Os meses após maio passaram com uma velocidade impressionante, e com uma calmaria de se admirar, não ouve uma única briga entre o Sr. Cooper e a Sra. Cooper. Leander estava mais comportado, e Vincent, lia seus livros avidamente, já havia lido seu livro de feitiços algumas vezes, e até mesmo o livro de história da magia, que era grande e com textos longos e que alguns poderiam julgar chatos e desestimulantes, mas não para Vincent, ele adorava tudo aquilo. O livro com o qual teve mais dificuldade de lidar foi o de transfiguração, mas em alguns meses ele conseguiu dominar completamente a teoria proposta.

O ultimo dia de Agosto foi bastante corrido, Vincent guardava suas coisas correndo, e Leander estava inconsolável, pois a partir daquele dia, ficaria completamente sozinho em casa. Somente com a nova Sra. Cooper. O Sr. Cooper aparecia cada vez menos na casa, provavelmente estava cuidando do nascimento da outra filha, da outra família. Nem mesmo naquela noite antes de ele partir para Hogwarts Cooper falou com ele, ou apareceu para desejar-lhe boa sorte. A noite estava estrelada como Vince não via há tempos, sua vontade era de nem dormir, de tão ansioso que estava, quando o relógio bateu meia noite, todas as coisas de Vincent já estavam empacotadas, a mala mais pesada com suas roupas e com seus livros já estavam na sala, para serem carregadas na manhã seguinte, pelo tio de Vince.

– Leander, não fique assim. Você vai ver que logo eu volto para o recesso de natal. Sem falar que você tem uma coleguinha para brincar. – Vince disse se referindo a nova Sra. Cooper.

– Mas não é a mesma coisa, que droga. – Leander reclamou com a voz um tanto chorosa. – Por que você tem que ir a Hogwarts? – Ele perguntou enquanto sentava na cama, dando sinais que começaria a chorar.

– Isso não é pergunta que se faça Leander. – Vincent respondeu um tanto impaciente. – Eu tenho que ir a Hogwarts para me tornar um bruxo, aprender tudo o que estiver ao meu alcance, eu não posso passar toda a minha vida trancado nesse buraco dos infernos, sem a mínima perspectiva de futuro, sem ninguém para se importar comigo, oras!... – Vince parou subitamente de falar, percebeu que havia saído do controle, por um segundo foi como se toda a sua emoção reprimida viesse à tona.

– Isso não é verdade! – Leander berrou. Enquanto algumas lágrimas já escorriam de seu rosto. – Eu me importo com você, sua mãe se import... – Antes mesmo que Leander pudesse terminar a frase, Vincent se levantou da cama.

– Você não conta, você se importa comigo por falta de opção. – Vincent disparou, enquanto caminhava em direção a sua cama. – E cale-se, você não sabe nada da minha família, nada. – Ele se deitou na cama com agressividade, não suportava que tocassem no assunto de sua família por parte materna. – Boa noite, Leander, espero que pense no quanto você foi estúpido essa noite. – Vincent terminou de falar e virou para o lado oposto ao qual costumava dormir, tentando ignorar o choro baixo de Leander.

A noite custou a passar, não se sabia se era pela gigantesca ansiedade de Vincent, com um misto de raiva e culpa que estava sentindo, ou se foi o choro de Leander que persistiu por mais algum tempo, antes que o garoto sucumbisse ao sono e fosse chorar apenas nas terras de Morfeu. Quando Vincent finalmente conseguiu dormir já passavam das 3 horas da manhã, ainda em seus sonhos foi importunado pela conversa daquela noite, em seus sonhos teve um terrível pesadelo em relação a sua mãe, e sobre o fato de um de seus maiores medos. Acordou às 7 horas da manhã, algumas horas antes do previsto. Leander continuava dormindo, e pelo o que pode ver, ele havia chorado bastante na noite interior, pois seus olhos ainda estavam bastante inchados.

