Logo após o incidente com o Hipogrifo de Hagrid as aulas foram suspensas por algum tempo, enquanto seguia-se a ameaça de um rígido inquérito Ministerial. Malfoy estava fazendo um drama gigantesco em relação ao ferimento que havia ganhado, justamente, por provocar um hipogrifo, após receber ordens explicitas de ser educado com a criatura. Devido àquele ato de incrível estupidez ele estava sendo ignorado por Vincent naquelas semanas subsequentes. Vincent, aliás, aquele que estava bastante ocupado com suas novas matérias: Aritmancia e Trato das Criaturas Mágicas.
Vincent para não ser incomodado com os burburinhos de seus colegas da sonserina resolveu ir a clareira para que pudesse estudar de forma mais concentrada, afinal os sonserinos pareciam não perceber que mesmo com todo aquele clima exageradamente triste e ridículo acerca do machucado de Malfoy, aquele clima estava tão insuportável que corroborou com a saída de Vincent do Comunal.
Caminhar pelo átrio do castelo era sempre algo desagradável, o cheiro de sangues-ruins novatos que ficavam por ali era deveras insuportável, muitos deles abriam caminho quando Vincent caminhava, sua presença era evitada por muitos, apesar de ele nunca ter atacado estudantes de sangue-ruim, sua fama era suficiente para espantá-los. Como as aulas de TDC estavam suspensas a clareira estava completamente livre, um amplo espaço livre, o qual quase nenhum aluno frequentava aquele local, era perfeito para estudar.
...
Bruxos e bruxas caminhavam por todos os lados bastante apressados: aquele era o Ministério da Magia, tão logo de uma das lareiras Lucius Malfoy apareceu, parecia bastante irritado, seu rosto estava travado em uma expressão de fúria, o distinto senhor da Aristocracia caminhava em passos duros e longos, empurrando todos os estagiários e outros que ficavam em seu caminho.
– Algum problema, Lucius? – Uma bruxa baixinha e gordinha de cabelos castanhos bastante pequenos, presos por uma longa fita rósea que muito se assemelhava a uma grande mosca, apareceu frente a Lucius. – Parece tão irritado. – Ao terminar de falar, ela deu uma risada bastante infantil e afetada, que pareceu cortar os ouvidos de Lucius.
– Não... Nada exatamente, alguns problemas no colégio com o mestiço. – A voz de Lucius foi de total desprezo ao dizer a palavra mestiço – Draco sofreu um terrível acidente envolvendo um hipogrifo que ninguém menos que Rúbeo Hagrid, o novo professor de TDC, levou para aula. – O rosto da bruxa baixinha crispou sua expressão antes infantil e flácida, mudou para agressiva e rancorosa.
– Mestiço nojento. Colocar um gigante para dar aulas para os futuros trabalhadores do Ministério? – A bruxa pareceu fazer um estranho gesto com o rosto, mostrando completo repúdio. – Mas afinal... – Ela deu novamente sua risada afetada. – O que o gigante fez com o jovem Draco? – A bruxinha caminhou em volta de Lucius, ficando à sua direita.
– Como eu havia dito Dolores, ele levou um hipogrifo para aula. – A voz de Lucius pareceu aumentar uma nota ao dizer aquilo. – Um hipogrifo, para alunos do terceiro ano, os quais nunca haviam tido contato com criaturas mágicas. O hipogrifo, louco provavelmente, atacou Draco, machucou o seu braço. – A expressão de Dolores se contraiu em um falso ato de piedade, que na verdade estava satisfeita, pois poderia colocar suas garras em Hogwarts.
– Convocarei o Ministro e a Wizengamot, isso não pode ficar assim. – Dolores disse em êxtase, a muito já estava com vontade de intervir em Hogwarts, nem que fosse a um pequeno assunto como aquele, pequenos assuntos se tornariam grandes em um piscar de olhos, aquela seria a hora de provar o poder do Ministério. – Estou indo reuni-los, com sua licença, meu caro. – Ao terminar de falar, Dolores se retirou rapidamente do átrio, em pouco menos de uma hora teria todo o parlamento reunido.
Lucius caminhou para o seu departamento, passando pelos elevadores, muitos bruxos já estavam sabendo do que havia acontecido com Draco, mas Lucius estava procurando alguém especifico alguém que lhe devia um favor. E ele já sabia com toda certeza quem seria: Walden Macnair.
