Três meses se passaram desde a Chegada de Vincent a Hogwarts, havia ficado amigo de Draco Malfoy, como era de desejo das duas famílias, embora ainda achasse Malfoy um tanto afrescurado, chamava aquilo de síndrome do filho único. Em poucas semanas formava laços de amizade com a maioria dos bruxos de sangue puro daquela escola, os Nott, os Crabbe, Goyle, e tantos outros bruxos, cujas famílias compunham a aristocracia bruxa. Todos os professores sem exceção gostavam de Vincent, suas notas eram excelentes, rivalizava a sangue ruim sabe tudo.
Pouco via seus parentes que estavam na escola, uma vez ou outra cruzava com Antares nos corredores, ambos fingiam não se conhecer, e ficava tudo excelentemente bem. Embora algumas vezes Antares o procurava, para saber se estava bem, era algo definitivamente estranho. Todos os grifanos próximos estranhavam quando os dois conversavam os sonserinos também. A aula favorita de Vincent era Transfiguração, rivalizava com Defesa Contra as Artes das Trevas. Em segundo lugar poções, ministrada pelo seu professor favorito: Severo Snape. Um antigo amigo de seu tio.
Faltavam apenas duas semanas para o natal, Vincent estava terrivelmente dividido, estava sendo convidado para passar o natal na casa dos Malfoy, seria bom ficar com bruxos, em uma festa que seria comemorada de uma forma apreciada pela aristocracia, cercado pelas maiores figuras da sociedade, mas por outro lado havia prometido ao irmão mais novo que passaria o natal com ele, essa duvida estava martelando seu cérebro, mas por hora preferia não pensar no assunto, caminhava para mais uma aula de DCAT, era a sigla que haviam inventado para simplificar o nome daquela magnífica matéria.
O professor Quirrel era uma figura interessante, tratava-se de uma pessoa com inteligência muitíssimo acima da média, e conhecimento excepcional das artes das trevas e de como combatê-las, mas seu jeito desajeitado – falso na opinião de Vincent, por ser forçado de mais – atrapalhava todo o seu raciocínio e a forma como os alunos viam sua personalidade.
– Bo-bo-bo-bo-a Boa tar-de. – O professor tentou anunciar ao chegar a sala. – Hoje, vamos estudar os bonecos de vodu, desde a sua construção. Mas devo lembrar-lhes que seu uso, é completamente proibido, portanto, não iremos fazer um em sala. – Em alguns momentos ele falava perfeitamente, como se esquecesse de que era gago. – Algum de vocês poderia me dizer do que se trata um boneco de vodu? – Mais do que depressa a sangue ruim levantou a mão, na mesma velocidade que Vincent.
A resposta dos dois foi incrivelmente parecida, o que rendeu Cinco pontos para cada uma das casas, e uma salva de apelidos negativos para ela.
A aula se seguiu calma, o professor passou um gigantesco texto sobre a história do boneco de vodu, e anunciou no final da aula, que prepararíamos o boneco na próxima aula. A segunda aula do dia era História da Magia, com o Professor Binns, um professor fantasma, o único fantasma a dar aulas em Hogwarts. Era um ser de personalidade detestável, não tinha emoção para lecionar, a sala inteira entrava em um estado de profundo torpor quando ele começava com suas explicações sobre a história da magia, Vincent era o único aluno que conseguia prestar atenção as aulas, tanto é que sabia que em breve teriam um trabalho de 45 linhas de pergaminho para entregar sobre a principal teoria do surgimento da magia.
– Boa tarde, alunos. – Binns anunciou ao atravessar o quadro, levando alguns alunos a ficarem um tanto assustados, apesar de ser uma pratica recorrente, alguns desavisados ainda se assustavam. Vincent sentava em uma das primeiras carteiras, sendo essa, a única aula na qual ele se separava de seu grupo de colegas. – Continuaremos hoje... – A sua voz de aspirador de pó fez uma breve pausa. –... A estudar o surgimento da magia... – A essa altura apenas Vincent estava interessado na aula. –... A magia como se sabe... Nasceu no Antigo Egito... – E a aula seguiu da forma entediante de sempre.
