Grissom foi para sua sala e marcou um horário, às dezesseis horas, com o oftalmologista. Ligou em seguida para Sara avisando que ia passar para pegá-la, lá pelas duas da tarde, para eles comerem alguma coisa antes de ir. A jovem disse que não tinha problema, que esperaria por ele, e disse que ele não precisava se preocupar com ela.

"te amo" disse ele, antes de desligar.

Ele deu uma organizada nos papeis em sua mesa, checou as correspondências e pouco antes de deixar o laboratório, reuniu todo os csi's, para contar o que realmente estava acontecendo.

"O que foi?" Perguntou Nick.

"Tenho uma coisa importante para dizer a vocês" disse ele seriamente.

"É tão ruim assim?!" Questionou Warrick, olhando para a cara dele.

"Delicada, para ser mais exato".

"Quer que eu conte a ele?" perguntou Catherine.

Os rapazes se entreolharam, estranharam o comentário da jovem e voltaram a sua atenção a grissom.

"Durante um bom tempo nós vamos trabalhar sem Sara" falou Grissom.

"Por quê?" Perguntou Greg.

"Ela sofreu um acidente de trabalho e terá que se afastar por tempo indeterminado".

"O que aconteceu?" Perguntou Nick.

"Ela ficou cega".

Todos os rapazes, sem exceção, ficaram chocados com aquela revelação.

"Como assim ela ficou cega?" Questionou Warrick.

"Foram os sais, não foram?" Perguntou nick.

"Sim".

"Que sais?" Falou Greg.

"Sais de chumbo, que encontramos na cena do crime" explicou nick. "Tem certeza que é temporário, Gris?"

"Na verdade, não sabemos ainda".

"E o que podemos fazer para ajudá-la?" Perguntou Greg.

"Continuem tratando a bem, como sempre o fizeram" respondeu Catherine. "O importante é mostrar que estamos do lado dela e não a tratemos como pobre coitada."

"Certo" responderam os rapazes.

"Vou precisar que você a cubram, aqui no laboratório" falou Grissom. "Ecklie não pode saber do que aconteceu".

"Sofia também não" completou Catherine. Grissom acenou concordando e completou:

"A última coisa que precisamos agora, é os dois fazendo de tudo para que Sara nunca mais volte a trabalhar aqui. Agora, podem voltar ao que estavam fazendo".

"Era isso que ela tentou nos dizer àquela hora, mas não conseguiu" comentou Nick quando eles saíram da sala de grissom.

"Isso explica muita coisa" falou greg.

"Do que está falando?" Perguntou Warrick, com cara de interrogação.

"vocês não notaram como ela estava estranha?" indagou o mais novo dos csi's. "Como o grissom tava todo cuidadoso? Sem contar que ela demorou a falar meu nome e não se mexeu em nenhum momento."

Nick e Warrick se entreolharam. O rapaz até que tinha razão.

Em seguida, cada um deles foi para um lado. Catherine se juntou a greg na sala de evidências minutos depois.

As quatorze em ponto, Grissom estacionou na frente do prédio de Sara. Entrou no prédio, cumprimentou o porteiro e ia subindo, quando o rapaz disse para ele não ir.

"A jovem pediu que você esperasse aqui embaixo" disse o rapaz.

"por quê?!" Perguntou Grissom.

"não sei senhor. Foi o que ela me disse" respondeu ele pegando o interfone e ligando para o apartamento de Sara.

"Já estou descendo" respondeu a jovem, ao encontrar o interfone.

O porteiro percebeu a cara de estranheza de Grissom e disse:

"Vai ver ela não queria que o senhor se desse ao trabalho de subir"

Grissom não disse nada.

Sara apareceu no saguão minutos depois e disse a mesma coisa que o porteiro, para justificar a sua atitude.

Os dois entraram na sala de espera do consultório do Doutor Navarro e Grissom a acomodou em uma das poltronas.

"Eu volto já" disse ele, indo em direção a recepcionista. "Boa tarde. Nós temos horário com o doutor Navarro. Meu nome é Grissom e da paciente é Sara Sidle".

"Podem sentar que ele já vira atendê-los".

"Obrigado. Ele sentou ao lado de Sara e segurou na sua mão. O que foi, meu amor?" Perguntou ele percebendo que a mão dela tremia.

"Estou com medo, Gris".

"Não precisa. Vai dar tudo certo".

"E se não der?"

"Tenha fé".

Era a primeira vez que Grissom falava de Deus. Ela não sabia que ele acreditava nisso.

Certa hora, uma das portas se abriu e um homem apareceu. A recepcionista apontou para o casal e o homem se aproximou.

"Boa tarde, Eu sou Doutor Navarro" falou o homem.

"Grissom" respondeu ele se levantando e cumprimentando o homem. "E está é Sara Sidle, minha namorada".

"Muito prazer. Vamos entrar, por favor".

Sara se levantou e os dois adentraram a sala do Doutor Navarro.

"Podem se sentar" disse o médico.

Grissom acomodou Sara primeiro e sentou ao lado dela.

"Porque vocês não me contam como tudo aconteceu? Assim eu vou me situando um pouco, antes de analisar mais a fundo".

"Eu estava trabalhando em um caso..." falou Sara.

"somos investigadores criminais" explicou Grissom.

"Ah sim. Continue".

