Alguns dias se passaram desde o incidente envolvendo Dafne e Vincent, que não se falavam desde então, corriam-se inúmeros boatos que Dafne estava em completa depressão após a reação adversa de Vince aos seus carinhos. As férias estavam se aproximando, e como sempre as provas finais estavam chegando, a ameaça de Sirius Black ainda pairava no ar, ainda mais agora que ele havia conseguido fugir da torre mais alta do castelo, sabe-se-lá-Deus-como. Astória Grengrass ficava alheia a tudo aquilo, fingindo que não havia tido participação nos planos amorosos de sua irmã para conquistar o jovem Selwyn.

– Vince! – Astória disse visivelmente irritada. – Eu já disse que não houve participação minha nesse atentado! – Os dois caminhavam dentre a multidão de alunos do primeiro ano, que se esquivavam de Vince por puro instinto de preservação.

– Astória, eu sou uma pessoa sensata, não tente brincar com a minha inteligência. – Vincent disse em seu tom calmo de sempre, algo que assustava bastante a jovem Greengrass. – Você me pediu para ajudá-la, ciente de que eu não seria condescendente com os sentimentos dela!

– Calúnia! Calúnia e difamação! Vince, pare, pare! – Disse ela finalmente alcançando o garoto, segurando-o pela manga de sua camisa. – Dafne realmente gosta de você, você não precisa ficar tão nervoso por conta de uma pequena besteira como essa isso acabaria acontecendo cedo ou tarde.

– Você admite então que planejou essa atitude estapafúrdia? – Vincent perguntou, puxando Astória pelo braço. – Se eu dormisse em um ninho de cobras estaria mais seguro do que nas mãos da minha suposta amiga! Astória Catherine Greengrass, o que levou você a pensar que eu reagiria bem a alguma coisa daquele tipo? – Astória pareceu estremecer ao ouvir seu nome inteiro.

– Admito, admito cem vezes se forem necessárias! – Astória respondeu com seus pulmões em brasa. – E não seja tão dramático, não combina tanto assim com você. Agora vamos juntar os pontos: Primeiro de tudo: nunca mais me chame de Astória Catherine. Segundo: Eu quis juntar duas pessoas de coração destruído para quem sabe, construir novamente os pedaços do coração juntos. E terceiro: Você seria um excelente namorado para Dafne, e ela uma excelente namorada para você. Por isso, eu já combinei com meus pais, e você vai passar as férias com a gente, em Thrushcross Grange.

– Thrushcross Grange? – Vincent perguntou um tanto quanto surpreso. – Astória Catherine Greengrass, como você ousa combinar algo do tipo sem me consultar? – Vincent disse aproximando-se novamente da jovem menina loura.

– Não me chame de Catherine! Ou eu lhe arranco as maças do rosto! – Disse Astória ficando levemente vermelha. – Sim, você virá para a Granja comigo e com a Dafne, passaremos grandes meses de excelente diversão, meus pais estão ansiosos para te conhecer.

– Tudo bem, Cathy, não te chamarei de Catherine. – Vincent disse rindo, bagunçando os cabelos da loirinha ao seu lado. – Está bem, irei com vocês a Granja, mas que sua irmã não espere recepções muito calorosas de minha parte. – A conversa dos dois findou-se naquele instante, Astória tinha aula de história da magia dali a três minutos, e precisava correr não que fosse realmente preciso, mas ela havia adquirido, graças a Vince, um horror por atrasos.
Horas mais tarde Dafne estava sentada na cama de sua irmã Astória, ambas conversavam em sussurros para não despertar as outras sonserinas.

– Você fez o quê? – Dafne perguntou surpresa ao ouvir que Astória havia chamado Vince para passar as férias na Granja.

– Chamei o Vince para passar as férias na Granja, comigo, com você, e com o papai, e a mamãe. – Astória disse com um adorável sorriso diabólico no rosto.

– Você é um... Gênio. – Dafne disse dando um enorme sorriso e apertando sua irmã contra o peito, Astória mostrava-se visivelmente desgostosa.

– Sei, sei. – Astória disse afastando-se do corpo de sua irmã. – Agora eu vou dormir, se me der licença, Dafne, boa noite.

Os dias se passaram, rapidamente, diga-se de passagem, quando todos puderam notar já estava no dia de férias, Vincent arrumava suas coisas, iria passar algum tempo na Granja dos Greengrass, estava bastante entusiasmado para aquele evento, afinal, poderia conhecer pessoas influentes e poderia ficar algum tempo com Dafne, para esclarecerem de vez aquele assunto. Como um relâmpago amarelo, Astória entrou no dormitório masculino.

