Capítulo 2

Capítulo 2

Logo após de terem acabado com o suntuoso café da manhã, eles se embrenharam nos labirintos formados pelos corredores daquela casa, sendo, a maioria das vezes, guiados por William. Chegaram a um Hall luxuosíssimo, todo talhado em madeira. Uma madeira escura e com um cheiro ótimo, além do fato de estar totalmente encerado e as grandes janelas, que, paralelamente da outra, iluminavam e abrilhantavam aquele local. Samael começou a sentir pena dos empregados, seria impossível fazer a limpeza do local naquele pouco tempo. Todavia, para ele não era. O grande portal de madeira era aberto, revelando um céu azul, extremamente limpo. Á direita, o bosque pessoal do menino, e á frente e a esquerda, uma imensa área com gramíneas e herbáceas, com um caminho circular que levava á um portão de ferro. William e Samael desceram as escadas á sua frente, sempre unidos pela coleira, e deram com um carro. Ao era exatamente um carro como imaginamos. Em vez de rodas, quatro grandes orbes azuis com anéis bronzeados giravam, dando uma sensação de levitação á ele. A carcaça metálica era retangular na frente, e arredondava a medida que o veículo se findava, e possuía uma cor negra. Um homem alto, como um armário abria a porta para os dois entrarem. Dentro, duas janelas redondas em cada lado, e um sofá em formato semicircular, aveludado e vermelho. Os dois se acomodavam, um de frente para o outro, ligados pelo cordão prateado.

O carro cruzava a cidade depois de alguns minutos naquela cidade silenciosa, que apenas teve algumas pequenas ordens como "Aperte a coleira" ou "Arrume seu cabelo", até o momento:

- Por que pintou seu cabelo de prata? – Uma voz rouca fez-se ouvir.

Samael, que até o momento olhava a cidade, muito diferente das nossas hoje em dia. Havia muitas torres com formatos abstratos, todos com um branco-amarelado, dando um completo sentimento de vazio. Ele olha William, que ainda olhava a cidade pela janela, sem ao menos encará-lo. Samael pegava a pequena trança que se estendia até seu peito e brincava com ela por entre os dedos brancos e esguios.

- Não os pintei, William. Eu nasci com eles assim, provavelmente fui feito para ser uma mascote. A aparência faz parte do meu dom...

- Qual seu dom, Mascote? – O mestre olhava os olhos azuis, que perdiam toda a compostura quando encontravam os olhos castanhos. Ridículo, pensou William. Samael olhou para os pés e perguntou:

- O Senhor não assistiu ao Show de Eliminação? Então quem me escolheu?– A voz fina ia sumindo, como se tivesse vergonha de perguntar isso.

- Não, você foi escolhido por um especialista contratado, vi apenas sua foto. Agora, mostre-me seu dom. – William começava a ficar intrigado, colocando os cotovelos nos joelhos e aproximando-se do mais novo, que soltava a fina trança. Samael estava muito envergonhado, em toda a história das Batalhas, todos os donos haviam escolhido as mascotes pessoalmente.

- Poderia abrir a janela, Senhor? – Sam olhava os pés, os balançado um pouco e colocando as mãos juntas. William, que ficou sem reação olhava a criança, que aparentava estar envergonhada por mostrar o dom á ele. Depois de um tempo em silêncio, o mais velho vira-se para trás e empurra a janela, ainda olhando o menino fixamente. Os olhos azuis agora se fixavam na janela, e os lábios finos se moviam, cochichando palavras, que em vão, William tentou ouvir, mesmo sabendo que Samael não falava com ele. Logo, dois pássaros brancos entravam, e pousavam no banco ao lado do menino, que apenas fechava a boca e olhava os pássaros se locomoverem.

- Então você fala com pássaros? – William disse, como um deboche. Como aquele especialista poderia ter escolhido ele? Tudo bem que ele havia o escolhido entre os demais por causa da foto que haviam sido enviadas a ele, mas como aquele menino chegou a final só falando com pássaros?

- Não, eu falo com todos os animais, Mestre. Se tivesse visto o Show de Eliminação, veria eu domando uma pantera negra. – A voz fina tornava-se um pouco mais confiante, como se intimidasse o maior.

- Quais eram os dons dos outros dois finalistas? – William ficou um pouco mais aliviado. Queria mesmo ter visto aquela criança brincando com a pantera. Quando notou o tom na voz do menor, tinha de intimidá-lo. Talvez o menino se sentisse mais desvalorizado com aquela pergunta.

