Histórias de Hogwarts

Por Cris Snape

Traduzido por Pandora Black

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02 – C Warrington

A Sua Última Esperança

"C. O. Warrington." O seu nome escrito num pedaço de papel. A sua última esperança para conseguir algo grandioso como membro da casa Slytherin. O seu próximo grandioso fracasso, isso sem dúvida; um mais a acrescentar à larga lista criada pela sua pessoa nos últimos sete anos.

Warrington permanece imóvel a uns poucos passos do Cálice de Fogo. Cedric Diggory termina de apresentar a sua candidatura para ser o próximo Campeão de Hogwarts; os seus amigos de Hufflepuff animam-no enquanto o Perfeito, com um sorriso de orelha a orelha, regressa até eles. Imediatamente, uma nuvem de braços oculta Diggory e os texugos desaparecem da sala entre risadas alegres e vitoriosas.

Warrington sente-se enciumado; ninguém o anima. Os seus companheiros de Slytherin limitam-se a fitá-lo com incredulidade; todos sabem que não tem nenhuma possibilidade de ser escolhido e afastam-se do Cálice com desdém, sem lhe prestar demasiada atenção. Warrington pensa na possibilidade de regressar atrás. Realmente está preparado para fazer frente ao desafio que supõe participar no Torneio dos Três Feiticeiros? Possivelmente, a resposta é negativa, mas Warrington necessita de acreditar que sim poderá fazê-lo; não por ele, na realidade, uma vez que se sente satisfeito com os seus triunfos pessoais, mas os seus pais…

Eles não se importam que seja um bom aluno em Astronomia ou Runas Antigas; incomoda-lhes que não conseguira aprovar os seus N.O.M.S de Poções e Defesa Contra as Artes das Trevas. Eles não se interessam que queira dedicar-se ao estudo das antigas culturas mágicas dos países escandinavos; eles desejam que aprenda Artes das Trevas, como todos na sua família faz séculos. Tão-pouco se interessam se Warrington seja bom no Quidditch; depois de tudo, é um desporto estúpido, uma perda de tempo. Warrington sabe que, se consegue ser escolhido como Campeão de Hogwarts, os seus pais começariam a vê-lo com outros olhos.

O seu nome escrito num pedaço de papel é a sua última esperança para ganhar o respeito e apreço dos seus pais. Apesar de ter medo, Warrington atravessa a linha de idade que conjurou Dumbledore e coloca-se em frente ao Cálice de Fogo; é bonito, mas o Slytherin tem a sensação de que o está a rejeitar ainda antes de introduzir o seu nome no seu interior. Uma vez mais assalta-lhe a dúvida; depois de tudo, uma retirada a tempo poderia ser considerada uma vitória e ele poderia evitar uma grande humilhação. O idiota do Warrington desejando ser alguém grandioso… Os seus companheiros rir-se-iam dele, o gigante estúpido que passa as horas livres deitado no sofá da Sala Comum.

Warrington suspira profundamente e estica o braço direito. "C. O. Warrington." O nome de um fracassado. Ele sabe. Assume-o. Mas ainda incomoda. Todos os Slytherins anseiam a grandeza, o poder e ele… Ele almeja que uma maldita taça seleccione o seu nome para arriscar a sua vida numa competição que nem sequer lhe interessa. Mas é a sua última esperança, assim que deixa cair o pedaço de papel; um hipnotizante fogo engole-o e Warrington permite-se sorrir de satisfação. Ninguém o anima nem felicita pelo que acaba de fazer, como já ocorrera com Diggory e os Hufflepuffs, mas isso já não importa. A sua sorte já está feita e só cabe esperar, sonhar em ver a sua última esperança cumprida.

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N/T: Não é incrível que todos os Slytherins fazem coisas – querendo ou não – apenas para agradar aos pais? E o espírito de equipa é admirável. Mas como diria uma certa serpente: "Um Slytherin é uma serpente que luta pela sua própria sobrevivência, sem importar os outros. Não é um inconsciente Gryffindor que salta para a frente de um dragão para salvar um fraco, sem importar a sua própria morte."

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