia ela entre os soluços – Mas eu não gostaria que fosse comigo!
- Nada vai acontecer a você, Gina – disse Rony observando seus dedos atravessar os cabelos da irmã – Se quiser, pode ir para a casa descansar!
- Não temos mais casa – lembrou ela se afastando com um aperto no coração – Mas ainda assim quero permanecer nessa Guerra!
Harry tinha a varinha em mãos e quase esquecera de vigiar o lugar.
- Acho que temos que ir – anunciou olhando o relógio – Ainda dá tempo de pegarmos o trem!
O céu começava a aparecer no horizonte e as estrelas iam se escondendo no fundo do céu azul escuro.
- Prontos para correr?
- Hábeis! – respondeu Rony em concordância.
Os três desataram a correr o mais rápido que puderam, os corpos levitando bem atrás no mesmo ritmo. Eles passaram pelos portões de ferro aos suspiros de alivio e desceram a ladeira com medo de serem vistos mas pelo horário do relógio tudo indicava que não haveria absolutamente ninguém acordado a essa hora. E chegaram em poucos minutos até a estação ferroviária.
- Vão pensar que estão mortos! – disse Rony olhando por cima do ombro – Seria legal se tentássemos acordar Draco, pelo menos!
- Não...
- E se aparatássemos? – sugeriu Rony.
- Gina ainda não sabe aparatar e mesmo que eu fosse, não tenho energias o suficiente para conseguir me manter em pé, levar ainda outras pessoas seria praticamente impossível!
- Levar pessoas desmaiadas pode indicar seqüestro ou qualquer coisa do tipo – murmurou Gina seriamente com as lágrimas secas no rosto manchado de sangue – Se o Ministério souber disso eles podem te prender!
- A última coisa que o Ministério obedece são as regras, ultimamente – disse Rony pegando o dinheiro da mochila – Vou comprar as passagens! Escondam um dos três embaixo da capa, o resto a gente leva meio andando como se a pessoa estivesse bêbada!
Harry concordou com um aceno e jogou a capa sobre Hermione. Gina ajudou a ajeitar as mochilas no banco esperando Rony chegar.
- Ele me perguntou se eu pertencia a família Weasley! Até aqui eles me reconhecem! – murmurou Rony apontando o dedo indicador para os guardas.
- E o que você respondeu? – perguntou Harry preocupado, não queria ser identificado.
- Disse que não, óbvio! Era um empregado da família Malfoy e que estava comprando passagens para ver minha família em Londres!
- Muito inteligente sua desculpa! – elogiou Gina ironicamente – Como se os Malfoys usassem pessoas para embarcarem ao trem!
- Vai lá justificar você se é tão inteligente! – retrucou ele.
- Ei! – cortou Harry furioso – Eu preciso de vocês do meu lado. Não brigando!
Eles concordaram com aceno e Harry passou os braços pelos ombros de Malfoy, Gina o ajudou a ficar em pé depois de acenar a varinha na direção de Hermione para que levitasse atrás deles.
- O meu dinheiro acabou – murmurou Rony infeliz – Eu só tinha alguns sicles e ele me vendeu uma passagem praticamente de graça porque eu implorei muito!
- Não tem problema – assentiu Harry com a cabeça – Eu te reembolso depois!
- Não precisa, cara! Não mesmo! Eu não vou aceitar! – disse Rony fazendo gestos com as mãos e pegando Luna no colo.
Foi a maior dificuldade entrarem no trem sem chamarem muita atenção, ocuparam algumas cabines e colocaram os desmaiados para sentarem.
- Estão muito machucados! – gemeu Harry arrepiando – Gina você sempre quis ser curandeira, não é?
Ela fez que sim com a cabeça.
- Ótimo. Vou enfeitiçar essa porta para que ninguém nos veja aqui e para que muito menos alguém abra ela – ele fez um aceno com a varinha e as cortinas correram pelas janelas que davam acesso ao corredor.
