Esse capítulo foi inspirado pela música: There's a pot a brewin' - The Little Ones

Capítulo I – A água está no fogo

Estavam em Hogwarts a duas semanas. Tudo estava diferente, ninguém era visto nos corredores, ou quando eram estavam em grupos andando velozmente de uma sala para outra. Não houveram festas no salão comunal da Grifinória, não ouviam-se risadas.

Era uma quarta-feira e o sol havia nascido forte e alaranjado. Tinha algo estranho no ar. Quando Neville e Ginny chegaram ao Salão Principal deram de cara com uma grande movimentação. Luna estava mais a frente, e os dois correram para alcançá-la.

- O que está acontecendo aqui? – perguntou Ginny ansiosamente quando chegou ao lado da amiga.

Mas Luna não precisou falar nada. Uma aluna do terceiro ano da Lufa-Lufa estava deitada no chão com cordas ao seu redor. Mais a frente havia um aluno do segundo ano da Grifinória, e além dois alunos da Corvinal. Entre os estudantes encontravam-se Comensais da Morte, ou como agora eram conhecidos, aurores.

- Nascidos trouxas. – comentou Luna.

- Por Merlin! Mas eles são crianças! – disse Ginny revoltada.

- Hey! O que vocês estão fazendo? – perguntou Neville em voz alta aos aurores, todas as cabeças virando para ele. – Eles não são criminosos, são somente crianças!

Ninguém o respondeu. O silêncio tomou o Salão. E então os corpos subiram ao ar. Levitando eles iam em direção a porta. Neville puxou o braço de Luna e Ginny os seguiu, esbarrando nos alunos no meio do caminho. - O que vocês farão com eles? – perguntava Neville todo tempo. E os alunos foram levados e não havia nada que pudessem fazer. Neville olhava ao ser redor e via faces cobertas de pavor.

- Vocês vão ficar com medo e não vão fazer nada? – berrou ele para os alunos. Mas a face dos alunos não mudou. Estavam apavorados.

- Vamos sair daqui. – disse Luna puxando Neville e Ginny.

Saíram para os jardins, Ginny desabou na grama, perto do lago. Luna usava o encanto Muffliato em torno deles, Neville andava de um lado para outro furioso.

- Como ninguém falou nada? Como conseguiram ficar quietos? – perguntava Neville com o rosto vermelho.

- Neville, acalme-se. – Ginny olhava Neville que não parava de bater os pés – Os alunos estão em pânico. Eles estão achando que podem ser os próximos! Estão com medo por suas vidas, e de suas famílias.

- Mas nós também estamos! – brigou Neville.

- Nós não precisamos ter tanto medo assim, Neville. Você–sabe–quem não quer gastar sangue mágico, principalmente puro. Mas aqueles alunos não sabem disso, eles acham que Aquele-que-não-deve-ser-nomeado mataria Hogwarts inteira.

- Somos nós que devemos dar esperança a eles. – disse Luna, segurando os dois braços de Neville, que então parou de andar. Depois de alguns minutos ela conseguiu fazê-lo sentar.

- Mas e os professores? Eles poderiam ter feito algo. – comentou Neville.

- Com Snape dando as ordens por aqui? Eles não o farão! – disse Ginny olhando para Neville e tentando passar-lhe alguma esperança, mesmo ela não tendo muita.

- Mas os professores podem ser nossos aliados. – comentou Luna – Não acredito que eles estão contentes com tudo que tem acontecido.

- Também acho Luna, mas por enquanto não podemos confiar neles. – disse Ginny – Temos que ver quais deles ali realmente são confiáveis, quais deles continuam sendo eles mesmos. Eles podem estar sobre a Maldição Imperio.

- Nós temos que nos manter calmos. Vocês já ouviram os rumores que estão soltando por ai. – comentou Ginny, e ao dizer isso seu olhar fixou-se em um ponto na grama. Os outros dois sabiam que ela estava longe, bem longe.

- Como podem pensar que Harry fugiu para se salvar e abandonou todos aqui? – disse Luna depois de algum tempo de silêncio.

- É a porcaria do Profeta Diário! – disse Neville. – Eles vão tentar acabar com qualquer esperança que as pessoas tenham.

– Gente, Snape está de olho em nós. – comentou ela apontando para o Castelo.

- Como você tem certeza que é ele, Luna? Está muito longe. – perguntou Neville com uma das sobrancelhas arqueadas.

- Ele se parece com um morcego, não acham? Olha, ali é uma das asas..." Luna começou a explicar, mas os dois começaram a gargalhar então ela não terminou.

- Ai, ai Luna! – disse Ginny ainda buscando fôlego. - Nós não podemos fazer nada por hora. – disse ela quando finalmente parou de rir. – Nós precisamos primeiro nos organizarmos perfeitamente. Nós não podemos ficar nos vendo assim, em lugares que qualquer um pode ver. Estamos em anos e casas diferentes. Eles podem suspeitar.

- Temos que saber muito bem em quem confiar, porque o medo faz as pessoas traírem. – comentou Luna.

Essa era uma verdade que os outros dois não queriam admitir, mas não deixava de ser verdade. Os olhos dos dois encontraram-se e eles sabiam que estavam pensando na mesma coisa. E se eu os trair?

- Fiquem calmos, vocês dois. – disse ela lendo os pensamentos deles. - Nós teremos que saber nos controlar. Está tudo de cabeça pra baixo. Nós vamos ver coisas que nem imaginamos tornarem-se normais. E coisas que prezamos serem proibidas. – disse Luna calmamente. – Nós veremos uma versão muito pior do que a era Umbridge.

- Desculpem-me, mas eu não verei injustiças serem feitas e ficar quieto. – disse Neville revoltado.

- Ninguém está pedindo que você faça isso Neville. – disse Ginny e continuou – Eu entendo o que você está falando, Luna. - Nós fomos treinados para isso. A era Umbridge foi nosso treino, o que precisamos fazer é usar o que deu certo e mudar o que deu errado. – disse Ginny e os outros dois concordaram.

- As moedas! – lembrou-se Neville – Usaremos os galeões mágicos da Hermione para nos falarmos.

- É isso ai. Agora vamos sair daqui que as aulas estão para começar. – disse Ginny levantando-se.

- A água está só começando a esquentar. – comentou Neville, enquanto eles seguiam de volta ao castelo.