– Vince, o que eu vou lhe pedir agora é incomum, eu não gostaria de pedir isso a você, por mim um de meus filhos iria, mas enfim... – Josef suspirou bastante, coçando a cabeça, encontrando a melhor forma de dizer. – Desde a morte de Simon, meu primo, perdemos o contato com os Selwyn da Alemanha. Mas agora eles querem recolocar os laços de família, é uma oportunidade única. – Vincent se animou com o fato, não conseguia ver aquilo como uma noticia ruim. – O chefe da Família de lá, Theodor Selwyn, quer que você se case com a filha dele. Ela tem 5 anos a menos que você, eu sei que é uma proposta indecente, lhe darei um tempo para pensar. – Josef suspirou, imaginava que Vincent não aceitaria o pedido, não era para ele aceitar, um garoto não aceitaria aquilo.

Vincent ouviu a proposta um tanto pensativo, não era uma coisa inaceitável, de fato era até que aceitável, pois para unir a família, aquilo não passava de um pequeno grão de areia. – Bem, tio Josef. – Vincent tentou falar, mas não conseguia encontrar uma frase, uma palavra que fosse para conseguir se expressar. Era uma proposta justa, era um fato, mas não deixava de ser uma proposta completamente suja, com moldes do século XIX. – Bem, eu aceito o acordo, se é para o Bem Maior da família, eu aceito casar com essa prima. – Vincent respondeu ainda mais pensativo que antes, as cenas da batalha entre a família, se repetindo, não seria algo agradável.

– Mas Vince... – Josef coçou a cabeça, pensativo, não era uma proposta para ser aceita, não poderia impor isso a uma criança de sua idade. – Mas bem... Informarei a nosso primo Theodor, que você aceitou "o acordo". – Era inaceitável que Vincent estivesse aceitando aquela união absurda, mesmo que fosse para reunir as famílias. – Vince, é de meu conhecimento que amanhã você e a Sra. Malfoy irão sair, por isso eu recomendo que você vá deitar para se acostumar com as diferenças daqui de São Petersburgo para Hogwarts. Seu quarto é o trigésimo quinto à direita, meu elfo de confiança irá levá-lo. – Assim que Josef terminou de falar, um elfo de aparência bastante carrancuda apareceu no escritório.

– Muito bem, tio. Vemo-nos amanhã então. – Ao dizer isso, Vincent caminhou em direção ao elfo, e então os dois foram teletransportados para o quarto onde Vince iria ficar, era de se imaginar que eles não fossem andando até lá, deveria ser uma caminhada deveras cansativa.

O quarto onde Vince ficaria era um quarto digno de um príncipe herdeiro possuía um lustre de cristal gigantesco, aceso por um fogo mágico que se alternava conforme a vontade da pessoa que fosse dormir ali, as paredes eram feitas de gelo contidas em magia, como de costume, era realmente um quarto dos sonhos.

– Sr. Selwyn, seu jantar virá logo. – O elfo anunciou e então desaparecendo. Mas Vince mal teve tempo para pensar, o elfo já havia retornado, e estava com uma bandeja cheia das mais diversas comidas, "Não sou Ronald Weasley", Vincent chegou a pensar quando viu toda aquela comida, comeria no máximo dois pratos, não era um esfomeado.

Logo após terminar o jantar Vincent mandou não ser mais incomodado tinha muito mais coisas para pensar, do que conhecer sua família nova, além disso, estava em terras estrangeiras, poderia usar magia sem ser percebido pelo Ministério de Londres, iria aproveitar para praticar alguns feitiços do livro de sua mãe até adormecer.
Os primeiros raios do dia demoraram a chegar, e Vincent aproveitara bastante a noite para treinar, havia ido dormir às 1h30 da manhã. Mas Vincent não foi acordado pelos raios de sol, fraquíssimos raios de sol, aliás, mas sim por um dos elfos da residência de seu tio, tinha a leve impressão de que era atendido cada vez por um elfo diferente.

