A festa de natal havia sido muitíssimo agradável, e havia passado rapidamente como havia de ser, o dia 26 de Dezembro não tardou a chegar, e com ele o dia que Vince viajaria para São Petersburgo para conhecer boa parte de sua família, e visitar sua mãe, que a muito não via. A história dos Selwyn estava diretamente ligada a História da Rússia, e da Alemanha, somente no penúltimo século os Selwyn haviam migrado para a Inglaterra e França, embora a maioria dos membros da família ainda residia na Rússia, em um lugar que antigamente era chamado Leningrado. Durante a guerra de Grindelwald contra Dumbledore, todos os Selwyn se uniram a ele.

August Selwyn, conhecido como Lord Burmeister, um dos maiores bruxos de sua geração, conhecido por suas técnicas de destruição em massa relacionada ao fogo. Lutou bravamente ao lado de Grindelwald, exterminando inúmeros trouxas e destruindo muitas famílias durante a Segunda Guerra Mundial, lutou bravamente ao lado dos Aliados contra a Alemanha Nazista, provocando uma cisão entre as famílias, os Selwyn Ingleses e Russos não se dão bem com os Selwyn Alemães.

Por contar com muitos membros a família sempre possuiu certa rivalidade pela liderança, August Selwyn reivindicava a liderança da família, por ter sido condecorado com honras máximas na luta ao lado de Grindelwald. Mas Josef, seu irmão gêmeo, era contra isso, considerava que August encaminharia ainda mais a família para as trevas. Josef e August lutaram durante anos para liderar a família, culminando na morte de August, 8 anos após o inicio da batalha, começava assim o período mais próspero dos Selwyn, sobre a liderança de Josef, o qual comanda a família até hoje.

Vincent iria ser acompanhado por sua tia Narcisa para essa visita, Lucius havia planejado uma chave de portal para que eles pudessem se locomover até a Rússia, coisa que não era muito fácil devido a grande distância, mas tudo poderia ser arranjado para um bruxo com tamanha influência quanto a da família Malfoy.

Na primeira hora da tarde Narcisa e Vincent já estavam próximos a uma das colinas da mansão dos Malfoy, a chave de portal estava instalada, e sairia em poucos segundos. Todas as malas já estavam despachadas para São Petersburgo. Quando o relógio marcou exatamente 13h01, a chave de portal foi acionada, Vincent sentiu como se estivesse sendo sugado por um vórtice, e quando deu por conta estava em um rol de visitas que talvez fosse maior que a casa do Sr. Cooper.

O rol de entrada era bastante elegante, contava com um balaústre feito de cristal puro, e as paredes da casa eram feitas de gelo contido em uma bolha feita de magia pura, com diversas armaduras compostas de gelo, uma verdadeira obra de arte, obra do grandíssimo Josef Selwyn, o Mui Nobre Ministro da Magia Russo. Algumas pessoas já estavam esperando Vince e Narcisa, Vincent não conhecia nenhum deles. Um era um homem alto de olhar cansado, e de cabelos pretos, olhos esmeraldas, mas talvez um tanto opaco. Outra era uma mulher de estatura média de longos cabelos louros, olhos azuis. O ultimo era o próprio Josef Selwyn, um senhor de idade avançada aproximadamente 85 anos, possuía uma barba um tanto longa, e longos cabelos brancos.

– Minha cara Senhora Malfoy, quanto tempo! – Josef Selwyn se apresentou, seu sotaque russo era bastante carregado. Narcisa abriu um largo sorriso caminhando em direção ao Ministro, estendendo sua mão, que foi prontamente beijada por ele.

– Meu caro, Josef, realmente estamos há muito tempo sem nos ver. – Ciça novamente abriu um largo sorriso, apertando a mão de todos os presentes. – Bem, esse é o nosso querido Vince. – Vincent que ainda estava no lugar em que havia desaparatado, caminhou em direção aos Selwyn que já o olhavam com certa curiosidade.

– Muito prazer, Sr. Josef. – Vincent se apresentou formalmente como era de seu costume, arrancando algumas gargalhadas do ancião.

– Meu caro sobrinho, posso ser Sr. Josef para os membros do Ministério. – A voz de Josef era muito forte, ecoava como um trovão pelo rol. – Mas para você, meu caro, é tio Josef. – O ancião disse se aproximando de Vince, abraçando-o. Pela primeira vez ele sentia como se realmente estivesse em uma família.

