5 de fevereiro de 2008, 21h52

- Você ligou para a minha irmã? – A voz dela estava desesperada e ela sabia daquilo, mas ela estava nervosa, agitada, ansiada, e em grande necessidade de sua irmã, Dory.

- Sim. – House a confirmou pela terceira vez enquanto sentava na cadeira no canto do quarto do hospital.

- E ela está a caminho? – Cuddy deixou escapar antes de pressionar os lábios para não chorar com as dores das contrações.

House a observava a cada vez que a dor transpassava o rosto de Cuddy. Ele nunca fora tão feliz na vida em ser homem como naquele momento. – Ela estará aqui em minutos. Você deveria tomar alguma coisa para a dor.

- Não. – Cuddy balançou a cabeça, a dor se dissipando. – Eu não quero.

- Recusar os analgésicos não te faz nobre, Cuddy, só estúpida. – House lhe disse.

- Você não está ajudando. – Cuddy respondeu, encarando-o.

- Como estamos indo? – A Dra. Philips perguntou animada enquanto entrava no quarto da Cuddy.

- Ela quer analgésicos. – House falou de seu canto.

Cuddy ainda o encarava. – Não, eu não quero.

- Como você se sente? – Dra. Philips olhou a ficha de Cuddy e então checou o relógio.

- Tudo bem. – Cuddy expirou na direção da Dra. Philips enquanto tentava regular sua respiração para fazer a dor diminuir.

- Vou checar o progresso, tudo bem? – A Dra. Philips fechou a ficha e a deixou de lado antes de se aproximar de Cuddy.

- Eu vou sair. – House levantou da cadeira no canto do quarto.

- Não, fique. – Cuddy lhe disse.

- Eu não sabia que você era tão amigo da Lisa, Dr. House. – A Dra. Philips disse a House antes de sentar –se num banquinho ao lado da cama.

- Eu sou o pai. – House respondeu.

- House. – Cuddy estava esfaqueando-o com os olhos.

- O quê? – House a perguntou inocentemente. – A Dra. Philips entendeu a piada.

Os olhos de Cuddy pararam na Dra. Philips que estava, de fato, rindo do que ela somente poderia imaginar ser uma piada. Cuddy olhou pra House, que levantou as sobrancelhas marotamente.

- Eu espero ganhar um aumento se eu ficar por perto. – House disse à Dra. Philips.

- Eu também. – A Dra. Philips gracejou.

Cuddy deixou um gemido escapar quando foi atingida por outra forte contração. Suas junções ficaram brancas quando ela agarrou as barras da cama hospitalar.

- Suas contrações estão definitivamente mais constantes. – A Dra Philips comentou e arrancou as luvas de látex.

House saiu do caminho e deu as costas enquanto a Dra. Philips examinava Cuddy. Ele serpenteou para o topo da cama e olhou para Cuddy. Seus olhos estavam fechados enquanto ela respirou profundamente e soltou.

- Oito centímetros. – A Dra. Philips informou para Cuddy. – É uma questão de tempo agora. Eu ainda posso lhe dar alguma coisa para dor, se você quiser.

- Não, eu não quero. – Cuddy sacudiu a cabeça.

- Isso é tão masoquista, Cuddy. – House olhou para ela, desejando tirar o cabelo do rosto dela, mas não teve confiança para fazer.

- Tudo bem. – Cuddy inspirou. – Eu posso suportar.

- Tudo bem, então eu estarei de volta daqui a pouco. – A Dra. Philips falou para ela. – E não empurre antes da hora.

Cuddy concordou, sinalizando que ela tinha entendido. House observou a Dra. Philips sair e então se virou para Cuddy.

- É, como se ela tivesse outras pacientes parindo nesse momento para cuidar. – House rolou os olhos.

Outra onda de dor consumiu Cuddy, rendendo que ela foi incapaz de responder ao House. Ela choramingou e tentou agarrar a barra outra vez, mas House colocou sua mão na dela. Ela pegou e apertou, House apertou de volta o suficiente para ajudá-la a suportar a dor.

5 de fevereiro de 2008, 23h13.

- Você vai ter que fazer força, Lisa. – A Dra. Philips estava na ponta da cama, completamente preparada para fazer o parto enquanto duas enfermeiras esperavam uma de cada lado.

- Eu não posso. – Cuddy balançou a cabeça enquanto tentava continuar respirando regularmente.

- Você pode fazer isso, Lisa. – A voz confortante da irmã mais nova de Cuddy a encorajou.

A irmã de Cuddy, Dory, tinha chegado e estava ao lado dela na cama, segurando a mão dela firmemente. House havia permanecido na sala, encostado na parede. Ele não queria interferir e sentiu que ali não era seu lugar agora que Cuddy tinha a irmã.