- E o que eu devo fazer? – perguntou ela com as sobrancelhas esticadas.
- Vamos curar esses ferimentos nos demais! – e apontou para o corte que Hermione tinha no cotovelo e descia até a palma da mão do outro lado.
Ele foi transfigurando algumas férulas, produtos químicos e entre outros. Gina ia moldando o formato dos órgãos para estacar o sangue que ainda jorrava dos sobreviventes à guerra.
Pode se dizer que a viagem não foi uma das melhores, Hermione acordou-os no meio de um sono berrando por água, Draco também acordou assustado pedindo explicação da história, a única que manteve o sono pesado até o fim da viagem foi Luna, praticamente ninguém havia descansado.
- Chegamos! – anunciou Harry sentindo o trem parar e muita gente estar do lado de fora esperando a vez de entrar – Cubram a Luna com a capa! Para que possamos evitar perguntas embaraçosas! – e o fizeram.
- Vamos executar algumas roupas para que ninguém nos reconheça! – sugeriu Rony.
- Ótima idéia – disse Harry puxando a varinha e fazendo óculos de sol para todos eles, com um porte suficientemente grande para tampar boa parte do rosto – Vamos sair por etapas também! Podem deixar, eu levo Luna!
Harry foi o primeiro a descer do trem, achando muito estranho manter aqueles óculos no rosto, era incômodo e não enxergava muito bem, mas ajudava a proteger contra o sol incandescente que brilhava do céu. E ao sair do vagão notou que as pessoas que estavam do lado de fora eram pessoas estáticas.
Ele aproximou de uma mulher com um boné estranho e estudou-a melhor. Estava imóvel e por mais que a estralasse os dedos em frente aos seus olhos, ela não se mexia.
- Tem alguma coisa errada – murmurou para si mesmo puxando a varinha, antes mesmo que voltasse correndo ao trem, Hermione já ia saindo.
- O que houve, Harry? O que aconteceu?
- Embarcamos em uma estação errada! Não podemos ter chegado... As pessoas estão imóveis!
- O que quer dizer?
- O maquinista! – murmurou Harry suando de preocupação – Ele deve ser um Comensal da Morte! Estamos em uma estação imaginária!
Hermione colocou a mão na boca.
- RONY! GINA! MALFOY! SAIAM DO TREM AGORA! – berrou Hermione fazendo o seu grito ecoar pela rodoviária vazia o que era na verdade só alguns pilares e azulejos, um projeto no meio do nada, prova é que ao redor era tudo matado.
- O que está acontecendo aqui? – perguntou Draco aparecendo preocupado – O que houve?
- O trem! Estamos numa estação desconhecida! As pessoas são bonecos! – gritou ela espantada – Essa rodoviária não existe! É falsa! Caímos na armadilha de Voldemort!
Rony apareceu seguido por Gina.
- Podemos saber o porquê você está berrando tanto?
- AVADA KEDAVRA! – fez se um feitiço verde passando entre os cinco, por sorte não atingindo ninguém.
Eles puxaram a varinha antes de enxergarem a alguns metros um Comensal da Morte segurando uma varinha e berrando feitiços na direção dos três, acabou acertando Harry na primeira tentativa por um feitiço imperdoável mas o verdadeiro alvo de sofrimento foi Hermione.
- TIRE AS MÃOS DELA! – berrou Harry fazendo feitiços imperdoáveis com a varinha, saltando de forma assustada, o Comensal parou para bloquear os feitiços, suando.
- Ele não pode contra nós! – berrou Rony furioso – AVADA KEDAVRA!
O feitiço verde cortou toda a plataforma e atingiu o Comensal no meio jogando-o a alguns metros para trás. Sem vida.
Rony tentava buscar ar e tinha os olhos em lágrimas, estava parado como os bonecos sem saber o que dizer.
