Capítulo V – O recrutamento
Durante o resto da semana Luna reparou que alguns integrantes da AD estavam sempre juntos cochichando. Toda vez que via algum deles nessa situação ela ria por dentro. Estava ansiosa, pela primeira vez em muito tempo. Ela teria a chance de mais uma vez participar das reuniões, a melhor época que ela teve em Hogwarts.
Treinava em sua cabeça o Feitiço da Língua Presa. Na biblioteca procurava pelo feitiço que Hermione havia utilizado no pergaminho. Ficou nessa função a maior parte do tempo, até que encontrou um livro que nem sabia que existia, "Guia para estudantes Marotos." Nele existia todo tipo de feitiços, encantamentos e poções para estudantes que queriam quebrar regras. Luna achava estranho como aquele livro não tinha sido banido com a nova situação da escola, e pensou que ninguém sentiria sua falta se ela o retirasse de lá. Nele ela encontrou o feitiço que Hermione havia usado, e muitos outros.
Demorou, o que para Luna pareceu uma década, mas amanheceu sábado. Luna estava de pé às oito da manhã. Ela correu para o café da manhã. O Salão Principal estava quase deserto. Neville estava sentado na mesa da Grifinória sozinho.
- Bom dia, Neville! – cumprimentou ela, sentando na frente do amigo. – Animado?
- Bom dia, estou bastante! Porque você acordou tão cedo? É sábado, Luna! – brincou ele.
- Estou ansiosa. – disse ela. – Mas e você?
- Tenho detenção com o professor Carrow hoje. – disse ele dando de ombros, e com uma careta na face.
- Que chato, Neville!
Os dois terminaram o café da manhã juntos. Neville seguiu para sua detenção, Luna sentou-se no Hall de Entrada para esperar Ginny descer lendo o livro que não saia mais de sua mão.
No livro tinha um capítulo intitulado "Feitiços para ajudar na fuga." Luna conhecia alguns, mas o que chamou sua atenção foi o Feitiço do Degrau Invisível. Ao lado dizia que ele era eficaz para atrasar o perseguidor, mas não era lesivo. Então Luna levantou uma das sobrancelhas, e deu uma risada coberta por sua mão.
Ela tirou sua varinha do bolso, e a segurou entre suas costas e a parede que encostava. Luna estava sentada ao lado da entrada do Salão Principal. Então uma menina da Sonserina passou.
- Caiu da cama Aluada? – zombou ela ao ver Luna.
E quando a menina ia entrar no Salão Principal Luna soltou o feitiço, falando o mais baixo possível. – Creare degradus! A menina então tropeçou e caiu para dentro do Salão Principal, fazendo os outros estudantes que ali passava caírem na gargalhada.
Mais tarde as duas garotas esperavam Neville sair da detenção. Estavam nos jardins, sentadas em cima de um pano de piquenique que Luna tinha. O dia estava quente, o sol ardia no corpo para a felicidade dos estudantes.
- Olha só esse livro que encontrei na biblioteca. – mostrou Luna.
Ginny ergueu o braço lentamente e pegou. – Guia para estudantes Marotos? – leu, levantando uma das sobrancelhas. Folheou o livro rapidamente. – Esse livro estava na biblioteca?
- Sim. Achei que seria útil, e tenho certeza que ninguém dará falta dele, então eu peguei. – comentou Luna.
Ginny inclinou a cabeça, seus olhos olhavam algo no céu. – Marotos? De onde eu me lembro desse nome?
- Eu nunca ouvi falar... – respondeu Luna.
Por um tempo ficaram sem falar. Luna lia o livro, e Ginny folheava uma revista de quadribol. Luna percebeu que a amiga não estava prestando atenção no que fazia. Imaginou que ela estivesse pensando em Harry. Devia ser muito difícil para ela considerou Luna.
- Ginny, se você precisar de mim, pra qualquer coisa, você sabe que pode contar comigo, não é? – disse Luna.
Ginny sorriu fracamente. – Eu sei sim, Luna. Obrigada. – respondeu ela. – Estava pensando o quão patético é estar em Hogwarts com tudo o que está acontecendo. Eu adoro essa escola, mas queria estar junto de meus pais. Toda vez que recebo uma coruja meu coração dispara de medo de ser uma má notícia. – confessou Ginny.
Luna concordou com a cabeça. – Mas, Ginny, imagine se nós não estivéssemos aqui. O que seria de Hogwarts? – Ginny levantou uma das sobrancelhas e sorriu de meia boca, deixando Luna constrangida. – Quero dizer, é tão difícil, até os grifinórios estão com medo! Não haveria nenhuma resistência. – Ginny sorriu e concordou.
Então Neville apareceu. Sentou-se ao lado das duas abatido. Luna chegou mais perto dele e viu que sua mão estava vermelha. Ela olhou para Ginny preocupada.
