Havia se passado algum tempo desde a ultima visita de Vincent a sua mãe, algo compreensível entre 1 ano e 6 meses e 1 ano e oito meses. Vincent agora estava em seu terceiro ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, mas diferente dos anos anteriores uma grande ameaça estava pairando sob o mundo bruxo: Sirius Black um perigosíssimo prisioneiro de Azkaban havia fugido de seu cárcere, e tudo indicava que ele estava indo em direção a Hogwarts. Muitos boatos pairavam acerca de seus reais motivos para ir até a escola, outros já diziam que ele estava atrás de Harry Potter, que agora cursava seu terceiro ano.
Agora Vincent estava na estação de King Cross acompanhado por "sua família": Sr. Cooper, Sra. Cooper, dois irmãos mais novos que ele detestava, e seu irmão Leander Cooper, que naquele ano iria ingressar na magnifica escola de bruxos e bruxas de Hogwarts. Vincent estava diferente, comparado aos anos anteriores, suas feições antes mais infantis estavam abandonadas, dando forma a um rosto mais bem formado, seguindo os modelos da família de sua mãe, não se parecia nem um pouco com a família de seu pai, seus olhos esmeraldas estavam também mais claros, embora emitissem um frio que poderia congelar a qualquer um.
"A família feliz" caminhava pela extensão da estação para chegar finalmente na barreira invisível que separava o mundo dos bruxos do mundo dos trouxas, por assim dizer. Vincent atravessou a barreira sem problema algum, Leander havia ficado temeroso então cruzou a passagem correndo, como a maioria dos primeiranistas faziam nada fora do comum.
– Vincent. – A voz do Sr. Cooper despertou Vincent de sua onda de pensamentos. – É o primeiro ano de Leander em Hogwarts, e considerando a situação atual, você deve protegê-lo. – Cooper havia dito aquilo como se realmente se preocupasse com a saúde dos filhos.
– Claro, irei protegê-lo. – Vincent respondeu completamente desinteressado, procurava de forma altiva os seus colegas: Malfoy, Higgs, Nott, Parkinson. Gostaria de ter passado as férias com os Malfoy, mas Cooper não havia permitido, era um traidor do sangue nojento. – Acho que é melhor irmos para o trem, senão vamos nos atrasar, e "considerando a situação atual", atrasos não são bons. – Vincent respondeu calmamente, enquanto caminhava puxando um de seus malões, os outros já haviam sido guardados no vagão de bagagens.
– Falou como se fosse um politico. – Cooper comentou com algum desdém na voz. – Mas de qualquer forma, Vince não está errado. Acho melhor vocês entrarem logo. – Ao terminar de falar, ele segurou fortemente o braço do jovem garoto louro franzino que estava tentando acompanhar os passos de Vincent. – Acho muito bom você se comportar, eu não quero receber cartas falando que você é um desordeiro, entendeu? Siga o exemplo de seu irmão. – Cooper poderia não gostar do jeito arrogante de Vincent, mas havia de concordar que ele era um dos modelos para os bruxos mais novos.
– Claro, papai, não receberá esse tipo de carta. – Leander respondeu bastante pesaroso, odiava receber todos aqueles sermões do pai, achava bastante desnecessário. – Seguirei. – Pôde-se ver o rosto de Leander empalidecer ao receber o pedido de seu pai para ele se espelhar em Vincent. Ao caminharem em direção ao trem Leander tentou segurar a mão de Vince, que se esquivou prontamente.
– Não aja como um tolo. – Vincent o advertiu, caminhando pelo trem, algumas pessoas abriam passagem para ele e para o irmão, outros simplesmente o evitava, dava para perceber que ele era uma persona non grata pela maioria dos estudantes que não pertenciam a Sonserina. Embora ainda conservasse amizades com alguns corvinos. – Venha, eu vi meus amigos ali. – Comentou, segurando Leander pelo ombro, puxando-o em direção a uma das cabines onde estavam Draco, Theodore, e o resto dos lugares estavam reservados para os sonserinos do seleto grupo de Vincent.