– Sr. Selwyn, a Digníssima Senhora Malfoy o aguarda para irem, ela diz que não há necessidade de o senhor tomar café aqui, tomarão no caminho, se vista. – O elfo falou cordialmente, e de forma acelerada, parecia um berrador. – Venho buscá-lo em 5 minutos. – E então o elfo desapareceu.

Poucos minutos depois, Vincent já estava trocado, estava com uma roupa bastante elegante, havia sido presente de sua tia Ciça, de natal, quando o elfo apareceu para levá-lo, Vincent já estava esperando na porta, olhando pelo corredor, podia contar pelo menos 60 portas para quartos, além de mais de mais de duas mil armaduras feitas de gelo, era um verdadeiro palácio. Por fim, o elfo o levou em direção ao hall de entrada.

Narcisa e Vincent então caminharam em direção à carruagem que os esperava para os levarem até Moscou, aonde Vincent iria finalmente visitar sua mãe depois de tanto tempo. A carruagem era guiada por dois cavalos que seguiam com uma velocidade impressionante. Vincent não sabia se Moscou ficava longe de São Petersburgo, mas sabia que àquela velocidade chegariam lá depressa. E foi o que aconteceu, em menos de 4 horas já estavam chegando a Moscou. Onde a carruagem foi abandonada para não chamar muita atenção dos habitantes da cidade, cidade, aliás, muito movimentada, várias pessoas caminhavam apressadas comentando sobre a bolsa de valores, e cosias desse tipo. Finalmente haviam chegado ao seu destino, um prédio alto, bastante velho e destruído, uma placa dizia: "Sede do Sindicato Bolchevique". Estava abandonado a mais de 50 anos, ou pelo menos aparentava isso, e então Ciça se aproximou de uma das entradas para correio e murmurou algumas coisas inaudíveis.

– Vamos, Vince. – Narcisa anunciou, passando pela porta que se abrira, muitas pessoas passavam por ali, mas nenhuma dava atenção para o velho prédio que estava com uma porta aberta, trouxas têm a memória fraca e facilmente manipulável.

Vincent caminhou junto com sua tia em direção ao prédio, ao passar pela porta viu uma larga sala de recepção, várias e vários curandeiros e curandeiras caminhavam por todos os lados fazendo diagnósticos e falando algumas coisas em russo que Vincent não conseguia entender. Os dois caminharam em direção ao balcão de informações, Narcisa falou algumas coisas em russo, Vincent naquele momento sentiu uma vontade incontrolável de aprender russo. Por fim o recepcionista liberou a passagem dos dois.

A visão do hospital não era uma das melhores, vários bruxos e bruxas machucados estavam sentados em um dos bancos, um homem estava com metade do rosto desfigurado, foi uma das piores coisas que Vincent já havia visto. Já Narcisa agiu como se um odor muito desagradável estivesse bem embaixo de seu nariz, parecia sentir um nojo horrível daquelas pessoas, de fato Narcisa agia como uma verdadeira Aristocrata Bruxa. Por fim os dois subiram as escadas calmamente, passaram por alguns andares, para finalmente chegarem ao andar de Danos Causados Por Magia, onde a mãe de Vincent estava internada. Muitos bruxos estavam internados ali, alguns apenas esperando as azarações terminarem o efeito, e outros que estavam fadados a passar a vida no Hospital.
O quarto dela era um dos últimos da seção, o quarto estava abarrotado de livros até o teto, contava com muitas estantes, e uma cama mais ao canto esquerdo, onde uma mulher de cabelos escuros opacos, de pele bastante branca e olhos esmeraldas estava sentada, segurava um livro que dizia: "Defesa Avançada Contra as Artes das Trevas". Lia de forma bastante entretida, algumas lágrimas já escorreram pelos olhos de Narcisa, que bateu algumas vezes na porta, atraindo a atenção da moça que estava lendo.

– Minha querida Ciça! – A mulher falou, retirando os olhos dos livros. – Por que está chorando, alguma má noticia? – Joanne perguntou como se não soubesse que estava ali dentro, internada no Hospital.