– Chamem Macnair. – Lucius anunciou para algum de seus subordinados, trabalhava como Procurador Geral do Ministério, algo que o equiparava com autoridade ao vice-chefe do departamento de Execuções das leis da magia. – E rápido. – Trovejou, como sentia raiva daquela vida que levava, sentia falta da época das trevas, mas sentia que o Lord estava para retornar, embora a marca negra não estivesse queimando, sentia cada vez mais a presença e a mágica do Lord.
Poucos minutos depois um homem bastante aplumado entrou na sala de Lucius, era Macnair. – Mandou me chamar, Lucius? – O homem adentrou ainda mais na sala de Lucius, lugar que era gigantesco.
– Não, mandei verificarem sua frequência. – Lucius respondeu sarcasticamente. – Pode se retirar, já está verificada. – Ao dizer isso Macnair virou de costas e fez menção de que iria começar a caminhar. – Estúpido! É óbvio que eu mandei caso contrário não deixariam você nem passar pela minha porta. – Ao terminar de falar, Lucius apontou sua varinha para as portas, que se fecharam imediatamente.
– Enfim, em que lhe posso ser útil, meu caro? – Macnair caminhou em direção a mesa de Lucius, sentando-se em seguida.
– Já ouviu falar de Rúbeo Hagrid? – Lucius perguntou com o semblante bastante sombrio, enquanto Macnair passava os dedos pelo rosto um tanto pensativo.
– Ah sim! O Gigante que gosta de criaturas perigosas. – Macnair respondeu como se estivesse respondendo a um professor. – O que tem ele?
– O que tem ele? O que tem ele? – Lucius perguntou berrando. – Aquele monstro desprezível de sangue amaldiçoado legou um hipogrifo para a sua primeira aula de trato das criaturas mágicas, machucou seriamente o meu Draco! – Ao dizer isso, ele se aproximou de Macnair, segurando em seu colarinho. – Eu preciso do testemunho de um especialista para persuadir a Wizengamot a intervir em Hogwarts, e expulsar um funcionário, não será fácil convencer Madame Bones, nem o Scrimgeour, mas os outros idiotas, eu conseguirei facilmente, e você será meu especialista. – Ao terminar de falar Lucius soltou o colarinho de Macnair, que se afastou.
– Irei preparar meu parecer, quando é a audiência preliminar? Dumbledore estará presente? Afinal ele é o Chefe da Wizengamot. – Macnair perguntou um tanto temeroso, afinal não era tarefa imaginável dissuadir Dumbledore.
– Madame Bones é a Chefe da Wizengamot interina, e como essa é uma audiência... Relâmpago, Dumbledore não poderá comparecer, infelizmente. – Lucius e Macnair deram uma sonora gargalhada. – Prepare seu parecer, em mais ou menos 1h Umbridge irá nos chamar, ela está reunindo a Wizengamot.
Exatamente uma hora depois todos os membros da Wizengamot – Excetuando Dumbledore – estavam presentes no Antigo Décimo Tribunal. Madame Bones estava sentada no lugar que pertencia ao Juiz, logo era de se adivinhar que Dumbledore não havia sido informado sobre aquela audiência.
– Pares de Bruxos e Bruxas da Suprema Corte. – A voz trovejante de Madame Bones ecoou por todo o recinto. – Estamos reunidos aqui hoje, tendo como Inquisidores Cornélio Oswaldo Fudge, Ministro da Magia, Dolores Jane Umbridge, Subsecretária Sênior do Ministro, e Lucius Abraxas Malfoy, Desembargador Geral do Ministério, para decidir como intervir em Hogwarts... – Ouviram alguns murmúrios por parte dos membros da Wizengamot.
– Como sabemos. – Cornélio Fudge tomou o comando da reunião. – Dumbledore tem delegado muitos poderes a sua escola, graças ao seu acumulo de cargos no Ministério, os professores deveriam passar por uma pré-seleção Ministerial, e nem isso acontece. – Ouviram-se murmúrios concordantes. – Proponho uma gigantesca intervenção a Hogwarts, a longo prazo é claro. Dumbledore terá 1 ano, a contar do Ano letivo próximo, para se adequar as normas Ministeriais. Caso contrário, o Decreto Educacional voltará a ser usado.
