Grissom continuava parado na porta. Sentia que Sara não estava bem, mas não sabia o que fazer: "Talvez ela precise de um tempo para pensar... ela vai mudar de idéia logo. Ela precisava mudar de idéia!" Pensou ele. Sabendo que não podia encarar o pessoal do laboratório, grissom foi para casa.

Abriu a porta, colocou a chave do carro no criado-mudo, acendeu umas das luminárias e sentou no sofá (ou melhor, se jogou nele). A frase "vai ser melhor assim" ficava latejando sem parar em sua mente.

"Porque ela disse isso?!" Perguntou-se ele.

A noite passou e grissom continuou lá: acordado, pensando. Queria poder ajudá-la, mas ela não queria ajuda. Então o que ele podia fazer?

Em casa, Sara continuou a chorar, até que o sono a venceu. Adormeceu de roupa e tudo, sobre sua cama. Acordou no dia seguinte e como de costume, olhou para o relógio. Foi uma decepção muito grande quando não achou o relógio. No fundo, tinha esperanças que tudo aquilo tivesse sido apenas um pesadelo.

Ela se levantou com calma e, tateando a parede e os móveis, chegou ao banheiro. Em casa, iria se virar bem sozinha, pois sabia exatamente onde ficavam as coisas. Não poderia cozinhar para si, a menos que contratasse uma empregada, mas decidiu que pediria as coisas por telefone mesmo. (próximo do seu apartamento tinha um supermercado com serviço de delivery, assim como duas lanchonetes. Iria se virar numa boa). Mas tinha duas coisas que nunca mais ela poderia fazer - coisas que amava de paixão e que eram o motivo por estar bastante revoltada com a situação - não poderia trabalhar e nem olhar nos lindos olhos azuis de Grissom.

Depois de ficar pensando tanto, Grissom finalmente percebeu por que a jovem estava agindo daquela forma: não queria depender de ninguém, por isso optara pelo distanciamento. Ela não agüentaria tal situação.

"Eu faria exatamente a mesma coisa" disse ele convicto. "Droga Sara, por que você tinha que ser orgulhosa como eu?".

Enquanto ele arrumava a escrivaninha, para se ocupar, o telefone tocou. Era Catherine, querendo saber como estavam às coisas e, conseqüentemente, porque ele não voltara no dia anterior para o laboratório. Quando a moça perguntou o motivo, Grissom ficou mudo.

"Ainda está aí?" Perguntou a companheira, estranhando o silêncio.

"Sim".

"O que aconteceu?"

"Nada..." respondeu ele.

"Pela sua voz, não parece ser nada" insistiu Catherine.

"Está tudo bem. Onde você está?"

"Em casa. Por quê?"

"Não, nada". (Ele não queria dizer o que realmente estava acontecendo, o que o estava deixando de mãos atadas e de coração partido).

"Hoje você vai ao laboratório não é?" Perguntou ela.

"Vou. Estarei lá na hora".

"certo. Então até mais".

"até".

Grissom desligou e continuou o que estava fazendo. Arrumou uma das estantes de livro e depois foi tomar um banho, antes de ir para o laboratório.

Assim que chegou, encontrou Nick e Greg no corredor.

"Hei chefe!" falou Nick.

"Oi. Todo mundo chegou?"

"Só falta Sara e Warrick".

"Sara não virá hoje. E por isso, tenho que conversar com você, nick".

"Porque ela não vem?" Perguntou Greg.

"O importante é que ela me avisou que não vem" respondeu grissom, de forma bem direta e seca.

Os dois outros csi's se entreolharam estranhando. Grissom foi andando em direção a sua sala e Nick foi andando rápido atrás.

"O que é?" perguntou o csi.

"O que descobriu do carro?"

"Ah, pertencia à própria vitima. Encontrei vestígios de que mais duas pessoas estiveram no carro aquele no dia que ele morreu: uma mulher e um homem. Brass e eu já falamos com a moça, e aparentemente ela o deixou bem vivo às 19h e às 22h, a hora em que o cara morreu, ela estava jantando com a mãe em um restaurante".

"E quanto ao homem?"

"Estou tentando descobrir quem é" falou Nick, um pouco decepcionado.

"Seja quem for que o matou, o fez por vingança... No que a vítima trabalhava?"

"Bom, ele era dono de uma fábrica de armamentos. Peguei a lista de clientes e já chequei mais da metade deles. Mas o fio de cabelo ainda não encontrou seu dono".

Nick achou engraçado da brincadeira e deu uma risadinha. Grissom olhou para ele com a sobrancelha levantada, como se não tivesse aprovado a risada.

"Verifique os concorrentes também" falou o chefe. "Pode ser alguém insatisfeito".

"Está certo".

"Me dê a lista destes clientes, que eu vou verificar o resto".

"Você?! "Exclamou Nick, surpreso.

"Foi o que eu disse, não?!"

O chefe percebeu a cara de interrogação e logo esclareceu:

"Interessei-me pelo caso. E já que Sara não vai mais trabalhar nele, pensei em ajudá-lo".

"E porque ela não vai?"

"isso é entre mim e minha subordinada!".

Nick não muito satisfeito com a resposta, mas preferiu não comentar nada "o que será que aconteceu?!" pensou. Ele foi cuidar da tal lista de concorrentes e Grissom foi verificar a lista de cliente, vendo se assim, conseguia esquecer um pouco do que Sara havia lhe falado.

