Vendo que ele não ia falar, Sara disse que não teria problema se ele precisasse de um tempo para pensar, ou mesmo perdoá-la, e que ele podia ficar ali ou ir embora. Ela foi para o seu quarto, fechou a porta e deitou na cama, com o braço atrás da cabeça, pensativa.
Grissom não saiu do apartamento. Ele já fez isso uma vez e se arrependeu, não cometeria o mesmo erro duas vezes. Ficou refletindo por mais uns minutos e depois bateu na porta do quarto. Se aproximou da cama, e sentou-se.
"Tão sensível, mas também tão determinada. Você é um mistério, Sara Sidle".
A jovem se ergueu e sentou.
"A única coisa que não é nenhum mistério, é meu amor por você" disse.
"Realmente, nunca foi. Acho impressionante, como você me encosta contra a parede, de vez em quando".
"E isso é ruim?" Perguntou ela.
"Em determinados momentos, sim".
"Mas em outros?"
"Em outros você faz com que eu te ame ainda mais". (sara sorri)
"Sei que deveria ter falado com você antes, mas eu experimentei sair na rua e fiquei com muito medo" – disse ela. (antes que ele tentasse começar uma nova discussão, ela pediu que ele apenas ouvisse) "Foi então que a ficha caiu que sozinha eu não consigo" continuou. "Fui uma boba tentando acreditar nisso! Quero você ao meu lado e confesso que se você não tivesse voltado, depois da nossa primeira discussão, eu teria ficado muito pior".
"bem que Catherine falou que ela ia gostar". Pensou Grissom.
"Mas como te disse, não quero virar fardo para ninguém. Quero poder estar ao seu lado como sua namorada e usufruir de você como companheiro, como alguém que me ama e não faz nada por pena. Viver ao lado de alguém por pena, não é justo com nenhuma das partes. E por isso, o cachorro pode ser uma solução..."
"Eu apenas fico triste de te ver nessa situação" falou grissom.
"Jamais vou te trocar por ninguém. Muito menos por um cachorro".
"Certo. Eu tenho uma idéia. Se você for ao oftalmologista comigo, aí nós compramos o cachorro".
"Grissom, isso é chantagem!" Exclamou ela.
"Combinado?" Insistiu ele. (Ela riu.)
"Já que essa esta sendo a hora da verdade... Quer saber mesmo porque eu não queria ir no oftalmologista?"
"Sim".
"Porque eu não quero criar esperanças e depois me decepcionar".
"Não vou negar que há chance disso acontecer. Mas como vai saber se tem cura, se não for?"
"Você tem razão. Não vou saber".
"Então! Vamos juntos nessa consulta, vamos ouvir o que ele tem a dizer. E eu não estou te tratando como uma criança indefesa!" – enfatizou. "Poderia tratar qualquer um assim, menos você".
"Está bem. Você me convenceu!"
Grissom a beijou carinhosamente.
Os dois ficaram se beijando por muito tempo.
Ele a deitou na cama, mas Sara percebendo onde ele queria chegar, o impediu de seguir em frente.
"Não quero, não agora".
"Está bem" disse ele tirando as mãos de cima dela.
Ela procurou pelos lábios dele e o beijou rápido.
"Uma coisa de cada vez, está bem?" Pediu ela.
"Como quiser, meu amor".
Os dois sentaram mais confortavelmente na cama, abraçados.
"Sobre o trabalho... "retomou Grissom. "Enquanto o especialista não disser que a sua cegueira é definitiva, eu não vou te demitir, ouviu".
"Sim senhor" disse ela tirando pêlo da cara dele. (naquela situação ele não precisava dar uma de chefe).
"Mas ainda preciso explicar para aos outros, sobre o seu afastamento".
"Você acha que devemos dizer a verdade, não é?" Questionou ela.
"Somente se você estiver pronta para isso" Falou ele passando a mão sobre o cabelo dela.
"Tudo bem. Nós falaremos com eles, amanhã".
Sara se ajeitou com a cabeça no travesseiro e grissom disse que ia tomar um banho rápido e logo se juntaria a ela.
