15 de Fevereiro de 2008

House bateu na porta pela terceira vez. Agora, ele estava começando a se preocupar. As luzes estavam acesas dentro da casa dela, mas ela não abriu a porta. Sabendo que ele não poderia simplesmente continuar lá fora, ele encontrou a chave escondida e abriu a porta da frente.

O choro entrou em seus ouvidos primeiro. Os olhos dele caíram na porta do quarto fechada, a fonte do grito alto do bebê atrás da porta.

- Cuddy? – House chamou, mas não recebeu resposta.

Mancando pelo corredor, ele bateu na porta do quarto. Quando ela não respondeu, ele abriu a porta com força. A luz do banheiro dela estava acessa, o pequeno bebê estava gritando no berço, e Cuddy não estava à vista.

House olhou o bebê antes de caminhar para o banheiro. Seus olhos enxergaram Cuddy, de pijama, sentada na banheira e abraçando os joelhos no peito. House a encarou até ela levantar o rosto manchado de lágrimas na direção dele.

Cuddy balançou a cabeça e o olhar que ela lhe deu disse tudo. Ele se moveu cuidadosamente no banheiro e se sentou no vaso.

- O que está acontecendo? – ele perguntou sobrepondo o barulho do bebê chorando.

- Você estava certo. – Ela lhe disse, baixando seus olhos para o fundo da banheira.

- Estava?- House levantou as sobrancelhas.

- Eu não consigo fazer isso. – Cuddy disse vagarosamente, as palavras que se repetiam em sua cabeça finalmente tiveram a chance de serem faladas em voz alta. – Ela não vai parar de chorar, meus seios doem, e eu não consegui dormir nem um pouco, e eu estou completamente exausta.

House levantou do vaso e deu a mão para Cuddy. Ela olhou a observou, antes de desviar os olhos. House deu um tapinha no ombro dela. Cuddy olhou de volta à mão dele, além dela, e a pegou. Ele a ajudou a sair da banheira e a levou de volta ao quarto.

- Você não a viu desde que ela nasceu. – Cuddy disse amargamente. – E você nem mesmo ligou ou me visitou enquanto todo mundo-

- Não fazia parte do nosso acordo. – House a cortou.

- Eu sei. – Cuddy falou. – Mas, ainda assim, você poderia-

Cuddy parou quando House encostou a bengala na madeira pintada de branco do berço. Ele se abaixou e pegou o bebê que chorava. Ele a encostou no corpo dele, encarando aquele rostinho vermelho enquanto as lágrimas escorriam daqueles dois olhos fechados com força.

House levantou a menina um pouco e gentilmente a colocou contra o peito dele, o corpo dela suportado pelo braço dele, enquanto a outra mão ajudava a cabeça dela cuidadosamente a descansar sobre o ombro dele. Cuddy observou aquilo, se perguntando o que House estava mesmo fazendo. Ela nunca tinha visto ele segurar um bebê. Jamais.

- Do que você chamou ela mesmo? – House perguntou, olhando para Cuddy.

- Sarah Renée. – Cuddy respondeu.

- Certo. – House levantou as sobrancelhas e então começou a falar com o bebê. – É Mick Jagger. O verdadeiro Mick Jagger nasceu, na verdade em Julho, não em Fevereiro, no caso de você estar se perguntando. E o nome dele é Michael Philip, mas ele gosta de Mick, assim como você.

Cuddy observou enquanto House falava com o bebê dela. A idéia de House era simples. Ele falaria com a criança, permitindo que ela ouvisse sua voz, sentisse sua voz, para poder reconhecer aquela voz que ela respondia dentro da barriga. Até agora, estava funcionando.

- Como todos os bons músicos, - House continuou, - especialmente se eles faziam parte dos Rolling Stones, Mick teve muito sucesso e ficou muito popular. Eu entendo que você não sabe o que os Rolling Stones são agora, exclua a música, mas você algum dia vai saber da grandeza deles.