– Eu tenho algumas colocações, Cornélio. – Um homem que a primeira vista se assemelhava a um grande leão, com uma juba um tanto esbranquiçada, levantou-se, não sendo necessário alterar sua voz, que era grave e forte por natureza. – Rufus Scrimgeour, Chefe da Seção dos Aurores, Cacique Supremo, Primeira Ordem de Merlin! – Rufus se apresentou como se fosse de fato necessário. – Dumbledore não vai acatar esse decreto de forma como os jovens dizem? Ah sim, passiva. – Disse olhando para cada um dos membros da Wizengamot. – Penso quê, por hora não decretemos isso, deixemos para o fim do ano letivo próximo, ele não poderá intervir a tempo, Hogwarts anda se tornando um poço de intolerância, Dumbledore não pode pensar que manda no Mundo Bruxo! – Ouviram-se alguns aplausos por parte da Wizengamot, Lucius e Macnair entreolharam-se surpresos, o Conservador Scrimgeour, estava preparando um excelente estratagema. – Como todos sabem, meu afilhado estuda em Hogwarts, está em seu terceiro ano, e eu não posso deixar que ele cresça sem saber que esse Templo de Justiça ainda conserva seus grandes valores, achando que Hogwarts manda no mundo bruxo, proponho uma séria intervenção. – Todos se entreolharam muitíssimos satisfeitos com as propostas de Scrimgeour.
– Lucius Abraxas Malfoy, Procurador Geral do Ministério, Primeira Ordem de Merlin. Como sabem senhores... – Alguns olhares se focavam em Lucius, Scrimgeour sentou-se novamente, demonstrando chateação por ter de ouvir o discurso de um Comensal da Morte. – Meu filho essa semana sofreu um brutal ataque em vista da falta de experiência de Rúbeo Hagrid em ministrar a matéria que lhe foi designada. Draco sofreu um ataque de hipogrifo, em sua primeira aula de Trato das Criaturas Mágicas. – Os bruxos da Wizengamot cochicharam entre si, apenas Scrimgeour pareceu não estar interessado no caso.
– Hem-hem. – Dolores Umbridge se pronunciou com um pigarreio bastante particular, parecia que precisava de uma pastilha muito forte para tosse. – Dumbledore está caquético de mais para comandar uma escola tão grande. Devemos intervir antes que seja muito tarde, e mais jovem corram grandes riscos. – Dolores falava de uma forma assaz simplória, parecia que ela estava 10 quiçá 11 tons acima de todos os bruxos que estavam ali. – Lucius, trouxe um problema indubitavelmente sério para essa corte, um garoto sofreu um ataque de uma besta feroz, quantos outros bruxos não poderão sofrer esse mesmo ataque? Proponho que afastemos Hagrid de sua docência, e coloquemos Guilhermina Grubbly-Plank, uma ex-ministerial de integridade inquestionável para lecionar, até segunda ordem!
– Que seja! Tenho muito a fazer, temos um criminoso muito perigoso à solta, caso não saibam! – Scrimgeour bufou, levantando-se. – Umbridge, promulgue os Decretos, eles entrarão em vigor em 1995. – Apesar de Rufus não ser o Ministro da Magia a autoridade de Scrimgeour naquela corte era incontestável, tanto que Dolores não discutiu, apenas assentiu e começou a escrever, com um sorriso bastante diabólico no rosto. Cornélio apenas assentiu atônito percebendo que não tinha poder nenhum em mãos. – Sirius Black foi avistado próximo a Hogsmeade, meus aurores estão indo para lá, sugiro que avisem aos seus familiares que se mantenham longe da casa dos gritos, é um excelente esconderijo. – Todos murmuraram algumas coisas sem a menor importância, até que Rufus pronunciou-se novamente. – Alguém é contra as mudanças impostas? – Mal deu tempo de alguém erguer sua mão. – Excelente! Moção aprovada transcreva tudo, Bones. – Rufus caminhou para fora da sala, logo que ele passou a caminhar, foi possível notar que ele possuía uma leve tendência a mancar, deveria ser algum ferimento de combate.
– Como Scrimgeour disse. – Madame Bones tomou o controle do tribunal novamente. – Uma severa intervenção estará ocorrendo, em vias secretas em Hogwarts, Dumbledore a partir desse instante, está retirado de seu posto como Chefe da Wizengamot. – A Wizengamot, era composta apenas por Ministeriais que se mostravam favorável a politica de Centralização do Poder de Fudge. – Excelente, estão todos dispensados. – Todos aceitaram prontamente a colocação de Madame Bones, e Scrimgeour, uma Nova Era começava no Ministério da Magia. Uma era de corrupção e intrigas, onde o destino do Mundo Mágico ficaria incerto mais uma vez.