- Eu matei ele? – perguntou com os olhos esbugalhados – Eu matei ele?
- Tudo bem, Rony. Vai ficar tudo bem! – disse Gina em tom de consolo abraçando o irmão.
- Lupin! Tonks! – berrou Harry ajoelhado ao lado de Hermione desejando seriamente que ela estivesse bem – Vocês por aqui! – eles tinham acabado de aparatar.
Antes que pudessem fazer qualquer outra coisa, o trem explodiu e como se os aurores já pensassem sobre isso, agarraram os jovens e aparataram.
Quando Harry tomou consciência da vida novamente não soube quanto tempo havia passado até ali, só que parecia ter sido horas. Estava todo cuidado e enfaixado assim como os demais, e todos muito bem recuperados, felizmente.
- Onde estamos exatamente? – perguntou Harry sentando na cama e vendo Hermione aproximar para dar um beijo em sua testa.
- Estamos na casa de Gui e Fleur – explicou ela sorridente – É muito bonita, você precisa de ver que bom gosto a Fleur tem!
Harry se trocou e desceu com a amiga para ver os demais, eles estavam reunidos em volta de uma mesa tomando café, ficaram acordados em ver o amigo em pé, saudável e esse sentimento foi recíproco em relação aos demais.
Eles aproveitaram para descansar durante o restante do dia, e à noite jogaram xadrez de bruxo enquanto Harry e Hermione saíram na sacada para conversarem, longe dos olhares curiosos.
- Está chegando ao fim – pensou Harry olhando para o céu estrelado.
O casal era banhado por uma luz fraca vindo da lua brilhante. Cheia. Hermione suspirou fundo.
- Cada vez mais perto do fim – concordou ela olhando o perfil do garoto.
- Depois de tudo o que passamos! – respondeu Harry apertando a sacada com força, deixando os dedos brancos – É realmente inacreditável que eu esteja vivo! Se não fosse por você, Hermione...
- Ah! Que isso... – corou ela levemente.
- Você me ajudou tantas vezes! Você sempre esteve ao meu lado! Você me ensinou feitiços que eu jamais teria aprendido sozinho! Obrigado, Hermione. Obrigado mesmo! – ele passou os braços pela cintura da amiga de repente, ela se espantou mas deixou-se ser conduzida pelos braços do amigo – Você fez tudo o que uma mãe faria por mim!
Ela corou de leve.
- Amigos são para essas coisas.
- Você quis dizer namorados são para essas coisas – corrigiu ele sussurrando no ouvido dela, ela ficou toda arrepiada.
- Não somos namorados, somos?
- Acho que sim – murmurou ele ainda no ouvido dela – Ou pelo menos eu quero ser seu namorado.
Ela deu uma risadinha, toda envergonhada.
- Eu me lembro como se fosse ontem você fugindo da aula da Sibila – disse Harry ainda abraçado com Hermione, sentindo-se confortável assim.
- Eu dei o maior tapa na bola de cristal dela! – riu Hermione ao se lembrar – Também, ela estava me falando absurdos de mim! Falando que meu coração era mais velho do que páginas dos livros que eu lia desesperadamente! Oras... Ridícula!
- Acredite se quiser mas alguma coisa já naquela época me dizia que eu ia acabar ficando junto com você! Eu me lembro exatamente como se fosse hoje quando você me tirou do encantamento da Veela, após isso eu nunca mais voltei a olhar para elas!
Ela riu novamente.
- E na segunda prova do torneio Tribruxo, eu juro que antes de salvar a Cho eu corri na sua direção e cortei a sua corda, mas Vitor chegou logo em seguida!
- Ora, balança emocional! – zombou Hermione dando um tapinha de leve no braço dele, ele deu uma risada grossa também – Vai me dizer que você também me defendeu dela?
- Pior é que é verdade! Eu defendi você na frente do professor Dumbledore quando ela acusou a sua idéia de ter sido "estúpida".
- Que idéia?
