Na manhã seguinte, quando acordei, não me lembrava do que havia feito à noite passada devido aos litros - exagerei - de bebida que eu tinha tomado. Eu olhei para o teto e percebi que não estava no quarto de hóspedes da minha prima, e aquela não era a cama na qual eu estava acostumada a dormir. Remexi-me um pouco e virei a cabeça para o lado, e qual não foi minha surpresa ao ver quem estava deitado lá, era Sasuke.
Certo, devo admitir que a primeira coisa que eu pensei pode ser considerada, hum, "inapropriada", então algumas imagens da noite anterior voltaram a minha mente, o pessoal todo reunido; eu no carro do Sasuke; a minha incompetência de não ter cópias das chaves; dormir na casa dele; o medo da tempestade. Só assim pra me convencer que não havia feito nenhuma besteira. Pelo menos não uma TÃO grande.
Claro que é uma grande merda dormir na cama de um cara que você acabou de conhecer quando se esta a pouco tempo de se casar, mas eu não estava pensando nisso agora. Na verdade, não estava pensando em nada.
Quase que automaticamente meus olhos se concentraram no homem que estava dormindo ao meu lado, parecia tão calmo, nem dava pra imaginar que era tão frio quando acordado, sinceramente, não parecia a mesma pessoa. Eu estava hipnotizada olhando pra ele, e só uma coisa me vinha à cabeça. Lindo, sim, era isso que ele era, chegava a ser quase impossível ser tão bonito assim, ele era humano? Se era, era uma raridade.
E quanto mais eu tentava desviar meus pensamentos dele mais eu me pegava presa à aquilo tudo, aquele quarto, a ele. Eu me sentia incrivelmente bem, como se não tivesse nenhum problema pra resolver, nenhuma preocupação. Ele causava isso em mim, eu me sentia confortável e segura na presença dele, diferente de como me sentia com Sai, não era assim, não era tão intenso, tão bom.
Difícil de acreditar e realmente preocupante era eu ter me dado conta do que era aquilo tudo que eu sentia em relação ao Sasuke. Kami-sama! Á menos de um mês do meu casamento, e eu me encontrava apaixonada por um homem que NÃO era o meu noivo. Isso era desastroso.
Decidi então aproveitar que ele ainda dormia e continuar admirando-o, e sem perceber minha mão ia em direção aos seus cabelos, negros como a noite, eu estava prestes a tocá-los. Quando pude de fato enroscar meus dedos em uma pequena parte daqueles fios, sabia que estava fazendo merda, sabia que eu não conseguiria mais tirá-los dali, não por vontade própria. Era uma sensação incrível tocar nele, diferente de qualquer coisa que já senti antes. Eu estava tão entretida em mexer carinhosamente nos cabelos dele, que não reparei quando ele acordou e lentamente se virou pra me encarar.
Senti minhas bochechas queimarem e afastei minhas mãos rápido, na esperança de que ele não percebe-se, engano meu, ele já havia visto o que eu tinha feito.
Ele permaneceu um tempo olhando pra mim, enquanto eu evitava seus olhos de todas as maneiras possíveis, não conseguia encará-lo, não depois de ter sido flagrada dessa maneira, e depois, eu tinha certeza de que me perderia naquela imensidão escura e hipnotizante que era o olhar dele. Sem perder tempo eu resolvi que o melhor a fazer seria levantar-me e fingir que nada havia acontecido, e foi isso que eu fiz. Eu sabia que ele continuava a me olhar intensamente. E sem dizer nada – que má educação – eu saí pela porta em direção a qualquer lugar, não sabia pra onde ir.
Encontrei a porta do quarto em que eu havia dormido ao menos uma pequena parte da noite anterior e entrei, não demorou muito e uma criada veio me avisar que o café da manhã estava pronto, queria voltar logo pra casa da Ino, mas não iria sem sequer agradecer, e pra isso – poder olhar para o Sasuke novamente – eu precisava de um pouco de tempo.
Ao descer até a cozinha, com a criada me guiando – eu não sabia aonde era né – eu vi que ele estava lá, sentado à mesa me esperando. Droga!
Durante o café eu não o olhei por nenhum momento, não conseguia. O simples pensamento de ser pega novamente por aqueles olhos me fazia corar.
Então eu o vi se levantar e andar na minha direção calmamente, enquanto eu me recriminava por dentro. Aproximou-se mais de mim e...
Sasuke: O que há com você? Não olhou pra mim nem mesmo quando falava contigo. Será que poderia me dizer o porquê disso? – me perguntou com o cenho um pouco franzido.
