5 de Junho de 2007, 14h12.

O salto alto de Cuddy tinia rápido e afiado no chão duro do corredor. As mãos dela alvoroçadas nas laterais dela e ela apertou os punhos, incapaz de conter sua empolgação.

Forçando a porta de vidro, Cuddy entrou na sala e a sentiu cair num silêncio mortal com sua entrada. A equipe de House, que estava toda sentada ao redor da mesa, a encarou. House parou, no meio da sentença e virou para Cuddy, suas sobrancelhas juntas.

Cuddy, com um largo sorriso no rosto, precipitou-se para House e jogou os braços ao redor dele, o desequilibrando por um momento e fazendo com que ele derrubasse o apagador da lousa no chão.

Após um momento, Cuddy se removeu do abraço em que ela acabara de forçar House a se juntar. Ela olhou para a lousa, que estava agora no chão e tinha uma longa linha preta correndo pelo fim de uma palavra meia escrita.

- Desculpem. – Cuddy imediatamente se desculpou. Ela virou na direção da equipe, sabendo que ela tinha que oferecer a eles uma explicação. – House testemunhou em um caso que nós ganhamos que nos economizou duzentos e cinqüenta mil. É um ótimo dia.

Cuddy ajeitou a blusa e olhou para House por um breve momento antes de dar as costas a ele e sair pela porta.

- O que foi isso? – Chase perguntou, seus olhos permanecendo na figura de Cuddy enquanto ela seguia corredor a baixo.

- Que tipo de caso você testemunhou? – Cameron estava curiosa como sempre.

House levantou a lousa e olhou para sua equipe. – Alguém andou colocando antidepressivos no café dela. É só isso.

- Você deu drogas para ela sem ela saber? – Foreman levantou uma sobrancelha inseguro.

- Isto o surpreende? – Chese perguntou a Foreman.

Cameron levantou as sobrancelhas. – Não me surpreende.

- Não, eu acho que não. – Foreman deu de ombros.

- Foi idéia do Wilson. – House respondeu, interrompendo a conversa que a equipe dele parecia estar tendo sem ele. – Agora, nós podemos voltar para o que nós estávamos fazendo antes daquela maníaca aparecer?

5 de junho de 2007, 15h06

House entrou cuidadosamente no escritório de Cuddy, fechando a porta atrás dele. Cuddy estava sentada em sua cadeira e assinando alguns projetos. Ela parou de escrever quando viu House e seu rosto mostrou seu embaraço.

- Desculpe por aquilo. – ela se desculpou.

- ¨Tudo bem. – House deu de ombros como se aquilo não fosse um problema. – Só que todo mundo acha que você está drogada.

- Ah, ótimo. – ela rolou os olhos.

- Então…- House caminhou pelo escritório e examinou o carpete antes de olhar de volta para Cuddy. – Deu positivo?

Cuddy concordou com a cabeça e tentou segurar o sorriso. – Sim, mas eu não quero ficar muito empolgada. Foi... não empolgante antes. Há uma chance de eu falhar e -

- Você não vai. – House a cortou.

- Mas há uma possibilidade. – Cuddy manteve seus olhos nele. – Eu não quero colocar muita pressão este bebê. Se alguma coisa acontecesse-

- Nada vai acontecer. – House lhe disse.

- Eu ficaria completamente devastada em tentar novamente. – ela terminou sua frase, sendo completamente honesta com House. – Começa a ficar mais difícil de se levantar e se empurrar para frente depois que sua esperança é jogada no lixo de novo e de novo.

- Vai funcionar. – House assegurou.

Cuddy balançou a cabeça, um pequeno sorriso em seu rosto. – Eu devo estar para perder o bebê, se o pessimista está me dizendo que as coisas vão funcionar.

- Você estará bem. – House coçou o olho, cansadamente.

Cuddy enlaçou as mãos. – Estou nervosa. Isso é ruim para o bebê? Eu estive nauseada nos últimos três dias, mas eu não quis fazer o teste de gravidez porque, você sabe, é cedo, mas-

- Cuddy, - House a cortou. – Eu tenho um cara morrendo na cama do hospital com os insuficiência renal e tendo convunções de hora em hora, então se você quer conversar sobre seus problemas com o bebê, eu te aconselho a ligar para uma amiguinha. E por amiguinha, eu não falo sobre seu caso lésbico. A não ser que seja com quem você conversa sobre gravidez.

- Desculpe. – Cuddy balançou a mão. – Eu só queria que você soubesse que nossos negócios estão... encerrados.

- Ótimo. – House concordou.

Cuddy hesitou por um momento. – Obrigada, House.

House deu a Cuddy um sorriso avarento e então saiu do escritório dela. Cuddy mordeu o lábio inferior, um sorriso se formando em seu rosto, e voltou para seu trabalho.

21 de Julho de 2007, 22h25

Cuddy não iria admitir que sentia falta da presença dele, mas algumas vezes ela pensava sobre ter aquele bebê e tudo o que isso envolvia, incluindo o fato de que ela estava sozinha, isso lhe causou um certo pânico e ela desejou que ele estivesse ali. Dependia da noite, de verdade. Seu humor variava, e aquilo sempre influenciava os pensamentos atuais dela.

Numa dessas noites específicas, ela sentia falta dele. Ela sentia falta da companhia que ele a provia quando ela estava quase acostumada a tê-lo por perto por grosseiras cinco ou seis noites por mês. Algumas das noites não incluíam apenas o ato dos negócios, mas também incluía conversas e talvez até um pouco de proximidade. E ela sentia falta daquilo.