– Quem são esses adoráveis jovens? – Narcisa perguntou, olhando para os garotos.

– Ah sim. – Josef falou com tamanha entonação como se estivesse se lembrado de algo. – Esses são Saskia e Nikolai Selwyn, meus filhos. Saskia é minha filha do segundo casamento. – Josef disse se levantando, caminhando em direção aos filhos. – E esse, meus queridos, é o primo Inglês de vocês. A distinta senhora que o acompanha é Narcisa Malfoy, esposa de Lucius Abraxas Malfoy.

– Muito prazer, Vince. – Nikolai tinha um sotaque ainda mais carregado que o do pai. – Eu ser seu primo, Nikolai, Chefe da Seção dos Aurores. – Em seguida, Nikolai foi se dirigiu a Narcisa. – É um grande prazer conhecê-la, Senhora Malfoy.

– Vince, meu pai já havia me falado muitas coisas de você. Sou Saskia, muito prazer. – Saskia era realmente uma garota muito bonita, destoava completamente em aparência em comparação aos modelos dos Selwyn, mas justamente por isso era muitíssimo bonita. – Muito prazer, Senhora Malfoy, acompanho os programas da Associação da qual a senhora faz parte. – Narcisa pareceu ficar completamente amiga de Saskia.

Logo após aquela demonstração de socialização, todos começaram a caminhar em direção ao centro do palácio onde Josef residia, armaduras gigantescas feitas de gelo puro tomavam conta da paisagem, e diversos quadros dos antigos Selwyn. Os quadros estavam a apenas uma geração de atraso, um dos últimos a ser retratado era Arcelius Selwyn, o ancestral responsável pela união dos Selwyn com os Gaunt, uma família que há décadas era nobre, mas decaiu ao passar dos anos, até ser completamente extinta com a morte de Servolo Gaunt.

Os quadros acenavam para os visitantes, podia-se ver que a família tinha muitas ligações importantes. As paredes da casa exibiam algo descomunalmente belo, Josef havia enfeitiçado algumas das paredes para produzir a ilusão de ótica que vários animais nadavam no gelo, dentre eles alguns tubarões e animais já extintos. Por fim todos chegaram à sala de estar, um gigantesco cômodo, que este sim, com toda certeza teria pelo menos o dobro da casa dos Cooper.

– Espero que essa sala esteja do agrado de vocês. – Josef deu um sorriso um tanto pretencioso, como se duvidasse que alguém pudesse não gostar dela. – Vince, depois de instalado, você poderia passar em meu escritório? – Josef falou com o tom de voz mais sério, seu sotaque russo ficava ainda mais atenuado quando ele falava daquela forma. – Tenho alguns assuntos a resolver no ministério, vocês estarão muito bem servidos nessa casa. Sra. Malfoy, amanhã mesmo me encarregarei de mandar uma carruagem para levá-la... – A voz de Josef ficou mais fraca, e seu rosto empalideceu. – Ao... Bem, a senhora sabe onde devem ir, espero que se sintam bem aqui, estou de saída. – Em seguida, Josef girou em seu próprio eixo, desaparatando em seguida.

Vincent aproveitou que a Saskia havia se oferecido para ajudar Narcisa a se instalar e resolveu explorar o castelo onde estavam já havia lido muito sobre São Petersburgo, sabia que Nurmengard ficava próxima a Petersburgo. Tinha certa vontade de visitar a prisão, mas por enquanto se contentaria em explorar apenas o castelo de seu tio, o que lhe custaria um tempo realmente absurdo.

Primeiramente resolveu explorar os corredores, diversos quadros de diversas épocas da família estampavam os corredores, além das maravilhosas armaduras feitas de gelo, mas nem mesmo o espectro de magia que Josef havia colocado dentro das paredes se comparava com toda aquela magia que sustentava todo o palácio de gelo, era realmente obra de um bruxo poderosíssimo.

Quando se deu por conta percebeu que estava no jardim do castelo, era exatamente o modelo do Jardim do Éden, um lugar amplo, gigantesco, continha só pelo o que seus olhos conseguiam ver gigantescos lagos, um próximo à entrada da mansão, com uma ponte que cortava o jardim para o lado mais externo do mesmo, onde alguns animais mágicos repousavam, sabia que em uma clareira mais afastada morava um dragão, principal animal de estimação de seu tio.

