Grissom chegou pouco tempo depois e a primeira pessoa que encontrou foi Sofia.

"Oi Sofia, tudo bem?" Perguntou grissom.

"Tudo e você?"

"Também".

"Você precisa da minha ajuda, para alguma coisa?"

Os olhos da jovem brilhavam, enquanto ela perguntava isso. Grissom levantou a sobrancelha, não entendendo nada do que estava acontecendo. A verdade é que Sofia queria ficar mais tempo com Grissom. Adorava trabalhar com ele, e estar junto. Ainda esperava que ele viesse a gostar dela.

"Algum caso importante?" Perguntou Sofia.

"Por enquanto não".

"Qualquer coisa me liga".

Grissom acenou concordando e Sofia então foi embora. "O que foi aquilo?" Pensou ele, enquanto caminhava pelo corredor. Certa hora, ouviu uma voz gritando pelo seu nome. Ele olhou para trás e viu Brass, vindo na direção dele, segurando uma folha de fax na mão.

"O que tem para mim?" Perguntou grissom.

"Uma foto de Shaunessek! Finalmente!" Disse o policial contente.

"Deixe-me ver isto!" falou Grissom, tirando o papel da mão do amigo. Estava querendo muito conhecer esse bandido que, além de dar canseira nos CSI's, foi de certa forma responsável, pela cegueira de Sara.

A foto estava um pouco borrada, mas Grissom achou-o familiar, mas não se lembrava de onde o tinha visto.

"Ele atende pelo apelido de Dutch!" falou o policial.

Grissom, embora impassível, como sempre, sentiu como se uma corrente elétrica percorresse seu corpo. Agora lembrava de onde conhecia o sujeito: era o novo amigo de Sara, sem dúvida.

"Obrigado Brass" falou Grissom.

"Disponha. Mas porque você ficou assim? Você conhece o cara?"

O csi não respondeu. Seus pensamentos estavam em Sara e na alegria dela por ter conhecido esse homem, "que tinha uma conversa interessante".

Depois que todos os csi's já estavam reunidos na sala de descanso, Grissom mostrou-lhes a foto do "Dutch", e pediu a todos atenção redobrada, pois esse sujeito era muito perigoso. Distribuiu tarefas para todos, menos Nick, que foi ficando pro fim. Quando percebeu que os demais CSI's tinham saído, Grissom fez um sinal para que se aproximasse.

"Está com sua arma aí?"

O moço sorriu e colocou a mão à cintura, acariciando com satisfação, a arma no coldre.

"Sim, por quê?"

"Você terá uma missão muito importante, a partir de agora: ficará se revezando comigo, na proteção de Sara".

"Sara, mas por quê?"

Grissom contou em poucas palavras, sobre o novo "amigo" de Sara.

"O amigo dela e o criminoso que jurou se vingar de nós, são a mesma pessoa?!" Exclamou Nick.

"Sim".

"Ela já está sabendo disso?"

"Não, e nem ficará. Como ela se encontra, a única coisa que poderá fazer, é se apavorar. E não vou fazer isso, com ela." Concluiu Grissom, sem mover um músculo.

"Perdoe, mas ainda acho que ela deveria saber. É uma moça forte, treinada, seria melhor pra todos, se ela soubesse".

"Esse assunto não está em votação, Nick. Já me resolvi e pronto!" Falou Grissom, num tom de voz, que não admitia réplica.

Mesmo assim, o moço insistiu:

"Você a conhece. Quando ela souber que escondemos isso dela, ela vai ficar uma fera!"

"Deixe que eu vejo isso, quando for a hora!"

Nick, então, resolveu não falar mais nada, embora continuasse com a mesma opinião. Espero que ela não fique uma fera pensou o csi.

O rapaz começou a ficar de tocaia aquela noite mesmo. Ficara em seu próprio carro, estacionado perto do prédio de Sara. De onde se encontrava, tinha excelente visão de quem entrava ou saía do edifício, e a cópia do fax, que Grissom lhe dera ajudaria bastante.

Grissom ligou para ele, avisando que acabara de falar com Sara, e ela estava bem, lhe avisara do sobretudo que Dutch costumava usar.

Nada de anormal, aconteceu naquela noite. Grissom chegou, de manhãzinha, para trocar de lugar com Nick, mas o csi não permitiu que ele ficasse sozinho, caso enfrentasse Shaunessek naquele dia.

Apesar dos protestos do chefe, permaneceu em seu posto.

Às 8:30 h, Sara atravessou a rua, com a ajuda de Lucky. Os dois CSI's saíram do carro, e se esconderam atrás de uma árvore, perto de onde Sara estava. Às 10 h, como Dutch não aparecesse, ela resolveu voltar ao apartamento.

Depois de despachar o companheiro, Grissom subiu ao apartamento como se tivesse chegado naquele instante. Pôs a mão no bolso e encontrou seu revólver. Achava que Shaunessek não apareceria lá, em todo o caso, era bom estar prevenido.