Sakura: Não há absolutamente nada Sasuke. – falei ainda sem encará-lo – e a propósito, obrigada, por me deixar ficar aqui, mas acho melhor eu ir logo antes que... que Ino fique preocupada – não era exatamente esse o fato que me fazia querer sair de lá.
Sasuke: Hum, esta preocupada com a Ino ou com o que seu noivinho iria pensar? – ele falou com desdém.
Kami-sama! Então ele sabia? Mas como? Ah, claro, Naruto. É obvio. Maldito loiro tagarela.
Sakura: Não tem nada a ver com meu noivo, é só com a Ino.
Tudo bem, eu sabia que isso era uma meia verdade. Afinal, eu não estava nem um pouco preocupada com o Sai, mas também não com a Ino, apenas queria ir embora antes que cometesse mais algum deslize.
Sasuke: Certo. – ele fez uma pausa e baixou os olhos um pouco – e... o que foi aquilo hoje mais cedo? Quando estávamos "dormindo"? – ele arqueou uma das sobrancelhas.
Maldito, porque tinha de tocar nesse assunto. Ótimo, agora eu estava corada da cabeça aos pés.
Sakura: Não sei do que esta falando. – ok, ok, eu não sei mentir.
Ele se aproximou mais um pouco e eu me levantei da cadeira, na intenção de sair dali. Enquanto ele chegava cada vez mais perto.
Sasuke: Tem certeza? Pela sua reação, acho que você sabe exatamente do que estou falando. – e ele sorriu de canto.
Humfp! Como se não bastasse a minha respiração e meus batimentos cardíacos que podiam ser ouvidos lá da minha casa em Tóquio, ele ainda dava esse sorriso. Maldição, eu realmente estou ferrada.
Estava pronta pra responder qualquer coisa idiota e nada convincente, quando vi ele se aproximar ainda mais. Agora estávamos a poucos centímetros um do outro, eu podia sentir a respiração dele se misturando com a minha, já sabia o que viria a seguir.
Se eu realmente estivesse preocupada com as demais coisas da minha vida, com certeza teria afastado ele e dito que não podia fazer isso ou algo assim porque eu iria me casar e amava muito o meu noivo. Mas agora já estava convencida de que não era verdade, eu não estava ligando pra nada, nem por Sai, nem pro casamento, nem pros empregados que podiam passar por ali a qualquer instante. Eu só me concentrava na distância que a boca dele estava da minha, e via que ficava cada vez menor. Eu não faria nada pra impedir o beijo que com certeza estava prestes a acontecer, simplesmente porque eu não queria impedir. Eu queria beijar ele, mas dessa vez seria diferente e não como no supermercado. Dessa vez, nós dois queríamos isso.
E então aconteceu, senti seus lábios nos meus, e foi a melhor coisa que já fiz ou já senti em toda a minha vida, não podia ser comparada a mais nada, era uma sensação única, especial. Nossos lábios, se encaixavam de forma perfeita. Ele pedia "licença" para aprofundar o beijo e eu deixei sem hesitar. Nossas línguas dançavam em perfeita sintonia. Era um beijo calmo e ao mesmo tempo quente, cheio de um 'algo a mais' que eu não sabia dizer o que era.
Estava completamente entregue a ele. Eu era dele e ele poderia fazer o que quisesse comigo. Naquele momento eu não conseguia pensar, minha razão tinha ido para o espaço. Era como se só houvesse nós dois e mais nada. Eu não queria que acabasse, mas como nós somos humanos né, e precisamos dessa porcaria de ar, tivemos que nos separar.
Tanto eu como ele estávamos ofegantes, e não era pra menos depois de um beijo daqueles. Mas isso não vem ao caso, mal eu tinha me recuperado do primeiro beijo e ele já me puxou pra mais um.
Aos poucos, as coisas foram ficando mais quentes, se é que me entendem. E como ainda estávamos na cozinha, o Sasuke foi me empurrando em direção as escadas, que eu realmente não sei como conseguimos subir, pra logo depois seguirmos para o quarto.
Eu sabia que aquilo estava passando dos limites, mas quem disse que eu conseguia parar, minha sanidade e minha razão já haviam me abandonado na cozinha, e agora então, eu só pensava em continuar beijando ele.
Ele empurrou a porta com o meu corpo e quando conseguimos entrar, ele me soltou apenas pra trancá-la e depois voltou a me beijar, me guiando em direção a cama.
Já estava descabelada, com a blusa aberta e a saia erguida até quase na altura do quadril, Sasuke me jogou na cama e tirou a camisa, depois voltou a se deitar sobre mim e continuou me beijando.
