"Ele tinha razão" disse Sara cabisbaixa, depois de fechar a porta.
"Quem amor?"
"Dutch... É realmente fácil enganar uma cega. Se eu enxergasse, ele não ia se aproximar".
"Ele é bastante convincente, acredite! Ninguém ia desconfiar".
"Você ia!"
"Como assim?"
"Ninguém consegue enganar você".
"Posso saber de onde você tirou isso?"
"Gris, por favor, eu te conheço há muito tempo..."
Grissom baixou a cabeça, e balançando-a respondeu:
"Isso não é totalmente verdade. Mas queria que fosse!"
Sara sentou-se novamente ao lado dele. Queria poder, naquela hora, olhar bem nos olhos dele, só assim ela acreditaria.
"Eu te amo Gris".
"Eu também minha flor". (Sara ganhara um novo apelido: flor. Mas este só seria dito em ocasiões bastante especiais).
"Venha, eu vou preparar um banho bem gostoso para você" disse ele.
"Eu preferiria que fosse: para nós".
Grissom assim fez.
Antes de sair para trabalhar, Grissom perguntou pela terceira vez, se a jovem ficaria bem sozinha.
"Pode ir. Vou ficar bem. Eu não vou abrir a porta para ninguém, a menos que seja algum csi e desta vez, vou prestar atenção no Lucky. Ele bem que desconfiou de algo".
Quando Grissom chegou no laboratório, um pouco mais tarde que o normal, Catherine, Warrick e Greg vieram correndo falar com ele.
"Ficamos sabendo "falou Warrick.
"Como ela está?" Perguntou Catherine.
"Ela vai ficar bem" falou ele.
"Deve ter sido um susto e tanto " falou Catherine.
"Foi."
"Que bom que ela está bem" continuou ela.
"É sim".
Saber que Sara estava melhor, deixou todo mundo aliviado. Agora eles poderiam trabalhar de forma sossegada. Grissom foi para sua sala, Greg voltou ao que estava fazendo, e os outros dois foram caminhando pelo corredor, em direção a sala de evidências.
"Talvez devêssemos ir até a casa dela" comentou Catherine.
"Chegar de surpresa não vai agradá-la!" falou Warrick. "Você sabe como ela é com essas coisas".
"É, mas estar com os amigos ajuda muito nessas horas..."
"Porque então não liga para ela, convidando para ir numa pizzaria, por exemplo?" falou Warrick. "Acho que um lugar neutro vai ser mais agradável".
"É. Boa idéia".
A jovem discou para casa de Sara e esperou a jovem atender.
"Oi Sara, é a Cath".
"Oi, tudo bem?"
"Sim. Ficamos contentes de saber que deu tudo certo".
"Obrigada."
"Estávamos pensando se não queria sair para comer com a gente".
"Mas vocês não estão trabalhando?"
"Sim, mas a noite está calma hoje. Tenho certeza que Grissom não vai se importar se formos. Ficaremos atentos, de qualquer forma".
"tem certeza?"
" Claro".
"Não estava querendo ficar sozinha essa noite"
"Ótimo. Então até daqui a pouco".
Sara pensou que saindo, talvez pudesse espairecer um pouco. Ela não era muito dessas coisas, mas naquele dia fora tão louco, que nada melhor do que ficar perto de pessoas que ela gostava.
Quando Catherine foi falar com grissom, ele ficou bastante surpreso. Na cabeça dele, Sara não iria aceitar tão programa. "Bom, se ela disse sim, tudo bem".
Antes de passar em casa para pegar Sara, Grissom chamou Nick na sua sala para saber como ele estava.
"Estou bem" disse o csi.
"Estou recomendando cinco dias de licença e sessões com o nosso conselheiro de plantão"
"não vai ser necessário"
"Você atirou em alguém. Não é fácil lidar com isso."
"eu sei, mas..."
"Nick, é um ordem. Pode ficar bravo comigo se quiser, mas depois você vai me agradecer"
"Ok então"
Grissom entregou a folha para o csi e depois passou em casa para pegar Sara. Ela insistiu que Lucky fosse junto e, mesmo contrariado, Grissom por fim aceitou. Foram até uma pizzaria já conhecida por todos eles. Era um lugar legal, calmo e a comida era boa.
Nenhum deles fez grande festa, quando a jovem chegou, para não deixá-la desconfortável. Era a primeira vez que eles saiam juntos, desde que ela havia ficado cega. A tentativa de animá-la teve bons resultados, Sara sorria contente, enquanto eles conversavam sobre várias coisas. Nada se falou sobre o incidente, os dois, ao longo do jantar.