Vincent ficou vários minutos caminhando pelo jardim do palácio, quando um dos elfos da família apareceu, dizendo que seu tio gostaria de vê-lo agora. O elfo teletransportou Vince para o escritório, onde Josef já estava esperando sentado atrás da mesa.

– Bem, Vince, fico feliz por você estar gostando da minha humilde residência. – Josef comentou, colocando os braços por cima da mesa. – Por favor, sente-se tenho muito a falar com você, e espero sua compreensão. – Vincent logo em seguida caminhou para a cadeira e ficou a frente de Josef, que abriu um grande sorriso. – Meu querido, você já ouviu a nossa história moderna?

– Não, tio Josef, por quê? – Vincent era uma pessoa bastante curiosa quando se tratava de sua família. – Poderia me contar tio? – Era a primeira vez que se sentia confortável para chamar alguém de tio.

– Mas é claro querido. – Josef era uma pessoa extremamente diferente dos Selwyn da Inglaterra, tinha a expressão mais bondosa, embora Vincent soubesse que Josef havia passado por todos os tipos de horrores da guerra. – Preste atenção no quadro. – Josef então apontou sua varinha para um quadro em branco que estava do outro lado da sala.

Então o quadro começou a se movimentar e três jovens apareceram. August, Josef e Simon Selwyn. August e Josef eram idênticos, possuíam longos cabelos negros, um olhar altivo e rebelde, lindos olhos esmeraldas, frios como gelo. Simon destoava, era louro, seus cabelos eram curtos, apenas seus olhos eram idênticos aos de August e Josef, esmeraldas, frios como uma geleira. E então como se aquilo fosse à cena de uma penseira ouviu-se a discussão.

– Como você pôde August? – A voz deveria ser a de Simon. – Você é um monstro! Hitler ouve meus conselhos, em pouco tempo eu cessarei a guerra! – A voz de Simon estava muito exaltada.

– Eu não confio em você, Sr. Chanceler do Ministério Alemão, não confio em você e no seu Hitler. Stálin e Grindelwald são um só, e não pararão de lutar! – A face de August estava completamente ruborizada.

– São monstros! Dois monstros, eu tenho nojo de ter a mesma cara que você. – Josef não estava vermelho, estava purpura, completamente ensandecido. – Como assim são um só? Grindelwald usou a maldição Imperius? Ele está coordenando essa guerra? E você está o ajudando... Meu próprio irmão, minha família nas trevas... – A voz de Josef foi aumentando de tom até que ele berrou: – Estupefaça! – E um jato vermelho correu em direção a August.

– Protego! – Simon berrou, interrompendo o feitiço na hora certa. – Viemos aqui para conversar, Josef, August. – Simon berrou aquela discussão já havia passado de acalorada para um completo incêndio. – Eu vim negociar a retirada do Lord Burmeister das linhas de frente, eu o Barão Slither irei me retirar, se August se retirar. Sem nós a guerra não pode continuar! – Simon comentou diplomático, mas August não parecia estar interessado.

– Não me retirarei da Guerra, de forma alguma, não me retirarei. – Sem nem mesmo precisar tocar na varinha uma das cadeiras da sala começou pegar fogo. – Aquamenti! – Berrou segurando a varinha com força, e então um jato pueril de água saiu da varinha, apagando o fogo lentamente. – Tem nojo de mim, Josef? Nojo de mim! Nojo de seu irmão? Da sua família? Do seu sangue! – August bateu o punho contra a mesa. – Estou fazendo isso por você, por nossa família, vamos sair da clandestinidade, seremos grandes ao lado de Grindelwald, a glória eterna nos aguarda! – A risada de August foi maligna e completamente afetada.

– August, eu tenho medo de dizer isso, mas acredito que você perdeu completamente sua razão. – A voz de Josef tentava se acalmar, suas mãos estavam tremulas, seu rosto mais vermelho. – Eu tenho nojo! Nojo do que você fez, meus primos e primas estão nessa guerra, sofrendo, morrendo! – Ele puxou os longos cabelos, como se estivesse se contendo. – Agora me diga o que acontecerá se Dumbledore entrar nessa guerra? Quantos não irão morrer? Eu me retiro, e comigo os seguintes nomes! – Josef sacou a varinha. – Expecto Patronum! – Algo que se assemelhava a um dragão irrompeu da varinha de Josef, pronunciando cerca de 10 nomes, seriam aqueles que estavam se apartando da guerra.