– Vincent, Vincent. – Astória falava a plenos pulmões, embora Vincent fosse a única presença masculina naquele local.

– Por Deus, Astória. Que animação toda é essa? – Vincent perguntou, enquanto terminava de guardar sua ultima camiseta.

– Você vai para a Granja comigo e com a Daf, não é o suficiente? – Astória perguntou, caminhando para o lado de Vince, o ajudando a fechar a mala de roupas. – Meus pais estão tão ansiosos para te conhecer! – Astória deu uma espécie de grito inaudível – Serão as melhores férias deste universo conhecido.

– Não sei Ast... Ainda penso que talvez não seja uma boa ideia. – Vincent comentou colocando a mala no chão, encantando um carrinho para levar suas coisas. – Eu acho que não irei suprir as expectativas deles, mas quem sabe não é? ... Dafne já está pronta?

– Deixe de fricote, vai ser muito divertido. – Astória agarrou-se ao braço de Vince, e caminhou com ele para fora do salão comunal, encontrando Dafne em um dos corredores.

– Vince... Ast... Bons dias como estão? – Dafne disse visivelmente nervosa, mas ela estava linda, seu rosto habitualmente branco, estava levemente corado, seus cabelos dourados moldavam perfeitamente seu rosto.

– Bom dia, Daf. – Disse Astória se aproximando e beijando a irmã no rosto.

– Bons dias, Dafne. – Vince disse cordial, caminhando ao lado de Astória, que por sua vez estava entre Vince e Dafne.

– Eu estou tão ansiosa! – Astória disse com sua belíssima voz. – Vamos nos divertir tanto na granja. Pena que temos que passar por certas coisas antes de ir. – Astória olhou com profundo nojo para os sangues ruins do primeiro ano que cruzavam o caminho.

– De fato. – Vincent e Dafne concordaram em uníssono.

– Essa escória não sabe o lugar dela. – Comentou Vincent com visível rancor em sua voz, sendo apoiado por Astória e Dafne.

– Deviam ser proibidos de cruzar o mesmo corredor que nós... – Dafne disse bastante convicta. – Se meu grandioso avô Asmund visse o que está sendo feito nessa escola teria um verdadeiro ataque.

– As pessoas perderam a noção de superioridade... Sangues puros se misturam com os malditos sangues ruins, veja o exemplo do menino Weasley, vive em um verdadeiro chiqueiro, mas ainda sim tem uma herança sanguínea apreciável... – Vincent comentou pausadamente. – Mas estraga sua linhagem se misturando com a sabe-tudo-granger.

– Elementar, meu caro Vince. – Disse Astória com um tom de voz cômico. – Não há mais salvação... Vamos correr, senhores? Caso contrário iremos perder o trem... – Astória disse apertando o passo puxando Vincent e Dafne junto com ela.

Alguns minutos se passaram e os três se instalaram na cabine do trem, apenas eles, aparentemente nenhum outro se arriscou a sentar por ali. Astória e Dafne eram muitos parecidas fisicamente, mas a personalidade de cada uma diferia principalmente no que tangia ao contato com o sexo oposto, Astória sabia se aproximar, conquistar a confiança e não parecer vulgar – não que Dafne parecesse vulgar – mas ela não dominava a aproximação, durante um bom pedaço do trajeto ficou de escanteio nas conjecturas de Vincent e Astória.

– Por isso eu acho que Cornélio está se colocando em maus lençóis... – Comentou Dafne, firmando sua presença na conversa. – Nosso tio, que trabalha no gabinete de Fudge, disse que ele omite muitos fatos quando quer... As movimentações sombrias de Black não são explicadas pelo ministério... E ele abafa a mídia quando quer.

– Concordo inteiramente com você. – Vincent se mostrou bastante favorável a afirmação de Dafne. – Fudge além de não ser muito popular nas altas câmaras ministeriais ainda se engambela com essas coisas... Não dou dois anos para fazer algo estúpido e ser exonerado... – Os três riram.

Mais alguns minutos se passaram, Vincent e Dafne conversavam animadamente enquanto Astória convenientemente havia dormido para deixar os dois pombinhos "a sós".

– Dafne, não acha melhor acordarmos sua irmã? Já estamos quase chegando, e ela demora um pouco a acordar... Deve saber disso melhor do que eu. – Vincent falou calmamente, enquanto consultava seu relógio de bolso.

