20 de dezembro de 2007

- Não significa não.

House estava seguindo Cuddy pela clinica. Ele certamente não iria aceitar um não como resposta. No entanto, ele queria passar por aquilo calmamente, para que ele não tivesse que surtar.

- Quem disse que eu voltei para falar do meu paciente? – House a perguntou, desejando que ela parasse de andar de um lado para o outro com aquela barriga de oito meses de gravidez dela.

Cuddy parou, respondendo o desejo silencioso dele. – Então, o que você quer?

House parou. O plano de jogo dele estava formado. – Cuddy, eu tenho que dar ao garoto o remédio.

Cuddy balançou a cabeça. – Eu não vou mudar o meu não para um sim só porque você me atormenta constantemente, House. Se você quiser...

Cuddy parou e alcançou uma cadeira da enfermaria, quando ela percebeu que estava a um passo fora do seu alcance. Ela viu bolhas por alguns segundos, mas elas clarearam. House a encarava, esperando que ela continuasse a frase. Claramente, ela não mostrou nenhum sinal aparente de seu desconforto repentino. Ela se recompôs.

- Se eu quiser...? - House repetiu as palavras dela, a antecipação matando-o. Ele estava pronto para brigar.

- Desculpe, - Cuddy disse e recobrou os sentidos. – Se você quer fazer alguma coisa por esse garoto, encontre algo que...

Cuddy fechou os olhos com força enquanto as pequenas bolhas consumiram sua visão. House sentiu a mudança dessa vez porque ele a agarrou no momento em que as pernas dela cederam.

- Ei, devagar. – House sentiu o coração parar e o estômago escorregar pelo corpo.

- Dra. Cuddy, você está bem? – uma enfermeira que passava parou.

- Ela está bem? – Alguém nos fundos murmurou.

- Ela está bem. – House disse um pouco alto demais, querendo convencer a si mesmo mais do que qualquer outro.

- Eu estou bem. – Com a visão clareando, Cuddy recobrou o equilíbrio e ficou ereta.

Embarassada enquanto a cor começava a preencher suas recentes bochechas pálidas, ela seguiu para o escritório. House caminhou ao lado dela, só para o caso dela quase cair no chão novamente.

- Você não deveria estar andando tanto. – Ele comentou baixinho para ela, pousando uma mão no braço dela.

- Pare de se preocupar, eu tenho trabalho a fazer, e a resposta ainda é não. – ela o disse rapidamente.

Cuddy puxou o braço para se livrar de House e bateu a porta na cara dele.

21 de dezembro de 2007

House entrou cautelosamente no escritório de Cuddy. Ele fechou a porta silenciosamente atrás dele. Cuddy estava atrás de sua mesa, olhando algumas pastas. Ela levantou a cabeça.

- Ouvi dizer que você achou um jeito de manobrar as pessoas para administrar o medicamento. – Ela lhe disse.

- Você precisa ficar sentada. – Ele lhe disse e mancou até a mesa dela.

Cuddy olhou de volta para os exames. – Eu estou bem.

- Você quase teve um colapso ontem. – House respondeu, tentando manter sua preocupação longe de sua voz.

- Não, eu não tive. – Cuddy levantou a cabeça novamente. – Eu tenho um hospital para administrar, House. Eu não posso simplesmente parar-

- Eu direi isso ao seu chefe quando a criança nascer antes do tempo. – Ele a cortou.

Cuddy suspirou e sentou na cadeira. – Eu não posso sair de licença. Algumas mulheres trabalham até entrarem em trabalho de parto.

- Você não é 'algumas mulheres' – House respondeu. – Você é a Cuddy. – ele estendeu a mão, revelando um prato de sobremesa congelada que ele estivera escondendo. – Aqui. Iogurte congelado com granulado.

- Você esteve escondendo isso o tempo todo? – As sobrancelhas dela se juntaram.

- Não, estava no meu bolso. – House rolou os olhos. – Um prêmio para sentar.

Cuddy pegou a sobremesa dele. – Obrigada.

- Como um cachorro. – ele adicionou.

- Sim, obrigada. – Cuddy colocou o prato na mesa.

- Eu não envenenei isso. – House disse.

- Eu... eu sei disso. – Os ollhos dela encontraram os dele. – É só que... Desde que eu engravidei, eu não gosto de comer isso sem-

- Bolinhos de arroz levemente salgados. – House estendeu a sacola, que ele deu um jeito de manter escondida da visão dela. Ele podia ser praticamente um mágico quando tentava. – Uma mistura de doce e salgado, pelo que eu entendi.

Cuddy balançou a cabeça. – Você não deveria saber disso.

- Wilson me disse. – House deu de ombros. - Ele não deveria saber disso. Alguém pode pensar que ele é o pai.

- House... – Cuddy precisava dizer a ele que aquilo era próximo a cruzar a linha dos negócios.

- O que foi, Cuddy? – House perguntou. – Você gosta de assistir a Oprah quando pode e você tem uma paixão secreta por suco de tomate. Eu sei de coisas sobre você. Nós trabalhamos juntos. Bolinhos de arroz e iogurte congelado apenas aconteceram de ser outra coisa que eu sei. Isto é ruim?

Cuddy manteve seus olhos nele quando ela pegou os bolinhos. Ela iria dizer que sim, mas decidiu o não por medo que ele saísse com os bolinhos que, inevitavelmente a deixariam ainda mais doida por eles.

- Evite ficar de pé. – ele comandou e abriu os bolinhos para ela.

Cuddy concordou. House se virou e saiu mancando do escritório dela.