– Nenhuma minha querida, apenas lembrei-me daquela peça sobre as Relíquias da Morte que vimos semana passada, emocionante. – Narcisa comentou com a voz fraca, adentrando no quarto, onde Joanne Selwyn estava Vincent entrou em seguida, estava bastante apreensivo. A mulher que estava sentada na cama não esboçou nenhuma reação ao vê-lo, não o chamou de filho, sequer se moveu, apenas levantou os olhos e encarou o garoto.

– Quem é esse rapaz, Ciça? Algum colega seu? – A mulher perguntou, sentando-se melhor na cama, agora prestando atenção nos dois, mas era uma atenção débil, um tanto desfocada, não parecia ser como quando ela lia o livro, anteriormente ela aparentava ter mais vida. – Mas bem, não importa, fico feliz por ter vindo me ver.

– Ah sim, querida, esse é um dos primos de Lucius, Vinicius Malfoy, veio me acompanhar a essa visita. – Narcisa disse pesarosa, esperando que a mentira fosse aceita, talvez fosse catastrófico Joanne ver Vincent já tão crescido.

– Muito prazer, Sra. Selwyn, ouvi dizer muitas coisas boas a seu respeito. – Vincent disse com a voz trêmula, sabia haveria a necessidade de dissimular, não saberia por quanto tempo aguentaria, ainda mais por ter de chamar sua mãe de Sra. Selwyn. – Não há necessidade de agradecimentos.

– Igualmente, Vinicius. Desculpe-me pela indelicadeza. – Joanne disse abaixando o tom de voz, como se não quisesse que Ciça ouvisse o que ela estava disposta a dizer. – Espero que não tenha seguido a rota dos comensais da morte, poucas mães querem isso para seu filho, não é Ciça? – Ao dizer as ultimas palavras Joanne aumentou seu tom de voz, a expressão no rosto de Ciça mudou, ficando um pouco mais séria.

– Sim, minha querida. Nenhuma mãe aguentaria ver seu filho, tão novo, se transformar em um comensal da morte. – Ciça argumentou, passando a mão em seu longo cabelo louro.

– Não senhora, eu não segui os passos do meu primo. – Disse forçando-se a chamar Lucius de primo, havia criado o hábito de chamá-lo de tio. – Estou no primeiro em Hogwarts, pertenço à casa de Slytherin. – Vincent tentava contar seus feitos sem parecer muito arrogante, ou parecer que estava querendo contar vantagens.

– Vejo que já é um rapaz de honra, está na casa correta. – Joanne comentou, passando o dedo entre as inscrições da capa do livro, olhando fixa para Narcisa. – Slytherin é um de meus ancestrais, meu filho Vincent, quando estiver com a sua idade será um dos bruxos dessa casa, o maior de sua geração. – Joanne falou com orgulho fortíssimo em sua voz, percebia-se que ela era uma forte defensora do sangue-puro. – Ele crescerá e se casará com uma garota de sangue puro, uma Grengrass possivelmente.

– Possivelmente, minha querida, possivelmente. – Narcisa continha-se para não chorar, era algo que estava verdadeiramente estampado na face da nobre dama da aristocracia. – Minha querida, Vincent está precisando de dinheiro para comprar algumas coisas, o – A voz de Narcisa tomou um tom incrivelmente desprezível naquele instante – Cooper não está disposto a pagar, será possível você me autorizar a retirar alguma coisa para o nosso querido?

Vincent realmente precisaria comprar novas coisas para o inicio do ano letivo, uniformes, livros, e tantas penas e tinteiros, pergaminhos, que mal poderia contar em sua mente quanto iria gastar, mas se sua mãe fosse ajudá-lo a coisa mudaria de figura.

– Minha querida, você não precisaria não ao menos ter perguntado, leve esse bilhete ao Gringotes. – Aos poucos Joanne escreveu um longo comunicado, não era um bilhete, mas parecia um requerimento. – Além disso, já escrevi o necessário para que meu Vincent possa receber a herança que tange o testamento de meu pai, uma gigantesca quantia, Montie ficou, bem, não ficou muito feliz por Vincent ter recebido tanto. – Joanne comentou um tanto desinteressada no assunto, embora fosse algo que precisasse de uma análise bem mais a fundo.