Foi encontrar Sara, meio desolada, sentada à mesa da cozinha. Deu-lhe um beijo na testa, e perguntou num tom de voz casual:

"Você parece abatida, o que houve?"

"Nada!"

"Você voltou cedo, hoje!"

"É que Dutch não apareceu, e eu não tinha mais o que fazer lá... Mas me conte, como foi a noite no laboratório?"

"Espero que ele fique longe de você."

"Como sempre" respondeu ele "Ah, Brass conseguiu arrumar a fotografia de Ralph Shaunessek".

"Ah legal".

"Sara, eu tenho que pedir: não abra a porta pra ninguém, viu?

"Ok! Quer café?" Perguntou, enquanto se punha de pé e, impaciente, pegava o pote de pó.

Grissom olhando para ela ficou pensando: "Nick tinha razão. Ela não seria tola de escancarar a porta para qualquer estranho". Mas, Ralph não era estranho.

Na hora de ir pro trabalho, Grissom notou Nick a postos; ele viera direto de casa, pra chegar antes do chefe sair. Nick gostava de Sara e se preocupava com ela. Grissom passou sem parar, pelo carro de Nick e seguiu direto, pro laboratório.

Ele ainda devia estar a caminho, quando Shaunassek apareceu na porta do prédio, trajando o indefectível sobretudo ouro-velho.O rapaz não pode se abster de um sorriso ao pensar: "nem precisava de foto! Com esse sobretudo, ele fica visível em qualquer lugar! O homem parece um sinaleiro!".

Telefonou para Grissom, avisando que Shaunassek já estava no prédio. Ouviu do outro lado um homem afobado dizendo:

"Pelo amor de Deus, Nick! Não deixe Sara sozinha! Vou ligar para Brass, pedindo reforço policial".

Desligou o telefone e virou imediatamente o carro, nem vendo se a conversão ali era permitida ou não. Ligou para Brass informando o acontecido e pedindo a presença da polícia no seguinte endereço. O capitão logo reconheceu como sendo de Sara e concordou de imediato.

Desde que Shaunassek chegara, Lucky não parava de rosnar. Dessa vez bem alto.

"O que foi lucky? Não está reconhecendo ele?" Falou Sara.

Lucky sentiu que alguma coisa estava errada e o olhar furioso que Shaunassek lançou para o cão, não ajudou muito. Lucky começou a latir, porém parado onde estava.

"Ele nunca fez isso antes!" Disse ela indo até o cachorro, e o prendendo na área de serviço. "Fique quieto!" Disse Sara fechando a porta. Lucky deu mais tre sou quatro latidos, e depois parou. "Sente-se, Dutch, eu já disse pra você ficar a vontade!"

Nick, que tinha passado pelo porteiro, dizendo que era assunto policial, chegou ao apartamento de Sara e gritou perguntando por ela. Shaunassek se assustou e pulou atrás de Sara, e segurando-a pelos cabelos.

"O que está fazendo?" Questionou ela.

"Me certificando" – respondeu ele

"certificando do que? Não entendo!"

"Sara, você está aí?" Gritou nick novamente.

"Entende isso, Sara?" perguntou Shaunassek, passou o cano do revólver, pelo seu rosto. Ela tentou afastá-lo, como se espanta moscas, mas Shaunassek continuou encostando ao rosto dela. – "Você vai responde a ele que esta tudo bem, e que já vai." – falou Shaunassek..

"Já estou indo Nick".

"Muito bem, agora você vai abrir a porta, e deixá-lo entrar. Lembre-se, sou eu quem está com a arma, e não vou pensar duas vezes antes de usá-la".

Sara estava terrificada! Aquela atitude, o tom de voz... Não entendia a atitude hostil, de uma pessoa que parecia ser um bom amigo, até minutos atrás.

Não estava habituada a ser tratada assim, grosseiramente e, aquela escuridão em que estava mergulhada, só piorava as coisas.

"A propósito, meu nome é Ralph Shaunassek".

"Abra logo a porta, e peça para seu amiguinho, seja lá quem for, entrar".

Sara assentiu e Shaunassek a liberou para abrir a porta. Tinha que ser rápida, pois contava com pouquíssimo tempo para agir. Agir? O que uma cega podia fazer? A única solução que ela encontrava, era trazê-lo à escuridão, ao seu mundo. Assim jogariam quase nos mesmos termos, embora ele contasse com uma vantagem: possuía uma arma.

Lembrou-se da caixa de força, que ficava perto à porta principal. Não podia saber se Dutch estava observando-a, ou ainda estava perto do sofá. Resolveu arriscar.

"Estou indo, Nick! Só um momento!"

Realmente, agiu rápido, enquanto abria a porta com uma mão, abriu a caixa de força, com a outra. Assim que sentiu Nick entrar, puxou a alavanca central. Tomado de surpresa, Shaunassek dá um tiro, em direção da porta. Ouve-se um pouco de barulho e depois reina um silêncio absoluto.

TBC