A jovem foi a primeira a acordar naquele dia. Levantou e tentando não fazer nenhum barulho, foi até a cozinha. Foi até a pia, abriu o armário que ficava logo em cima dela, e pegou um copo de vidro. Depois, abriu a geladeira e a primeira garrafa que estava na porta, e despejou um pouco do leite no copo. (era uma vantagem viver sozinha, pois você colocava as coisas num lugar e eles ficavam lá.).
Quando grissom se juntou a ela, Sara estava próxima à janela, sentindo o calor do sol sobre seu rosto. Era o jeito mais fácil de saber se estava sol ou não.
"Acordou cedo" disse ele.
Ela fez o mesmo percurso de antes, para pegar um copo de leite para ele. Quando ela abriu a geladeira, grissom a interceptou:
"Pode deixar que eu faço isso".
"Não tem problema Gris, isso eu consigo fazer." disse ela, numa boa, pegando a garrafa e soltando o braço da mão dele. "Se quiser pão, tem na geladeira, na terceira prateleira de cima para baixo" disse ela entregando o copo.
"Está bem. Você quer também?"
"talvez depois".
A jovem comentou que gostaria de acompanhá-lo até o laboratório naquele dia e Grissom achou bastante estranho o pedido, pois achava que Sara não estava pronta para encarar aquele lugar, não ainda.
"Quando você vai?" Perguntou ela.
"Agora de manhã. Assim à tarde podemos ir ao especialista".
"Está bem então. Eu vou tomar um banho e nós vamos".
"Tem certeza que quer fazer isso?" Perguntou ele
"Não dá para ficar fingindo, não mais" disse ela.
Enquanto ele lavava a louça e guardava os pratos, Sara se aprontou.
Eles então saíram do apartamento e foram até a garagem, onde grissom tinha deixado o seu carro. Sara não tinha carro, então ele poderia aproveitar a vaga. O elevador só ia até o térreo, então eles tiveram que descer de escada até a garagem.
"Cuidado com o degrau" disse ele.
"Obrigada".
Ela foi então descendo um por um, devagar, não quer cair – seria um vexame. Grissom pegou no braço dela, ao chegarem no final e a direcionou até o carro. (ele a segurava de forma muito carinhosa). Ao chegar no carro, o destravou e abriu a porta para Sara. Depois que ele entrou os dois foram até o laboratório.
Durante o percurso, os dois ficaram em silêncio. Grissom vire e mexe a olhava, para ver se estava tudo bem. Certa hora percebeu que Sara estava ficando impaciente com aquela situação, pois sua mão não parava quieta, ele soltou uma das mãos do volante e segurou a dela, para acalmá-la.
"Estamos chegando" disse ele. (sara virou o rosto e sorriu)
Assim que chegaram, os dois desceram e foram até o elevador.
"Todo mundo vai estar aí?"
"Provavelmente. Os casos em que estamos trabalhando estão demandando bastante tempo".
A porta do elevador se abriu e os dois entraram. Quando chegaram na recepção, Catherine foi a primeira a aparecer na frente deles.
"Oi Sara. Como está?"
"Bem, obrigada".
"Você não precisava vir até aqui..." disse a jovem.
Grissom fez sinal de quem não havia contado que Catherine sabia do assunto.
"Vejo que já sabe "falou Sara. (Catherine ficou desconcertada)
"Sinto Muito" disse a companheira.
"Tudo bem Cath" respondeu Sara. "Como você está?"
"Bem também. Lindsey está mais calma essa semana... Semana passada estava me deixando louca".
"Nós vemos daqui a pouco" falou grissom.
"certo. Fui bom te ver".
"Foi bom ouvir sua voz" falou Sara.
"ela não parecia brava. Que bom!" disse Catherine baixinho.
"Para onde está me levando?" Perguntou Sara, sentindo que Grissom a puxava.
"Para minha sala".
"Você não tem que encontrar com o resto do pessoal?"
"Sim".
"Então é melhor você ir encontrá-los" falou Sara. "Eu vou com você, até a sala de descanso, você conversa com eles e eu fico sentada".
Grissom concordou e os dois foram até a tal sala. Nick e Greg conversavam sem parar quando os dois entraram.
"Hei guys" disse ela assim que grissom parou.