Logo após a aula, todos os sonserinos da turma marcaram de se encontrar no pátio central. Estavam todos em polvorosos para decidir como seria a reunião dos sangues puro na mansão Malfoy. Vincent não gostava desse tipo de confraternização, achava uma futilidade sem qualquer precedente, mas estava tentado a aceitar o convite. Passar duas semanas com os seus colegas era algo insuportável de se pensar, mas quando se levava em conta onde eles passariam tudo mudava de figura, afinal estariam na mansão dos Malfoy, ele poderia se apartar do grupo, e ficar a aprender mais do que aprenderia na escola.
– Vince? – A voz de Nott o despertou. – Você esta muito avoado hoje, meu caro. – Sua voz compassada dirigiu-se a Vince. – Estávamos comentando a cerca de nossas atividades no encontro de natal. Você acha que devemos montar uma partida de quadribol?
– Não se preocupe comigo, Theodore. – Vincent respondeu sem qualquer emoção na voz. – Em relação ao quadribol, eu acho que deveríamos tentar uma partida. – Ele comentou, agora havia ficado um pouco mais interessado no papo.
– Meu pai disse que o próprio Cornélio Fudge passará em nossa casa no natal. Tratar-se-á de um evento único, todos nós, os bruxos que se prezam devem ir a nossa reunião. – Malfoy anunciou enquanto espalhava mais da sua soberba no grupo de conversas.
– Que interessante Draco. – Nott comentou também sem um pingo de emoção na voz, ele também aparentava não gostar da forma pomposa com que Draco se comportava. – Mas não sei se irei poder comparecer ao encontro, meus pai vai sair para caçar no natal, junto com Rufus Scrimgeour, e quer que eu vá junto. Mas analisarei todas as probabilidades.
Nott era um garoto muitíssimo inteligente que estava na mesma classe que Vincent, e pertencia a Sonserina, tinha aparência um tanto desgastada e apática, alguns diziam que era por conta da morte de sua mãe, que ocorrera no começo do ano passado.
– Tudo bem, Nott. – Draco comentou um tanto ofendido por alguém ter um programa que pudesse rivalizar com o seu. Afinal Scrimgeour era tão importante quanto Fudge, e até mais honrado que o ministro rechonchudo. – Você irá com certeza não é Crabbe? – Draco perguntou esperançoso.
– Claro que sim. – Crabbe era um tipo submisso do qual você não encontra em qualquer lugar, mas quando encontra, ele o segue por toda a vida.
– Muito bem, e você, Goyle? – O semblante pomposo de Draco retornara, ele já havia percebido quem eram seus escravos.
– Claro que sim, não perderia essa oportunidade por nada. – Vincent teve vontade de vomitar, de tamanha submissão que estava presenciando, talvez um jogo de sadomasoquismo não fosse algo que envolvesse tamanha submissão.
– Pois bem, só falta o Vince dar algum parecer. – Agora havia sido a vez de Pansy Parkinson se pronunciar. Pansy era a única menina do grupo de Vincent, e parecia possuir alguma paixonite por Malfoy.
– Eu ainda não sei Pansy. Prometi ao meu irmão mais novo que iria ficar com ele no natal, e promessa é divida. – Malfoy olhou para Vince como se o quisesse fulminar. E todos então se viraram para olhá-los.
– Quer dizer que você está pensando em não ir, só porque prometeu a um fedelho que iria passar o natal com ele? – Malfoy pronunciou suas palavras em tom debochado. – Você tem que aprender a criar prioridades, nesse caso, nós somos prioridades, e não sua família. – Draco olhou para o grupo, procurando apoio, mas não conseguiu. A força de Vincent ali dentro transpassava a de Malfoy, embora ele não quisesse isso.
