5 de fevereiro de 2008 19h03

- O que você está fazendo aqui? – House entrou no escritório de Cuddy e ela congelou, como se tivesse sido pega fazendo algo de não deveria estar.

Cuddy colocou um pasta na mesa. – Apenas vendo alguns papéis que eu assinei. O quê você ainda está fazendo aqui?

- Cumprindo algumas horas extras porque eu sou muito dedicado à minha profissão. – House respondeu e fechou a porta do escritório dela.

- Uh- huh.- Cuddy concordou e rolou os olhos. – Como você está se virando com a Dra. Kepler?

- Fantástico!! – O entusiasmo zombeteiro de House fez Cuddy sorrir. – Ela é um pêssego!

Cuddy levantou uma sobrancelha. – Não foi isso que eu ouvi.

House segurou seu sorriso malicioso. – O que foi que você ouviu?

- Você é arrogante, - Cuddy começou, repassando toda a lista na cabeça, - auto incriminador, desobediente-

- E alguma coisa disso é novo? – House a interrompeu e caminhou para o meio do escritório. Seus olhos seguiram até sua enorme barriga. – Posso ver que Mick ainda está causando aí.

House não levantou os olhos imediatamente. Ele estava incerto se ela iria perdoá-lo com as coisas do bebê depois do último encontro deles.

- Sim, mas eu só estou atrasada uma semana. – Os olhos de Cuddy estavam nele. – Não estou preocupada.

House levantou a cabeça com aquilo. – Eu posso ajudar com isso.

- O quê? – As sobrancelhas de Cuddy se juntaram.

- Ajudar a induzir o parto. – O rosto de House mostrava um pensamento travesso. – Eu ouvi que sexo ajuda bastante quando-

- Nem tente terminar. – Cuddy lhe apontou um dedo.

House a encarou. – Não faz seu tipo?

- Não. - Cuddy rumou para a porta do escritório. – Além do mais, eu quero chegar em casa.

- Você ainda pode dirigir com essa coisa? – House indicou o estômago dela.

Cuddy parou e o observou. – Mesmo que você não acredite em mim, eu ainda posso cuidar de mim mesma, House.

- Eu sei que você pode cuidar de si mesma. – House rolou os olhos. – Eu estava tentando te infernizar antes, Cuddy. Eu só queria que você me desse a permissão para-

- Para de falar. – Ela o cortou.

- O quê?

- Pare.de.falar. – os olhos de Cuddy estavam presos aos deles.

- Porquê? – House perguntou, levemente confuso.

Cuddy deixou escapar um pequeno suspiro. – Você está fazendo Mick socar a minha bexiga.

- Eu não posso fazer nada se ele sente a necessidade de mostrar à mamãe quem é que manda. – House deu de ombros.

- Boa noite, House. – Cuddy continuou em direção à porta.

House caminhou ao lado dela. – Eu vou levá-la ao seu carro.

Cuddy parou. – Eu não quero.

- No único momento que eu tento ser um cavalheiro, você se nega. – House disse. – Talvez o cavalheirismo esteja mesmo morto.

- Você ainda precisa pegar seu casaco e a mochila, e eu estou muito cansada para esperar. – Cuddy lhe disse.

- Tudo bem. – House respondeu. – Você vai pelo menos me deixar a abrir a porta do escritório para você?

Cuddy esperou e House se aproximou e abriu a porta para ela. Ela passou e ele a seguiu. Uma vez no saguão, House deu a Cuddy um último olhar antes de seguir para os elevadores enquanto ela deixava o prédio.

5 de fevereiro de 2008, 19h16.

House saiu no ar frio. Não era tão ruim, exceto pelo vento. A luz do carro de Cuddy chamou sua atenção. A porta do motorista estava aberta e Cuddy estava sentada no carro, imóvel. House correu para o carro da Cuddy o mais rápido que sua coxa permitiu.

Chegando no carro dela, House examinou o lado do motorista. Cuddy estava lá, olhando para a frente, e ereta. Ela olhou para House.

- Cuddy? – House perguntou, mostrando preocupação.

Cuddy engoliu com dificuldade. – Minhas calças estão molhadas.

- Sua bolsa estourou? – House perguntou e olhou para a calça dela, mas sua visão estava bloqueada pela visão da barriga dela.

- Com certeza que sim. – Cuddy respondeu. – Estou com medo que se eu tentar sair, vai escorrer tudo no carpete.