Cuddy agarrou o telefone firmemente em sua mão e discou. Ela esperou por três toques até que finalmente ele atendeu.

- Olá, Dr. Quem falando. – House atendeu o telefone, jogado no sofá. Seu identificador de chamadas lhe disse que era Cuddy e ele espero pela resposta dela, mas ela não o fez. – Cuddy, se você está passando um trote pra alguém, agora já pode desligar.

As lágrimas escorriam grossas pela garganta dela. – Você pode vir aqui?

House sentou. Ele não tinha percebido que ela estava triste. – Eu estarei aí logo.

Com aquilo, House desligou o telefone e se forçou a levantar. Ele agarrou sua bengala e começou a coxear procurando seus tênis.

House tinha quase certeza que não ajudaria a relação deles se ele continuasse a responder a cada chamada dela. Ele não queria se tornar dependente dela quando se tratava daquele bebê, mas ele entendeu a atual necessidade dela, o que fez ele concordar em ir vê-la.

Cuddy queria esperar até o terceiro mês antes de falar para os outros sobre sua gravidez caso ela não conseguisse. No entanto, suas crônicas náuseas a entregaram e Wilson descobriu. No momento, House tinha quase certeza que todo mundo no Priceton-Plainsboro sabia da gravidez dela.

Quando House saiu para a noite quente de verão, seus pensamentos o levaram ao Foreman. House reconheceu a sobrancelha levantada em suspeita quando ele ouviu a notícia que Cuddy estava grávida. No entanto, Foreman manteve a boca fechada.

House tinha certeza que a causa da suspeita era que Foreman estava juntando os pontos entre o abraço incomum de Cuddy e sua nova notícia. Além disso, House sabia que Foreman não diria nada, parte porque Foreman não achava que aquilo era problema seu e parte porque ele não queria saber se estava certo sobre aquilo ou não.

21 de Julho de 2007, 23h01

Cuddy abriu a porta para House e então se encaminhou de volta para a sala de estar, deixando que ele fechasse a porta da frente sozinho. Quando House entrou na sala, Cuddy já estava de volta ao sofá, com um lenço nas mãos enquanto as lágrimas caíam livremente.

House sentou desajeitadamente na outra ponta do sofá. Ele não gostava de lágrimas.

- Posso pegar alguma coisa para você? – House perguntou. Ele esperava que ela o mandasse para a cozinha e ele não teria que vê-la chorando.

Cuddy balançou a cabeça e fungou. – Não.

- Tudo bem. – House tamborilou os dedos na calça jeans.

- House… - Cuddy hesitou, insegura sobre como ela iria passar a idéia em sua mente. – Quando você disse... disse que era bom que eu... você disse que eu...

- Fala logo, Cuddy. – House disse o mais gentil que ele conseguiu.

Cuddy segurou a respiração para segurar as lágrimas. – Você disse que eu falharia em ser mãe.

House pensou profundamente sobre aquilo. – Não, eu não disse.

- Sim, você disse, - Cuddy respondeu e mais lágrimas caíram. – Quando eu estava com a guarda médica daquela menininha. Alice.

House olhou para Cuddy apático. Ele estava tentando lembrar de alguma menina chamada Alice, mas estava completamente perdido.

Cuddy rolou os olhos. – Ela teve protoporfiria eritropoiética

Ah! House rapidamente se lembrou da garota que ela se referia. A garota tinha urticárias. Ele então relembrou do incidente que Cuddy mencionou. . – Sim, aquilo. Aquilo foi uma retratação. Praticamente.

Cuddy desviou seus olhos dele. House juntou as sobrancelhas e sentiu um desmoronamento estranho em seu estômago.

- Foi um dos fatores quando você pensou em desistir de ter um bebê? House ficou surpreso quando aquele pensamento lhe ocorreu e ele estava um pouco chocado também.

- Talvez. – Cuddy admitiu enquanto encarava o chão. – Um pouco.

- Porquê você acreditaria naquilo? – House perguntou, imaginando em tudo que Cuddy poderia considerar, aquilo era provavelmente a pior de todas.

- Você, você sempre está certo como você gosta de exibir. – Cuddy secou os olhos com o lenço.

- E aquele foi o dia que você finalmente escolheu para admitir que eu estou certo? – House a encarou. – E desde quando você se importa com alguma coisa que eu tenho a dizer?

- Eu sempre me importo. – Cuddy respondeu docemente, desejando que ela não sentisse aquela necessidade de dizer isso a ele.

House se esticou e descansou sua mão na de Cuddy. aquilo trouxe seus olhos lacrimosos e vermelhos de volta à ele. Ele prendeu seus olhos nos dela.

- Se há uma coisa que você está fazendo certo, Cuddy, - House começou, tranqüilizador. – é ter este bebê. Agora, chega de dúvidas. O bebê vai se ressentir com você por isso.

Cuddy concordou e seu um pequeno sorriso, suas lágrimas finalmente secando, mesmo que seu rosto ainda estivesse molhado. House devolveu o singelo sorriso à Cuddy.

- Você está bem? – House perguntou.

Cuddy concordou novamente. Ela largou o lenço no sofá e levantou. Ela seguiu através de House para a porta.

House a seguiu com o olhar. – Aonde você vai?

Cuddy virou. – Eu tenho que fazer xixi. Meu útero expandido está pressionando-

- Vai. – House a cortou, colocando uma careta exagerada no rosto.

Aquilo fez Cuddy lhe dar um genuíno sorriso, o que o deixou satisfeito. Quando Cuddy saía da sala, House manteve seus olhos nela, esperando que o bebê tivesse aquele mesmo sorriso genuíno.


Continua... Tradução by Regine Manzato