Ele deixou minha boca e foi em direção ao meu pescoço e colo, e sem muito esforço conseguia tirar o resto da minha blusa, enquanto ele descia seus beijos em direção aos meus seios e tirava meu sutiã, eu apenas me contorcia e suspirava baixinho, apreciando suas carícias.
Sua boca percorria meu corpo deixando a pele em brasa por onde passava e depois de brincar um pouco com os meus seios, ele foi descendo pela minha barriga, raspando os dentes aos poucos até chegar a barra da minha saia, que já estava meio aberta, e a tirou. Depois tirou as próprias calças, voltou a me beijar e novamente chegou a barra da ultima peça que eu vestia (calcinha), ele a retirou calmamente enquanto me olhava, agora, completamente nua a sua frente.
Suas mãos passearam pelas minhas coxas enquanto ele me descobria com a língua, e eu sentia todo meu corpo se rendendo ao prazer que ele me dava. Percebi que estava em desvantagem, não era justo ele me deixar neste estado sem que eu fizesse nada por ele.
Então, com um pouco de esforço inverti as posições, agora EU estava por cima, e ele não sabia o que o aguardava. – eu não era virgem né, afinal pra alguma coisa meu noivo, ou ex, seja lá o que ele for agora, tinha que servir - e tal como ele fez comigo, dei prazer a ele, até ele novamente se colocar sobre mim.
Logo eu o senti dentro de mim. Os movimentos eram lentos de inicio, mas foram aumentando de velocidade conforme os meus gemidos aumentavam. Estavamos num ritmo alucinado, e eu sussurrava o nome entre suspiros e gemidos de prazer.
Não demorou muito para que ambos chegássemos ao clímax, e caíssemos exautos sobre a cama.
Depois de um tempo estávamos lá, deitados, de novo naquela cama, só que dessa vez não estávamos só dormindo, havia acontecido exatamente o que pensei quando acordei de manhã.
O mais estranho é que durante tudo o que aconteceu nenhum de nós disse nada, ao menos nada que valha a pena repetir. Não precisávamos de palavras, os gestos falavam por mim e por ele. Parecia haver uma ligação entre nós dois, era algo incrível, e que só acontecia enquanto eu estava com o Sasuke.
Depois de tudo o que aconteceu na casa dele, eu resolvi ir embora, me despedi dele e o motorista dele – eu acho – me trouxe ao apartamento da minha prima. Agora eu precisava pensar a respeito do que faria, eu estava apaixonada pelo Sasuke e havia traído o meu noivo Sai. Isso era muito problemático.
Eu mal abri a porta do apartamente e dei de cara com uma Ino furiosa me encarando mortalmente, eu sabia que agora teria de responder um interrogatório ao estilo daqueles filmes de ação. Que Droga!
Ino: Haruno Sakura, onde foi que a senhorita passou a noite? – ela estava **** da cara comigo.
Sakura: Ino, me poupe, eu estou cansada e preciso pensar ok? Resolver a burrada que eu fiz é minha prioridade. - eu já tinha problemas suficientes, não precisava dos chiliques da Ino.
Ino: Não sem antes dizer onde você dormiu, com quem e que burrada é essa da qual você esta falando. – ela me fuzilava com os olhos enquanto falava, podia sentir a raiva em cada letra que ela pronunciava, detestava quando ela agia assim, como se fosse minha mãe.
Sakura: Antes que você acabe com o restante da minha paciência eu vou responder, não vai dar pra esconder mesmo. Eu passei a noite na casa do Sasuke, com o Sasuke, e a burrada que eu fiz foi trair o meu noivo com ele faltando pouquíssimo tempo para o meu casamento. Satisfeita! – eu respondi de forma seca. Estava irritada e minha cabeça parecia que ia explodir, acho que era ressaca.
Vi o rosto dela ficar extremamente pálido, tinha certeza de que ela esperava qualquer coisa menos isso.
Ino: Eu não acredito! – ela disso chocada – quem é você e o que fez com a Sakura? O que aconteceu com a garota que dizia aos quatro ventos que amava desesperada o noivo? Meu Deus! É impossível acreditar que você tenha traído o Sai. Isso é ... simplesmente demais! – ela exclamou toda animadinha.
Certo, agora ela pirou de vez, eu acabo de ferrar com a minha vida e ela diz que é isso é "simplesmente demais", o que diabos ela esta pensando? Ah! Melhor eu ir pro meu quarto antes que a loucura dela me contagie.
Estava trancada a mais de uma hora e sem saber o que fazer. E agora? Eu simplesmente ligava para o Sai e contava que não podia mais me casar com ele porque dormi com um cara que eu conheci tem menos de uma semana? Droga! Agora sim eu estava perdida.