– Agradeço por sua compreensão, Josef. – Simon falou delicadamente. – August, nos vemos no campo de batalha. Nenhum Selwyn que permanecer lá, será poupado. – Simon informou, com um tom de voz mais sério do que de costume. – Adeus. – Em seguida ele desaparatou.

A cena mudou, agora mostrava um devastado campo de batalha, milhares de mortos ao chão, e diversos bruxos duelando, ao centro podia-se ver August e Simon duelando. Uma salamandra de fogo irrompeu da varinha de August, mostrando porque ele se chamava Lord Burmeister.
Simon riu histericamente, sabia que estava próximo da morte, ou pelo menos Vincent pensava isso.

– Lord Burmeister mostrando sua cara. – Simon cortou o ar com a varinha diversas vezes, formando uma espécie de vidro cortado a sua volta, que se agregaram em volta da salamandra, o vidro então se solidificou transformando a salamandra em uma estátua sem qualquer vida, Simon levantou os olhos para procurar August, era tarde, a maldição foi ouvida.

– Avada Kedavra! – Um jorro verde escorreu da varinha de August, acertando em cheio o primo, que caíra morto no chão, de olhos completamente abertos. – O Fuhrer caiu, Rússia venceu a guerra! – August berrou, recusando-se a usar o feitiço Sonorus. – Todos os Selwyn presentes se retirem, matarei o resto do exercito alemão.

A cena novamente mudou, agora estavam Josef e August, ambos aparentavam estarem mais velhos sentados frente a frente em uma mesa.

– August, eu não integrarei minha família a sua, mesmo com a queda de Grindelwald você ainda comete atos ilícitos. Minha família não terá você como líder. Além disso, perdemos os laços com os Selwyn da Alemanha, por sua culpa! – Josef berrou batendo o braço contra e mesa.

– Então novamente uma briga se segue dentro de nossa casa, irmão, e esta será pior que a Segunda Guerra Mundial, e eu tenho dito. – August desaparatou, ao desaparatar começou um incêndio terrível no local que se encontrava.

A cena novamente mudou, dessa vez era o esperado confronto entre irmãos.

– August, nem mesmo sua família o apoia mais, ainda há tempo de pedir desculpas! – Josef berrou, cortando o ar com a varinha, criando um feitiço de proteção.

August não disse nada, apenas cortou o ar com a varinha, praticamente imitando o irmão, mas dessa vez criou uma salamandra de fogo, sua marca registrada. Mas antes que a Salamandra pudesse se formar completamente, Josef foi mais rápido, havia conseguido uma falha no campo de visão de August, estava cara a cara com ele.

– Ainda há tempo, meu irmão. – Josef pareceu estar suplicando, mas viu que era inútil, o olhar assassino estava estampado no rosto de August, todas as pessoas que ele havia matado, de repente passava-se nos olhos de Josef, não podia deixar o monstro continuar vivo, em uma fração de segundo apontou a varinha para seu rosto. – Espero que não sofra Avada Kedavra! – August caiu morto, a guerra pela liderança da família havia acabado. Josef caiu sobre o corpo do irmão, chorando desolado. A sequência de cenas desapareceu, o quadro voltou a seu estado inicial, totalmente branco.

– Bem, Vince acho que essa foi uma aula bastante instrutiva, não é? – Josef perguntou, limpando algumas lágrimas que estavam escorrendo por seu rosto.

– Sim, tio Josef, foi muito instrutiva. Não sabia que nossa família havia lutado na Segunda Guerra Mundial. – Vincent respondeu bastante pensativo, ainda refletindo sobre o que havia visto.

– Vince, o que eu vou lhe pedir agora é incomum, eu não gostaria de pedir isso a você, por mim um de meus filhos iria, mas enfim... – Josef suspirou bastante, coçando a cabeça, encontrando a melhor forma de dizer. – Desde a morte de Simon, meu primo, perdemos o contato com os Selwyn da Alemanha. Mas agora eles querem recolocar os laços de família, é uma oportunidade única. – Vincent se animou com o fato, não conseguia ver aquilo como uma noticia ruim. – O chefe da Família de lá, Theodor Selwyn, quer que você se case com a filha dele. Ela é 5 anos mais nova que você, sei que é uma proposta indecente, lhe darei um tempo para pensar. – Josef suspirou, imaginava que Vincent não aceitaria o pedido, não era para ele aceitar, um garoto não aceitaria aquilo.