O bebê tinha acalmado. Ela não estava dormindo, mas estava confortada. House deixou o bebê descansar nele e olhou para Cuddy. Ela o observava.

- Eu odeio você.

Cuddy foi até o lado dela na cama e sentou. Ela se encostou na cabeceira da cama e respirou fundo. A choradeira finalmente tinha parado, mas a dor de cabeça dela não tinha passado. House abaixou o bebê e ele estava com ela no peito dele novamente e então ele a colocou no berço.

Quando ela não recomeçou a chorar, House pegou a bengala e caminhou para o outro lado da cama. Ele se abaixou e observou Cuddy. Ela o olhou, e então olhou de volta para suas mãos enquanto as lágrimas caíam.

- Minha filha gosta mais de você do que de mim!- Cuddy exclamou entre lágrimas e elas começaram a cair mais rápido.

- Não, ela não gosta. – House respondeu.

- Sim, ela gosta! - Cuddy lamentou em resposta.

House suspirou. – Cuddy...

- Ela até responde quando você a chama de Mick Jagger! Cuddy enterrou o rosto nas mãos.

House quase riu e ele teria feito se estivesse em outra situação. – Não, ela não responde. Ela nem sabe o que eu estou dizendo.

House puxou a Cuddy para ele, o que era um pouco estranho da parte dele, mas aquilo passou despercebido e ela se encostou no peito dele enquanto chorava. As frustrações dela e seu estado emocional extenuado fizeram ela chorar até se enxarcar. No entanto, ela ainda se sentia mau que House tinha que ser aquele que cuidava dela, especialemente desde que ela tentou provar que poderia cuidar daquilo sozinha.

House, contudo, queria estar ali por Cuddy e se voluntariou no momento que entrou na casa dela. Além disso, ele estava satisfeiro quando o choro dela parou e ela caiu no sono nos braços dele.

25 de Março de 2008.

- Você pode me fazer um favor? – Cuddy pediu animadamente enquanto ela abria a porta da casa dela.

House entrou e levantou duas sacolas cheias de fraldas. – Eu achei que estava lhe fazendo um lhe trazendo as fraldas.

- Sim. – Cuddy pegou as sacolas e as colocou no chão. – Eu preciso que você me faça outro.

House a encarou. – Cuddy.

- Por favor, House. – O desespero na voz de Cuddy o manteve de ir embora naquele momento. – Só vai levar um minuto.

- O que é? – House suspirou.

- Você pode alimentar a nenê? – Cuddy perguntou esperançosamente. Ela se sentia muito melhor depois de tudo. Claro, ela ainda estava imensamente exausta, mas as coisas do bebê estavam um pouco mais fáceis agora que ela sabia que já conhecia a filha.

- Desculpa? – House perguntou, levantando as sobrancelhas.

- Não me dê esse olhar. – Cuddy balançou a cabeça e foi até o quarto, House a seguindo. – Eu estou tentando dar mamadeira para a Sarah. Ela se irrita porque ela quer o peito, não a mamadeira.

- Todos nós queremos. – House sorriu maliciosamente.

Cuddy olhou de volta para ele. – House, por favor.

Cuddy entrou no quarto e seguiu para o berço. House permaneceu no corredor.

- Eu não acho- House fez uma careta, olhando para dentro do quarto. Cheirava a talco de bebê.

- Você já está aqui e ela fica melhor quando toma a mamadeira com outra pessoa. – Cuddy se aproximou do berço e levantou o bebê nos braços. – Faltam uns vinte minutos para ela tomar uma mamadeira. Por favor. Já que você está aqui.

House suspirou. – Uma vez que ela tenha tomado, eu posso ir?

- Obrigada. – Cuddy concordou. – Sim.

Cuddy caminhou para o quarto e House voltou e encostou a bengala na parede. Cuddy colocou a filha que vestia um babador branco nos braços dele e foi para a cozinha. House olhou para o bebê, que o encarava.