16 de janeiro de 2008

Cuddy caminhou pelo chão de madeira com suas pantufas rosas. Ela estava usando calças leves e uma camisola enorme. Ambas eram roupas de grávida dadas pela irmã dela. Cuddy chegou na maçaneta e abriu a porta da frente.

- Sim? – Ela perguntou.

House parou na frente da porta dela, com as mãos nos bolsos da capa. Ele entrou na casa dela, forçando-a a sair do caminho para que ele não ficasse mais tempo parado no frio cortante. Cuddy fechou a porta atrás dele.

- Eu preciso do seu consentimento para algo para mim. – Ele tentou chacoalhar o frio da noite do inverno.

- O que a Dra. Kepler diz? – Cuddy achava que era 'não'

- Aquela morcega velha?- House perguntou, juntando as sobrancelhas. – Ela nem mesmo-

- House, ela é mais nova que você. - Cuddy cerrou os olhos.

- Bem, ela não parece. – House pensou na mulher com as sobrancelhas lanzudas e várias linhas grossas de marionetes.

- House, eu coloquei a Dra. Sharon Kepler no comando do hospital na minha ausência. – Cuddy disse a ele cansadamente. – Você precisa responder à ela.

- Cuddy, ela não entende... – House tentou explicar.

- Talvez isso seja bom para você. – Cuddy apontou e pousou as mãos na cintura. – Você já pensou nisso? Que talvez a minha ausência finalmente lhe dará alguns limites?

- Quem precisa de limites quando todos seus pacientes estão morrendo? – House levantou a voz.

- House. – Cuddy lhe deu seu olhar autoritário.

- Eu não pude fazer nada nos últimos dois dias enquanto meu paciente estavelmente vai piorando. – House imediatamente a cortou, precisando que ela visse o ponto dele. – Eu preciso do seu consentimento para um procedimento e eu lhe deixarei sozinha.

- Se eu lhe der permissão para fazer isso, eu estaria desprezando a autoridade da Dra. Kepler. – Cuddy balançou a cabeça. – E foi muito difícil arrumar alguém que estivesse disposto a comandar você.

- Apenas... – House estava sem palavras. Seu paciente estava morrendo e ele poderia ter salvado ele com apenas um procedimento. – Faça isso por mim.

- Não, House. – Cuddy protestou.

- Eu lhe dei um filho! – Ele exclamou, jogando as mãos.

Cuddy suspirou. - Eu estava esperando você jogar esta carta.

- Funcionou? – House perguntou, quase esperançosamente.

- Não. – Cuddy respondeu.

- Por favooor, Cuddy. – House estava começando a se enfurecer se ela continuasse a se negar.

- Eu não vou deixar você jogar a carta do bebê. – Cuddy disse. – O bebê não é um assunto pessoal, certo? Não é nem relacionado ao trabalho. Era o nosso acordo particular de negócios e agora ele já acabou.

- Você está certa. – House concordou, seu tom de voz caindo para a crueldade. – Apenas mantenha isso na cabeça quando você não tiver idéia do que está fazendo.

- House, não faça isso. – Cuddy o pediu, suavizando.

- Não, Cuddy, tudo bem. – House respondeu amargamente.

- Você está tão comprometido. – Ela sabia que estava certa. – Esta foi uma má idéia. Nós jamais deveríamos ter -

- Eu não estou comprometido com você ou com esse diabinho do seu filho. – House se inclinou para ela. – Eu apenas a açulei por tudo isso porque eu não queria ouvir você reclamar do quão sozinha você é.

Cuddy pousou a mão contra o chute onde o bebê se pressionou contra ela, respondendo nas profundezas ao ouvir e reconhecer como o House.

- Você realmente quer dizer isso? – Ela perguntou, seus olhos jamais deixando os dele.

- Claro que sim. – House a encarou. – Eu sou do tipo de pessoa que gosta de conversar sobre bebês e nomes, Cuddy? Você achou que tinha mudado repentinamente? Eu ainda sou o Gregory House e eu ainda Não quero filhos. E não quero nada com o seu. Então, o que quer que seja que você pensou que eu tinha...

- Mas você é quem aparece na minha porta para me checar. – Cuddy o encarou, tentando segurar as lágrimas que começaram a se formar. – Você foi quem me forçou a tirar a licença você é quem sabe dos meus desejos e quando-

- Eu só fiz aquilo para não ter que ouvir você chorar e se queixar o tempo todo. – House respondeu e deu um suspiro exagerado.

- Você não acha que eu poderia ter cuidado de mim mesma? – Cuddy o perguntou.

- Não.

House estava machucando ela, ele sabia disso, mas não podia parar de qualquer maneira. Ele se sentia traído por Cuddy. Ela tinha uma parte dele crescendo dentro dela e ele não se deu conta que ele realmente se importava tanto. Aquilo o aborrecia. Ele não queria se importar.

Não era culpa da Cuddy por querer ter um filho e achar uma maneira de tê-lo. Não era culpa da Cuddy que ele não conseguia suportar o fato que ela estava tento um filho que ele ajudou a fazer. E certamente não era culpa da Cuddy sua inabilidade de dizer a ela o quanto ele realmente se importava sobre tudo aquilo. No entanto, ele jogou tudo aquilo sobre ela e a Dra. Kepler era a desculpa dele fazer tudo aquilo.

- Vá embora.- Cuddy o empurrou para a porta.

- Tudo bem, Cuddy. – House se moveu para longe de Cuddy e abriu a porta da frente. – Eu posso suportar a Kepler sozinho.

- Ótimo! – Cuddy gritou atrás dele pela porta da frente antes de batê-la o mais forte que ela conseguiu.


Continua... Tradução by Regine Manzato