"não foi tão ruim, foi?" perguntou grissom quando eles chegaram no carro.

"Foi bem mais fácil, sabendo que você estava comigo" respondeu a jovem. Não conseguiria passar por essa sozinha.

"Eu ia ficar muito bravo se você tentasse fazer isso sozinha!"

"Obrigada Gris".

"Vou estar sempre ao seu lado, lembre-se disso".

Grissom a beijou e os dois foram embora. Sara perguntou se não teria problema eles tomarem um café numa praça, próximo da casa dela. Grissom achou a idéia ótima.

"Adoro ver você sorrindo." disse ele assim que sentaram numa mesinha que ficava do lado de fora. "Fica bem mais bonita quando sorri".

"Assim você me deixa sem graça".

"Lindo".

"Vou querer um expresso" disse ela.

O garçom se aproximou e grissom pediu dois expressos e dois brownie.

"Queria poder te ver agora" revelou Sara.

Grissom pegou a mão dela e a passou sobre seu rosto:

"Você vai voltar a ver. Tenha paciência".

"Aqui estão os cafés e os doces. Bom apetite" falou o garçom.

"Obrigado" respondeu grissom.

"Você vai ter que voltar para o laboratório?"

"Estava pensando em ficar com você. Na verdade, acho que vai ser melhor se eu me mudar para seu apartamento".

"Está falando sério?!" Questionou Sara.

"O que seu outro sentido (a audição) lhe diz?" Perguntou ele.

"Uau. Eu nunca pensei que você fosse propor uma coisa dessas".

"Porque não?!"

"Não sei, para mim você nem sequer pensaria isso..." – disse Sara, antes de tomar um gole de café, com charme. "Eu por outro lado..."

"Você já pensou isso?"

"Sim... Algumas vezes..."

"E porque nunca me disse?"

"Não queria te deixar bravo...ou preparado para isso"

"Se fosse há uma semana atrás, eu diria que não estaria pronto para isso. Mas as coisas mudaram".

"Realmente" falou Sara, mudando o tom de voz. A jovem tomou mais um gole do café e disse que eles já podiam ir.

"Porque ficou assim?" Perguntou ele estranhando, a mudança rápida de humor.

"Me diz uma coisa, Gris: se eu não tivesse ficado cega, e nós continuássemos juntos, você iria morar comigo?"

"Que tipo de pergunta é essa, Sara?"

"Uma bem direta, que merece resposta direta" respondeu ela, irritada. "Você iria morar comigo ou não?"

"Se conversássemos sobre isso, eu pensaria sobre, claro... Não entendi porque a questão?"

"Uma coisa é você vir morar comigo, por me amar. E outra muito diferente, é você vir morar comigo, só para cuidar de uma cega".

"Sara, eu não disse isso!"

"Ah não? Porque por um momento eu achei que era isso".

Grissom pegou na mão dela e disse:

"Quero morar com você porque você é a mulher da minha vida. O ocorrido apenas abriu os meus olhos e me fez perceber que não posso mais continuar sem você ao meu lado".

"Quando um se fecha, o outro se abre" disse Sara respirando fundo e voltando a encostar-se à cadeira.

"Mais um café?" Perguntou o garçom.

"Não obrigada" respondeu sara. "Mas outro brownie eu aceito"

"Vou trazer num instante".

"Eu te amo e quero morar com você" falou Grissom.

"Eu adoraria morar com você. Sobre eu te amar... é bastante óbvio".

Grissom achou graça. Ela voltara a sorrir. Assim que ela terminou de comer o brownie, grissom pediu a conta e os dois voltaram para o apartamento.

Ficaram conversando até a noite. Grissom preparou um jantar para os dois, e eles se deliciaram, enquanto conversavam sobre o sonho de cada um. Sara gostaria de engravidar e quando ela disse isso, grissom ficou paralisado. A jovem o acalmou dizendo que apesar de querer muito, era geneticamente impossível. Agora ele ficou triste.

"Há quanto tempo ela sabia disso? Será que tinha falado isso para alguém? Sem dúvida era uma questão feminina importante" pensou ele. Antes que pudesse verbalizar, ela perguntou qual era o sonho dele. Grissom ficou pensando e não soube muito bem o que responder. Você era meu sonho. Agora é realidade.

Depois de mais algumas conversas, Sara se levantou e foi para o banheiro. Grissom achou estranho e a seguiu.

"Achei que você ia gostar de uma toalha" disse ela, sentindo a presença dele no banheiro.

"Acho que seria uma boa" respondeu ele. "Gostaria de ir primeiro?"

"Não. Você pode ir".

"Tem certeza? Não quer ir comigo?"

"Tentador... Mas acho que é melhor não".

"Por quê?"

"Sabe lá o que vai acontecer no chuveiro".

"Você não gostaria?"

"sim, eu gostaria, mas como, estando desse jeito?..." pensou ela.

"Num outro lugar, numa outra hora". Disse ela

Sara saiu e deixou Grissom à vontade. Grissom ficou alguns segundos olhando para a porta. Por que ela não quis?

Depois de dez minutos, foi a vez de Sara tomar o seu banho, bem mais demorado que o dele, é claro, afinal ela era mulher, e mulheres tem a tendência a se demorar. Ele ficou deitado na cama, lendo uma revista, enquanto esperava.