- O feitiço da Armada de Dumbledore!
- Te defendi também do Slughorn! Disse que você era a melhor aluna da sala, quando na verdade, ele dizia que nascidos trouxas não eram poderosos! – ela remexeu inquieta nos braços dele.
Harry encarou o céu balanceado.
- Engraçado, os seis que foram para o Ministério da Magia terminaram juntos em casais! Eu e você! Rony e Luna! Neville e Gina! Como se tudo fosse combinado...
Hermione concordou pensativa.
- Todos achariam os seus caminhos – disse Hermione repetindo uma frase familiar.
- O mais engraçado é como todos suspeitavam que a gente estava junto. Sei lá, Tio Valter... Rita Skeeter... Vitor Krum uma vez me perguntou também... Até o Rony ficou meio enrolado com isso! Lembro quando você pensou que eu fosse monitor, ele ficou super sem-graça!
- Passamos por tanta coisa, não é mesmo? – perguntou Hermione mordendo o lábio e se lembrando – Lembro exatamente o dia em que você chegou na Sala Comunal dizendo que tinha beijado Cho! Foi horrível para mim!
- Não precisamos falar disso! – cortou Harry ainda sem soltar os braços em volta dela, e ela o abraçava em torno do pescoço.
- Mas eu joguei a maior indireta! Rony perguntou se você beijava bem, e eu o cortei dizendo que NÃO e você sequer percebeu!
- Você ainda dava dicas para eu sair com ela!
- Não sei se você percebeu mas toda vez que eu falava isso, ou eu estava de cara amarrada, ou zangada por algum motivo, ou até mesmo testando você, Harry Potter! – ela deu um tapinha na cabeça dele – Às vezes você é tão ingênuo!
Harry riu.
- Você sempre me julgou ingênuo, e não foi à toa! Mas uma coisa eu lembro muito bem... Quando Rony estava falando na Estufa de Herbologia que não queria ver você com McClagan no ano passado, eu perdi o controle do que estava fazendo, estraguei a vagem que estava segurando e ainda espatifei a vasilha em cima da mesa! Perdi o controle!
- Deixa isso para lá! – cortou Hermione beijando sua bochecha – Vamos curtir o momento!
Harry afastou do abraço para poder encarar a garota aos olhos, o seu coração deu um salto no peito ainda meio envergonhado, mas a convivência estava começando a fazer com que ele se acostumasse com isso. Ele amava Hermione e nada mais mudaria em sua vida. Ninguém faria ele pensar de modo diferente. Eles se amavam! Simplesmente se amavam! E estavam juntos há tanto tempo...
Harry passou os braços pelas costas da garota, desceu as duas mãos até à cintura e apertou, Hermione com as mãos cruzadas por trás do pescoço de Harry afastou um pouco a cabeça curvando-se para trás.
- Tem uma coisa que eu preciso muito dizer a você, Hermione – disse Harry encarando-a – Muito mesmo! Que eu quero falar faz muito tempo! Todo dia eu pensei "Vou procurar Hermione e dizer isso", mas não, esse momento não chegava, nunca aparecia, eu tremia, minha mente ficava bloqueada e pronto! E não dava certo! Cheguei a ter certeza que o destino conspirava contra mim! Mas agora... Agora eu tenho certeza que ele me recompensou! Tenho certeza que é o momento certo! Eu sei que você nem chegava a imaginar isso, mas...
- O que você tem a dizer? – perguntou ela serenamente.
- Nós sempre fomos amigos... Você sempre foi a minha melhor amiga... Quando eu descobri que gostava mesmo de você soube que o meu mundo estava de ponta cabeça. Tudo na minha vida mudaria! Tinha medo das coisas não serem iguais! Tinha medo de você não gostar de mim... Tinha medo de você gostar do Rony e eu ter que passar a vida inteira amando você... Sabia que minha vida tinha dado uma reviravolta muito grande! Eu não queria aceitar isso!