- Um manipulava raios, enquanto o maior lia mentes. – Sam olhava novamente os pés. Tinha saído de seu lugar de mascote.

Quando William iria falar algo, o carro parou. Os dois saíam do carro, Samael primeiro, vendo uma grande Catedral, com uma placa escrita, em letras perfeitamente talhadas: "Museu Histórico das Batalhas". Os dois entraram, desta vez, Samael guiava William. Todos cumprimentavam o menino, que acenava rapidamente, mas mesmo assim, todos os conhecidos olhavam o maior e a coleira, então saíam andando assustados. Os dois entraram em uma grande sala, aparentando também ser feita de marfim. Esta por sua vez, tinha o formato de uma sala de cinema, exceto pelo palco, a ausência da tela, e a sala ser um semicírculo, com cadeiras grandes, forradas com seda branca.

- Mestre, é aqui em cima que eu trabalho, se quiser, sente-se na primeira fileira, só não sei se o cordão irá tão longe... – Realmente, Samael estava certo. Havia dez metros do palco até a primeira fileira. William, meio contrariado, soltou o cordão do pescoço branco do menino, meio marcado da coleira nova, e então sentava em uma cadeira na primeira fileira, no canto, guardando o cordão prateado e murmurando "Alargue a coleira, está lhe machucando...". Segundos depois a porta se abre, e uma multidão entra. As idades bem variadas, mas a maioria jovem, com uns dez anos de idade. Samael cumprimentava um garoto e uma garota que iam ali todo dia, pareciam ter a mesma idade dele. Após um tempo, onde todos se assentaram, a maioria sem notar William, Samael começava a falar totalmente confiante, surpreendendo um pouco a imagem indefesa que William tinha:

- Bem, provavelmente vocês vieram aqui para ver a apresentação que faço aqui, sobre a história das Batalhas Burguesas dos tempos de hoje, quem não estiver na sala certa, a porta está ali... – Ele apontava a porta, que agora estava fechada. A parede atrás do garoto se abria e mostrava uma tela que parecia um arco íris, e logo tomava formas e cores, de acordo com o quê Sam falava - Os humanos... Sempre em busca de conhecimento, tecnologia, desenvolvimento, e, principalmente, o prazer próprio, na maioria das vezes, ignorando o bem-estar do que está à sua volta. Inclusive o meio ambiente. Em resumo, são criaturas ambiciosas e preguiçosas, e, infelizmente, inteligentes e racionais. Toda esta minha tese nos leva ao ano de 2020. O ser humano já dominava a maioria dos ambientes terrestres, e com a descoberta de água em Marte, Colônias espaciais já estão sendo implantadas. Os computadores civis e militares agora estão ligados a um Centro de Memória Rígida, permitindo o computador de qualquer pessoa obter uma memória ilimitada, mas isso foi apenas uma das faces. Na verdade, o governo queria monitorar todos os movimentos da população e dos exércitos inimigos.

Os recursos ambientais já haviam quase se esgotado totalmente, e a Terra já gritava que não havia mais o que ser retirado, mas este grito foi abafado pelos governos, para que a população não entrasse em pânico. Qualquer descoberta relacionada a isto era rastreado no Centro de Memória Rígida e então sufocada pela Controle, uma organização que foi formada pela ONU, CIA, FBI e a Interpol na época do ocorrido, mais exatamente em 17 de Maio de 2020. A Controle era uma Organização regida pelo controle das coisas através da força. No mês de dezembro deste mesmo ano, os cientistas começaram a desenvolver um novo vírus, mas este não afetaria as pessoas e animais, ou até mesmo as plantas, e sim a Terra. O vírus, a certo calor, transformaria qualquer coisa ao seu redor em minérios raros, como: Ouro, Prata, Bauxita e às vezes algumas gemas. No dia 12 de Fevereiro do ano de 2021, o vírus foi lançado em Marte e na própria Terra. No dia seguinte ao lançamento em massa do vírus, os cientistas viram seu fracasso. O vírus atacava a Terra sim, mas atacava também os humanos, que, coincidentemente, possuíam as necessidades termais dos vírus. Como o metabolismo do vírus era incrivelmente rápido, as pessoas começavam a morrer, por ataques cardíacos, necroses, gangrenas e até cânceres. As colônias de Marte foram totalmente dizimadas, enquanto na Terra, o ser humano morria quase na mesma velocidade. Sobrou apenas um seleto grupo de pessoas, que possuíam problemas com a temperatura corporal. Grande parte do grupo passou a viver no Centro de Memória, pesquisando todos os dados do mundo, tentando criar um refúgio. No dia 28 de Fevereiro foi iniciada a criação da cúpula de Edhen. Essa cúpula abrangia todos Estados Unidos da América, e consistia em uma grande era Glacial, matando todos os vírus naquela área e então, reaquecendo-a, e mantendo uma cúpula fria ao redor do país. Felizmente, os robôs construíram a cúpula a tempo, e hoje, vivemos em Edhen.

