"Eu sei que a situação é ruim e que você queira se afastar, mas eu não posso aceitar. Demorei muito tempo para ficar com você. Eu te amo, e não vou deixar você escapar! Não importando o que aconteça!"

Sara sentou na poltrona e se debulhou em lágrimas. Grissom se aproximou, agachou a sua frente e segurou em sua mão. Ela levantou a cabeça, apertando a mão dele, e depois de enxugar as lágrimas, com a outra mão, disse:

"Você não sabe como é não poder fazer as coisas que você mais ama no mundo... (Grissom acariciou o rosto da jovem, sem dizer nada). Eu não deixei de te amar, Gris, é claro que não, apenas pensei que assim seria mais fácil. Porque virar um fardo na sua vida?!"

"Nem pense isso!"

"Por mais que você negue, ficar com alguém no meu estado, não é fácil" continuou ela.

"Eu sei. Mas vamos fazer dar certo".

Ele sorriu para ela e lagrimas voltaram a escorrer pelo rosto dela. Grissom a levantou da poltrona e puxou para si, abraçando-a.

"Não me peça para abandonar a mulher da minha vida." sussurrou ele.

Sara sorriu. Os dois sentaram juntos no sofá e Sara foi lentamente se acalmando. Acabou por adormecer recostada sobre ele. (ela não tivera uma noite agradável, dormia-acordava, sem parar) Grissom sorriu, admirando-a.

"Meu amor... Eu não seria nada sem você" confessou ele baixinho.

Depois de um tempo, acabou por adormecer também.

No dia seguinte, Grissom a acordou com um carinho sobre seus cabelos.

"Bom dia" disse ele.

"Bom dia" disse ela contente.

Infelizmente a alegria durou poucos segundos quando ela virou o rosto para ele e não viu nada. Sara abaixou a cabeça decepcionada e se afastou um pouco.

"Você está bem?" Perguntou Grissom

"Sim. Estou bem"

"Sara" insistiu ele, sabendo que algo esta errado. "O que foi, amor?"

"Sinto muito. Vou ter que me acostumar, com o tempo, a acordar e não ver o seu rosto, ou seu corpo, nunca mais".

Ela se levantou e foi até o banheiro. Grissom ficou triste por vê-la daquele jeito, entendia que era algo extremamente difícil para qualquer um. Ele morreria por dentro, se lhe acontecesse o mesmo.

Enquanto ela estava no banho, Grissom preparou o café da manhã. Quando ela voltou a sala, sentiu um cheiro de café no ar.

"O que esta fazendo?" Perguntou ela.

"Café da manhã. Achei que você ia querer".

"Grissom, antes que aconteça algo que me chateie, acho que é melhor eu deixar claro uma coisa: Não quero ser tratada como alguém que não sabe fazer nada sozinha".

"Eu jamais te trataria assim!"

"Bom" respondeu a moça. Ela sentou no banco que havia próximo ao balcão, e grissom colocou a sua frente umas torradas com manteiga.

"Bom apetite".

Sara sorriu e saboreou a torrada. Grissom preparou algumas para ele e sentou do lado esquerdo dela.

"Você sabe que tem um jeito de fazer você enxergar novamente" disse ele quebrando o silêncio. "Tenho certeza que se falássemos com um profissional sobre isso, ele nos daria algumas respostas..."

Sara fechou a cara.

"Algumas respostas". repetiu ela ironicamente "Claro que ele vai dar: nada que a gente já não saiba!"

"Você não sabe disso!" falou ele. "Além do mais, você poderia perguntar mais sobre o que realmente aconteceu, e se tem algum tratamento que devolva nem que seja um pouco da visão".

"Não preciso de um oftalmologista para explicar o que aconteceu, eu tenho você para fazer isso!"

Grissom arregalou os olhos, espantado. Sabia que Sara tinha um grande temperamento, e se alterava de vez em quando, mas ela nunca tinha falado daquela forma com ele: tão rude.

"Desculpe" disse ela depois de um tempo. "Eu não queria te tratar assim..."

"ok"

"Eu só... Eu não estou pronta para isso, Gris" se explicou.

"Esta bem" disse ele, passando o braço pelo ombro dela.

