Grissom entra na garagem do prédio e estaciona no primeiro lugar vago que viu. Pegou sua pistola automática do porta-luva, com certa repugnância: não gostava de armas, mas para defender Sara, faria qualquer coisa. Tomou o elevador e foi ao apartamento de Sara. Viu a porta encostada e teve um mau pressentimento. Sacou a arma e colocou-se em posição de invadir.

Um vizinho passou por ele, vindo da lixeira, e ao ver a arma na mão do CSI, apertou o passo, entrou rapidinho em seu apartamento e trancou a porta ruidosamente.

Enquanto isso Sara resolveu se esconder em seu apartamento: fora, ficaria meio perdida e completamente exposta. Tinha uma arma, mas não podia atirar assim, sem ver, sob pena de atingir Nick! Ela já estava bastante apreensiva, pois depois do disparo de Dutch, ela não soube mais nada, do colega.

Sara escondeu-se no armário em seu quarto, e ficou em silêncio. Shaunassek, que não desistia fácil de seus caprichos criminosos, foi atrás de Sara, apesar de estar tudo escuro e ele trombar em cada móvel que encontrasse em seu caminho. Ao entrar no quarto, gemeu baixinho, como se estivesse ferido. Depois, tudo voltou ao silêncio.

Sara considerou que Nick podia estar ferido e precisando de ajuda. Ela até que se sentia segura onde estava, mas não podia ignorar Nick; ainda mais parecendo estar ferido! Abriu uma pequena fresta do armário e sussurrou:

"Nick! Nick! Você está bem?"

Não ouviu nem uma resposta, porém, o gemido parecia aumentar. Depois de pensar por um momento, Sara deixou o armário, em direção ao gemido. Foi abruptamente agarrada pelos cabelos, por Shaunessek, que dando um sorrisinho sinistro, falou para ela:

"Sabe Sara, você é uma menina egoísta, que não dá valor ao que tem. Veja o que seu chefe faz por você, por exemplo. Tanta dedicação, tanto cuidado... E você só reclama e choraminga. Bom, agora não faz mais diferença".

"Não seja tolo, Dutch!"

"Tolo?! Não. Eu sou muito esperto Sara. É muito fácil enganar uma cega".

Apesar de ser verdade, ela disse:

"Agora que sabem quem você é, será caçado feito um animal!"

"Não enquanto eu tiver você, mocinha!" falou ele enquanto enlaçava o braço direito, em cuja mão estava a arma, no pescoço de Sara, e a mão esquerda tentava segurar os braços da moça.

Sara não deixaria de abater naquela hora, mesmo incomodada, pelo cano frio do revólver, em seu rosto e muito apavorada, com os últimos acontecimentos.

Grissom abriu a porta com o pé e entrou na sala de arma em punho. Mexeu várias vezes no interruptor até notar a caixa de força e, entender o que acontecera com a luz. Antes de erguer a alavanca, chamou por Sara, algumas vezes, preocupado com o silêncio.

Quando a luz da sala se acendeu novamente, Grissom ficou paralisado, com o que viu: bem a sua frente, a mulher que ele amava trazia o rosto crispado, pelo terror que sentia, ao ter aquela arma, encostada em seu rosto. Grissom reuniu suas forças e gritou:

"Largue-a, Shaunessek! É a mim que você quer. Ela não tem nada com isso".

"Na verdade, agora tenho três, e nem preciso escolher. Ponha sua arma no chão, ou atiro nela, agora mesmo!"

"Não faça nada com que venha se arrepender mais tarde!" Falou Grissom.

"Cale a boca! E ponha a arma no chão!" Repetiu Shaunessek, com cara de poucos amigos e, enfiando mais a arma no rosto de Sara.

Grissom não queria irritá-lo, só pretendia ganhar tempo, até a chegada de Brass e seus comandados. Colocou lentamente a arma no chão, e perguntou apreensivo:

"Sara, você está bem?"