- E quando as batalhas Burguesas começaram? – Perguntou a menina que Samael conhecia. Ela trabalhava ali, disfarçada, para tornar a apresentação mais real e participativa por parte dos telespectadores.

- No ano de 2345, as empresas eram sempre comandadas por um homem só, e como toda tecnologia mantida no Centro de Memória havia se espalhado, as empresas consistiam desse mesmo homem e vários computadores e robôs operários, criando uma grande taxa de desemprego e miséria. No dia 18 de Maio desse ano, a Câmara do Senado, maior autoridade aqui no Edhen, decretou que as empresas poderiam ser tomadas por um único jeito. As Batalhas Burguesas. Os cientistas haviam criado, com todo seu poder de mutação genética, criados humanos com dons especiais, para evitar guerras robóticas. Esses humanos seriam espalhados em Centros de Adoção em todo Edhen, onde, toda população poderia pegar um desses seres humanos, e usa-los como mascotes. Submissos, obedecem aos seus donos, e batalham com outras mascotes para defender ou atacar empresas alheias.

- Mas isso não é desumano? – Perguntou o menino ao lado da menina. Outro amigo de trabalho de Sam.

- Sim, é. Mas é muito melhor do que guerras, que devastariam a cúpula e mataria uma quantidade incrível de pessoas. Eu por exemplo, sou um Mascote. – Dizia Samael, exibindo o pescoço e continuando a falar – O mascote tem de usar essa coleira, e tem de obedecer todas as ordens do dono. Há alguns concursos daqui alguns meses para determinar o melhor Mascote do ano, em quesitos: Beleza, Obediência e Poder. O mascote ganhador ganha qualquer coisa possível.

O menino e a menina exaltaram-se, provavelmente não sabiam que ele havia sido adotado. Eles rapidamente levantaram as mãos, excitados, mas uma senhora, muito rica por sinal, indagou primeiro que eles:

- E onde está seu dono? Vocês não têm de estar sempre juntos? – A mulher falava com uma calma incrível, mas logo era interrompida pelo menino que era apoiado pela menina.

- E quem é ele?

Samael sorria, e então olhava o maior. Não estava mais lá. Ele procurou em todo canto, mas logo via que William estava atrás dele, com a mão em seu ombro, prendendo o cordão na coleira dele. Samael olhava para o rosto do mesmo, sorrindo ligeiramente e corando. William encarou-o com os olhos vazios e então falou a todos:

- Eu sou o Mestre dele. Meu nome é William Baker. – William diminuía a extensão da corrente, a enrolando a mão direita, que estava escondida nas costas do garoto. Logo a tela atrás dele se escondia, e todos saíam, menos o menino e a menina. Os dois chegavam perto e então olharam Samael. A menina indagava Samael, com uma voz baixa, mas encarando William, que retribuía o olhar friamente:

- É o William Baker da Baker Jewelry, Sam?

- Ele mesmo. Passei no Show de Eliminação ontem, Inara. – Samael sorria, mesmo tendo um pouco a corrente apertando-o um pouco, como um aviso para ele se despedir logo. A menina acenava com a mão levemente para William, com uma cara hesitante:

-Prazer, sou Inara Tomestone, sou filha de uma pequena indústria de roupas, e esse é o Awn.

A menina estava com um vestido rosa, que ia até os joelhos, e possuía uma fita branca que prendia os longos cabelos castanhos dela. Awn, pos sua vez, vestia uma camisa azul escura, com uma calça jeans clara, e usava uma coleira vermelha de couro, que o ligava a menina através de uma fita vermelha. William olhava a menina, com certo desprezo, mas não batalharia com ela. A indústria provavelmente era pequena demais, e não havia animais ali. Awn olhava a coleira prateada de Sam, e quebrava o longo silêncio imposto pelo mais velho ali:

- Isso é de prata? – Dizia, apontando a coleira dele.

Sam olhava William e então o olhava com um olhar curioso, o maior parava de olhar a menina e respondia secamente:

- Sim, a coleira é de prata, e essa camisa dele é feita de ouro trançado com ouro branco. O prêmio que dei a ele por ser meu Mascote. Agora temos que ir Samael.