Certa hora, o bip de Catherine e Warrick tocaram ao mesmo tempo.
"É Ecklie" falou Catherine. (Ecklie sabia ligar nas horas erradas. Mesmo com tudo calmo, ele não largava do pé dos csi's)
"Acho melhor vocês verem o que ele quer" falou Grissom.
"Está bem. A gente se vê depois" falou Warrick. "Que bom que você está bem Sara."
"Obrigada".
Os dois foram embora, e os outros ficaram conversando por mais algum tempo, até que Sara comentou que estava ficando cansada, e pediu se Grissom não poderia levá-la para sua casa. (Eles sabiam que Grissom e Sara estavam juntos, mas não dividindo o mesmo teto, e os dois preferiam que ficasse dessa forma). Greg fez mais uma festa ao Lucky, antes deles irem, e depois eles se despediram.
Sara saiu de lá bastante sorridente.
"Quando Catherine me disse que tinha aceitado, fiquei surpreso" falou grissom, depois de eles entrarem no carro, e ele começou a dirigir.
"É, mas foi legal vir. Desestressou um pouco".
"Fico contente".
Sara o beijou no rosto e eles voltaram para casa.
Os dias foram passando, e Sara foi lentamente deixando de lado o acontecimento com Dutch. Grissom não deixava ela se abater. Ele podia ser um pouco pentelho, com a sua grande atenção, mas Sara não brigava. Se ela tivesse vendo, aí sim ela brigaria e feio.
O que Sara não contou a Grissom, era que depois de três meses de tratamento, estava começando a ver pequenas vultos e contornos de objetos. Ela não queria que Grissom soubesse, não enquanto ela estivesse enxergando ele direitinho.
Ela acordou contente naquele dia. Tomou um banho gostoso, comeu umas torradas com manteiga, e desceu para passear com Lucky.
Assim que ela abriu a porta do prédio ouviu uma voz que dizia:
"Onde pensa que vai?"
Ela adorava aquela voz fina e desconfiada de Grissom.
"Oi amor, não achei que fosse chegar tão cedo".
Ele a beijou e em seguida disse:
"Você não me respondeu minha pergunta... "
"Vou dar uma volta. Lucky ontem não pode passear, por causa da chuva, então hoje resolvi passear por mais tempo".
"Hum. Sei".
"Que tom de voz é esse Gris? Está desconfiando de mim?"
Era engraçado ver os dois juntos, vira e mexe brincavam falando frases desconfiadas, ou atravessadas, só para o outro retrucar com certo charme. Grissom riu.
"Posso acompanhá-los?"
"Seria ótimo".
Grissom fechou o portão e eles então foram caminhando.
"Você comeu alguma coisa?" Perguntou Sara.
"Ainda não".
"Perfeito! Então podemos ir até aquele café que você gosta".
Grissom percebeu que ela estava sorridente e por algum motivo, ela parecia mais bonita naquela manhã.
"Porque está sorrindo assim?" Perguntou ele.
"Tive uma noite gostosa... Sonhei".
"Ah é?! E o que sonhou?"
"Nós dois estávamos cavalgando, num vasto campo, e fazia um dia lindo. Só nós dois sem ninguém por perto, alem da natureza".
"Não sabia que você cavalgava".
Sara deu uma risadinha gostosa. Andara uma vez apenas, mas foi o suficiente para ela gostar.
"Como foi no laboratório?" Perguntou ela, sentando na cadeira ao lado de fora do café, com Lucky acomodado entre suas pernas.
"Tudo bem".
"Não sei como Ecklie ainda não me demitiu. Depois de tanto tempo".
"Só eu posso fazer isso" falou Grissom.
"Quem sabe algum dia eu volto a trabalhar" falou Sara.
Das outras vezes que ela falava sobre isso, tinha um tom de voz mais triste, do tipo que ainda não estava certa de que isso ocorreria, mas daquela vez foi diferente e Grissom notou, mesmo não comentando nada. Talvez fosse o sonho... Ou não.
Eles continuaram conversando, foram até um parque diferente durante a tarde e a noite, como sempre, grissom foi trabalhar e a deixou em casa.
Sara continuava indo regularmente no oftalmologista, mas não precisava ser toda semana, e nem sempre ia com Grissom. Nas primeiras vezes, que ela pediu para ir sozinha, Grissom relutou - queria poder acompanhá-la. Mas Sara começou a ficar muito nervosa, cada vez que eles falavam sobre isso. "Grissom, eu estou me virando bem" ; "você disse que não ia me tratar como criança" ; "você ta vendo como eu consigo"; esses eram os argumentos que ela usava.
TBC