– Bom te ver, Vince. – Nott comentou com a sua voz pomposa e arrogante, que estava mais atenuada agora. – Quem é esse rapaz? É um dos nossos? – Nott perguntou, olhando Leander de cima a baixo, medindo seu poder aquisitivo.
– Igualmente, Nott. – Vincent respondeu caminhando em direção a um dos bancos vazios, sentando na janela. – Esse é meu meio-irmão, Leander Cooper. É um dos nossos. – Vincent comentou, puxando o irmão para dentro da cabine. – Bom tarde para você também, Draco. Como vai a tia Ciça?
Draco pareceu ser retirado de um transe quando a voz de Vincent se referiu a ele. – Ah, me desculpe, Vince, eu estava perdido em devaneios. – Draco disse entendendo a mão para apertar a de Vince. – Minha mãe está ótima, está sentindo sua falta, não tem ideia do quanto ela amaldiçoou seu pai por ele não ter deixado você passar as férias conosco. – A cabine inteira riu, exceto por Leander, talvez ele ainda estivesse sentindo excluído daquele grupo. Não demorou em encher a cabine, Pansy Parkinson e Crabbe foram os últimos a chegar, bastante próximos do horário de partida do trem.
A conversa dentro da cabine estava como sempre muito animada, os garotos faziam diversos planos para o novo ano em Hogwarts, e um deles, segundo Draco seria acabar com a reputação do novo Professor de Trato das Criaturas Mágicas, um ato de total imbecilidade para Vincent, ele não iria participar daquilo, mas também não iria impedi-los.
Aos poucos o trem foi diminuindo de velocidade, em cima de uma ponta que Vincent nunca havia reparado, e de repente uma sensação de frio intenso tomou conta do local, e ouviu-se o barulho da porta do trem se abrindo.
– O que está acontecendo? – Draco perguntou olhando para todos que estavam no vagão, estava bastante assustado e incomodado com o fato do trem estar se abrindo em cima de uma ponte. Draco não conseguia imaginar quem poderia estar embarcando.
– Dementador. – Disse Vincent calmamente, aparentava uma calma inimaginável, mas por dentro estava realmente apreensivo, caso fosse necessário usar o patrono já estava com a varinha em sua mão por dentro das vestes.
O rosto de todos os presentes mostrou pavor. – Como isso pode acontecer? Um Dementador no trem? – Pansy perguntou horrorizada. – São as circunstâncias atuais, acham que Sirius Black pode estar no trem. – Nott respondeu com a voz um tanto apavorada. Os cabelos louros de Draco estavam arrepiados, e Leander parecia estar indiferente.
– Vince, o que são dementadores? – Leander perguntou inocentemente, atraindo todos os olhares para ele, como se estivesse nu dentro do trem.
– Dementadores são os guardas da prisão de Azkaban. – Vince apressou-se em respondê-lo. – Estão classificados como uma das criaturas mais malignas que estão em nosso mundo, eles retiram as memórias boas das pessoas, até que não sobre mais nada, além de lembranças ruins. – Vincent respondeu como em alguma outra ocasião tivesse devorado um livro que falava sobre eles.
– Entendi... – Leander respondeu muito apreensivo, passando a se segurar com força no banco da cabine onde estavam, e por incrível que pareça todos fizeram o mesmo, exceto Vincent, que estava com a varinha em punho, caso o dementador se exaltasse.
Passado alguns poucos momentos a porta da cabine foi aberta por um ser encapuzado, de aproximadamente 2,5m de altura, era como sentir a presença da morte dentro do vagão, a sensação de felicidade e esperança estava desaparecendo pouco a pouco, somente pela presença do Dementador ali dentro. E então o monstro encapuzado começou a fazer sua "mágica", virou-se para Leander, talvez por ser o mais novo da cabine, e começou a retirar suas lembranças, foi possível ver o horror nos olhos do mais novo, que parecia estar sofrendo uma espécie de acesso.