- Está indo muito rápido, precisa ir mais devagar. – Cuddy falou rapidamente antes de gritar de dor.

- O bebê está saindo – A Dra. Philips disse.

Lágrimas escorreram dos cantos dos olhos de Cuddy. Aquilo era quase insuportável. Ela estava agradecida por Dory estar ao lado dela. Era confortante saber que alguém que já havia passado por aquilo duas vezes estava ao lado dela lhe assegurando que ela poderia fazer aquilo.

- Lisa, me escuta. – Dory falou gentilmente. – Você está quase lá. Você pode fazer isso.

- Podemos parar e continuar? – Cuddy perguntou mesmo sabendo que era um pedido irracional e impossível. – Eu nem mesmo sei... foi tão curto... como eu cheguei aqui?

- O parto do James foi bem rápido, também, mas você pode fazer isso. – Dory a assegurou. – Respire fundo.

- Tudo bem, Lisa, eu preciso que você empurre. – A Dra. Philips lhe disse.

Cuddy gritou novamente enquanto ela era acertada por outra contração forte. Agarrando a mão da irmã, os músculos dela se tensionaram, as costas dela gritaram de dor, e ela empurrou. House observou, prendendo a respiração sem nem perceber que estava fazendo.

- Você consegue. – Dory acenou. – Você está indo muito bem.

- Como você está, Lisa? – A Dra. Philips perguntou, olhando para ela.

Cuddy sabia muito bem que havia lágrimas por todo seu rosto e que provavelmente deveria estar horrível. Ela ainda sabia que House ainda estava na sala e via ela parecer completamente horrorosa. No entanto, tudo aquilo desapareceu quando comparado à dor que ela estava sentindo. Era como se alguém estivesse tentando rasgá-la enquanto colocava fogo ao rasgar, para dar um exemplo gentil, claro.

- Ela está bem. – Dory falou pela irmã.

Sentindo outra contração chegando, Cuddy sacudiu a mão da irmã com ainda mais força.

- Tudo bem, eu quero um empurrão agora, Lisa. – A Dra. Philips se inclinou.

Cuddy empurrou, querendo apenas que a dor passasse. Ela sabia que não duraria para sempre. Ela sabia que eventualmente aquilo iria acabar. No entanto, aquilo parecia distante para ela e ela se perguntou como as mulheres conseguiam passar por aquilo durante horas.

- Eu peguei a cabeça. – A Dra. Philips falou alto.

House ficou tenso do outro lado da sala. O bebê estava saindo. O bebê estava quase nascendo e fazendo parte deste mundo. Ele olhou o relógio. O bebê nasceria antes da meia-noite.

A Dra. Philips trabalhou com o bebê agora que a cabeça estava completamente para fora. – Mais um empurrão, Lisa e este bebê vai sair de uma vez só.

Cuddy concordou, mesmo que estivesse completamente exausta. Dory se inclinou para a irmã e lhe deu um aperto forte na mão.

- Você consegue, Lisa,- Dory disse. – Mais um empurrão.

Ainda concordando, Cuddy gritou enquanto empurrava com outra contração. A dor diminuiu consideravelmente e tudo o que Cuddy queria fazer era fechar as pernas e deixar que o alívio percorresse toda aquela sensação de dor se dissipando. Ela olhou para baixo e viu a pequena coisinha coberta de fluídos. Uma coisinha que era dela.

Depois que a Dra. Philips limpou a boca e o nariz do bebê, ela a enrolou num cobertor e a colocou no peito de Cuddy. Havia uma enfermeira ao lado de Cuddy, limpando o bebê. Cuddy agarrou o bebezinho, a maior sensação de euforia a preenchendo, uma sensação que ela nunca fora capaz de descrever efetivamente.

- É uma menina. – A Dra. Philips lhe disse e então olhou para House. – Você quer cortar o cordão?

House foi trazido de seu transe de observar o bebê que agora chorava. Ele olhou para a Dra. Philips e percebeu que ela sabia que o bebê era, de fato, dele. Ele hesitou.

- Provavelmente isso vai te dar uma folga extra. – A Dra. Philips disse para ganhar a confiança de House, assegurando-o que ela manteria aquilo confidencialmente. Ela o alcançou um par de luvas látex.

House olhou para o bebê novamente e aquilo o atingiu com força, que ela era seu bebê também. Depois dessa noite, House tinha certeza que Cuddy gostaria de ter o controle total sobre a criança e que aquilo o excluía de qualquer interação com ela. Depois de tudo, os negócios particulares deles estavam finalizados e seria estranho se ela o incluísse em alguma coisa, especialmente no hospital.

Com aquilo na cabeça, House mancou pela sala e pegou as luvas da Dra. Philips, querendo fazer pelo menos uma coisa por sua filha enquanto ele ainda tinha uma chance.


Continua... Tradução by Regine Manzato