No laboratório, já eram dez da manhã e Grissom ainda estava lá. Trabalhou a maior parte do tempo no seu caso, mas de vez em quando se pegava pensando em Sara e na suspeita dele sobre a cegueira. Resolveu então ir falar com Nick.
"O carro já chegou" falou ele entrando na sala de evidências e encontrando Nick e Greg. "Fui informado quando estava vindo procurar você".
"ah sim, eu vou lá então" respondeu Nick.
"Tudo certo com o caso?"
"Sim. Já fiz uma lista dos locais que usam tal material e vou verificar, assim que terminar o carro".
"Certo. Onde está Sara?"
"Ainda em casa, imagino".
Grissom ficou calado.
"quer que eu ligue para ela?" Perguntou Nick.
O chefe saiu da sala sem nem olhar para o lado. Greg e Nick se entreolharam estranhando, mas ambos deram de ombros. Muitas vezes Grissom agia assim, então não adiantava discutir.
Grissom foi até sua sala, e tentou ligar para a jovem. Sara ouvia o telefone tocar, mas não se mexia A última coisa que ela queria era conversar com alguém. Grissom desligou o telefone bastante alterado.
Catherine deu uma leve batida na porta, mas nem esperou pela resposta e disse:
"Posso entrar?" Perguntou Catherine.
"custava esperar eu dizer: entre" pensou grissom encarando-a.
"O que você quer?" Perguntou ele se controlando.
"Só vim avisar que o caso no qual warrick e eu estávamos trabalhando já terminou".
"Já?! "Questionou ele.
"Sim. Foi overdose, e já encontramos o viciado que fez isso... Foi moleza".
"Bom! Então você pode nos ajudar com o nosso caso".
"esta bem. Se você quiser".
"sim, eu quero!" Respondeu ele. Assim eu vou poder cuidar de outra coisa...
Quando Catherine saiu da sala, grissom foi pegar seu carro e se dirigiu até o apartamento de Sara. O porteiro o cumprimentou com sorriso e perguntou como ele estava. (Desde que Grissom e Sara estavam juntos, ele a visitava com mais freqüência, e acabou fazendo amizade com o porteiro). Grissom disse que estaria bem, assim que visse a moça. O porteiro riu.
Depois de bater três vezes na porta, ele resolveu chamar por ela. Sara já tinha ouvido, mas estava deitada na cama, bastante confortável e não queria sair daquela posição. Vendo que ele não desistia, ela se levantou, respirou bem fundo e foi tateando até a porta.
"Precisava fazer esse escândalo? Eu estava ocupada" questionou ela.
"Desculpe. Posso entrar?" perguntou ele.
"Ok. O que você quer?"
"Vi que você foi embora... Nem pude lhe falar".
Ela foi até a poltrona mais próxima da porta e sentou.
"Falei com Nick. Ele disse que as coisas estão caminhando no caso" falou grissom indo até o sofá.
"Ah sim. Chegamos a algumas conclusões. (os dois ficaram em silêncio) Mas e quanto ao seu?"
"indo. Catherine vai ajudar, agora que terminou o que estava trabalhando".
"legal".
"Sara, eu preciso saber por que você está fugindo de mim" (sara virou o rosto para o lado oposto ao qual a voz dele parecia vir) "Porque faz cinco dias que não conseguimos nos falar direito, nem mesmo depois do trabalho".
"Eu só estou cansada."
"Não. Você está brava! A menos que você me diga o que é, eu não vou poder fazer nada a respeito".
"Eu não queria ter de falar". Pensou ela.
"Fiquei bastante chateada quando fomos jantar e eu te mostrei sinais de desejo, mas adivinha? Você não percebeu. Nunca percebe".
Fez-se um silêncio.
"Eu não deveria me chatear, mas aconteceu. Eu precisava de um tempo para digerir tudo". continuou Sara.
"Eu te amo, Sara. Eu não quis em nenhum momento te magoar".
"eu sei que não. São apenas expectativas minhas em relação a você, que não se cumprem".
"Você devia ter me dito..."
"Eu sei isso também. Estou chateada comigo também, por não ter tido forças para te dizer com palavras. Vocês homens não percebem os sinais e nós mulheres, ou alguma delas, não conseguem dizer o que realmente queremos".
"Mas isso não quer dizer que eu não te deseje, ou não te ame!"
Sara sabia que era verdade, mas isso naquela nova situação dificultava ainda mais as coisas.
Grissom ficou olhando para ela e notou durante a conversa, que sara poucas vezes olhava para os olhos deles. Ele passou a mão na frente do rosto dela e sara não se mexeu.
"Sara, aconteceu não foi?" Perguntou ele mudando completamente de assunto.
"o que?"
"você não está enxergando".
Sara levantou da poltrona e deu alguns passos em torno dela.
"Foi o nitreto de chumbo que fez isso" falou grissom convicto.
"Sim, mas não quero falar disso".
"Não pode fingir que isso não te afeta".
"Desculpe, mas você é a última pessoa que pode me dizer isso! Olhe Gris, não quero que se preocupe".
"nós vamos resolver isso!" Exclamou ele.
"você sabe muito bem que não tem solução. Eu não vou voltar a enxergar"
"Então teremos que aprender a viver dessa nova forma".
"Nós? Não. Eu terei".
"como assim?" Questionou ele. "Sara, o que está dizendo?!"
"Fiquei pensando o dia inteiro nisso, e acho que é melhor não ficarmos juntos." falou ela se dirigindo até a porta; estava triste por ter que dizer isso a ele, mas não tinha outro jeito.
Grissom ficou imóvel. Não estava acreditando no que escutara.
"Vai ser melhor assim" continuou ela. "Para nós dois".
"Eu... Não..."
Grissom estava um pouco chocado. Aquilo tudo o pegara de surpresa e não tinha argumentos para discutir, não naquela hora. Ela olhou para o chão e pediu novamente que ele fosse embora. Grissom demorou um pouco, mas fez o que ela pediu.
Quando Sara fechou a porta, todo o esforço que fizera para controlar as emoções ao longo do dia foi por água abaixo. Ela escorregou pela porta, ate sentar no chão e chorou: um choro doloroso. Seu coração doía de forma inexplicável.
"Eu te amo grissom, mas não posso fazer isso com você. Não é justo!" Disse ela soluçando. "Nada disso é justo!"
TBC