"Hei Sara. Que bom que veio" falou greg.
"Obrigada... Greg".
O rapaz estranhou que sara demorou um pouco para falar o nome dele. Ele e Nick também estranharam quando o chefe puxou uma cadeira para ela.
Desconversando, o chefe perguntou onde estava Catherine e Warrick. Não precisou que nenhum deles respondesse, pois naquele instante, os dois adentraram na sala.
"Porque Sofia não está aqui?" Perguntou grissom.
"Eu não tinha pensado nela... Droga, nunca mais vou saber se ela está, ou não, dando em cima do grissom. Ou se ele está prestando atenção nisso" pensou a moça.
Sofia e ela tinham essa pequena desavença. Grissom já havia dado atenção demais a Sofia e mesmo ele tendo escolhido Sara, agora seria ainda mais para a outra tirar vantagem da situação.
"Ela teve que atender uma ligação, mas já vem" respondeu Warrick..
"Certo. Vamos começar sem ela, então. O que temos até agora?"
"Finalmente conseguimos reduzir os suspeitos, depois de altos interrogatórios" falou Catherine. "Ficamos com quatro suspeitos: o namorado, que parecia estar somente atrás do dinheiro, segundo comentários da família; um cara que trabalhava com ela e que tinha uma queda por ela, e que ficou muito mal depois que ela o trocou por outro; um empregado insatisfeito..."
"Ele trabalhava onde?" Perguntou Grissom.
"Na casa dela. E o motorista, que não conseguimos encontrar ainda. Ele viajou e não disse para onde ia" completou Catherine.
"Porque ele iria viajar assim, sem mais nem menos?" Perguntou Sara.
"Segundo a outra empregada da casa, ele foi viajar no dia do assassinato. Mas não sabemos se antes ou depois".
"E o que o cara que gostava dela, mas foi descartado, disse?" Perguntou Grissom.
"vai ser trazido para interrogatório hoje. Ele também estava em "viagem"" respondeu Warrick.
"Greg, Nick, e quanto a vocês?"
"ainda estou processando coisas..."
"e eu estou tentando entrar em contato com o sócio da fabrica, mas está difícil" falou nick.
"Aparentemente tudo encaminhado" falou Grissom.
Sara notou que o pessoal estava se levantando das cadeiras, pelo barulho do arrastar dos pés no chão:
"esperem" disse ela.
Todos pararam e a olharam.
"Eu só queria dizer... " começou ela.
"O que eu perdi?" Perguntou Sofia entrando na sala naquele momento. (Sara levou um susto e ficou calada) "Oi Sara" disse a moça. "O que eu perdi?"
"Eles só estavam me atualizando" falou grissom.
"Ah sim".
"O que você ia nos falar, Sara?" Perguntou Warrick.
"Apenas desejar "bom trabalho"" disse ela.
Grissom queria demonstrar para a moça que entendia e estava triste com aquela situação, mas era praticamente impossível fazer isso sem falar.
"Obrigado". Disseram os outros.
Sofia pediu licença a todos, para falar sozinha com grissom. Ele olhou para Sara e vendo que ela não demonstrara nem aceitação, e nem reprovação, ele aceitou falar com a moça.
Antes que Catherine deixasse a sala de descanso, Sara perguntou se ela poderia esperar mais uns minutos. "Encontro vocês depois, rapazes" disse a csi. Os outros então deixaram a sala.
"Eles já foram" falou Catherine.
"Eu queria te pedir um favor. Eu preciso sair daqui e você poderia pedir um táxi para mim?"
"Claro. Mas tenho certeza que Grissom vai querer levar você até em casa".
"Ele está ocupado no momento".
"Sara, você não precisa ficar com ciúmes de Sofia... Ele não tem olhos para ela".
"Por favor, Cath". Sara não queria entrar nesse assunto
A moça fez então o que ela pediu. Uma das recepcionistas acompanhou Sara até o táxi.
Catherine achou melhor avisar grissom antes que ele ficasse feito louco procurando por ela. Para sua surpresa, Grissom aceitou numa boa o fato de sara ter ido embora - Entendia como ela não estava preparada para isso ainda.
"Por essa não esperava" pensou Catherine ao se afastar.
TBC