– Mui... – Vincent quase agradeceu ao ato de sua mãe, mas calou-se a tempo. – Mui sensato de sua parte, senhora Selwyn. – Havia sido salvo pelo seu próprio gongo mental, não poderia sair da personagem assim tão fácil, poderia comprometer ainda mais o estado de saúde mental de sua mãe. Ela que acreditava que seu filho ainda possuía 5 anos de idade, e estava correndo nos jardins da casa dos Cooper, aquilo cortava a alma, os Selwyn não têm coração, de todos os membros da família. – Assim seu filho ficará amparado por um longo período de tempo. – Ciça não pôde deixar de rir, como se Vincent estivesse contado a piada mais engraçada de todo o mundo.

– Meu querido Vinicius, a herança do Sr. Steve Selwyn é tão grande, mas tão grande, que o jovem Vincent pode levar uma vida de luxo como a minha, até os seus 160 anos ou mais, que não a consumirá toda. – Narcisa e Joanne riram novamente, Vincent se sentiu como um índio da tribo que visitava Las Vegas. – Minha querida, sobre o que fala esse livro que você estava lendo, sinto por ter interrompido sua leitura.

– Ah, exatamente, meu querido. A herança que papai, deixou para meu Vince aproximadamente 900 milhões de galeões, deve ser mais, fora os tesouros que aquele cofre guarda: baús de ouro, joias, relíquias, enfim. Vincent será um garoto de sorte. – Joanne deu um sorriso bem largo, voltando sua atenção para Narcisa. – Fala sobre formas avançadas de se deter a arte das trevas, como conjurar patronos, os feitiços defensivos mais poderosos, essas coisas. – Ela então voltou os olhos para o jovem Vincent. – Garoto, você tem cara de que será um auror, um daqueles bem sucedidos. Tome esse livro, e esse, e mais esse. – Joanne disse jogando o livro de DCAT para Vince, juntamente com um livro de poções e transfiguração. – Estudando por esses livros, você se tornará um auror muito bem sucedido.

– Muito obrigado, senhora Selwyn. – Vincent disse recolhendo os livros que ela havia lhe dado, não fariam qualquer falta, ele pôde observar, ela possuía uma coleção de livros que ele jamais havia visto, era algo surreal. – Quando passar na prova para auror, lhe enviarei o resultado antes mesmo de enviar para a Ciça. – Novamente teve de se segurar para não chamar Narcisa de tia Ciça.

Passaram mais alguns minutos conversando, quando uma enfermeira atarracada, que muito lembrava um sapo boi entrou na sala.

– Meus queridos. – Sua voz pastosa anunciou. – O horário de visitas terminou, ela precisa descansar vocês compreendem? – Ela perguntou em tom de pergunta retórica, era óbvio que eles haveriam de concordar, ou eles seriam expulsos a ponta pés pelos aurores que cuidavam do Hospital. – Podem voltar amanhã se assim desejarem. – A mulher disse com voz amável, deveria ser uma curandeira bastante agradável.

– Bem, minha querida, vamos ir embora. Estamos hospedados na casa de Josef. – Narcisa disse se aproximando do rosto de Joanne, depositando-lhe um beijo na testa. – Em breve viremos visitá-la.

– Bem, então adeus, Ciça, Vinicius, espero que venham me visitar logo, estarei aguardando. – Disse Joanne beijando o rosto de Ciça, e então se virou para Vincent. – Tome cuidado, Vinicius, a estrada para se tornar um auror é tortuosa, mas muito satisfatória. Mandem lembranças para o meu Vince. – Disse Joanne sorrindo.

Ao saírem do quarto, onde Joanne estava, algumas lágrimas escorreram pelos olhos de Narcisa, talvez o que ela estivesse segurando no quarto fosse liberado agora, aos poucos ela se recompôs, voltando a caminhar. Depois de irem para a casa de Josef, fariam as malas e voltariam para a Inglaterra, as aulas em Hogwarts voltariam em pouco tempo, e era necessário que Vince estivesse por lá no dia certo para poder retornar às aulas.