"Estava trabalhando e uma substância caiu no meu olho. Até aí não tinha problema nenhum. Conforme o dia foi passando, não conseguia mais ver as cores, e lentamente tudo foi ficando escuro".

"Que substância era?"

"Sais de chumbo". (Sara esperava que o médico fizesse algum comentário, qualquer que fosse ele, mas o homem não disse nada) "O que foi?" Perguntou Sara.

"Continue" disse o médico.

"Eu quero saber por que o senhor ficou calado" disse ela, nervosa.

"Sara, não foi nada" disse Grissom para acalmá-la. "Ele estava apenas anotando o que você dizia." (ela inicialmente não acreditou, mas grissom enfatizou novamente que não era nada de mais).

"Quando você descobriu que eram sais de chumbo?" Perguntou o médico.

"Eu mesmo processei a substância no laboratório, mas só vim a perceber que algo estava errado, quase no dia seguinte, quando a visão começou a ficar ruim. Até então podia ser outra coisa".

"Você lavou os olhos com água, na hora?"

"Não.".

"Entendo. Toda vez que acontecer de cair qualquer coisa, e que o olho comece a coçar, é importante lavá-lo com bastante água. E devo dizer que teria sido melhor, se os senhores me procurassem antes".

"Eu disse a ela que era importante, mas ela não quis" falou Grissom.

"Por que ele disse isso?!" esbravejou sara para si.

"Bom, vou dar uma olhadinha nos seus olhos".

O médico se levantou e Grissom foi ajudar Sara, mas o doutor Navarro disse que não precisava, pois ele mesmo iria fazer isso. Grissom sendo cientista, não podia esconder a curiosidade em relação aos procedimentos que o medico iria utilizar.

Primeiro ele deu uma primeira olhada usando o oftalmoscópio. Desconfiando de que poderia ser úlcera, o médico resolveu utilizar um outro aparelho, mais sofisticado e mais preciso, chamado: Lâmpada de Fenda.

"Eu vou pingar pequenas gotas de fluresceína nos seus olhos, senhorita Sara. E depois com um outro aparelho, poderei diagnosticar melhor o seu caso".

"Está bem" disse Sara.

"A Lâmpada de Fenda proporciona, através de um filtro, uma luz azul que incide no olho de Sara" explicou o médico "a fluresceína vai me mostrar se há manchas no seu olho e, se houver, poderei calcular o seu tamanho exato".

Grissom gostou de saber disso.

"Não vai demorar" disse o médico.

Assim que o médico terminou, grissom perguntou ansioso:

"E então?"

O médico ajeitou Sara novamente na cadeira, ao lado de Grissom e disse:

"Ela está com o que chamamos de ulcera na córnea. Uma doença de origem infecciosa. Acredito que isso ocorreu quando a jovem esfregou os olhos".

"Nos dois olhos?"

"Infelizmente sim".

"E o que fazemos?"

"Usaremos alguns medicamentos, com a idéia de diminuir a ulcera. A senhorita terá que vir aqui algumas vezes, para eu estar acompanhando os resultados do tratamento"

Sara acenou concordando

"tem chance de melhoras?" perguntou Grissom.

"Sim. A cegueira dela é um quadro temporário, mas não me pergunte exatamente quando, ela voltará a enxergar, que não sei lhe dizer. A senhorita mora sozinha?"

"Sim".

"Seria bom que alguém ficasse com você".

"Eu fico" falou grissom.

"Seria interessante pensar na possibilidade de um cão-guia?" perguntou Sara

"se você for se sentir melhor... sim. O tratamento não é tão rápido e imagino que o senhor grissom trabalhe bastante"

"sim, ele trabalha"

"Sei de um lugar que treina cães para ajudar pessoas com deficiência visual. sempre os indico".

"ótimo" respondeu Sara com um sorriso.

"Tem certeza que é necessário?!" Questionou grissom.

"Sim" respondeu ela.

"Sem dúvida, vai facilitar bastante, para os dois." falou o médico.

"E qual o procedimento para ter um cão-guia?" Perguntou Sara.

"O que posso dizer é que você deve ir até o local onde os cães são treinados. Você e o cão passarão por uma fase de treinamento juntos, até que os dois estejam habituados um com o outro, e com as situações do dia-a-dia.

"Não pode ser perigoso?" Perguntou Grissom.

"Os cachorros são treinados desde pequenos, então não há problema" respondeu o médico. "O mais importante é que o dono se sinta seguro com o cachorro escolhido. Por isso a fase de treinamento. Acredito que vai ser bastante útil para a senhorita".

"Está bem. E onde é esse lugar?" Indagou Sara.

"Infelizmente em Vegas não temos esse tipo de fundação. Mas uma delas fica no Arizona e chama-se "Eye Dog Foundation".

O médico escreveu todas as informações para contato em um papel e entregou a grissom.

"Saberia me dizer quais as raças de cachorro que servem para esse tipo de serviço?" Falou Sara.

"Não".

"Ah sim. Obrigada".

"obrigado doutor"

"Mais uma coisa" falou o médico "é aconselhável usar óculos escuros quando estiver em locais públicos, com movimento. Para proteger a vista"

"Pode deixar" falou Sara.

"vamos tentar reverte esse quadro" falou o médico seriamente. (grissom e sara sorriram)

Eles se despediram mais uma vez e saíram.

TBC