"Você é assim, com todos, Grissom?" Perguntou Shaunessek

"Assim como?" Perguntou Grissom, levantando a sobrancelha.

"Amoroso. Parece um pai atencioso, cuidando de seus filhos!"

"Me preocupo com eles".

Os olhos de Dutch se fixaram nos olhos azuis de Grissom. Estavam se enfrentando. Certificando-se de que tudo estava correndo nos conformes, Shaunessek, sentia-se mais relaxado. Pegar Grissom era algo com que ele não contava mais. Mas agora o tinha, indefeso, bem a sua frente. Graças a Sara, pegou-o também. Sentia nisso uma satisfação maldosa.

Lentamente, ele foi afrouxando seu braço do pescoço de Sara e apontando para Grissom. Sara não podia ver nada, mas presumia, com horror o que se passava. Ao sentir seu algoz afrouxando o braço, saltou rapidamente, para o lado.

Um estampido ouviu-se. Por um momento, os três pares de olhos se arregalaram. Shaunassek continuou com o olhar estático e foi escorregando devagar, como em câmera lenta. Por trás dele, Nick aparecia, com o revolver ainda fumegante.

Sara levantou-se e se jogou nos braços de Grissom, ela tinha ficado com muito medo. Aquela situação toda estava fora do comum, e Sara nem se conteve e chorou.

"Está tudo bem Sara. Acabou."disse Grissom acariciando-a. "Bom trabalho, Nick" completou. Grissom nunca se sentira tão agradecido, por Nick ter feito isso.

Brass chegou nesse momento.

"Vejo que resolveram tudo, sem a minha presença, hein?"

"Agradeça ao Nick!" falou Grissom, orgulhoso.

"Ora, Sara foi muito corajosa e teve uma tremenda presença de espírito!" Retrucou o rapaz modestamente.

Brass olhou para Grissom e para Sara e percebeu que eles não estavam disponíveis. Deu um profundo suspiro e pegou Nick pelo braço:

"Vamos "herói", conte-me tudo o que aconteceu aqui!"

Nick acompanhou-o até a cozinha, e começou contar o que sabia. Grissom levou Sara, já mais calma, ao sofá, onde ambos se sentaram, abraçadinhos.

"Como isso foi acontecer?" Questionou Sara.

"Não importa agora" falou ele.

"Como você sabia que ele ia tentar alguma coisa?" Insistiu sara não satisfeita com a resposta dele.

"Depois que Nick descobriu quem ele era, entendi porque ele havia se aproximado de você. Então, eu fiquei de vigia, com ajuda de Nick".

"Desde quando você sabia?"

"Há dois dias"

Ele contou porque tinha decidido agir daquela forma, e não contado a ela antes. Sara ouviu tudo muito quieta e atentamente. Assim que terminou, Grissom ficou olhando para ela e pensou: "Ok. agora pode gritar". Mas ao invés disso, Sara tateou o rosto dele e achando seus lábios, o beijou.

Grissom ficou surpreso e bastante encabulado, afinal Brass, Nick e um outro policial estavam ali. Ele olhou por trás do sofá, e Brass deu uma piscada de olho. Para sua sorte, Nick estava de costas para o sofá, então não viu.

"Bom, acho que já vamos" falou Brass "Da forma como tudo aconteceu, tenho certeza que ninguém será indiciado pela morte desse idiota".

"ótima decisão " falou Grissom.

"Eu vou com vocês" falou Nick. Vendo que os policiais estavam de saída

Para quem tinha acabado de matar alguém, Nick parecia estar bem.

Sara fez questão de acompanhá-los até a porta.

"Você vai ficar bem?" Perguntou Nick antes de sair.

"Sim. Obrigada por me salvar"

Sara procurou o rosto dele e o beijou na bochecha. Nick ficou vermelho feito tomate, e no sofá, Grissom olhava a cena de rabo de olho.

"Vejo você mais tarde, chefe!"

TBC