– Verei o que pode ser feito, Malfoy. – A voz mais gélida que Vince poderia fazer naquela ocasião foi ouvida. – Senhores, estamos atrasados para a aula de Transfiguração, a Sra. McGonagall não gosta que os alunos cheguem tarde. – Os olhos de Vince – antes mantidos colados nos de Malfoy – se apartaram dos dele, e então ele passou a caminhar, correr, na verdade, pois a sala de transfiguração ficava bem distante de onde estavam e ainda teriam que subir terríveis lances de escadas.
De fato, Vincent que correu chegou muito à frente dos outros, que mais pareciam lesmas, McGonagall olhou os atrasados de cima a baixo, e retirou alguns pontos da Sonserina, que seriam facilmente recuperados no decorrer da aula. A aula seguiu-se bem, a nojenta de sangue ruim metida a saber de tudo tentava responder a maioria das perguntas, como sempre, e rivalizava com Vince para ver quem tem a mão mais rápida.
Após a aula, os alunos da sonserina conseguiram recuperar os pontos perdidos e angariar mais alguns outros, para alegar os companheiros de casa e anular o desgosto de terem perdido alguns pontos por desleixo.
A derradeira aula do dia era Transfiguração, com isso todos puderam seguir para o Salão Principal para jantarem e conversarem ainda mais sobre o encontro na mansão dos Malfoy, Nott havia declinado e mudado de ideia pelo menos sete vezes só naquela semana. Deveria estar realmente sem vontade de ir, mas deveria estar considerando a amizade de Malfoy, por isso tamanha indecisão.
Durante o jantar o Professor Dumbledore havia feito um pronunciamento a cerca dos times de quadribol, uma pena que os alunos do primeiro ano não pudessem se inscrever, quer dizer não todos os alunos, Potter havia conseguido uma exceção graças a uma brincadeira de estúpido mal gosto de Malfoy. O resto do jantar se seguiu calmo como sempre, algumas brincadeiras por parte dos sonserinos mais velhos, alguns estavam concentrados de mais em seus estudos para os NOM'S e os NIEM'S que nem sequer riam ou prestavam atenção. Draco continuava a falar sobre o evento de Natal, e Nott que já declinara diversas vezes do evento, agora tinha se comprometido a ir, escreveria uma carta para os pais no dia seguinte.
– Muito bem, Nott. Agora só falta o Vince se comprometer a ir. – Draco comentou, enquanto terminava de jantar. – E então, Vince, só falta você para nosso grupo ficar completo.
– Tudo bem, mandarei uma carta avisando minha família ao amanhecer que não irei passar o natal com eles. – Vincent comentou bastante desinteressado. – Entretanto, eu não irei passar o ano novo com vocês, acho que irei para a casa da minha família na Rússia.
O resto do Jantar se seguiu calmo como sempre, Crabbe e Goyle comeram o peso deles em sobremesa, algo que deixava Vincent bastante incomodado. Todos voltaram juntos para o Salão Comunal da sonserina, como era de costume. A conversa entre o grupo continuou até mais ou menos 23h, quando todos entraram em consenso que era necessário ir dormir para acordarem dispostos para as aulas do dia seguinte. Antes de ir dormir, Vincent aproveitou para escrever a carta para seu irmão, iria para o corujal no primeiro horário da manhã para enviar a carta.
Caro Leander.
Informo que esses meus primeiros meses em Hogwarts estão sendo muito corridos e proveitosos.
Não tive tempo para enviar qualquer outra correspondência nesse espaço de tempo, devido à quantidade de tarefas. Espero que nesse meio tempo você não tenha mexido em nenhuma das coisas, eu sei como tudo está organizado, só para que fique informado. Além disso, informo-lhe que não poderei passar o natal com você. Mas estarei presente no ano novo.
Afetuosamente,
Vincent Selwyn.
