Personagens: J. K. Rowling

Fanfic: Cris Snape


Histórias de Hogwarts

3: Dedalus Diggle

A alegria de viver

Muitos no mundo mágico opinavam que Dedalus Diggle carecia por completo de sentido comum. Quiçá porque passava a maior parte do seu tempo sentado na barra do Caldeirão Escoante, bebendo uma cerveja amanteigada atrás de outra, com o seu ridículo sombreio de copa violeta sobre a cabeça. Quiçá porque uma noite, muitos anos antes, fizera aparecer fogos artificiais para celebrar a suposta derrota de Lorde Voldemort.

Dedalus sabia que não era bem considerado por uma parte da comunidade mágica, mas não se importava; poderia ter feito um esforço para mudar, para parecer alguém mais ajuizado, mas ele era feliz porque, de vez em quando, tinha motivos para se sentir tremendamente afortunado.

Lembrava a perfeição de um desses momentos. Foi alguns anos depois da primeira queda do Senhor Tenebroso; Dedalus caminhava pelas ruas muggles, procurando algum bar para tomar um bom copo de cerveja de malta, quando viu aquele menino… Era baixinho e delgado, tinha o cabelo negro totalmente desalinhado e usava uns óculos demasiado grandes para o tamanho do seu rosto; o menino seguia os passos de uma mulher com cara de cavalo e um miúdo tão gordo que ocupava meia margem sozinho. Ao princípio, Dedalus pensou que era mais um muggle; vestia roupa velha e carregava uns quantos sacos das lojas de jogos do bairro. O menino roliço dava largas lambidelas ao seu gelado de menta e chocolate e o outro pequeno, o mais pequeno, observava-o com inveja, lambendo os lábios como se desejasse com todas as forças ter esse gelado entre os seus dedos. Dedalus sentiu um pouco de pena pelo menino, mas decidiu continuar com o seu caminho.

Até que a viu. A cicatriz em forma de raio que tinha na fronte… Dedalus não podia acreditar; nesse momento, sentiu-se o homem mais afortunado do mundo. Ele, de todos os magos do mundo, tinha a imensa honra de estar de frente ao grandioso Harry Potter, o Rapaz Que Sobreviveu. Apesar do aspecto desarranjado do menino, Dedalus deu um saltito, esqueceu-se de tudo o que estava a fazer (não era muito, na realidade) e abordou o salvador do mundo mágico em plena rua.

O pequeno Harry Potter assustou-se; os seus dois acompanhantes giraram as cabeças loiras e miraram-nos com desagrado, mas Dedalus não se importou. Estreitou a mão do menino, tirando o seu chapéu violeta e inclinando a cabeça.

"É uma grande honra!" Disse com voz apaixonada, sem acreditar no que sucedia. "Estou encantado por te conhecer, senhor!"

Dedalus recebeu uma mirada de estranheza. Harry Potter parecia disposto a dizer alguma coisa, mas então uma mão de pele branca e dedos esqueléticos apertou o seu braço e o afastou do mago adulto. Dedalus queria repreender essa muggle idiota por tratar de essa maneira ao salvador do mundo mágico, mas não fez nada; ficou plantado na metade da rua, com o seu chapéu de copa numa mão e um sorriso idiota no rosto.

Conhecera Harry Potter.

Dedalus também de se lembrava, com melancolia, do dia em que teve a oportunidade de se apresentar oficialmente ao rapaz. Foi no Caldeirão Escoante, o dia em que Hagrid, o gigante de gestos amáveis, levou o jovem Potter a comprar os seus utensílios escolares; em uns dias, o pequeno começaria o seu percurso académico em Hogwarts e Dedalus não duvidou nem um segundo em aproximar-se dele e apresentar-se. O rapaz foi amável, ainda que parecia confundido e Dedalus, sentia-se tão feliz que convidou todos os clientes da taberna a uma rodada de hidromel.

Quase cinco anos passaram desde esse dia e, desde então, Dedalus estava feliz. Apesar de saber que não se aproximavam bons tempos, o homem sentia-se orgulhoso de si próprio: Albus Dumbledore oferecera-lhe a oportunidade de pertencer de novo à Ordem da Fénix. O regresso de Quem Nós Sabemos não era oficial; os inúteis do Ministério da Magia preferiam negar a verdade para sentirem-se cómodos antes de fazer frente aos seus maiores temores, mas Dedalus acreditava em Dumbledore e por isso não duvidou em recuperar o seu antigo trabalho.

Esta noite, umas quantas horas depois, teria a ocasião de levar a cabo a sua primeira missão naquela guerra que não terminava de estalar. Formaria parte da patrulha que iria buscar Harry Potter a Privet Drive.

Dedalus não estava contente só porque Dumbledore tornara a confiar no seu talento mágico. Não, nesse dia, a sua alegria de viver era o facto de saber que, em muito pouco tempo, poderia ver de novo Harry Potter; ia protegê-lo dos perigos que ameaçavam a sua existência e, com um pouco de sorte, conseguiria obter o respeito do jovem Potter.

Quantos anos desejando isso, apesar de não ser mais que um velho desequilibrado mental!


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