Quando a jovem abriu a porta, enrolada na toalha, Grissom ficou admirando-a: embora Sara negasse, tinha um corpo muito bonito. Agora ela só compartilhava aquele corpo e aquele coração com ele. Ela balançou os cabelos para soltá-los e os olhos de Grissom brilharam. Ele deixou a revista de lado e andou sobre a cama.

"Achei que não fosse vir para cama".

Sara deu uma risada gostosa. Desviou-se da cama, e foi até o guarda-roupa, para pegar a sua camisola. Mas Grissom estava no meio do caminho.

"Desculpe" disse ela.

"Eu não" respondeu ele, colocando a mão no pescoço dela, ainda molhado por causa do cabelo que fora lavado, e beijando em seguida seus lábios. Sara retribuiu, apesar da surpresa. Primeiro um beijo lento, depois um mais rápido, outro mais caloroso...

"Grissom..."

"O que?"

"Porque esta fazendo isso?" Perguntou ela num intervalo de beijos.

"Porque eu te desejo" respondeu ele voltando a beijá-la com voracidade.

Sara estava hesitante, mas aqueles lábios, aquelas palavras, quebraram todas as barreiras. Fazia tempo que eles não se beijavam daquele jeito.

Grissom foi descendo a mão pelo seu corpo, ainda beijando seus lábios... A toalha em que ela estava enrolada caiu no chão e ele a deitou sobre a cama. Grissom tirou o roupão que usava e disse:

"Não sabia onde estava o pijama" respondeu ele. (verdade!)

Ele acariciou a cintura e os seios dela.

"Tente visualizar. Tente visualizar" disse ela para si mesmo.

"O que?" Perguntou ele, vendo que os lábios dela pareciam sussurrar alguma coisa.

"Estava apenas... Deixa pra lá... Me beije".

Ele assim fez.

Sara dissera aquelas palavras, para criar coragem de explorar o corpo dele, já que não via muito bem aonde colocar a mão. Grissom percebeu que ela estava receosa, ao parar, em determinados momentos, mas não se importou. Apesar de estar extremamente excitado, sabia que não poderia apressá-la e que aquela situação era bastante, digamos, incomum.

Depois de quase quarenta minutos, os dois se encontravam um ao lado do outro da cama. Fora sem dúvida uma experiência nova para ambos.

"Grissom?!" Chamou ela.

"Estou aqui" respondeu ele pegando na mão dela.

Ela deitou meio de lado, virada para onde ele estava e sorriu. Procurou pelo rosto dele e o acariciou.

"Espero não tê-lo desapontado, em nenhum momento".

"É claro que não, meu amor" – disse passando a mãos pelos cabelos dela, agora mais secos.

"Você jura?"

"Sim. Você foi perfeita".

Ela então voltou à cabeça ao travesseiro, aliviada. Agora foi a vez de grissom virar de lado, mas para abraçá-la.

Não precisou muito, para os dois adormecerem.

Os dias foram passando e Grissom, muito preocupado em ajudar, atravessou Sara e conduziu-a em segurança até um banco, na pracinha em frente ao prédio. Sara lhe parecia mais calma agora, sem aqueles toques de rebeldia dos primeiros dias, mas no seu entender, a moça estava apática demais.

Certo que agora, aceitava sua ajuda, mas parecia triste, resignada, distante, não se parecendo em nada aquela jovem fogosa, temperamental, por quem se apaixonara. Grissom fazia de tudo, para que, durante aquele período ela se sentisse o mais confortável possível.

Não perdia de vista, as palavras do médico: "...a cegueira dela é um quadro temporário, mas não me pergunte exatamente quando, ela voltará a enxergar, que não sei lhe dizer..." Era uma questão de paciência.

O próximo passo, depois de ir ao oftalmologista, era ir até o local de treinamento de cães. Mas para isso dar certo, Sara teve que responder a uma série de questionários, feitos por vários profissionais ligados à área de saúde tais como: Clínico Geral, Oftalmologista, Psicólogo e pôr uma pessoa que trabalhava com deficientes visuais - Tudo isso para analisar as condições físicas, mentais e econômicas da jovem, para manter e cuidar do animal.

Aquela seria uma experiência bastante interessante e Grissom queria estar com ela, então avisou ao pessoal do laboratório que teria de se ausentar por um tempo.

Sara acordou contente naquele sábado. Grissom já havia preparado todo o café da manhã e assim que a viu disse:

"Saímos em uma hora".

"Você vai junto?" Perguntou ela estranhando. Ele não tinha comentado nada.

"Claro".

"Mas é o trabalho?"

"Já resolvi isso. O pessoal vai ficar bem".

"Têm certeza que e uma boa idéia? Eles já estão com baixa na equipe por minha causa, agora você também vai sair... "

"Se não quiser que eu vá, é só dizer" disse ele.

"Você sabe que não é isso!"

"Então... Eu vou com você".

"Está bem. Porque não me dá um beijo antes do café?"

Ele levantou a sobrancelha e a olhou de forma misteriosa, que infelizmente ela não viu.

"Então...?" Questionou Sara, pela demora.

Grissom não podia fazer essa desfeita a jovem, então, deu a volta no balcão e a beijou. Ficou admirando a cara fofa que Sara fez ao pedir o beijo.

Antes de irem para o carro, sara ligou para a portaria para pedir que guardassem as cartas que chegassem para ela, nos próximos dias. Na volta grissom iria cuidar de todas elas, incluindo as contas atrasadas

TBC.