– Sem dúvidas, Vince. – Dafne respondeu enquanto cutucava levemente os ombros da irmã, fazendo ela se mover um pouco. – E como sei! Essa menina quando quer é um verdadeiro pesadelo para acordar... Como numa vez, que ela fingiu que estava morta, deu um susto danado em um dos elfos lá da Granja. – Vincent e Dafne riram um pouco da situação, enquanto aos poucos Astória abria os olhos.

– Já chegamos? – Astória era uma verdadeira artista, conseguia fingir os efeitos de alguém que havia acabado de acordar. – É bom que sim, Dafne sabe como eu odeio ser acordada sem precisão. – Astória deu um bocejo discreto e então voltou a prestar atenção nos dois, que pareciam estar um pouco mais próximos.

– Bem, todos sabem disso, Astória. – Disse Vince um tanto quanto ríspido. – Bem, estamos chegando, em menos de 5 minutos vamos chegar, pegue sua bagagem de mão e prepara-se para irmos direto para a porta do vagão, não quero que os sangues ruins encostem-se a mim. – Dafne e Astória concordaram com a cabeça, pegando tudo que as pertenciam e quando faltavam apenas 2 minutos para o trem parar, o trio saiu de sua cabine e caminhou em direção a porta do vagão, sendo os primeiros a saírem.

Caminharam rapidamente em direção ao compartimento de bagagens da locomotiva, logo levaram seus carrinhos com as bagagens em direção ao point de encontro com os membros restantes da família Greengrass, Eleonor e Samuel Greengrass. Eleonor reunia as feições características de Astória e Dafne, era como uma fusão das duas, e com alguns anos a mais. Samuel era um homem louro, de cabelos bem claros, curtos, olhos bastante claros, e um semblante bastante duro.

– Vincent Selwyn! É imensurável o prazer que sinto ao conhecê-lo! – Eleonor anunciou enquanto dava dois beijinhos no rosto de Vince, algo típico de socialites bruxas. – Astória fala tão bem de você, que mal podíamos esperar por esse encontro, não é querido?

– De fato, minha querida, de fato. – Samuel concordou firmemente. – É uma honra conhecê-lo, meu caro. – Samuel apertou a mão de Vince educadamente, tudo estava sendo feito como mandava a cartilha de bom comportamento bruxo.

– Mamãe, papai! – Astória comentou bastante feliz, correndo em direção da mãe e lhe dando um caloroso abraço, em seguida depositou um beijo na face do pai. – Senti bastante a falta de vocês.

– Sentimos a sua falta também, meu amor. – Eleonor disse calmamente, afagando a filha. – Dafne, meu amor, não vai vir nos cumprimentar? – Dafne mantinha-se afastada de toda aquela concentração de afeto, distava de Vince por alguns centímetros, mantendo seus olhos fixos nele.

– Já vou, mamãe. – Disse Dafne caminhando lentamente em direção à mãe e a abraçando, e então apenas passou a mão sob o ombro do pai, dando-lhe alguns tapinhas. – Como estão?

– Estamos bem, Dafne. – Samuel respondeu seco, caminhando em direção a uma mesinha que estava disponível, com lugares suficientes para os 5. – Achei certo que deveríamos comer um pouco antes de ir para a granja, é bastante longe, e vamos com um carro enfeitiçado, não faremos muitas pausas então.

– Por mim tudo bem. – Vincent respondeu prontamente enquanto caminhava levando seu carrinho de malas e o de Dafne, pois o de Astória, Eleonor havia levado. Dafne havia ficado um tanto quanto surpresa com o ato de Vince, que agora estava observando-a mais atentamente, parecia ter perdido parte de seu brilho com o encontro com os pais.

– Vincent, você um excelente rapaz, não digo apenas com base em sua cortesia, mas tendo base suas notas escolares... São excelentes. – Samuel comentou enquanto pegava alguns sanduiches que provavelmente haviam sido preparados pelos elfos domésticos da Granja.

– Vincent é um aluno prodígio, tem um grande futuro no que quiser fazer. – Astória comentou enquanto cortava metade de um dos sanduiches para comer. – Não concorda, Dafne?

– Sim, Ast, concordo. – Dafne disse visivelmente chateada, enquanto comia um dos sanduiches. – Ele é bastante inteligente e prestativo, todos os professores gostam dele, até me ajudou com transfiguração.

– Você tem um futuro muito bom, Vince. – Eleonor comentou enquanto distribuía os lanches. – Bem, vamos ficar mais uns 5 minutos por aqui, até que todos os indesejáveis saiam e aí poderemos ir tranquilamente para a granja.

E assim foi feito, alguns minutos depois, todos se levantaram e caminharam em direção a saída da estação, Vincent estava bastante animado para conhecer a propriedade onde passaria suas férias.