A idéia de tentar sair um pouco não fui ruim, mas o resultado, por outro lado, foi. Foi então que veio a cabeça dela, a idéia daqueles cachorros-guia. Muitos cegos tinham um cachorro como companheiro. Sara sorriu contente. Talvez pudesse conseguir um, assim Grissom não teria que ficar levanto ela para todos os lugares, o tempo todo. Agora ela só precisava descobrir onde podia obter um.
Ligou para uma das moças que morava no prédio dela, uma das únicas que conversava, e pediu para ela fazer uma pesquisa sobre cachorro-guia, alegou que era para uma amiga e que não tinha Internet em casa para isso. A moça fez com prazer e retornou a ligação tempos depois. Sara ficou extremamente agradecida. Sem poder anotar em lugar nenhum, Sara tentou gravar apenas um dos telefones na cabeça. Em seguida ligou perguntando por informações.
Grissom estava saindo do laboratório, quando Catherine apareceu ao lado dele.
"E aí, como foi!?" Perguntou a companheira.
"Como foi o que?"
"A conversa com Sara, oras".
"Ah, foi bem. Fiz o que você falou".
"E ..."
"Ela aceitou, mas ficou realmente nervosa, quando tentei sugerir a ela um oftalmologista" contou grissom.
"Esta em choque ainda. É normal. Só vá com calma".
"Certo".
"O que você vai dizer para o pessoal do laboratório?"
"Ainda não sei."
"Talvez devêssemos, por enquanto, vamos dizer apenas que ela está fazendo um trabalho sozinha".
"Pode ser. Hum, obrigado Catherine".
Quando ele saiu do laboratório, comprou comida e foi para a casa de Sara.
"Sara?" Chamou ele entrando no apartamento, mesmo sem bater.
"Estou aqui... Já estou indo".
"Eu trouxe algo para a gente..." Grissom foi até o quarto dela, falar sobre a comida, mas não conseguiu completar a frase: ficou sem palavras ao ver Sara somente de toalha.
"O que você dizia?" Perguntou ela gritando.
"trouxe algo para comermos" respondeu ele, com tom de voz normal, não tirando os olhos dela.
"Você deveria ter esperado na sala" disse ela.
"Quis ver onde era o "aqui", que você se referia".
"Sei. Poderia me esperar na sala, por favor, enquanto eu me visto?".
"Claro" respondeu ele.
"Obrigada" Ela virou de costas para a porta e foi procurou por algo no armário. Sara deixava as roupas bem separadas, mas o problema era fazer uma boa combinação de cores - Ainda não tinha pensado num jeito de resolver essa questão.
"Talvez você devesse pegar a blusa ao lado desta" falou grissom. "Vermelho fica mais bonito".
"O que está fazendo aí parado?!" Exclamou ela. "Pedi que me esperasse na sala."
"Eu sei, mas eu quis ficar te olhando".
Mesmo contrariada, Sara achou graça e disse:
"essa vermelha fica melhor então?"
"sim. Linda".
Agora sim, grissom a deixou se trocar em paz, e foi colocar no forno duas tortas que havia comprado para o jantar, uma de queijo e a outra de espinafre.
Sara se juntou a ele na sala, minutos depois. (Esquecera de comprar bebida, então pegou o suco que tinha na geladeira).
"Como foi com Nick?" Perguntou ela.
"Tudo bem".
"Você vai me dar mais detalhes, ou vai me deixar ainda mais no escuro?"
"Certo. Verificamos os outros fabricantes de armas, e chegamos em um que havia perdido uma grande conta, para a empresa da vitima e que poderia querer vingança."
"E vocês falaram com os donos?"
"Um deles sim. O outro não estava" falou grissom.
"Entendo. Nick perguntou por que eu não fui trabalhar esses dias?"
"Sim, mas eu disse que o motivo de você não ir era algo entre chefe e subordinada".
"Sei. E porque você resolveu entrar no caso?"
"Ele ia ficar nessa sozinho".
"Hum. Por um momento achei que tinha virado algo pessoal " falou Sara.
Grissom ficou em silêncio. E depois de pensar por alguns segundos, entendeu o porquê dela ter comentado aquilo, queria que ele mostrasse que se preocupava com ela. Linda!
"no fundo, virou. Mas sabe que não posso demonstrar".
Sara sorriu contente, ele percebeu o sinal!
"Mas precisamos conversar como vai ser a partir de agora, no laboratório..." falou ele tirando as tortas do forno. "Queijo ou espinafre?"
"Espinafre" respondeu ela.
"talvez deva escrever um pedido de licença... Por algum tempo" disse ele.
"Gris, sabe que tem uma opção..."
"Não é uma opção. Não vou te demitir!"
"É o certo a fazer, afinal, uma cega não serve para nada naquele lugar".
"Mas nós vamos tentar achar um jeito de reverter isso".
"Você ainda acha que tem saída, não é?" Disse ela, lamentando. "Porque não aceita que não tem?"
"Enquanto não ouvir de um especialista no assunto, eu não vou aceitar. E você não deveria também".
Para que ele não continuasse insistindo nisso, Sara comentou:
"Já liguei para um local onde se treinam cães-guia. O cara me deu algumas informações e eu disse a ele que retornaria a ligação, dizendo quando posso ir escolher o cão".
"Cão-guia?!" exclamou grissom, deixando o garfo cair sobre o prato.
"Um cachorro treinado para acompanhar cegos"
"Porque?!"
"Porque eu vou precisar dele, Gris".
"Não acredito que fez isso! "
"Qual o problema? Vai ser bom para nós dois, pois você não vai ficar preso a mim o tempo todo e eu vou ter um pouco de liberdade. Eu não estou entendendo porque você não gostou".
"Eu disse que ia te ajudar!"
"Sim, e você vai".
Grissom levantou do sofá, colocou o prato dentro da pia e não disse nada. Depois pegou o prato dela e fez o mesmo. Foi então que ela se tocou do que estava acontecendo:
"Você acha que eu troquei você pelo cachorro, não é? Meu amor, isso é bobagem".
"Porque você comprou o cachorro?"
"Ainda não comprei, mas não quero ficar parada quando você não puder ficar comigo. E quero estar ao seu lado como mulher e não como uma criança indefesa, que não sou".
"Você deveria ter conversado comigo sobre isso".
"O que você faria? Deixaria que eu ficasse cuidando de você o tempo todo? Quereria que eu o privasse de liberdade?... Por favor, Grissom, se ponha no meu lugar".
Grissom estava quieto, pensativo. Mesmo tendo decidido por si, e o excluído completamente dessa decisão, que mudaria a vida dos dois, Sara tinha razão: ele odiaria perder a liberdade.
"Por favor, diga alguma coisa!" Pediu ela, quase implorando.
"Sua independência me assusta" disse ele para si mesmo.
Vendo que ele não ia falar, Sara disse que não teria problema se ele precisasse de um tempo para pensar, ou mesmo perdoá-la, e que ele podia ficar ali ou ir embora. Ela foi para o seu quarto, fechou a porta e deitou na cama, com o braço atrás da cabeça, pensativa.
TBC