Um pouco incerto, House balançou o bebê gentilmente nos braços. Quando ele ouviu Cuddy se aproximando, ele parou imediatamente. Cuddy estendeu a mamadeira para ele. House a pegou e tentou dar à menina. Demorou pouco mais de um minuto até o bebê pegar o bico e voltado a encará-lo.

- Ela tem os seus olhos. – Cuddy estava observando a filha.

- Isso pode mudar. – House respondeu e desejou devolver a criança para Cuddy, mas ela não estava olhando para ele. – Além do mais, ela parece com você.

- Você acha que eles vão notar que ela tem os mesmos olhos que você?

House balançou a cabeça. – De novo. Eles mudarão de cor, Cuddy. E quem?

Cuddy finalmente levantou os olhos para ele. – Wilson, sua equipe. Eu não sei sobre Foreman ou Chase, mas a Cameron talvez.

- Eu não sou a única pessoa no mundo com esses olhos azuis. – House lhe disse. – Além do mais, a maioria dos recém- nascidos têm.

- Eu sei. – Cuddy o cortou e se aproximou, correndo os dedos pelos cabelos fininhos de sua filha. – Mas eles são dramaticamente idênticos aos seus. Além do mais, os olhos dela eram mais escuros. Eles clarearam.

- Isso não significa nada. – House respondeu, mas sentiu um pequeno centelho de alegria de que talvez sua filha tivesse a cor de seus olhos. Ele continuou. – E se alguém achar que descobriu e tiver coragem de perguntar, nós podemos dizer que eu doei o esperma. Tecnicamente, foi tudo o que aconteceu.

- Junto com o sexo. – Cuddy levantou as sobrancelhas, olhando de volta para ele.

- Porque você está dificultando as coisas? – House perguntou e brincou com a mamadeira com o bebê.

- Eu... não estou. – Cuddy respondeu.

- O que a Mick acha? – House olhou de volta para a criança em seus braços.

- House, por favor pare de chamar a minha filha de Mick. – Cuddy colocou as mãos na cintura. – Ela tem um nome.

- Não tão legal quanto Mick Jagger. – House lhe disse. – Ela não parece se importar.

Cuddy cerrou os olhos. – Bem, eu sim.

- Mick Jagger. – Ele disse para o bebê, que cuspiu o bico da mamadeira da boca. House olhou para Cuddy. – Viu? Ela adora isso.

- A Sarah acabou de perder apetite por causa do nome. – Cuddy devolveu com um sorriso malicioso.

House olhou para o bebê, que repentinamente sorriu para ele. Cuddy franziu as sobrancelhas, sabendo que House iria dizer que o bebê gostava do nome, por isso sorriu. No entanto, quando House não respondeu, Cuddy se preocupou, se perguntando que resposta estaria se formando naquela cabeça que poderia ser pior.

- Esse sorriso. – House levantou seus olhos para Cuddy, enquanto o olhar em seu rosto a fez relaxar. – É todo seu.


Fim. Tradução by Regine Manzato

N/T: Então pessoas.. é isso. Esta fic maravilhosa, escrita pela Jillis tem uma continuação, já que o nome da fic é um verso de uma música, "I will give you a garden where your flowers can bloom".

Então, a continuação da fic, obviamente chama-se "Onde suas flores possam florescer" E sim, eu vou traduzir a continuação porque ela é linda, assim como essa.

Eu e a Jillis esperamos que vocês tenham gostado dessa fic, e acompanhem a continuação, que é simplesmente fantástica!

Uma amostra do que a seqüência dessa fic é:

Passaram-se pouco mais de oito anos desde que Cuddy dera a luz à sua filha. A vida de Cuddy está praticamente ajustada com tudo o que ela criara para ela e sua filha. Quer dizer, até House decidir cruzar a linha de seus negócios.

Então... o que acham??