Catherine, Warrick, Greg e Sofia corriam para tentar resolver o caso em que trabalhavam. Parecia que quanto mais investigavam, pior a coisa ficava. Os depoimentos divergiam em alguns pontos e parecia que a cada nova descoberta aumentava o número de suspeitos. Quem diria que seria tão difícil resolver!

Certa hora Catherine estava passando pela recepção, e viu grissom se "jogando" na cadeira, dentro de sua sala. Ele não estava com uma cara boa - parecia cansado e, o conhecendo bem, algo o estava deixando preocupado. Foi então até a sala dele e bateu na porta.

"Posso entrar?" Perguntou ela.

"Sim". Respondeu ele.

Assim que entrou, fechou a porta e sentou a frente dele.

"O que quer?" Perguntou ele.

"Saber o que esta acontecendo com você".

"Do que esta falando?"

"Acha mesmo que eu não percebi que alguma coisa aconteceu? Você não volta para trabalhar ontem, fica mudo por muito tempo no telefone, parecia estar com a cabeça no mundo da lua hoje, e ainda se joga na cadeira. Quer mais motivos?"

"Não é nada" respondeu grissom olhando para os papéis em sua mesa.

"Vamos lá Gris, eu sei que você está escondendo alguma coisa. E pela sua cara agora, parece estar precisando falar".

Grissom pensou duas vezes, mas como a moça mesmo disse, precisava falar.

"Apenas não sei o que fazer sobre uma determinada situação, mas eu vou descobrir".

"E vai me dizer que situação é?"

"Uma pessoa que eu gosto está com problema, e pediu que eu me afastasse..."

"Estamos falando de Sara, não é?"

"Porque acha que é ela?"

"Bom, que eu saiba, é uma das poucas pessoas que sabem te deixar desconsertado".

Catherine sorriu, mas ele não fez o mesmo, apenas continuou olhando para a mesa. Foi ai que ela percebeu que a coisa era mais séria do que pensava.

"Ela pediu demissão?" Perguntou a companheira.

"Não".

"Então o que foi? Pior que pedir demissão, seria ela pedir para você se afastar dela, agora que vocês está mostrando sinais de que gosta dela..."

"Pois é!" respondeu ele. (Catherine ficou boquiaberta)

"Porque ela faria isso?!"

"Porque a vida dela, a partir de agora, vai ser totalmente diferente... Ela está cega." falou ele, finalmente.

"Meu Deus! E vocês já conversaram sobre isso?"

"Fui ver o que estava acontecendo e ela disse que era melhor eu me afastar dela... E não consegui fazer nada".

"Não argumentou com ela?! "

"Não. Fiquei completamente sem ação".

"Sei, mas e agora... Depois de pensar sobre isso... Há que conclusões chegou?"

"Ela está com o orgulho ferido. E se eu insistir pode ser pior".

Catherine ficou pasma. Mais uma vez ficara evidente que Grissom não sabia como lidar de situações envolvendo sentimentos.

"Olha Gris, essa situação é muito fácil de ser resolvida: se você a ama mesmo, vai tentará ajudá-la, mesmo que ela relute. Se não, vai simplesmente deixá-la".

Grissom olhava atônito para Catherine, que falava com vigor.

"Quem ama de verdade, não mede esforços para ver o outro bem". Completou a moça. "Acredite, ela pode relutar, mas se você fizer com amor, ela vai agradecer. Pense nisso!"

A moça então se levantou e, tendo dito o que pensava sobre o assunto, saiu da sala. Grissom continuava imóvel, com os olhos arregalados. A resposta estava o tempo todo dentro dele, e teve que vir alguém de fora, dar um tapa na cara (coisa que Catherine sabia fazer muito bem) para ele acordar.

"se eu não consegui viver sem ela antes, agora vai ser praticamente impossível" pensou ele.

Guardou os papéis do caso e foi embora. Mas não para sua casa, e sim, atrás de Sara.

A jovem havia acabado de se vestir, depois de um banho relaxante, quando a campainha tocou. Ela tirou a toalha do cabelo, colocou atrás da porta do banheiro e foi atender. Deu uma penteada no cabelo com os dedos mesmo e perguntou quem era.

"sou eu".

"porque você voltou?!" pensou ela antes de abrir a porta.

Grissom adentrou na casa e ficou em silêncio.

Sara sentiu um ventinho, o que indicou que grissom havia passado por ela. Ela fechou a porta, abaixou a cabeça e perguntou o que ele viera fazer ali.

"Não vou deixar você fazer isso!" Respondeu Grissom.

"Isso o que?"

"Desistir da vida... Da sua vida comigo".

"grissom, nós já falamos sobre isso".

"você falou".

"Não vai dar certo desta forma" insistiu ela.

Ele não acreditou em nenhuma daquelas palavras, e mostrando que estava decidido a não deixá-la destruir a própria vida, e levar a sua junto, ele simplesmente a beijou. Lágrimas escorriam pelo olho de sara, enquanto ele a beijava.

"Eu não posso... Fazer isso" disse ela tentando resistir, mas Grissom não deu ouvido "Pare!" Disse ela finalmente o empurrando. "Você não deveria ter vindo".

"Sara, você deixou de me amar?"

A jovem ficou muda.

"Pois é, foi o que eu pensei." falou grissom

TBC