– Expecto Patronum! – A varinha de Vince estava erguida no ar, e então uma serpente prateada saltou da ponta de sua varinha, atacando de certa forma o dementador, servindo para expulsá-lo dali. – Encontre um professor. – Vincent pediu para a serpente na famosa língua das cobras, ela saiu de dentro da cabine onde estavam, para procurar algum professor. Vincent aproveitou para colocar o rosto para fora da cabine, e viu que os dementadores se afastavam de forma significativa quando a serpente passava.
Alguns minutos depois um professor de roupas mal feitas, velhas, muito desgastadas, apareceu dentro da cabine deles, Leander ainda estava com uma feição apática, como se estivesse bastante enojado. – Fiquei impressionado quando recebi essa mensagem. – O professou falou dando um grande sorriso. – Eu sou o Professor Lupin, muito prazer. – Lupin disse apertando a mão de todos que estavam ali. – Muito bem, qual de vocês conjurou aquele patrono? – Todos da cabine apontaram para Vince.
– Diante da situação eu achei necessário, o dementador passou dos limites. – Vincent tentou se justificar, embora não tivesse cometido crime algum, achava-se na necessidade de se justificar.
– Não precisa se justificar, foi um ato muito bem planejado, o dementador poderia fazer um grande estrago se não fosse o seu patrono, aliás, poucos bruxos da sua idade podem conseguem produzir um patrono corpóreo. – Lupin disse com certo tom de surpresa na voz. – Bem, dê esse punhado de chocolate ao garoto, ele melhorará. – Lupin disse retirando das vestes uma embalagem de chocolate de dentro das vestes, e entregou a Vince. – Agora se me deem licença, eu irei falar com o Maquinista, até a escola. – Lupin disse se despedindo.
– Já ouvi falar dele. – Draco disse, agora já retornando ao seu estado normal. – Meu pai disse que nunca para em um emprego por muito tempo, não sei como Hogwarts o contratou, Dumbledore deve estar caducando. – Todos riram quando Draco disse aquilo, menos Vincent, que estava ministrando o chocolate ao irmão.
Em pouco tempo o trem voltou a andar, e toda aquela sensação de desesperança sumiu, e pelo menos alguns alunos voltaram ao clima de baderna como sempre. Ouviu-se um aviso dizendo que todos deveriam se trocar e colocar suas vestes bruxas, eles já estavam próximos a Hogsmeade. Podiam-se ver as luzes da cidade acesas para receber os novos e velhos alunos de Hogwarts.
Ao chegar à estação todos desceram apressadamente como era de costume, para pegar as melhores carruagens que os conduziriam a Hogwarts, o grupo de Vincent pegou a primeira carruagem. Leander seguiu com os primeiranistas no barco junto com Hagrid. Todos os alunos seguiram para o salão principal, onde teriam de esperar os primeiranistas serem selecionados para aguardar o banquete. O coral do Professor de feitiços fez uma bela apresentação baseada em uma canção da peça MacBeth.
Por fim todos os alunos do primeiro ano entraram para a Seleção, muitos dos novos selecionados foram para a sonserina, então logo chegou a vez de Leander Cooper ser selecionado.
– Leander Cooper! – A voz de Minerva McGonagall ecoou pelo salão, o jovem rapaz louro caminhou em direção ao banco onde o chapéu seletor estava, a professora colocou o chapéu em sua cabeça.
– Vejo que tem um grande potencial retraído, sim. – O chapéu comentou pensativo, continuando com seu discurso. – E é muito leal, a casa de Helga seria uma escolha muito boa para você. – Leander começou a pedir mentalmente: "Sonserina, por favor, sonserina, por favor". – Sonserina, por favor? Deseja seguir os passos de alguém muito querido, entendo, entendo. – O chapéu continuou a balbuciar. – Portanto é melhor que seja SONSERINA! – Uma salva de palmas foi ouvida da mesa da Sonserina.