"Sei que você falou com boa intenção, mas... Perdoe-me".

"Vou tentar ser paciente, se você prometer ficar calma".

"Parece justo".

Ele a beijou a testa e terminou de tomar seu café.

No laboratório, Nick estava fazendo progressos: descobrira três firmas que trabalhavam com armamentos, e depois de dar uma investigada mais a fundo, descobriu que um pedido grande de armas havia sido tanto para a firma da vítima, como para uma outra. No fim, a empresa passou a usar apenas uma das empresas, por causa do preço mais em conta.

No caminho para a firma concorrente, Nick ligou para o celular de Grissom contando o que tinha descoberto.

"Está bem. Estou a caminho" falou grissom.

"Vai aonde?" Perguntou Sara.

"Nick descobriu mais coisas... Tenho que encontrá-lo".

"Está bem".

"Você vai ficar bem?"

"Claro. Pode ir."

Grissom a beijou na testa e foi embora. Encontrou com Brass e Nick na porta da fábrica, quando chegou.

Logo que entraram, perguntaram pelo dono da firma, que os atendeu em seguida. Um homem alto, magro, de uns cinqüenta anos. Grissom explicou que eles estavam lá por causa de um assassinato do dono de uma das fabricas concorrente, e que estavam verificando se alguém teria maiores motivos para matá-lo.

"Uma pena que ele tenha morrido " falou o dono. "Mas acredito que ninguém aqui teria motivos para isso".

"Eu sei que você trabalha com um sócio" falou Nick. "Precisaríamos falar com ele".

"Ele não está. Teve que fazer uma entrega fora de Las Vegas".

"Você conhecia a vitima?" Perguntou Brass.

"Somente de nome. Nunca o vi".

"Poderíamos dar uma olhada na sua fábrica?" Perguntou Grissom.

"Está bem. Mas acho que vocês não vão encontrar nada de suspeito".

Os três agradeceram e o dono os levou até os galpões onde eles montavam as armas e munições. No caminho, o homem foi explicando como que funcionavam a fábrica. Nick e Brass estavam ouvindo tudo atentamente. Grissom, por outro lado, logo se distraiu, observando um dos rapazes soldar o metal para fazer as balas.

"Muito obrigado por nos receber" falou Brass, certa hora.

"Sem problemas" respondeu o dono.

"Grissom!" chamou o policial.

"Sim" respondeu o csi se aproximando.

"terminamos".

"está bem"

Os três então foram embora. Nick e Grissom voltaram para o laboratório e Brass para a delegacia.

Em casa, Sara estava cansada de ficar parada - Para quem trabalhava sem parar, ficar sem fazer nada era bastante irritante; pegou os óculos escuros que estava na gaveta do banheiro e foi ao menos até a rua.

"O importante é imaginar onde estou andando" - disse ela para si mesma, quando saiu do apartamento e foi em direção ao elevador.

Depois de chegar ao térreo, tentou visualizar toda a entrada do prédio até à porta. Até ali tudo bem. O porteiro a cumprimentou e perguntou como estava, Sara respondeu que tudo bem. Ele lhe entregou umas correspondências que haviam chegado, e Sara foi até a rua.

Ao pisar na calçada, Sara foi tomada de apreensão. Toda a determinação em sair, se transformou em receio. Como ela ia se concentrar para "ver" por onde andava, com aquele barulho todo? Era gente andando de um lado para o outro, além dos muitos carros que passavam pela avenida na frente do prédio. Tentou dar uns passos, mas logo trombou com alguém.

Sara pediu mil desculpas.

Vendo que não tinha saída, afinal se continuasse andando, iria trombar com mais alguém, além de ser perigoso por causa das entradas de garagem, da rua, etc, a jovem deu meia volta e entrou novamente no prédio. Como não tinha dado muitos passos, ficou fácil refazer o caminho.

"Que rápido, senhorita Sidle" falou o porteiro.

"Apenas fui ver se um amigo estava chegando" respondeu ela de improviso.

"Entendo. O senhor Grissom deve estar voltando a qualquer momento. Ele me disse que viria, quando saiu àquela hora".

"Ah sim. Obrigada".

"Disponha senhorita".

TBC