Vincent saiu do quarto e caminhou em direção ao banheiro, tomou um banho extremamente longo, estava pensativo de mais, então se lembrou de uma frase que tinha lido há algum tempo atrás: "Amanhã eu fico triste, hoje não". Terminou seu banho, e voltou para o quarto, vestindo a roupa que seu tio havia comprado para aquela ocasião. Caminhou em direção ao guarda-roupa e pegou sua varinha, guardando dentro da capa que estava usando, olhou-se ao espelho, estava realmente parecendo um verdadeiro bruxo. Mexeu em algumas de suas roupas, e pegou a foto de sua mãe que guardara ali dentro por anos, guardou a foto junto à varinha, dentro da capa. – São apenas coisas que perdemos pelo caminho. – Falou na famosa língua das cobras frente ao espelho do quarto, se referindo a sua mãe, e ao que estava prestes a fazer.

Depois da discussão da noite anterior, Vincent não acordou Leander, apenas fez o café da manhã como era de costume, preparou algumas coisas que a Sra. Cooper e Leander gostavam. E então voltou para a sala, para esperar seu tio, que não tardou a chegar.

– Bom dia, Vince. – Ele anunciou quando terminou de aparatar na sala da casa.

– Bom dia, tio. Já estou pronto para irmos. – Ele anunciou calmamente. – O senhor pode, por favor, buscar minhas coisas lá em cima? – A voz de Vince havia perdido toda a empolgação, sua verdadeira personalidade estava começando a aflorar.

– Mas é claro. – O homem respondeu um tanto desconfiado e subiu em direção aos quartos, enfeitiçou as malas e elas desceram flutuando. – Pois bem, podemos ir. Vamos aparatar dessa vez, por tanto se segure bem firme em mim, e lembre-se não é uma situação agradável.

Vincent se segurou com força no braço do homem mais velho, e então com um estampido Vincent e seu tio desaparataram dali, a sensação de aparatar era a pior possível, era como se cada átomo de seu corpo fosse compactado, e em seguida expandidos ao máximo, quando se deu por conta, estava respirando ofegante ao lado do tio.

– Você está bem? – O Selwyn mais velho perguntou.

– Perfeitamente. Podemos ir? – Vince respondeu, tentando disfarçar a sensação de vômito.

Os dois caminharam em direção a Estação de King Cross, que estava completamente abarrotada de pessoas, algumas eram reconhecidas como bruxas, outras não ficavam tão evidentes. Uma gigantesca família de pessoas de cabelos ruivos chamou a atenção.

– Quem são aquelas pessoas? – Vincent perguntou, enquanto o Sr. Selwyn procurava, notando o pico de cabelos ruivos.

– São os Weasley, são bruxos de sangue puro, porém um tanto patéticos, você deve evitar o contato com eles, certo? – Vince apenas respondeu com sim com a cabeça, após isso os dois caminharam em direção à barreira mágica que separava os trouxas do ingresso para Hogwarts. O trem estava quase de partida, por isso muitos alunos já estavam correndo para buscar sua cabine. Vincent não foi diferente, depois de colocar sua bagagem mais pesada e sua coruja dentro do vagão de bagagens, ele foi escolher uma cabine, e "por sorte", entrou na mesma cabine onde seu primo mais velho, agora veterano em Hogwarts, Antares, estava.

– Ora, ora. Mas se não é o pequeno Vince. – Antares falou com aquela sua voz pomposa de sempre. Se não fosse uma pessoa detestável, Antares poderia ter algum atrativo, era um rapaz alto, de cabelos um tanto avermelhados, e de porte atlético, até o momento era batedor pela Grifinória.

– Ora, ora, ora. Mas se não é o grande Ant. – Vince respondeu sem emoção alguma enquanto começava a olhar pela janela, tinha a leve impressão que logo essa cabine ficaria cheia por alguns dos conhecidos de Antares.