- Você está prestes à dar a luz e você está preocupada com o carpete do carro? – House a perguntou, inseguro se ele ainda estava conversando com a Cuddy.

Cuddy encarava o nada novamente e agarrou o volante. – Eu não vou ter esta criança.

- Cuddy – House ficou levemente irritado.

- Não. – Cuddy o interrompeu.

- O quê? – House perguntou. – Você gosta tanto de estar grávida que quer manter o bebê aí dentro para sempre? Isto é completamente insano. Vamos.

- Não. – Cuddy recusou.

House tocou o braço dela levemente. – Eu te ajudo a entrar no hospital.

- Não, House. – Cuddy puxou o braço.

- Você não vai ter este bebê dentro do seu carro. – House lhe disse.

- Eu não vou fazer isso. – Ela balançou a cabeça.

- Cuddy, isso é ridículo. – House se inclinou para perto dela quando ela se recusou a olhar para ele. – Você tem que-

- Eu não tenho que fazer nada. – As palavras de Cuddy eram rápidas e fortes.

- Ótimo. – House levantou e se afastou.

Cuddy finalmente olhou de volta para ele. – Não me deixe.

- Cuddy- House começou a alguns passos de distância.

- Por favor, - Cuddy suplicou. – Apenas... espere comigo. Até eu poder... só espere.

House parou e então concordou, caminhando de volta ao carro dela. – Tudo bem.

5 de fevereiro de 2008, 19h34.

- Já está pronta?

House havia sentado no chão, as pernas esticadas na frente dele. Ele olhou para Cuddy, que estava na mesma posição e encarava o horizonte.

- E se eu não puder fazer isso?- Ela perguntou calmamente, mergulhada em seus próprios pensamentos.

- Você não poderia ter pensado nisso nove meses atrás? – House perguntou, olhando pra cima, para ela.

- Eu sempre pensei neste... momento. – Cuddy repentinamente recobrou sua atenção e olhou para o homem sentado no chão ao lado do carro dela. – House, e seu eu não puder fazer isso? E se criar esta criança sozinha é uma má idéia? Eu terei que cortar minhas horas no hospital e seu vou criar um filho. E se eu não conseguir fazer os dois? Trabalho e maternidade?

House a encarou. – Sério, Cuddy, nove meses atrás teria sido um ótimo momento-

- House, por favor! – As sobrancelhas de Cuddy se juntaram em seu nervosismo. – Você não entende. E se eu falhar com este bebê?

House deixou um suspiro escapar de seus lábios. – Porque você fez isso?

- O quê? – Cuddy o perguntou, uma contração dolorosa obrigando-a a fazer uma careta.

- Porquê você quer saber isso? – House a estudou, sabendo que ela estava começando com as contrações. – Porquê você quis passar pela gravidez?

- Eu... queria um filho. – Ela lhe disse.

- Certo... – Aquela não era a resposta que ele estava esperando ouvir.

Cuddy percebeu e continuou. – Eu queria algo a mais. Eu queria ser parte de alguma coisa maior. Amar e se importar com alguém mais do que comigo mesma. Os laços entre mãe e filho. – Ela parou e diminuiu o tom. – Eu não queria ficar sozinha, também. Isso me faz egoísta? Ter um filho para não ficar sozinha? Eu sou egoísta. Eu sou horrível-

- Cuddy, pára. – House a interrompeu. Ele não poderia deixar ela continuar a fazer aquilo consigo mesma.- Eu sou egoísta. Não você. Com certeza, você quer um filho para lhe fazer companhia, mas fazer isso com o seu corpo para ter um filho faz parecer bastante altruísta para mim.

- Eu não sei. – Cuddy olhou de volta ao pára-brisa.

House ainda mantinha seus olhos nela. – Mudou alguma coisa? Você ainda quer tudo isso? Ser... parte de algo metafísico ou qualquer outra coisa ou qualquer porcaria que você está tentando ser?

O silêncio predominou enquanto Cuddy pensava naquilo. Ela concordou. – Sim, eu quero.

House se levantou dolorosamente. Ele estendeu a mão para ela. – Então, vamos.

Cuddy encarou a mão esticada de House antes de se esticar e colocar a mão dela na dele. Ela escorregou no banco e ele a ajudou a ficar de pé. Cuddy pousou a mão livre dela na parte de baixo da barriga e sentiu a dor novamente. House a observou e esperou até a contração passar. Depois daquilo, Cuddy fechou a porta do carro e caminhou com House para dentro do hospital.


Continua... Tradução by Regine Manzato