- O que é isso, Neville? – perguntou ela.
- Detenção. – respondeu Neville.
- É igual ao que Umbridge fez com Harry. – disse Ginny alarmada segurando a mão de Neville.
- É, mas a minha cicatriz ficará marcada "covarde". – disse Neville, num misto de tristeza e raiva.
- Neville, não deixe que isso te atinja! – pediu Luna. – Você não tem nada de covarde! Não querer ferir as pessoas não quer dizer nada além de que você tem bom coração.
- É isso mesmo, Neville! – confirmou Ginny.
- Eu sei. – comentou ele – Estou é com raiva daquele maldito, isso sim. Vocês não sabem as barbaridades que ele ficou falando durante a detenção. Tive que me segurar muito para não azarar aquele filho da mãe.
- Calma, Neville. – pediu Luna.
- Não, essa raiva que estou sentindo é necessária. Vamos tocar o terror nessa escola! – disse Neville exaltado. – Se eles querem guerra, teremos guerra!
Ginny ficou animada, e Luna somente sorriu. – Falando em guerra, vamos almoçar pra depois, ah, pra depois vocês sabem o que! – comentou Luna.
Subiram para o sétimo andar, após almoçarem. A reunião estava marcada para começar as duas horas da tarde. Enviaram a mensagem para o pessoal chegar em trios e pensar no QG da Armada para conseguirem entrar na Sala Precisa.
Quando entraram, ainda não havia ninguém. O relógio já marcava duas e cinco, e ainda estavam sozinhos.
- Será que não vem ninguém? – perguntou Neville preocupado.
- Vem sim. – comentou Luna
– Ao menos Seamus! – brincou Ginny.
E foi ela falar seu nome que ele apareceu na porta. Junto dele vieram Lavender Brown e Parvati Patil.
- Já estava achando que ninguém vinha. – comentou Neville ao cumprimentá-los.
- Imagina, Neville. Estávamos falando dessa reunião a semana inteira! – exclamou Seamus.
- O que aconteceu na sua mão, Neville? – perguntou Parvati segurando a mão de Neville.
Luna percebeu o constrangimento de Neville. – Quando todos chegarem eu explico. – respondeu ele.
- Sabem se mais alguém vem? – perguntou Ginny, mais especificamente a Parvati.
- Minha irmã disse que vinha com Michael Corner. – disse ela dando um sorriso de meia boca em direção a Ginny.
Mas antes desses dois chegarem entraram meio afobados os irmãos Creevey.
- Eu nem acredito que estamos aqui de novo! – comentou um deles. – Desculpem o atraso! – disse o outro.
Então entraram Padma Patil e Michael Corner. Logo depois vieram Hannah Abbot e Ernie Macmillan.
- Sabem se vem mais alguém? – perguntou Neville a todos e eles balançaram a cabeça negando.
- Conversei com Susan Bones, mas ela não vem. Ela está com medo porque sua tia trabalha no Ministério, e sabe que se for pega aqui podem fazer alguma coisa com ela. Justin não voltou pra Hogwarts, então não tem mais ninguém da Lufa-Lufa. – disse Hannah tristemente.
- Você sabe alguma coisa dele, Hannah? – Perguntou Parvati.
- Não, não temos nenhuma notícia. Não sabemos se ele está em Azkaban ou se conseguiu fugir. – respondeu ela com lágrimas nos olhos.
- E da Corvinal? – perguntou Luna a Padma.
- Terry Boot e o Anthony Goldstein não comentaram nada. Eles andam bem fechados. – comentou ela.
- Mas quem foi que chamou a AD? – perguntou Michael Corner.
- Fomos nós três, eu, Ginny e Luna. – respondeu Neville. – Vamos começar a reunião?
Todos balançaram a cabeça animados. – Luna, por favor. – pediu Ginny.
- Pessoal, antes de começarmos qualquer coisa precisamos de precauções. O pergaminho que Hermione fez não vale mais, então fizemos outro. – Luna tirou o pergaminho da mochila, uma pena e nanquim.
- Precisamos mesmo disso? – perguntou Ernie. – Somos todos amigos aqui.
- Acredito que sim, é só por segurança. – respondeu Ginny.
Todos assinaram. Então Luna levantou e ergueu a varinha. – Além disso farei o feitiço da língua presa, esse é mais necessário, até para a proteção de vocês.
Alguns deles se entreolharam receosos. – Estamos prontos, Luna. – encorajou Ginny.
- Prehendere lingua! – soltou Luna.
Um jato de ar frio saiu da ponta da varinha de Luna e atingiu os membros da AD. Todos colocaram a mão no pescoço sentindo suas línguas se enrolarem. Por um tempo ficaram parados tentando recuperar a fala. Depois de minutos conseguiram voltar a falar.
- Depois você pode fazer em mim também, Ginny? – pediu Luna, e Ginny confirmou.