Aconteceu o que Vincent previra, na cabine logo entraram Carolyn Graham e Edward Bledel, dois colegas de Antares, que também estavam no sétimo ano. Carolyn era moça um tanto baixa para sua idade, e tinha longos cabelos pretos, era muito bonita, mas carregava em seu rosto uma expressão de nojo constante, que reduzia drasticamente a beleza dela, fazia parte da Grifinória. Edward tinha uma expressão bastante intelectual, usava óculos, e estava concentrado em um livro, pertencia a Corvinal.

Logo que o trem partiu, Edward se desconcentrou de seu livro, e passou a prestar atenção nos presentes. Vincent continuava distraído olhando o horizonte.

– Seu parente? – Carolyn perguntou a Antares, fazendo com que Vince saísse do transe que estava.

– Sim, é meu primo. – Antares respondeu, enquanto falsamente passava as mãos nos cabelos de Vince, para tentar demonstrar algum afeto. – O problema é que o mocinho tem o rei na barriga. – Antares disse rindo, tirando a mão dos cabelos de Vince, Edward pouca atenção deu ao comentário de Antares.

– Bem, e como ele se chama? – Edward perguntou.

– Eu posso me apresentar, sim? – Vince respondeu, antes de Antares poder abrir a boca para falar. – Me chamo Vincent Selwyn Cooper. Prazer, como se chamam? – Vincent perguntou, virando seu rosto para os presentes.

– Carolyn Graham. – A moça se apresentou e calou-se em seguida.

– Selwyn... Já ouvi falar desse nome. Chamo-me Edward Bledel. – Edward parecia ser mais civilizado que seus amigos, talvez, fosse viável para Vincent conversar com ele.

A viagem seguiu com algumas conversas entre eles, experiências nas férias e etc.. Vincent evitou se manifestar, comentava uma coisa ou outra mais nunca se envolvia muito nos comentários, estava um tanto ansioso para chegar a Hogwarts, e estava ligeiramente preocupado com sua bagagem, não sabia que tipo de pessoa poderia estar no expresso, por isso estava um tanto avoado.

– Estamos quase chegando a Hogwarts, acho melhor colocarmos nossas vestes. – Antares pronunciou pela primeira vez alguma coisa inteligente.

Todos então se levantaram e caminharam para onde pudessem trocar de roupa a vontade, antes que a maioria dos outros calouros pudesse ter a mesma ideia. O resto da viagem se seguiu calma, pois todos pararam para tirar um cochilo, e com isso Vincent aproveitou para ver a paisagem, a essa altura Leander deveria estar almoçando com a Sra. Cooper, e o Sr. Cooper deveria estar com sua outra família. Finalmente o trem parou.

Assim como todos os outros alunos do primeiro ano, Vincent foi pelo barco junto com Hagrid, e acabou reconhecendo o jovem Malfoy, que conversava com dois alunos corpulentos de uma aparência bastante desagradável, a primeira vista Vincent não gostou deles. Todos os calouros ficaram esperando o momento certo para entrar no salão principal para serem selecionados.

Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore, o magnífico diretor da escola de magia e bruxaria de Hogwarts, estava parado, observando todos os primeiranistas que entravam no salão. E então começou a seleção, Vincent foi um dos últimos, Draco Malfoy foi selecionado para a sonserina, como o esperado.

– Vincent Selwyn Cooper. – A vice-diretora, Minerva McGonagall anunciou. E então ele seguiu em direção ao chapéu seletor. Percebeu que dois professores olharam para ele, um deles, era um conhecido de seu tio, o Professor Snape.

O chapéu mal foi posicionado em sua cabeça, e então berrou: – Sonserina! – E todos da sonserina bateram palmas.

Vincent sorriu, e caminhou em direção a sua mesa, para ouvir os costumeiros anúncios de início do ano letivo. Ele estava completamente satisfeito consigo mesmo, e sua vida bruxa começava agora.