Leander saiu correndo e sentou-se a mesa da sonserina, ficando frente a frente com Vince, enquanto seus novos colegas de casa o cumprimentavam. – Muito bem, Leander. – Vincent o parabenizou. – Sabia que você não iria para qualquer casa senão essa. – Vincent comentou, enquanto montava seu prato, os duendes daquela escola realmente sabiam como fazer uma boa refeição.
– Boa noite, professores, e jovens bruxos e bruxas que frequentam nossa escola. – A voz do professor Dumbledore silenciou todas as outras. – Gostaria de mais uma ver desejar boas vidas a todos, e espero que a estadia em Hogwarts seja muito prazerosa a todos. – Dumbledore realmente sabia como conduzir suas palavras, todos os alunos agora prestavam atenção em suas as palavras. – Sinto em dizer, que haverá dementadores nas fronteiras do castelo, devido a um decreto ministerial, o qual eu me opus fortemente. Mas infelizmente, até segunda ordem, dementadores estarão presentes. – Dumbledore caminhou pelo palco onde estava passando os avisos. – Eles não irão atrapalhar nossas atividades diárias, mas eu lhes advirto, não cruzem o seu caminho, os dementadores não fazem distinção de quem é a caça, ou quem está os ajudando. – Dumbledore então um grande sorriso. – Deixando as noticias ruins, o Professor Hagrid irá assumir as aulas de Trato das Criaturas Mágicas. Remo J. Lupin irá lecionar Defesa Contra as Artes das Trevas. E todos os alunos do 5º ano deverão estudar de forma dobrada, para prestar os NOM'S, o mesmo vale para aqueles que irão prestar os NIEM's. Boa noite, e boa refeição. – Ao terminar de dizer isso, Dumbledore caminhou em direção de sua cadeira, assim todo o salão pôde voltar a conversar normalmente.
– Hagrid assumir as turmas de trato das criaturas mágicas? – Malfoy comentou com nojo na voz, arrancando risadas de muitos alunos da mesa da sonserina. – Meu pai saberá disso na primeira hora da manhã, Dumbledore está completamente caduco. – Draco realmente detestava todos os que fossem mestiços, principalmente Hagrid, por conta de um incidente que aconteceu durante seu primeiro ano na floresta proibida.
– Draco, vamos assistir à primeira aula dele, se não for satisfatória, mandaremos uma carta para seu pai, e ele dará um jeito de fazer com que um professor melhor venha nos dar aula. – Vincent comentou, com seu tom de voz bastante sensato.
– Muito bem pensado, Vince. – Nott comentou, colocando as mãos no rosto, mostrando visível tédio. – Nós temos que sair daqui logo, eu não aguento mais ficar próximo desses sangues-ruins. – Nott comentou, olhando para a mesa da Grifinória, que estava abarrotada de nascidos trouxas aquele ano. Nott fez uma menção que iria vomitar, e todos riram.
– Mas bem, vamos esperar mais alguns minutos. – Draco ponderou. – Os monitores logo irão levar todos os alunos para os seus salões comunais.
Passados aproximadamente 30 minutos, os monitores começaram a guiar todos os alunos mais novos para os seus dormitórios, o grupo sonserino ficou a esperar todos os outros saírem, para não se sujarem com a ralé.
A primeira aula do outro dia foi justamente com Rúbeo Hagrid, o novo professor de Trato das Criaturas Mágicas, o gigante tolo parecia que não havia planejado sua aula corretamente, ou estava muito nervoso para seguir seu cronograma, o fato era um só: Ele havia levado hipogrifos para o primeiro contato dos alunos com seres mágicos, um erro terrível.
– Esse Hagrid está louco. – Malfoy e Nott falaram juntos, sem que houvesse intenção. – Trazer hipogrifos para a primeira aula.
– Concordo plenamente. – Vincent balançou a cabeça negativamente, estava esperando que não fosse necessário enviar uma carta para Lucius Malfoy, mas diante daquela situação era inevitável.
Durante o decorrer da aula, Draco subestimou um dos hipogrifos, o líder deles talvez, e havia recebido um grande ferimento. Não havia dúvidas, Hagrid seria despedido na primeira hora da outra manhã, e o animal seria executado.