Ela meneou a cabeça.
- Sempre contei todos os meus segredos para você... E acho que esse sentimento que eu estou guardando há meses por você tem que ser dito agora... Agora porque é a hora! – ele suspirou - Eu estou apaixonado por você, Hermione! Eu estou apaixonado por você! – e ao dizer isso sentiu o estômago rodopiar. Os olhos de Hermione brilharam em sua direção e ele sentiu ficar todo arrepiado.
- Eu só tenho um único medo – disse ela com os olhos ainda cheios de lágrimas, virando o rosto – Que em um futuro próximo eu acabe como a Gina... Quer dizer... Vocês terminaram, e...
- Com a gente não vai ser assim! – cortou Harry virando o rosto de Hermione em direção ao seu, obrigando-a a encará-lo – Você é especial! Você sempre esteve ao meu lado durante esses sete últimos anos! Se eu não gostasse de você... Nesses últimos sete anos teríamos virado inimigos e não namorados! – ele parou piscando – Eu sei cada detalhe da sua vida e você sabe da minha! Embora fôssemos amigos, tivemos praticamente uma relação de namorados... E sempre quando eu precisei de ajuda, conselhos... Você esteve lá! E ela não! Não tem como as coisas serem passageiras com você, Hermione! Eu tenho certeza que nascemos uma para o outro! A gente se completa! E isso não é uma conclusão de agora! São de sete anos de amizade!
- Que fofo! – murmurou ela com as lágrimas descendo.
- Mas é verdade... Da amizade ao amor, a distância é de um beijo!
- Eu amo você, Harry! Amo ter te conhecido! Amo tudo em você! E não posso viver mais isso! Sem os seus olhos, sem a sua boca, sem o seu corpo, sem o seu calor! – as lágrimas molhavam o seu rosto.
- Eu também te amo, Hermione! – sussurrou ele encarando Hermione bem ao fundo dos olhos – E amei também ter cruzado com você desde o primeiro dia no Express Hogwarts! A minha vida nunca mais foi depois que os nossos caminhos se cruzaram!
Harry desceu o pescoço até os lábios colarem aos de Hermione e eles fecharam os olhos deixando o tempo rolar. Ele afastou por meros segundos, roçou de leve o seu rosto ao dela para que as lágrimas secassem e o vento veio brincar com suas roupas e os dois bem protegidos contra o frio.
- Podíamos casar! – disse Harry afastando depois de um tempo.
Hermione riu pelo nariz.
- Você só pode estar ficando louco!
- Não, não, é verdade! Pensa comigo... – ele olhou sério para ela – Eu posso não sobreviver amanhã, e...
Ela colocou o dedo indicador em seus lábios, obrigando Harry a ficar quieto.
- Você vai sobreviver dessa! Nós vamos casar e ser felizes! Ter filhos como havíamos combinado!
- Podemos começar tentando desde já! – brincou ele.
Ela deu um tapa de leve em seu braço forte, ele nem devia ter sentido apesar do barulho.
- Sei lá... Gui e Fleur se casaram no meio da Guerra, por que nós não podemos nos casar?
- Eles são mais velhos! Têm estabilidade! Maturidade! – respondeu ela contando nos dedos – E, uma pergunta idiota, quem seria o padre? Quem faria o juramento perpétuo?
- Por que não a Lua? Ela está tão linda... Brilhante... Rindo para nós dois!
Ela limitou-se a rir, chamou-o de ingênuo várias vezes, e ele colocou um dos joelhos no chão e o outro apoiou com o pé, ficando em uma pose engraçada. Ele tirou do bolso uma caixinha preta e abriu na direção dela, mostrando duas alianças brilhantes, reluzentes.
- Eu não estou brincando. Eu conheço você há tanto tempo... E sei que estou tomando a decisão certa sobre isso... Quer se casar comigo, Hermione Jane Granger?
